Mais aventuras aprilinas

 

          Ontem de manhã fui assistir ao culto matinal na PIBT. A igreja estava tão lotada que tive dificuldade em conseguir um lugar, pois cheguei em cima da hora e, no lugar que ocupo há 13 anos, estava sentado um senhor que não conheço. A PIBT anda muito cheia, com dezenas de pessoas assistindo aos cultos do lado de fora. Isso porque é uma igreja realmente séria, onde se prega o Evangelho da Graça, sem acréscimos ou subtrações; escutam-se boa música, hinos clássicos e a pregação de um pastor culto e charmoso, cujo único defeito - a meu ver - é achar que eu sou ?ninguém?, na igreja...

          O assunto da pregação foi embasado em Mateus 5:13-16. O pregador falou contra a frieza dos cristãos, que aceitam Jesus como Salvador, vão à igreja uma ou duas vezes por semana, nada  fazendo para evangelizar os incrédulos, muitos até levando uma vida dupla, comportando-se como pagãos, no lar e no ambiente de trabalho, etc. Frisou o perigo do pecado da omissão e do mau testemunho; contou duas ilustrações e creio que muita gente ali (inclusive eu) estava com a consciência em brasa, ao sair da igreja. Quando vejo como eu poderia fazer mais na obra, sinto um arrepio, só de pensar na hora de enfrentar o Tribunal de Cristo! Uma das boas qualidades deste pregador é que ele gosta de mostrar os pecados dos crentes, sem temer a reação de qualquer um deles.

          À tarde, traduzi um artigo do David Cloud sobre ?Doutrina Bíblica?. Li uma porção de e-mails, respondi alguns e, de repente, já era noite. Como não durmo durante o dia e sempre fico arrumada em casa, só precisei colocar um casaco, pois a temperatura sempre cai à noite, aqui em Terê. E saí à procura de uma igreja carismática, aqui perto, onde eu pudesse escutar algumas ?boas? heresias. A ?igreja? que eu tinha em mente estava fechada e fui andando em busca de outra, descendo a avenida. Encontrei uma congregação pequena, numa rua transversal, e entrei. Havia poucas pessoas aguardando a hora do culto. Perguntei quem era o pastor e logo se apresentou um irmão desengonçado, com aparência de penteca.

Comecei a conversar com o dito. A versão que ele usa é a ARA. Expliquei que a melhor versão é a da Bíblia Trinitariana e mostrei alguns desvios da ARA. Perguntei em que seminário ele estudou; respondeu que foi no Seminário da Igreja de Deus, obviamente uma organização pentecostal. De repente, estava na hora de começar o culto. Olhei o relógio, pensando que iria escutar uma tonelada de heresias pentecas e senti um cansaço enorme. Só que Deus tinha um plano mais suave para a minha noite, provavelmente compadecido do peso dos meus quase 80 anos. O tal ?pastor? consultou o relógio e falou: ?Está na minha hora de ir até a Rodoviária esperar a filha?. Perguntei se o culto não iria atrasar uma meia hora, pois ele estava saindo no exato momento do culto começar, ao que ele respondeu: ?Que nada, vou e volto em menos de 20 minutos... Se o ônibus não atrasar. Depois que eu voltar, começo o culto?. Achei uma falta de consideração com Deus e com os gatos pingados que ali se encontravam... e dei o fora.

Fui descendo a avenida e, depois de umas duas quadras, encontrei uma igreja realmente séria - a Casa de Oração. Entrei e ali fiquei, sentindo-me pouco à vontade, por causa da calça comprida que estava usando, vendo as mulheres todas de saia e blusa, com as cabeças cobertas com um véu. Fiquei quietinha, escutei os cânticos (muito fraquinhos e até desafinados) da congregação, imaginando que todos estavam agradando a Deus, pois os únicos instrumentos musicais que ali existem são um violão e um teclado, num ambiente sem gritarias e danças, exatamente conforme o recomendado em Habacuque 2:20: ?Mas o SENHOR está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra?.

            Antes do culto, um senhor veio falar comigo e perguntou: ?A senhora não é a D. Mary da Primeira Igreja Batista??  Confirmei e ele pediu que eu escrevesse o meu nome, pois sendo ?estrangeiro?,  ele não saberia escrever corretamente. Para o pastor da PIBT eu sou ?ninguém?, mas para os de fora eu existo (Talvez não me conhecendo bem, eles me comprem facilmente, Aleluia!).

          Depois de muita cantoria, a pregação foi rápida, de apenas 15 minutos, para 75 minutos de culto,  incluindo os cânticos de um casal de namorados, de um grupo de oito pessoas e do coral. Mas escutei uma boa pregação, feita por um ex-batista fundamentalista, o qual, realmente, conhece a Bíblia.

          Depois do culto, fiquei meia hora conversando com o pregador e com dois líderes da igreja. Dei o meu CD para um deles e saí com o coração leve e satisfeito com o que aprendi naquela pequena congregação, onde se prega realmente a Palavra de Deus. Romanos oito, vinte e oito! Se não fosse a irresponsabilidade do tal pastor penteca, eu teria perdido uma boa pregação. Mesmo assim, um dia pretendo voltar àquela ?igreja? penteca, pois, quem sabe, o tal pastor não tenha compromisso na Rodoviária e eu possa escutar ali umas boas heresias!

 

Mary Schultze, 20/04/2009.

www.cpr.org.br/Mary.htm