Três Fábulas de Esopo

 

          Depois de escutar três fábulas de Esopo, que eu acabara de traduzir no computador de sua mãe (o meu ficou alguns dias na oficina), Luísa resumiu tudo com estas palavras:

         “Era uma vez um pescador que estava viajando, montado num burro, tocando sua flauta, conduzindo um rebanho de ovelhas e seguindo em direção ao mar, para pescar alguns peixinhos”.

         Ela disse uma vez que, quando crescer, quer ser “igual à vovó”. E, pelo visto, vai ser bem melhor do que eu, pois resumiu as 3 fábulas de maneira inteligente. Vamos às fábulas.

 

1. - O burro selvagem e o burro doméstico

 

         Um burro selvagem morria de inveja de um burro doméstico, o qual tinha ao seu dispor boas rações. Mas logo o burro selvagem começou a observar como era árduo o serviço que o outro era obrigado a fazer. Ele viu o coitado carregando pesados fardos e recebendo freqüentes açoites do seu proprietário, o qual usava um longo bastão para castigá-lo. Foi então que o burro selvagem verificou que sua inveja era infundada, tendo em vista o preço que o burro doméstico era obrigado a pagar pelas suas “vantagens”.

         Moral da história: Nada existe para ser invejado num estilo de vida que provê certos confortos recebidos em troca de muita dor e sofrimento.

 

2. - O Pastor e suas ovelhas

 

Um pastor estava conduzindo o rebanho em direção à floresta, a fim de permitir que as ovelhas se alimentassem com os frutos de um carvalho. No coração da floresta, ele encontrou um grande carvalho carregado de nozes. Estendeu sua capa sob o carvalho e em seguida subiu no mesmo, de onde começou a jogar muitas nozes para o chão. Imediatamente, as ovelhas começaram a comer os frutos e tão grande foi o seu entusiasmo que elas também comeram a capa do pastor. Ao constatar o que elas haviam feito, ele ficou furioso e atacou o rebanho, com o seu cajado, gritando: Ó animais perversos! Vocês dão a lã dos seus lombos aos estranhos, para que eles se agasalhem contra o frio. Mais eu, que alimento e cuido de vocês,  por sua causa fiquei sem a minha capa.

Moral da história: Do mesmo modo também muitas pessoas se empenham com todo o esforço para obsequiar os que por elas nada fizeram, enquanto se comportam vergonhosamente contra aqueles que as trataram bondosamente.

 

3. - O pescador que tocava flauta

 

Havia um pescador que se divertia tocando sua flauta. Certo dia, ele foi até uma praia, levando suas redes de pesca e o instrumento musical. Quando chegou à praia, ele se assentou sobre uma rocha, a qual se projetava sobre o mar, e logo começou a tocar a flauta.

Ele achava que a doçura de sua música iria hipnotizar os peixes e estes pulariam sobre a areia da praia, onde seriam apanhados. Mas as coisas não aconteceram conforme ele havia previsto. Após uma longa performance musical, ele não havia conseguido sequer uma sardinha. Então, ele deixou a flauta de lado, apanhou as redes e começou a apanhar os peixes na maneira convencional. Depressa ele cavou um grande buraco na praia e à medida em que ia pescando  e estendendo as redes sobre a areia, alguns peixes pulavam da mesma. Ao vê-los pulando no chão, o pescador observou: “Ó criaturas contraditórias! Quando eu lhes toquei a flauta vocês não dançaram, mas agora, quando parei de tocar, vocês estão aí se requebrando, na maior alegria”.

Moral da História: “Quando encaram uma adversidade, existem pessoas que apenas ficam ondulando os braços e reclamando da vida, sem resultado algum.

 

Comentário da avó de Luísa:

 

O burro selvagem era tão invejoso como uma senhora católica papa-hóstias, que tem enviado falsas mensagens via Internet, dizendo que voltei ao Catolicismo Romano, obviamente tentando me detonar moralmente. Só que, em vez de conseguir o seu intento, ela ficou mal por alguns conhecidos meus, pois eles sabem como eu sou sincera em meu amor pela causa de Cristo e, por isso,  jamais iria voltar a viver sob o tacão do Ratzinger. Espero que ela um dia se converta, caindo em si, como o burro invejoso desta estória.

         O Pastor e suas ovelhas - Esta fábula me faz lembrar Eliel Botelho, um pastor presbiteriano tão amoroso e preocupado com o crescimento espiritual do rebanho de sua igreja (mesmo recebendo um salário pequeno) que ia duas vezes por semana à minha casa, para me ajudar no estudo da Bíblia, depois que me converti. Sua esposa Ceci, dotada de um excelente senso de humor, costumava telefonar, quando ele demorava muito, perguntando: “Mary, nosso marido ainda está aí?”  A verdade é que, em vez de criticar o marido porque este ia me discipular, ela se sentia tão feliz com a minha conversão que orava por mim, até quando estava sob o chuveiro!

O pescador que tocava flauta - Esta fábula me faz lembrar de meu pai. Ele era muito bonito, alegre, generoso, gostava de tocar violão e cantar. Lembro-me que ele me colocava no colo e ficava tocando violão e cantando as canções da moda. Ele gostava de me ver dançar, me chamava princesa e dizia que um dia eu seria uma estrela internacional, como as de Holywood. Não acertou em sua profecia, mas quando eu era adolescente, ele declarou que estava muito orgulhoso de sua “Mary”, pois tudo que ele me ensinou eu aprendi e ainda fiz um pouco mais, por ter sido a única pessoa da família que aprendeu a falar Inglês na adolescência, deixando-o simplesmente maravilhado, quando me ouvia declamar alguns trechos de William Shakespeare, no original!

De uma coisa eu tenho certeza absoluta. Deus tem me agraciado, com todas as bênçãos, desde o ventre materno, até o dia de hoje. Além de me encaixar em Romanos 8:28, posso declarar, sinceramente, que Efésios 3:19-21 tem sido uma realidade em minha vida: “E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém”

 

Mary Schultze, 17/04/2008

www.cpr.org.br/Mary.htm

 

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)
...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João 1:7)