Quatro ex´TJs  versus barulho “gospel”

 

            O Centro de Pesquisas Religiosas de Teresópolis (CPR) realizou mais um congresso anual de ex-TJs (Testemunhas de Jeová), no sábado passado (26/05), ao qual compareci de boa vontade, sabendo que iria aprender muita coisa importante, como sempre acontece nos congressos do CPR.

            Havia ali algumas pessoas saídas da Organização Torre de Vigia, dispostas a mostrar como essa religião é perigosa, achatando a mente das pessoas com uma tremenda lavagem cerebral, escravizando-as a um deus por ela chamado “Jeová”. Esse deus, que a Torre de Vigia informa ser o único Deus verdadeiro, exige através do seu autocrático “Corpo Governante” uma prestação de serviços e uma dedicação fanática da parte dos seus membros, colocando a organização acima de família, da saúde, da educação, do patriotismo, enfim, do bem estar dos seus escravos religiosos.

            Algumas vítimas desse diabólico sistema deram depoimentos chocantes, durante as seis horas em que ficamos escutando-as, com os nossos  corações cheios de simpatia e amor cristão diante dos seus dolorosos testemunhos.

            No dia seguinte (27/05), algumas das ex-TJs compareceram a duas igrejas da periferia para  entregar os seus testemunhos e vou me reportar especialmente a uma igreja batista (avivadíssima), onde estivemos ontem à noite.

            O pastor diretor do CPR, que eu vou chamar simplesmente de PP, havia combinado com a liderança da tal igreja que iríamos chegar ali às 19 horas e sair _às 21 horas, pois uma de nossas convidadas (hospedada em meu apê) viera de Belo Horizonte e precisava tomar um ônibus na Rodoviária Novo Rio com hora marcada. Ele esperava (conforme o seu pedido) que os conjuntos de rock pesado da tal igreja maneirassem um pouco no número de apresentações. Infelizmente, isso não aconteceu e os “garotos do barulho” (ensurdecedor) cantaram pelo menos seis números, cada qual mais barulhento, com uma orquestra digna da boate mais moderna da cidade. Isso sem mencionar os erros de português e as heresias contidas nos tais cânticos “gospel”.

            O pastor da igreja fez uma ligeira pregação, usando um versículo do Livro de Josué (esqueci a referência do mesmo), no qual Deus prometia terra, riqueza e fartura aos judeus que vinham do Egito. Nesse momento, imaginei que todos os presentes naquela igreja (com exceção de PP, seus convidados e eu) eram judeus prontos a receber as promessas dadas a Josué. 

            Como eu sempre digo, pastor que lê e prega o Velho Testamento está querendo encher lingüiça, engabelar os membros da congregação e, é claro, coletar dízimos, pois foi exatamente isso o que aconteceu naquela barulhenta  “sinagoga” judaica travestida de verde-amarelo.

            Esse pastor é formado em Filosofia, conhece Psicologia e deve saber que as cartas de Paulo não convencem os iletrados bíblicos a entregar dinheiro e nem a se sujeitarem às exigências do “anjo da igreja”. Portanto ele se embasa, como a astuta maioria da classe, nos livros do VT, pois assim consegue espiritualizar as passagens do mesmo, adaptando-as ao momento atual e auferindo as vantagens que o Evangelho de Paulo não proporciona (O pastor “filósofo”  tem um tique nervoso, o qual não pude deixar de observar: ele fica esfregando as mãos  o tempo inteiro, como se estivesse aflito, por algum motivo).

Finalmente, depois de todos os números musicais, de duas orações quilométricas (com heresias tais como Deus tendo obrigação de “servir” os presentes), e de uma ligeira preleção embasada em Josué, o púlpito foi cedido ao PP e às quatro ex-TJs, as quais tiveram de resumir os seus testemunhos a três minutos cada um, pois a hora estava avançada e nossos ouvidos completamente ensurdecidos pelo barulho “gospel”. (A vontade que eu tinha era dar uns socos “gospel” naqueles garotos barulhentos!)

Quando íamos saindo às pressas, antes do culto terminar, por causa da exigüidade do tempo, veio nos procurar uma jovem da igreja  (a qual foi havíamos observado como em estado de transe, durante os números “musicais”), oferecendo-nos um programa de “cura interior”, segundo Neusa Itioka!

Neusa Itioka? Tenha santa paciência! Quem precisa de cura interior são os membros daquela igreja e não a nossa turma! Eu, por exemplo, estava precisando urgentemente de uma aspirina Bayer para a minha dor de  cabeça causada por aquele barulho ensurdecedor, mas isso a garota não tinha à mão para me dar. Dei-lhe o meu e-mail e pedi que ela me enviasse uma mensagem. Quando ela fizer isso, vai receber este artigo como resposta, pois sou má, tenho um coração de pedra (conforme disse um irmão penteca) e não suporto mais esses cultos-shows nas igrejas do Senhor, denegrindo a verdadeira adoração e falando de “louvor” o tempo inteiro. Essas igrejas agem como se Deus fosse SURDO, com os seus membros todos embriagados do “poder do espírito”... Com letra minúscula mesmo, pois o Deus Espírito Santo não é de barulho nem de confusão!

Quando observei dezenas de criancinhas sujeitas àquele barulho “gospel”, fiquei penalizada, pois as pobrezinhas são candidatas em potencial a uma tremenda surdez, dentro de alguns anos!

 

Mary Schultze, 28/05/2007, www.cpr.org.br/Mary.htm

 

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)
...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João 1:7)