A QUESTÃO FINAL

(Uma análise sobre “The Final Quest”, de Rick Joyner)

"O erro, de fato, jamais é apresentado nu e cruamente, porque assim exposto, ele é logo detectado. Ao contrário, ele é astuciosamente vestido de roupas atraentes, a fim de que, pela sua aparência externa, ele possa parecer aos inexperientes mais verdadeiro do que a própria verdade”. (Irineu).

Um livrinho muito interessante tem feito sucesso na comunidade cristã, de alguns anos para cá. Escrito por Rick Joyner, este volume intitulado “The Final Quest” (A Questão Final) declara ser a narrativa de um transe/visão/profecia referente aos últimos dias. Muitas revelações anteriormente desconhecidas encontram-se neste livro, o qual tem dominado de modo tempestuoso o mercado de escritos cristãos. Apesar da vocação de Rick Joyner como voz profética no movimento carismático, seu livro tem encontrado caminho nas linhas denominacionais, com as suas mensagens pessoais de santidade pessoal, do amor de Deus e de seguir a Cristo.

Contudo, as coisas não são como parecem.

Devido em grande parte a uma variedade de movimentos poderosos que surgiram na Igreja nos anos 1990, o próprio Cristianismo tem passado por uma dramática redefinição. Apesar da descrição da verdadeira doutrina do evangelho uma vez entregue aos santos (Judas 3), a palavra “ortodoxo” tem recebido conotações quase profanas. Quando um cristão se levanta para declarar a sua fé simples no texto escrito da Escritura, depressa ele se expõe ao ridículo, em alguns setores da comunidade de crentes. Tem-se tornado uma progressiva prática normal denegrir publicamente a confiança exclusivamente nas Escrituras, uma tática especialmente empregada pela liderança cristã envolvida no movimento que se tornou conhecido com a “Terceira Onda”.  O mantra familiar que “Deus está realizando coisas novas” tem de fato atrapalhado um exame crítico de certas doutrinas, as quais fazem uma rápida aparição em várias congregações, enquanto a pressão sobre os membros da Igreja para que “pulem dentro desse rio”, a despeito de quão enlameadas sejam as suas águas teológicas, tem sido de difícil resistência. Ninguém deseja ser considerado não espiritual, sendo esta a exata definição aplicada a qualquer membro que se recuse a aderir ao programa, mesmo sendo este biblicamente prejudicial.

“The Final Quest”  talvez tenha apresentado, pela primeira vez, em menos de 50 anos, uma organizada dissertação em forma de narrativa, do movimento que atingiu o mundo pentecostal, nos anos 1940. Conhecido com “Latter Rain’” (Chuva Serôdia), ele impactou os grupos da Igreja por toda a nação [e outras nações sul-americanas] com as seguintes doutrinas:

 

1. - Uso comum da profecia pessoal e dirigida.

2. - Jesus vindo “dentro” de Sua Igreja e não “para” a sua Igreja.

3. - Assumir o domínio dos reis do mundo.

4. - Uso predominante da alegoria na interpretação da Escritura.

5. - Teologia do “compartilhamento”, ou seja, passar à frente ou “compartilhar” uma específica “unção”.

6. - Negação do Arrebatamento dos crentes na Vinda de Jesus.

7. - Elitismo auto-estilado.

8. - Forte envolvimento com o misticismo.

9. - Restauração do quíntuplo ministério, com forte ênfase na submissão a uma nova geração de “apóstolos e profetas”.

 

Estas simples distinções, todas elas contrárias à compreensão ortodoxa da verdade bíblica, mal tocam a superfície dos ensinos do “Latter Rain”, o qual tem muitos aderentes em variados graus. Este movimento foi ostensivamente  condenado pelas Assembléias de Deus e, devido em grande parte à má reputação de tão aberrantes doutrinas e ao esfacelamento de inúmeras igrejas, ele se tornou subterrâneo. Contudo, ele jamais se deixou neutralizar, aguardando o tempo em que os seus proponentes pudessem desenvolver paulatinamente suas doutrinas, de modo que pudesse haver uma forma apropriada de aceitação mental dentro das fileiras congregacionais. [Satanás costuma agir pacientemente, quando deseja subverter a Igreja do Senhor]. Agora chegou a vez desse movimento eclodir e nele estão listados nomes de escol como: Paul Caim, Morris Cerullo, Bob Jones (não o da Universidade Bob Jones),  Earl Paulk e... Imaginem quem? Rick Joyner!

Como autor de um livro profético intitulado “A Colheita”, nos anos 1980, Joyner proclamou: “Disseram que o Apóstolo Paulo estava transtornando o mundo... Pois brevemente vão dizer sobre os apóstolos que serão ungidos que eles transtornaram o mundo. As nações vão tremer à menção dos seus nomes [Paulo transtornou o mundo com a pregação do Evangelho de Cristo. Esses novos  “apóstolos e profetas ungidos” vão transtorná-lo para conseguir a entronização do Anticristo].

Até mesmo uma leitura dinâmica do livro “The Final Quest”  é suficiente para revelar as crenças de Rick Joyner no “Latter Rain”. Uma mentalidade de tomar posse, culminando em virtual imortalidade para um escolhido grupo de “vencedores”, é o tema principal do livro. Seu livro seguinte, “The Call”  (A Chamada) é ainda mais contundente, declarando que um grupo de “vencedores” sem pecado vai remover o próprio pecado da terra. (p. 78 de “A Chamada”).  Uma rápida olhada na 1 João 1:8 é aconselhável: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós”.

Isto sem mencionar o fato das profecias de Cristo em Mateus 24, com respeito aos tempos finais, as quais dizem exatamente o contrário: “Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome”. (Mateus 24:9).

“The Final Quest” desafia as Escrituras básicas a níveis diversos. Para ser franco, este não é um livro sem importância. Ele altera radicalmente a compreensão bíblica de multidões, substituindo o sólido fundamento da Escritura pela sabedoria esotérica e experiência mística: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Isaías 8:20).

Com  isso em mente, vamos prosseguir avaliando “The Final Quest”, de preferência com a Bíblia aberta à nossa frente. [A tradutora estará usando as referências da Bíblia FIEL de Almeida].

 

Página 7 - Joyner teve um sonho, em 1997, e, em seguida, uma série de visões e experiências proféticas relacionadas ao mesmo. Ele deu uma versão condensada do primeiro sonho no “The Morning Star Prophetic Bulletin” e no “The Morning Star Journal”, sob o título “The Hordes Of Hell Are Marching” (As Hordas Infernais Estão Em Marcha). Mais tarde, ele publicou as partes 2 e 3, depois de uma série de “experiências proféticas. Determinado a escrever um livro, ele ... decidiu completar tudo que havia deixado de mencionar na versão condensada. [A meu ver, ele primeiro testou a aceitação de suas visões e, tendo constatado que esta fora boa, decidiu escrever um livro, adicionando mais “contos da carochinha” ao mesmo].

Perguntamos - Como é possível condensar uma visão de Deus? Será que nela existe algo menos importante para ser publicado? Como se pode editar uma visão de Deus?

Páginas 10-11 - Aqui ele fala sobre os diferentes “níveis”  da revelação profética, expressando-se com autoridade sobre o assunto, embora as Escrituras jamais tenham apresentado um vislumbre sobre as diferenças de níveis na inspiração divina. Esses níveis seriam: o primeiro, impressões; o segundo, “... um consciente senso da presença do Senhor ou a unção do Espírito Santo, provendo uma iluminação especial às nossas mentes”.  Joyner afirma que esse estado tem acontecido muitas vezes em seus escritos e palavras. Ele declara ter sido, provavelmente nesse estado, que os apóstolos escreveram as epístolas do Novo Testamento. Apesar do registro da revelação apostólica, Joyner afirma ser o nível em que “podemos ainda ser influenciados pelos nossos preconceitos, doutrinas, etc.”

Esta sentença abala completamente o âmago da infalibilidade da Escritura. Será que as Escrituras são inspiradas por Deus, sendo, portanto perfeitas,  ou será que não o são? (Leiamos 2 Timóteo 3:16-17). Quando Paulo expressou suas opiniões pessoais, ele sempre deixou isso bem claro, a fim de que não houvesse qualquer dúvida em relação às palavras do Senhor. Joyner gostaria que acreditássemos que, embora sejamos comandados a receber a Palavra de Deus, sem jamais nos desviarmos das Escrituras, algumas delas podem estar coloridas com percepções do vaso humano que as escreveu. Isso é muito perigoso, visto como pode dar margem a que desacreditemos em certas passagens, achando que se trata de opiniões humanas e não da perfeita Palavra de Deus para a Sua Igreja.

No que se refere aos níveis, colocar um sobre o outro numa ordem arbitrária é, no mínimo, duvidoso. Conheço pessoalmente muitas pessoas que afirmam ter tido uma visão, para mais tarde ficar comprovado que tudo era falso, após ter sido a mesma comparada com as Escrituras. Um transe não é, necessariamente, mais espiritualmente exato do que uma impressão. É mil vezes preferível ter exclusivamente a Bíblia e ficar repleto da verdadeira Palavra de Cristo, sem qualquer transe ou visão, do que ter uma tremenda experiência espiritual sem  qualquer respaldo bíblico. [Mesmo porque seremos julgados pelas palavras de Cristo (João 12:48) e não pelas visões e experiências que tivemos nesta vida].

É revelador que Rick Joyner declare que grande parte de sua “revelação” tenha sido “... recebida em algum nível de transe”.  Por isso, duas coisas me ocorrem aqui: 1). - Visto como Joyner tem colocado o apoio de sua obra na suposta superioridade de um transe, afirmar que ele teve uma visão pode colocá-lo acima de censura; 2). - Agora ele declara que os próprios transes têm níveis, afirmando que se pode interagir com o mundo físico durante o transe (como, por exemplo, atender ao telefone). Ele até mesmo podia sair voluntariamente do transe, sentar e apanhar um objeto que tivesse largado antes.

Nesse caso, é possível sair de uma visão, enquanto se atende ao telefone. Durante um certo episódio da visão, ele até mesmo viajou durante uma semana, tendo a visão recomeçado imediatamente, logo após o seu regresso, exatamente no ponto em que fora interrompida. Agora, digam-me se algum profeta do Novo Testamento podia fazer isso? [A inferência aqui é que o “Espírito Santo”, autor das visões de Joyner, funciona como um aparelho digital, o qual pode ser ligado e desligado, conforme a conveniência do “profeta”].

Página 12 - Joyner observa “enfaticamente” que nem sua revelação nem qualquer outra deveria ser usada para estabelecer uma doutrina. Mesmo assim, é exatamente isso o que ele faz em todo o seu livro. Vemos isso em seus supostos encontros com anjos, com espíritos de falecidos e com a visão do próprio Senhor Jesus, o qual lhe teria dito repetidamente para regressar à terra, com o conhecimento já recebido, enquanto ele (Joyner) esteve no “Terceiro Céu”. Qualquer homem de Deus gostaria de implementar os seus conhecimentos ou sabedoria nas esferas celestiais. O fato dele ter feito isso e de ter publicado em um volume o que ele aprendeu, o qual ensina essas doutrinas aos seus leitores, indica muito claramente que ele acredita no que ali aprendeu, a ponto de permitir que sua vida seja guiada por isso. Seu compartilhamento da visão vai servir para influenciar o mundo cristão, o que, de fato, já tem acontecido em larga escala. O ponto crítico aqui é que, ao declarar: “o Senhor disse?”, como Joyner sempre faz, ao longo de todo o livro, ele está emprestando um cunho celestial ao seu testemunho. Pelo sim e pelo não,  ele está usando essas frases para estabelecer uma doutrina, pois doutrina dita comportamento. Se as palavras do próprio Jesus Cristo estão contidas neste livro, então somos obrigados a viver conforme as mesmas. Isso é pura e simplesmente doutrina.

Página 14 - “Às vezes tenho questionado minha própria memória sobre alguns detalhes desta visão... separar qualquer joio que se encontra no meio do trigo.”

Essas declarações deveriam provocar um verdadeiro alarme no leitor com discernimento. Pois um homem que oferece uma visão/profecia desse quilate, destinando-a ao público leitor (presumivelmente ganhando um bocado de dinheiro no processo) e promovendo uma específica e detalhada conversa com Jesus, os espíritos do santos falecidos e seres angelicais, com tanta gabolice, ter a coragem de afirmar que sua memória pode ter falhado em alguns pontos... Francamente, é inconcebível! As questões que poderiam ser levadas aos cristãos poderiam ser as seguintes:

 

1. - Qual parte da visão poderia ser admitida como esquecimento? O próprio Joyner parece não saber.

2. - Se ele mesmo esqueceu alguns pontos da visão, não teria ele preenchido a lacuna com a sua própria imaginação, usando detalhes que lhe pareceram necessários?

3. - Será que alguma parte da visão seria desnecessária ou tão sem importância a ponto de ter sido esquecida?

4. - Se esse é o caso, por que teria o Senhor dado a Joyner uma visão/transe incluindo detalhes desnecessários? Especialmente quando os anjos, o Senhor e os espíritos dos santos (no céu) mostram continuamente a Joyner quão importante seria ele receber essas mensagens e levá-las à Igreja, quando a visão terminasse? O “Apóstolo Paulo” lhe diz a mesma coisa, na página 134, ao afirmar que “Existem duas coisas que conseguimos em nosso tempo (era apostólica), as quais foram logo perdidas pela Igreja e ainda não foram recuperadas. Você precisa recuperá-las. Você precisa recuperar o ministério e a mensagem”.  Se Joyner duvidou de sua memória  com relação a certos pontos da visão, como podemos ter certeza de que ele a recebeu corretamente?

5. - Como poderia alguém esquecer qualquer parte de uma mensagem desse tipo?  Lembrem-se que Joyner foi levado ao “Terceiro Céu”, teve uma conversa face a face com o Cristo ressurreto, tendo recebido sabedoria dos anjos e dos espíritos dos falecidos. Vocês teriam dificuldade para recordar uma visão assim? Isso, especialmente no exíguo lapso de tempo, entre ter recebido as “revelações” e tê-las escrito?

6. - Isso nos conduz a outra questão deveras preocupante. Será que Deus pode fazer com que os seus servos recebam corretamente toda a visão que Ele (Deus) entregou a um homem, para depois ele se lembrar da mesma? Ora, se Ele não tem essa capacidade, então Ele não é o Deus da Bíblia. Nenhuma das  profecias registradas nas Escrituras acentua o pronome “eu’”.  Elas são os exatos pensamentos de Deus. O fato é que Deus pode nos dar a certeza de que suas mensagens vão continuar sem qualquer diluição causada pelas preferências, preconceitos e fragilidade do homem, inclusive os de Joyner.  Como Joyner não pode garantir isso, então conclui-se que a visão exposta em seu livro “The Final Quest”  não provém de Deus.

Mais uma coisa que se torna dolorosamente clara é: dizer que a memória de um homem pode se tornar fraca pode ser uma conveniente evasiva, na hora da prestação de contas. Numa corte judicial, um homem é julgado conforme o seu testemunho. Declarar: “De fato, isso aconteceu” e logo em seguida falar: “Bem, pode não ter sido exatamente assim”, efetivamente anula o testemunho da pessoa. Eu jamais faria qualquer negócio com uma pessoa, cuja memória financeira não fosse confiável. Muito menos eu iria me aproximar de alguém com uma memória fraca, a qual estivesse tratando do futuro de minha alma, o qual deve ser alicerçado exclusivamente no testemunho de Deus.

Existe ainda muita coisa que poderia ser dita sobre a primeira parte do livro, mas somente para tratar de assuntos gerais...

 

Páginas 34-35 - Joyner entra num lindo jardim e avista a Árvore da Vida guardada pelos querubins. Um dos anjos guardiões lhe diz: “Os que conseguem atingir este nível, que conhecem o amor do Pai, podem comer”.

Foi exatamente o que Joyner fez.

Temos aqui uma coisa admirável. Joyner faz o que nenhum homem jamais fez, desde o princípio dos tempos - comer da Árvore da Vida. Suponho que isso o tornou imortal. Vamos lembrar as palavras do Senhor em Gênesis 3:22: “Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente”. E à medida em que Joyner fosse chegando mais perto da árvore, o verso 24 nos conta uma história bem diferente: “E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida”.

Os querubins foram colocados ali com o expresso propósito de guardar a Árvore da Vida. Lembrem-se que o Éden não foi um local simbólico ou alegórico. Ele existiu realmente, num tempo real, com anjos reais destinados a um dever real. A nenhum ser humano jamais foi permitido comer do fruto, nem o será, até o Reinado de Cristo na terra (Apocalipse 22:1-2).

Página 45 - O anjo “Sabedoria”, o qual se transforma em Jesus Cristo, explica a Joyner a diferença entre o primeiro, o segundo e o terceiro céus.  Supostamente, não se trata de lugares, mas de períodos de tempo, ou épocas, que vão desde a queda do homem até o Milênio. Esta é uma interpretação intrincada. Na Escritura, o Terceiro Céu não é equiparado ao tempo, mas a um lugar. Na 2 Coríntios 12:2-4, Paulo é levado a um lugar real, o Paraíso, o mesmo lugar para onde Jesus disse que iria levar o ladrão que estava na cruz da cruz (Lucas 23:43). O ladrão estava indo para um  lugar real, conforme as exatas palavras de Cristo, e não apenas para uma fração do tempo.

O “anjo” e o “Jesus” de Joyner interpretaram erroneamente a Palavra de Deus. Alguma coisa está totalmente errada, aqui...

Página 56 -  Joyner conta que foi colocado no meio de um grupo de anjos, no nível da montanha conhecida como “Salvação”. Depois ele declara que, à medida em que ia passando por eles, “... os anjos dobravam um dos joelhos, demonstrando-me grande respeito.” 

Joyner estava supostamente usando o “manto” da humildade e isso o qualificava para a homenagem da hoste celestial. Devo declarar que um registro desse tipo deve exigir um ego maciço para acreditar que seres celestiais vão se ajoelhar diante de você. Nenhum anjo da Escritura jamais iria ajoelhar-se diante de um homem! Eles se ajoelham somente diante de Deus.

Um anjo até fala com Joyner sobre ele e sua turma de “vencedores” do tempo final: “Vocês são os tremendos campeões”! Este cenário é apresentado em todo o livro, quando o exército dos últimos dias se torna o foco do poder de Deus, mais do que o de qualquer outra geração.  Sempre e sempre, o ponto focal do livro tem a ver mais com os “vencedores” do que com Cristo. Esta é a doutrina padrão do “Latter Rain”. Coloquem isso em mente, à medida em que prosseguirem na leitura do livro, porque nele as verdadeiras crenças de Rick Joyner aparecem claramente.

A Parte III do livro começa realmente a entrar em ostensivo conflito com a Palavra de Deus.

Página 87 -  Permanecendo em meio à grande nuvem de testemunhas das gerações passadas, Joyner diz ter encontrado uma figura que ele havia conhecido na terra (deixando claro mais uma vez que ele não está num tempo, mas num lugar que existe até aqui agora).

Página 98 - Joyner passa, então, a entrar em uma das mais controvertidas porções do livro, falando de obter sabedoria e revelação dos espíritos dos falecidos. Isso é necromancia, condenada como abominação nas Escrituras. O rei Saul, na 1 Samuel 28, buscou o conselho do espírito de Samuel [através de uma médium] e perdeu sua vida por causa disso.

Esse espírito com quem Joyner esteve conversando, como tendo sido um seu conhecido, contou-lhe que aquela multidão na qual ele se encontrava eram as “virgens loucas”, as quais, embora tendo recebido Cristo como Salvador, haviam perdido suas vidas por terem seguido os seus próprios caminhos [Aqui Joyner prega ostensivamente a perda da salvação]  Joyner contou: “As virgem rangiam os dentes nas trevas exteriores”. O espírito replicou: “Isso fizemos”.

Temos aqui um perigoso desvio da Escritura, pois Joyner está confundindo a parábola das virgens com a dos talentos,  ambas encontradas em Mateus 25. É na parábola dos talentos que o homem é atirado nas trevas exteriores, depois de amarrado pelas mãos e pés, para ali prantear e ranger os dentes. As trevas exteriores nunca são mencionadas em conexão com as virgens. Mesmo que Joyner não conhecesse o texto desta Escritura, o espírito (caso ele estivesse mesmo no céu) teria corrigido Joyner. Segundo, Joyner e o tal espírito nos levam a crer que as trevas exteriores são apenas temporárias. Mas, consistentemente, na Escritura, as trevas exteriores são apresentadas como um lugar de eterna separação de Deus, isto é, o inferno. Todo o contexto das passagens, tanto dos talentos como das virgens, apresenta a eterna separação de Deus. Continue a ler, a partir do verso 31, e o ápice de todo o capítulo é inevitável. Jesus está falando de separação entre as virgens loucas e as prudentes; do homem que usa os seus talentos e do homem que não os usa; de ovelhas e cabritos. O verso 41 declara enfaticamente: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”.  Também o “pranto e ranger de dentes” são sempre mencionados por Cristo no contexto da eterna separação de Deus: Vejam Mateus 8:12; 13:42, 50; 22:13; 24:51; 25:30 e Lucas 13:28.

Na parábola das virgens, Cristo (o noivo) fecha a porta e quando as virgens loucas chegam, Ele diz: “Em verdade vos digo que vos não conheço” (Mateus 25:12). Afirmar que as trevas exteriores são um castigo temporário por causa de uma vida desperdiçada longe do Senhor, conforme esse espírito faz, é contradizer o ensino da Escritura. Está claro que nenhum espírito celestial poderia ter dito isso a Rick Joyner.

Página 90 - Esta parte é, talvez, a mais perigosa do livro, pois bate de frente com a mensagem da salvação. O mesmo espírito continua a conversar com Joyner, contando-lhe que, após a morte, ele compareceu diante do Tribunal de Cristo e teve todos os seus pecados exibidos diante dos seus olhos, pecados dos quais ele não havia se arrependido, antes de morrer. Em seguida, o espírito dá a sua versão de “trevas exteriores”, que é a sensação de estar “no mais profundo abismo do inferno”, até que toda a sua vida tenha passado diante da presença de Cristo. Em seguida ele fala: “Eu lhe disse que lamentava e apelei para a misericórdia da cruz”...

Vemos aqui um homem, aliás toda uma companhia, que se arrependeu depois da morte. Irmãos e irmãs, isto não é bíblico! É uma afirmação totalmente contrária a uma enorme porção das Escrituras que falam da redenção total e suficiente de Cristo para o pecador, sem exibição alguma dos seus pecados cometidos na terra. [Para Joyner, Cristo é um masoquista aficionado em “cinema celestial”, que se deleita em ficar revendo os pecados cometidos contra Ele]. Vamos mencionar algumas Escrituras que comprovam o perdão definitivo de nossos pecados.

João 1:12; Romanos 3:24-28; 4:5, 25; 5:1; Efésios 1:7; 2:13-16; Colossenses 1:13-14; e Apocalipse 1:5. O Livro de Hebreus trata lindamente da completa redenção em Cristo Jesus. Ele foi escrito para os discípulos que estavam sendo impactados pela Lei do Velho Testamento, aos quais estava sendo erroneamente dito que precisavam acrescentar alguma coisa à salvação por eles adquirida através do sangue do Filho de Deus. Grande parte de Hebreus foi escrita para mostrar que eles nada podiam fazer, pois Cristo já havia feito tudo e... para sempre: “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”. (Hebreus 9:28). Vamos ilustrar com  Hebreus 10:9-22:

“Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez. E assim todo o sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados; mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados. E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver dito: esta é a aliança que farei com eles Depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, E as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades. Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado. Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa...”

É impossível, segundo a Palavra de Deus, que haja arrependimento depois da morte: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo...” (Hebreus 9:27). Ou nossos pecados são totalmente perdoados deste lado ou então sofreremos a condenação eterna, após a morte.

Gálatas 5:19-21 foi escrito para nos admoestar sobre as conseqüências de vivermos segundo os nosso caprichos aqui na terra. Jesus disse em Mateus 10:38-39: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á”.

Página 134 - O Apóstolo Paulo diz a Joyner que ele (Joyner) é a esperança daquela companhia de crentes com quem “Paulo” se encontra na eternidade. Contudo, as Escrituras nos dizem: “PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, segundo o mandado de Deus, nosso Salvador, e do SENHOR Jesus Cristo, esperança nossa (1 Timóteo 1:1).

Página 155 - Temos aqui um ponto muito interessante, quando Joyner diz que implorou a “Jesus”: “Senhor, por favor, me ajude a lembrar de tudo isso. Por favor, não me permita esquecer o que estou vendo aqui, depois que eu regressar!”

A resposta do Senhor teria sido “Esta é a razão por que estou aqui com você e ainda estarei com você, quando regressar”.

Jesus está prometendo a Joyner que de certo vai fazer com que ele se lembre da visão de um homem que Joyner conheceu na terra. Será que Ele não poderia também providenciar para que Joyner se lembrasse de todo o episódio do seu arrebatamento ao “Terceiro Céu”? Será que tudo isso não foi dito simplesmente para desculpar a memória fraca de Joyner, conforme a página 14?

Existe muito mais a ser dito sobre as contradições que se encontram neste livro, quando comparadas à luz da verdade bíblica. Porém estas já nos esclarecem bastante. Aqui somos desafiados numa perspectiva alarmante. Ou acreditamos em cada palavra que Joyner está dizendo: que ele de fato encontrou-se face a face com Cristo, quando foi trasladado ao Terceiro Céu; que ele falou com e recebeu revelações de anjos celestiais e de espíritos de falecidos, e que lhe foi entregue uma mensagem para ser trazida à Igreja, em seu regresso à terra... OU ENTÃO deixamos de acreditar em tudo que ele diz. Não existe  um meio termo. Um simples erro nessa pressuposta “revelação” já é suficiente para lançar uma gigantesca sombra de dúvida sobre tudo que ele escreveu. Deus não oferece mistura à Sua Igreja. No livro “The Final Quest”, Joyner, os anjos, os espíritos de falecidos e até mesmo o próprio “Jesus” entram em conflito com a Palavra de Deus. Se a Bíblia nos foi dada como único registro escrito dos pensamentos e instruções de Deus para o homem, então devemos ficar exclusivamente com o que ela ensina. Nenhuma opção de acréscimo deve ser permitida.

A popularidade é uma odiosa substituta da verdade. (Grifo da Tradutora). [Ela fabrica ídolos humanos, os quais desviam os crentes do mandamento de “olhar somente  para Jesus, autor e consumador de nossa fé” (Hebreus 12:2)]. Irmãos, voltemos à primazia da Palavra de Deus. E que as bênçãos de Cristo estejam com vocês. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém” (1 João 5:21).

 

Artigo “The Final Question”,  de Kevin Reeves

http://www.deceptioninthechurch.com/finalquestion.html

Traduzido por Mary Schultze, 29/07/2007 

http://www.cpr.org.br/Mary.htm