A namoradinha  de Pio XII

 

Pio XII, o Papa de Hitler e de Fátima, teve pelo menos uma namoradinha, no tempo e no espaço. Estivemos pesquisando a vida dessa mulher linda, elegante, culta, inteligente e apaixonada, que deu o maior apoio às obras do “piedoso” amigo de Hitler e impiedoso inimigo dos judeus e protestantes. Seu nome de guerra era Irmã Pascalina, também conhecida como “A Papisa”, visto como praticamente era ela quem dava as ordens dentro do Vaticano.

Sobre a Irmã Pascalina temos feito pesquisas interessantíssimas, principalmente através do livro de um escritor corajoso, que vasculhou a vida íntima dela e de Pio, que, segundo ele,   passavam juntos seus “piedosos”  serões.

Pascalina, conhecida pelos italianos como “La Popessa” era uma freira de estatura pequena, jovem e brilhante, que nasceu na Bavária, para se tornar mais tarde a grande inspiradora do homem mais poderoso e perigoso que o mundo já viu.

(O que mais me espantou ao ver o seu retrato foi a incrível semelhança física que existe entre essa “Popessa” e eu. Pascalina nasceu em 1894 (35 anos antes de mim), filha de Georg e Marie Lehnert, em Ebersberg, na Bavária, uma vila rural com pouco mais de 2.000 almas, situada a poucos quilômetro de Munique Seu nome de batismo era Josephine. Tinha cabelos louros, olhos azul-cinza escuros, foi criada no meio de outros seis filhos e cinco filhas, os quais compunham uma família de 14 pessoas. Josephine era a mais amada e mimada de todos, o que lhe valeu uma personalidade forte, independente e corajosa, destinada a torná-la alguém muito importante na vida da família (Outra semelhança comigo). Dizem os seus biógrafos que a primeira palavra que ela pronunciou não foi ”mutti” (mamãe), nem “papi” (papai), porém “nein”  ("não", demonstrando saber muito bem o que queria da vida)e seu apelido em família, desde tenra idade, foi “madre superiora”, profecia que iria se realizar cabalmente em sua vida. Seus pais tinham uma vida muito dura e procuravam incutir nos filhos a capacidade de enfrentar os problemas do dia a dia.

Josephine (Pascalina) fez a Primeira Comunhão aos sete anos (Eu também). Ao contrário das jovens de sua idade, ela sempre foi muito ajuizada e não gostava de brincar, preferindo ler e rezar o terço (Outra semelhança comigo). Por causa do seu comportamento rígido, logo mereceu o maior respeito dos irmãos, que obedeciam às suas ordens com a maior facilidade (Esta é a maior semelhança entre nós).

Ela adorava contemplar os campos floridos de sua terra, com os imponentes castelos medievais, lagos azuis e montanhas cobertas de gelo no inverno. Quando seu avô faleceu de tuberculose, o pai dela, Georg, tomou a responsabilidade da família, com apenas 17 anos de idade. Seus pais se casaram depois de concluir o primeiro grau, numa escola católica, Georg com 18 e Marie com 17 anos. Em sua juventude, os pais de Josephine gostavam de dançar e tomar cerveja, naquelas casas de chope tão comuns na Bavária.

Josephine acordava às 4,30 horas da manhã para dar comida às aves e gostava de ordenhar as vacas, o que fazia com ternura e habilidade. Ela sempre descobria um “jeitinho alemão” de fazer as coisas mais perfeitas, com menos dificuldade, levando baldes enormes cheios de leite para dentro da casa, onde eram transformados em deliciosas coalhadas e queijos frescos (Fiz  isso muitas vezes na fazendinha de meu pai, no Crato, Ceará). Contudo, apesar desse trabalho árduo, ela sempre gostava de se apresentar imaculada em suas roupas (Outra mania que sempre tive, tanto que ainda hoje passo meus alvíssimos panos de chão pelo avesso e pelo direito). Desde cedo, Pascalina (Josephine) se mostrou uma excelente cozinheira, especializada em torta de cerejas,  e ótima costureira, razão por que seus irmãos sempre lhe confiavam as roupas rasgadas para ela consertar, o que ela fazia com perfeição. Tinha mania de ordem e limpeza (Ah, meu Deus!), ralhava sempre com os irmãos por causa da bagunça que faziam em casa e foi daí que lhe veio o apelido de ”madre superiora”. E tudo isso com apenas nove anos de idade.

Enquanto todos os irmãos tomavam banho numa tina de madeira, dentro da cozinha, ela preferia tomar o seu banho (o que acontecia nos sábados à noite), no lugar mais recôndito do celeiro, exemplo que foi mais tarde seguido pela família. Seu espaço fora reservado com uma cortina especial, a fim de que ninguém pudesse vê-la em trajes sumários (Nunca me despi na frente de minhas irmãs mais novas e nem mesmo de minha mãe). Quando o pai, aos cinqüenta anos de idade, tentou recusar-se a usar o celeiro em vez da cozinha, ela o convenceu facilmente, pois tinha uma extraordinária ascendência sobre o “papi”.

Quando as aulas eram suspensas por causa da dureza do inverno, ela exigia levar para casa os deveres, principalmente o catecismo, o que muitas vezes enfurecia a freira que dava as aulas. Na adolescência teve brigas homéricas com o irmão Johann, que mais tarde se tornou mecânico em Munique. Ele ficou mais importante ainda, quando apareceu sobre uma moto, pois ninguém da família, inclusive a menina, jamais havia contemplado aquela máquina barulhenta,  possante e de aparência demoníaca. Os garotos caiam de amores por ela, em razão de sua beleza e um deles até apareceu em casa com uma carroça puxada por belos cavalos, numa dourada tarde de outubro, desejando conquistar-lhe as boas graças. Tudo em vão, pois em vez de ficar enlevada, a menina disparou numa tremenda risada, o que deixou o garoto completamente arrasado.

Certo dia, em Munique, um garoto veio até Josephine e convidou-a para dançar uma polca, o que ela aceitou. Mas quando o garoto tentou alisar o seu corpo, ela deu-lhe um empurrão que, segundo ela, fora tão forte como o que daria anos mais tarde, no cardeal Tisserant (Fiz a mesma coisa com um tal gerente do Teatro Ginástico, nos anos 1960). O pai dela ficou deliciado, quando viu o garoto puxar um lenço para enxugar o sangue que lhe escorria do nariz.

Vendo como seus pais e conhecidos envelheciam rapidamente nas lidas campesinas, Josephine começou a imaginar um meio de se livrar da mesma sorte. Compareceu com o pai a um festival de Mozart, em 1909, em Munique, quando tinha apenas 15 anos de idade. Ela amava a música erudita de tal maneira (Outra semelhança comigo) que seu pai sentia-se na obrigação de levá-la sempre a esses festivais. Contudo doía-lhe  a consciência ao pensar nas 14 bocas que deviam ser alimentada, o que levara o pai a conseguir mais um trabalho, como carteiro da vila, viajando cerca de vinte quilômetros diários, além de fazer sua cota de trabalho da pequena fazenda. Ir com o pai e a mãe à Oktober Fest, em Munique, era o sonho anual de Josephine. Ali,  os alemães esqueciam suas tristezas, entornando copos de até dois litros de vinho e cerveja (Fiz isso em 1967, quando ainda não era crente no Senhor Jesus Cristo), e se mostravam alegres e felizes, pelo menos nos dias da festa. Nessa época, ela já havia decidido fazer qualquer coisa honesta para sair do marasmo daquela vida do campo. Dormindo numa cama de palha trazida do celeiro, num apertado quartinho sem luz e ventilação, a coisa mais bela que ela podia contemplar era o seu rosário de contas pendurado num prego, na parede nua daquele compartimento pobre e sem beleza alguma.

Depois de assistir a uma representação da Paixão de Cristo, ela sentiu o desejo de servi-Lo e contou à mãe que havia decidido se tornar  freira. O pai e a mãe ficaram aborrecidos e como não lhe deram permissão, ela saiu de casa, sem o consentimento deles, foi para o convento e jamais regressou ao lar paterno (Isso mesmo eu fiz, quando vim do Recife para o RJ, sem o consentimento de meus pais)

O padre, que a conhecia desde a infância, deu-lhe apoio e logo estava a nossa jovem internada no Convento das Irmãs Mestras da Santa Cruz, em Altotting, nos arredores de Munique. Ali, diante de uma superiora corpulenta e mal humorada, ela foi confinada a uma cela ordinária, pior que uma estribaria, continuando a dormir sobre um monte de palha.

Logo depois, ela foi convocada a ficar sob as ordens da chefe das postulantes e assim permaneceu durante seis meses, sem ter o direito a qualquer palpite, obrigada a fazer voto de pobreza, castidade e obediência, o que a deixou totalmente aterrorizada. Apesar da rigidez do claustro, Josephine se mantinha impecável e aguardava dias melhores. Sem poder falar o que pensava, era-lhe permitido apenas decorar as lições e recitá-las, quando chamada ao dever. Tinha de andar de olhos baixos, mãos ocultas sob as longas mangas do hábito, sem poder olhar para os lados, nem para trás, e tinha de se comunicar com os dedos, para pedir algo como água, colocar as costas de uma mão sobre a palma da outra, para pedir pão, e quando soava o apito estridente da madre superiora, ela e todas as demais eram obrigadas a largar tudo que estavam fazendo para obedecer-lhe o comando, inclusive cortar ao meio uma sílaba que estivesse pronunciando em voz baixa, uma frase que estivesse escrevendo no caderno, engolindo rapidamente algum bocado de alimento que estivesse na boca, etc. Tudo devia ser memorizado, nada esquecido, noites insones, esforço demasiado. Até conseguir receber o negro hábito temporário, mais seis meses de sofrimento, para finalmente chegar o dia dos votos finais e transformar-se numa verdadeira “esposa de Cristo”. Os testes de sofrimento iam piorando, ela ficava cada dia mais magra com os jejuns obrigatórios, perdendo suas lindas curvas, voltando a ser uma esquálida menina, como na infância. Ainda bem que agora, carregando o escapulário e uma cruz ao pescoço, ela havia conseguido uma certa dignidade e se tornara uma freira elegante. Foi então que recebeu o nome de Irmã Pascalina, sendo então enviada a um lugar de repouso nos Alpes suíços, para cuidar dos hierarcas romanos de saúde Durante os próximos quatro anos ela ficou à disposição de um padre após o outro, em convalescença. Ali cuidava dos doentes, correndo de uma cama para a outra, trocando roupa de cama suja, levando bandejas de alimento, tirando a temperatura e tomando os pulsos dos mesmos, lendo ou escrevendo cartas para os padres, o que a deixava completamente exausta e até evitava lavar o rosto, com medo de perder as poucas horas de sono e no dia seguinte estar em estado de exaustão precária (Essa escrava do papa em ofício sofreu à beça, mas seria recompensada com o amor de outro papa).

E foi então ... tan-tan-tan-tan ... que num daqueles dias apareceu ali na casa de repouso um prelado em precário estado de saúde, cujo nome era Eugenio Pacelli, e cujo prestígio no Vaticano era tão imenso que todos diziam que ele era amigo íntimo do papa Benedito XV (1914-1922),  e com apenas 41 aos de idade já havia chegado ao ofício de arcebispo, e embora ainda não fosse o Secretário de Estado do Vaticano, já era Encarregado dos Negócios Estrangeiros e, portanto, poderia até vir a se tornar papa, no futuro (Depois Pacelli serviu ao Papa Pio XI (1922-193(, nas funções mais elevadas de um cardeal, até vir a ser eleito papa, em 1939, pouco antes de estourar a II Guerra Mundial, como um aliado secreto de Adolfo Hitler).

Apesar de jovem, Irmã Pascalina era a pessoa exata para cuidar desse prelado, completamente arrasado de corpo e espírito, o que a levou a tornar-se sua confidente, ouvindo e guardando os seus comentários sobre a complicada política internacional, a qual o havia deixado, de um certo modo, com o corpo fragilizado, embora  ainda sob o domínio de sua mente ágil e astuta.

Tendo vindo de uma linha aristocrática de influentes católicos, o jovem Pacelli era muito bem visto pelo papa em exercício, Benedito XV, (o papa reinante na “aparição” de Fátima), por ser neto de Marcantonio Pacelli, fundador do jornal mais importante do Vaticano, o Osservatore Romano. Seu pai, Filippo Pacelli,  também fora um alto funcionário nos assuntos do papado, ocupando o cargo de Deão dos Advogados do Vaticano, sendo que sua mãe, Virginia Graziosi Pacelli, provinha da aristocracia papal, com o título de marquesa. Quando ainda estava na faixa dos trinta anos, Pacelli já era bem vindo à corte do último Rei Tiago, um dos sete reis com esse nome, na Grã Bretanha, onde era recebido com as honrarias normalmente dispensadas aos diplomatas.

No início, ele era para a Irmã Pascalina apenas mais um hóspede daquele lugar de repouso nos Alpes, onde os hierarcas romanos chegavam em busca de melhor saúde, boa comida e lazer, com muitos bate-papos entre eles. Contudo, havia algo que os aproximava. É que ambos possuíam boas maneiras, mente ágil, QI altíssimo, mania de perfeição e outras afinidades, como o amor ao trabalho árduo e o desejo de melhorar o mundo. E se no princípio do seu relacionamento de enfermo e enfermeira, Pacelli se mantinha frio e distanciado, com o correr dos meses, apesar da diferença de 18 anos na idade deles, a compreensão mútua foi melhorando. Pacelli, mais tarde,  ficaria em tremendo estado de desânimo, quando Benedito XV faleceu, deixando-o sem o apoio de um papa amigo e confidente e, então, iria precisar muito da Irmã Pascalina.

Algum tempo depois de sua partida, certo dia ela foi chamada à diretoria do estabelecimento e informada que Pacelli havia requisitado sua presença em Munique e quando arrumava suas coisas, ela se sentiu a mulher mais feliz e realizada da terra. Finalmente ia morar em Munique, a capital de todos os acontecimentos excitantes, mesmo após os desastres de uma guerra perdida (1914-1918), com uma inflação tenebrosa e muitos lares destruídos pelos horrores da guerra. Mesmo assim, ela chegou  à nunciatura, com  o coração transbordando de júbilo. Foi logo colocada como governanta na luxuosa residência de Pacelli e, daí para a frente, ela seria uma Cinderela religiosa, em cuja vida só aconteceriam coisas maravilhosas, cheias de emoções vibrantes, com um futuro radioso se descortinando à sua frente... (Próximo capítulo... Não sei quando...)

 

Mary Schultze, maio 2006

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Mary Schultze, maio 2006