Abraão e o Dízimo... Outra vez?

Certa vez o pastor da PIBT andou pregando sobre este assunto, mas agora ele está muito mais sábio e já não fala esse tipo de tolice no púlpito.

Um irmão bem intencionado ocupou hoje o púlpito (Suponho que o pastor tenha ido “competir” no PAN, talvez distribuindo folhetos, junto com os jovens da igreja).  Ele percorreu todo o Livro de Gênesis, até chegar à passagem em que Abraão entregou o dízimo a Melquisedeque. Por isso estou repetindo o conteúdo de um artigo escrito há uns 3 anos. Como esse irmão é encarregado de coletar fundos para a  construção do novo templo, quando ocupou hoje o púlpito, eu logo sussurrei à minha médica e amiga, sentada perto de mim: “Aí vem petição de dízimos e ofertas!”  E não deu outra coisa...

Ele começou a percorrer o Livro de Gênesis, desde a oferta de Abel, até Hebreus 11:4, tentando provar que Abel só fala depois de morto porque deu a oferta que o Senhor desejava...  E foi  pulando de verso em verso, tentando provar a necessidade de o crente contribuir, a fim de provar que ama a Deus. Comecei a sentir um enorme cansaço.  Quase  me levantei e aparteei o “pregador ocasional”, mas preferi me calar, para não promover um escândalo na igreja, onde tantos já me olham de modo enviesado.  Foi aí que comecei a sentir uma tremenda taquicardia (fazia uns 25 anos que eu não tinha esse problema) e a suar frio. Minha pressão despencou e meus pés começaram a ficar dormentes. Por isso, achei melhor sair,  antes do final do sermão, e vir para casa. Romanos 8:28, pois almocei bem e depois traduzi um  artigo  de 2 páginas sobre Rick Warren. Li umas 30 páginas de trabalhos recebidos em Inglês, fiz e aconteci na cozinha... Ai, foi-se o domingo...

Agora resolvi escrever este artigo “dedicado” ao irmão defensor do dízimo, o qual parece desconhecer os ensinos do Novo Testamento, preferindo agarrar-se à Lei de Moisés, como se fosse um fariseu do Velho Testamento...

Não sou e jamais fui contra a entrega voluntária de dízimos e ofertas à igreja, pois quem tem dinheiro sobrando, em vez de ir gastar nos shoppings da cidade, deve entregá-lo à sua denominação - caso esta não tenha um pastor ambicioso, com salário de magnata, carro do ano e filhos estudando em colégios (jesuítas) de luxo, como já testemunhei algumas vezes. Graças a Deus, esse não é o caso do pastor da igreja que eu freqüento. Ele é um homem culto na Bíblia e muito honesto...

Entreguei pontualmente o dízimo durante 20 anos, até que minha mãe teve um AVC (1997), ficou paralítica e passei a mandar o valor do dízimo, mais o que já lhe mandava, em vez de entregá-lo à igreja. Estudei o assunto profundamente.

Garanto, em o Nome do Senhor Jesus, que jamais fui tão abençoada, como depois de ter tomado essa decisão. E quando minha mãe foi para o céu (25/04/04), resolvi jogar esse dinheiro em meu próprio ministério, o qual me consome bem mais de 10% do que recebo do INSS  (depois de 70 anos de contribuição, ou seja, 27 anos do meu marido e 43 anos meus.) e não aceito dinheiro de pessoa alguma.

Sou contra a exploração feita pelos pastores “malaquianos”, que nunca pregam a Palavra Santa, usando o tempo em que ficam no púlpito para fazer o “comercial” em favor dos dízimos e ofertas, falando que os crentes têm obrigação de dar o que têm, e até mesmo o que não têm, e aconselhando-os a deixar de pagar os impostos, o aluguel e as prestações, que os brasileiros das classes média e pobre têm aos montes. Usam Malaquias e os obrigam, por medo de serem amaldiçoados, a dar 10% do seu ganho mensal à  igreja. Esses fraudulentos ladrões da Palavra de Deus nunca lêem Romanos 13:7-8 para os membros da igreja. Todos eles morrem de medo de ler as Cartas de Paulo. Mas deixemos essa corja de lado e vejamos o caso de Abraão...

Conforme o exemplo de Abraão, só é preciso entregar o dízimo UMA VEZ NA VIDA! E o caso fica resolvido! Isso o pregador de hoje não falou... Abraão não deu o dizimo à igreja!  Não deu o dízimo em “cash”, nem da fortuna que ele acumulara antes; ele deu 10%, simplesmente dos despojos da guerra que ele acabara de vencer (Você, por acaso, já foi a alguma guerra aqui no Brasil, em favor de um parente ambicioso, como era o sobrinho de Abraão?). Se Abraão aparecesse na igreja hoje, ele iria ter um AVC, quando visse tanta celeuma criada sobre a única vez em que ele [cuidadoso com o seu patrimônio, como a maioria dos judeus] dividiu alguma coisa com alguém!  [Abraão era tão rico que não tinha mais lugar para tanto gado, ouro e prata, podendo, desse modo,  renunciar aos despojos de guerra, com a maior generosidade!]

Provavelmente, ao ver as igrejas de hoje (até mesmo algumas raras batistas, que são as melhores e mais sérias e para as quais tenho encaminhado os descontentes com as igrejas ceifeiras), Abraão diria:  “Mas... o que é isso Yaveh!”. Também, se ele soubesse o que é feito hoje em dia com os dízimos e as ofertas coletados, ele teria dado o dízimo dos despojos de guerra a Melquisedeque,  mas...  às escondidas! Para evitar o mau exemplo! Certo dia, vieram ao meu apê três obreiros da IURD, RJ. Estavam muito angustiados, citando Malaquias 3:8-10, o tempo inteiro. Os pastores dessa denominação têm exigido cada vez mais a entrega dos dízimos e ofertas, além da participação nas campanhas de “bênção”, o que tem acarretado sérios apertos financeiros aos membros engodados na “teologia da prosperidade”, a qual, realmente, tem feito os líderes da igreja prosperar bastante, embora nunca dando prosperidade aos crentes. Expliquei-lhes a situação, dizendo:

1). Malaquias 3 foi escrito para os judeus (e não para os gentios), num contexto completamente diferente do nosso, quando havia apenas esse imposto, enquanto hoje temos mais de 50 impostos diferentes a pagar e somos obrigados a contribuir com pelo menos 37% do que ganhamos, mesmo que seja  para sustentar os políticos ladrões do nosso país, etc.

2). O apóstolo Paulo diz: Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gálatas 3:10). Nesse caso, quem entrega o dízimo e não cumpre todos os 613 mandamentos da Lei de Moisés está recebendo maldição, em vez da bênção propalada pelos pastores malaquianos. Leiam todo o Livro de Gálatas e atentem bem nos ensinos de Paulo.

3). As igrejas que exigem dízimos e ofertas são dirigidas por pastores ambiciosos, muitas vezes sem um curso teológico, os quais começam com uma igrejinha de fundo de quintal e cinco anos depois já possuem um belo templo, carro de luxo, casa bonita e se vestem com roupas de griffe, à custa dos semi-analfabetos bíblicos de suas “sinagogas”.

4). Jesus defendeu a entrega dos dízimos pelos fariseus, pois Ele veio para as ovelhas perdidas da Casa de Israel e estava cumprindo toda a Lei. Mas a Igreja vive na GRAÇA, conforme nos ensina Paulo, a quem o Senhor entregou os gentios.

5.) Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos.”  (Ageu 2:8), Então Deus não precisa do dinheiro de ninguém.

Vamos ajudar os missionários que estão gastando suas vidas nos insalubres países africanos, ganhando almas para Cristo. Vamos ajudar os irmãos carentes, que ganham o salário mínimo para sustentar uma família e, na maioria das vezes, até estão desempregados ou sem aposentadoria. Quando Paulo pede ofertas (não dízimos) aos coríntios, ele o faz para ajudar os pobres irmãos esfaimados de Jerusalém e não para ele e os seus cooperadores na obra do Senhor. O crente deve pagar todas as suas contas mensais e suprir a despensa/geladeira com o que precisa para ele e a família. E se ainda sobrar algum dinheiro, que ele o entregue à igreja, não como dízimo (para evitar a maldição de Gálatas 3:10), mas como oferta, para o salário do pastor, para missões e para a construção de um novo templo. E quem for mais generoso do que eu, pode até dar presentes caros ao pastor, porque mais bem aventurado é dar que receber! (Atos 20:35). E ele merece!

Mary Schultze, 15/07/2007 - http://www.cpr.org.br/Mary.htm