Cidade “Amargavilhosa”
Quando cheguei ao Rio de Janeiro, em meados dos anos 1950, aos 24 anos de idade, com a cabeça cheia de sonhos, por ser jovem, bonita e ter suficiente preparo para conseguir um bom emprego (o que de fato aconteceu), jamais imaginei que antes de chegar aos 75 anos iria ver a “Cidade Maravilhosa” transformada num antro de violência e terrorismo engendrados pelos criminosos traficantes de drogas. Se “mara” significa “amarga”, realmente agora temos uma cidade cheia de amargura e sofrimento.
O terrorismo começou há mais de três décadas, com o seqüestro do cônsul americano, e só não se alastrou mais depressa por causa do controle feito por um regime militar.
Tivemos uma certa tranqüilidade nos anos 1980, mas a partir dos anos 1990, o crime organizado começou a botar as mangas de fora e a praticar os seus crimes hediondos, em forma de seqüestros e assassinatos.
Como registra o Pr. Renato Vargens, em sua excelente crônica (Como nos dias de Noé) de 28 deste, “infelizmente em plena luz do dia, tiros, ônibus e veículos particulares queimados e muito desespero, tornaram-se marcas de um cenário deplorável na até então provinciana cidade de Niterói.
Em todo Grande Rio, mais de 20 atentados foram registrados, somente nas últimas 24 horas. Quinze pontos do município do Rio de Janeiro foram atingidos e, no rastro da destruição, deixaram 18 mortos, entre eles dois policiais militares e nove pessoas, sendo sete carbonizadas em um dos quatro ônibus incendiados pelas quadrilhas. Além disso, sete bandidos foram executados em confrontos com a PM, 22 pessoas ficaram feridas e cinco suspeitos foram detidos.
Ora, a violência está em toda parte e se multiplica assustadoramente. De fato, não nos é possível passar um dia sequer sem ouvir ou ler uma notícia sobre atos violentos nos meios de comunicação. Os assaltos são cada vez mais comuns e os seqüestros deixaram de ser um pesadelo apenas para os ricos; isso sem falar dos latrocínios, homicídios e todo tipo de perversidade contra a vida”.
Realmente, a Bíblia registra a violência que enchia a terra nos dias de Noé, conforme Gênesis 6:5-9:
“E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o SENHOR: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR ... Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus” (Grifo nosso).
Se Deus se arrependeu de ter criado o homem, quando havia apenas alguns milhares de criaturas pecando contra Ele, imaginem agora com seis bilhões de malfeitores enfrentando-O despudoradamente, com exceção apenas de alguns milhares que passarem pelo novo nascimento e O respeitam e amam como sendo o Deus e Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Há umas três semanas sentou perto de mim na PIBT, um garoto de 10 anos chamado Eduardo. Estava em companhia da família, em visita à nossa igreja. Conversei rapidamente com ele e por causa do nome (que eu amo) e por ter observado que se tratava de um garoto inteligente, perguntei se queria ser meu neto. Ele disse que já possuía duas avós, mas eu disse que Deus não iria se incomodar, se ele tivesse mais uma. Eduardo concordou e dei-lhe dois artigos que trazia na bolsa e um cartão de visita (ilustrado com um buquê de rosas vermelhas, com meu nome, telefone e endereço eletrônico).
Hoje ele veio me abraçar e beijar, desejando-me um Feliz Ano Novo e dizendo que havia lido os artigos e apreciado muito. Perguntei se ele tem computador, respondeu afirmativamente e dei-lhe um CD com mais de 2.000 páginas de traduções, livros e artigos evangélicos. Agora tenho mais um neto!
Vi a alegria estampada na face pura daquele garoto cristão, o qual, sem dúvida, está sendo criado num lar cheio de amor a Deus e respeito ao próximo, e dei graças a Deus porque ainda existe gente santa neste mundo (separada por Deus, como nos dias de Noé), famílias e indivíduos que estão guardados na Arca da Salvação, que é Cristo, os quais não passarão pelos horrores da Grande Tribulação, nem pelas tenebrosas pragas mencionadas no Livro de Apocalipse.
Que o Senhor nos guarde da violência urbana, que se alastra como fogo em palha seca, por todo o mundo. Ela tem sido muito pior no Oriente, onde deveria reinar muita paz, pois foi ali que o Príncipe da Paz veio ao mundo. A principal razão de tanta violência aqui no Brasil é a existência de um Parlamento, e até de certas igrejas, tão corrompidos pelo amor ao dinheiro, que servem de “modelo” a todo esse banditismo nacional.
Mary Schultze, 31/12/2006