Até que enfim...
Até que enfim Deus teve piedade de quem estava carente de um bom sermão e nos mandou um jovem pregador, com excelente cultura bíblica e secular, possuidor de um carisma de fazer inveja a muita gente, o qual pregou mais de 40 minutos sem cansar a igreja.
Ele pastoreia uma igreja na zona norte do RJ; veio com a família (inclusive a sogra) e entregou uma boa mensagem embasada em Tiago 4:10-17, ressaltando o último verso, que diz: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”. O objetivo do sermão foi mostrar aos membros de nossa congregação como temos pecado diante de Deus por causa de nossa omissão em praticar o bem.
Fiz um exame de consciência e vi que tenho cometido esse pecado muitas vezes, pois sou egoísta, comodista, preocupando-me sempre com o meu bem estar, usando a desculpa de que já passei dos 70, achando que tenho todo o direito de me refugiar na canseira e enfado causados pelo peso dos anos: “Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando”. (Salmo 90:10).
A verdade é que, quando estou fazendo uma tradução de Inglês, eu me entrego totalmente ao trabalho, o mesmo fazendo quando estou digitando os hieróglifos da tradução. Minha filha Rose afirma que, quando estou traduzindo, eu me comporto como uma drogada, pois esqueço de comer, de beber, de dormir, não atendo o telefone, não converso, enfim deixo tudo de lado, alimentada exclusivamente pela música clássica.
Mas vamos citar alguns trechos da pregação, que realmente foi edificante e me deixou com uma vontade enorme de confessar meus pecados de omissão, confiando na 1 João 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça”. Em seguida, corro para a 1 João 1:7, que diz: “... e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”.
Interessante é que escrevi um poema sobre estes dois versos e Mario Sergio leu o dito em um programa da Rádio BBN para as pessoas de língua portuguesa que residem nos Estados Unidos. Ele gosta de ler meus poemas na Rádio e diz que têm boa repercussão entre os patrícios evangélicos exilados na Terra de Tio Sam. Vamos ao poema:
Garantia de salvação
Se a Deus confessarmos os nossos pecados,
de todo o coração e de boa vontade,
Ele é fiel e justo pra nos perdoar,
porque Deus é Amor e plena bondade.
Nossos pecados Ele vai atirar,
num sublime gesto de misericórdia,
nas abissais profundezas... No fundo do mar.
Toda a nossa injustiça e também a maldade
no Tribunal de Cristo serão reveladas;
mas sem condenação... (Assunto arquivado)
Nos conduzindo, sem qualquer empecilho,
às delicias do céu por nós almejadas.
Pois o sangue precioso de JESUS, Seu Filho,
que na cruz pesada foi derramado,
nos purifica (e nos enche de brilho)
de todas as manchas, de todo pecado!
Poesia inspirada em João 1:9/João 1:7.
O pregador falou sobre a necessidade que temos de praticar o bem e não simplesmente evitar o mal, tendo contado duas ilustrações interessantes. A primeira foi a do Advogado que escorregou numa casca de banana, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, tendo ficado com a coluna danificada. A pessoa que ali jogou a casca da fruta foi irresponsável e omissa em relação ao bem estar do próximo. Lembrei de minha filha Rose, que sempre me censura, quando eu me abaixo, a fim de apanhar sacos plásticos na rua, para evitar que alguém enrole os pés nos ditos, tropece e caia na calçada. Só que nem sempre o faço, portanto, também sou omissa nesse ponto. O brasileiro é mal educado em muitos pontos, inclusive neste. Na Alemanha, certa vez joguei uma semente de uva no chão de uma calçada. Um guarda logo apareceu e me deu uma lição de moral e quando eu fiquei sem jeito e falei em alemão: “Desculpe, eu sou brasileira”, ele depressa completou: “Isso já se pode ver, pela falta de educação!” É assim que somos conhecidos na Europa!
A segunda ilustração foi a do tonel de vinho português. Todos os pequenos vinicultores eram obrigados a colocar, no final de cada safra, cinco litros de vinho e quando o tonel ficava cheio, a torneira era aberta e os convidados se regalavam com um vinho especialíssimo, ou seja, a mistura de muitos vinhos diferentes.
Certo dia, um dos vinicultores achou por bem colocar água em lugar de vinho. Quando a torneira do tonel foi aberta, só havia água lá dentro, pois TODOS os vinicultores haviam tido a mesma idéia de sonegar os cinco litros de vinho que tinham por obrigação colocar dentro do tonel. Em vez do costumeiro “trabalho de equipe” acontecera uma desastrosa “omissão de equipe”...
Ele usou essa ilustração para mostrar que não devemos ficar esperando que os outros façam a obra, enquanto descansamos no conforto do lar, achando que, pelo fato de não fazermos o mal, já estamos cumprindo a nossa parte na comunidade. Aqui ele referiu-se claramente aos crentes que não fazem trabalho algum na igreja (meu caso). Mas como trabalho há 12 anos, como voluntária, no ministério de seitas do CPR, minha consciência ficou tranqüila. Duvido que as velhinhas da Sociedade Feminina da Igreja (esqueci o nome da mesma) façam mais do que eu, em matéria de pregação do evangelho, quer seja pregando nas lojas; traduzindo uma média de 50 páginas por semana; respondendo 30 e-mails por dia, com perguntas sobre assuntos bíblicos e apologéticos; escrevendo pelo menos 3 artigos para o meu grupo na Internet. Acho que não estou enterrando meu ÚNICO talento (intelectual) e tenho recebido tantos testemunhos de pessoas que se dizem ajudadas pelos meus artigos e traduções, que louvo o nosso Deus porque Ele continua me usando na Sua obra.
Só não gostei de uma coisa no sermão do pregador. Como 99% dos pastores, ele tem uma tendência dominionista, pois leu Mateus 25 como se esse capítulo se referisse à Igreja.
Ora, se a Igreja já foi arrebatada, antes (ou no final) da primeira metade da Grande Tribulação, essa passagem trata da segunda metade da Grande Tribulação e os “pequeninos” ali citados (versos 40-46) são os irmãos de Cristo, os judeus. Além disso, como poderíamos ser condenados, se já fomos salvos pela graça (e não pelas obras) e julgados no Tribunal de Cristo (2 Coríntios 5:10), enquanto essa passagem se refere ao Julgamento das Nações, que não ajudaram os judeus na época das “dores de Jacó”?
Ao usar Mateus 25, o pregador entrou em contradição, a qual tentou consertar, depois, usando João 3:16 e outros versos sobre a salvação pela graça.
Mesmo assim, ele pregou bem, gostei de escutá-lo e se algum dia o nosso Pr. Renato voltar a Portugal, do qual sempre tem demonstrado sentir saudade, sem dúvida alguma irei sugerir o nome desse pregador de hoje para substituí-lo.
Ach, Du, Mein Gott! Esqueci meu risoto no forno, o dito queimou... E agora? Romanos 8:28! Vou continuar com o mesmo peso dos vinte anos, exatamente porque não sou GULOSA! Dois iogurtes Danone “Corpus” vão resolver o assunto!
Mary Schultze, 13/01/2007 (22 horas)