CURA INTERIOR - ILUMINAÇÃO OU ILUSÃO?
Por toda a América, os pais estão recebendo telefonemas e
correspondência, que os atiram num pesadelo de acusações de abuso e incesto.
Não são os pais de filhos pequenos ou adolescentes. São os pais de filhos
adultos, os quais, durante toda a sua vida, jamais haviam tido qualquer
recordação de terem sido sexualmente molestados pelo pai ou pela mãe.
Agora, com histórias
semelhantemente bizarras, eles estão chocando os seus pais. Esses filhos
crescidos, (em geral filhas) estão agora se lembrando, com detalhes minuciosos,
de um dos pais abusando deles. Onde eles conseguiram essas idéias? De onde
poderiam provir tão sórdidas memórias? O que iria trazê-las à superfície? A
cura interior e outras formas de terapia regressiva se escondem por trás desse
rápido surgimento de histórias familiares de horror.
No princípio, os pais ficam
chocados. Eles estão sendo acusados de exploração sexual, as quais eles
garantem jamais terem sequer pensado
Com a mídia acentuando e
exagerando o número de mulheres que foram molestadas, quase cada uma que grita
“incesto” logo é acreditada além de qualquer dúvida. E por que iria alguém
duvidar, se alguma mulher adulta se “recordar” de uma lembrança oculta em seu
inconsciente? Além de tudo, a memória não é como uma fita K-7 ou um computador,
que registra fielmente e retém cada evento em determinada câmara da memória?
Não são confiáveis essas técnicas que possibilitam uma pessoa a recordar
fielmente os eventos passados? Ou existem alguns problemas com tais admissões?
A mente é um computador?
Conquanto muitos escritores
da psicologia pop continuem comparando a mente humana a uma fita K-7 ou a um
computador, tais analogias são fracas e mal conduzidas. O Dr. John Searle
“Porque ainda não
entendemos muito bem o cérebro, somos muitas vezes tentados a usar a última
tecnologia como modelo para tentar entendê-lo.
Em minha infância, sempre
pensávamos ter certeza de que o cérebro era um aparelho de escuta telefônica (o
que mais poderia ele ser?). E eu me divertia ao ver que Sherrington, o grande
neurocientista britânico, pensar que o cérebro agia como um sistema
telegráfico. Freud sempre o comparava a um sistema hidráulico e
eletromagnético, enquanto Leibniz o comparava a um moinho; e agora, obviamente,
ele é comparado a um computador digital...
Provavelmente, o computador, como uma metáfora para o cérebro, não é melhor nem
pior do que as metáforas mais antigas. Aprendemos tanto sobre o cérebro para
dizer que ele é um computador, do mesmo modo como o fizemos, quando dizíamos
que ele era um aparelho telefônico, um sistema telegráfico, uma bomba d’água,
ou uma máquina a vapor” (John
Searle, The 1984 Reith Lecture, London: British Broadcast Corp. 1984,
pp. 44, 55, 56). Aqui Searle está chegando à conclusão de que o cérebro não é
uma peça mecânica da tecnologia.
A médica pesquisadora, Dra.
Nancy Andreasen, em seu livro “The Broken Brain” (O Cérebro Partido),
declara que “não existe qualquer modelo ou metáfora exata para descrever
como [o cérebro] trabalha”. Ela conclui: “O cérebro humano é, sem
dúvida, por complexo demais para ser resumido a uma simples metáfora”. (“The
Broken Brain”, New York: Harper & Row, 1984, p. 90). Pesquisas atuais
demonstram que a memória do computador e a memória biológica são
significativamente diferentes. Em seu livro “Remembering and Forgetting:
Inquiries into the Nature of Memory”, Edmund Bolles se refere ao cérebro
humano como a “mais complicada estrutura no desconhecido universo”
(Edmund Bolles R & F, New York: Walker & Co., 1988, p. 139)). Ele diz:
“Durante alguns milhares
de anos, as pessoas acreditaram que a lembrança de informações passadas era
arquivada em alguma parte da mente. As metáforas da memória sempre foram
metáforas de armazenagem. Preservamos imagens de cera; podemos esculpi-las na
pedra; escrevemos as memórias com lápis, em papel; arquivamos memórias
longínquas; temos memórias fotográficas; retemos fatos tão firmemente que eles
parecem estar presos numa armadilha de aço. Cada uma dessas memórias pressupõe
um armazém da memória, onde o passado permanece preservado, num sótão, como as
lembranças da infância. Este livro registra uma revolução que reverteu a visão
sobre a memória. A lembrança é um processo criativo, construtivo. Não existe
armazenagem de informação sobre o passado, em parte alguma do nosso cérebro” (Ibid, p. 11).
Ele prossegue, dizendo:
“As memórias do
computador e as humanas são tão diferentes como a vida e a iluminação” (Ibid).
A Memória é Confiável?
Ao contrário do computador,
a memória não armazena coisa alguma que nela penetre. Antes de tudo, a memória
oscila entre uma multidão de estímulos que nela penetram durante um evento
real. Depois, com o tempo, eventos mais recentes, e até mesmo recordações
mais recentes, vão colorindo e alterando as memórias. Durante o processo
criativo de recordar, memórias incompletas de eventos podem ser completadas com
detalhes imaginários. E uma curiosa quantidade de informações é simplesmente
esquecida - apagada - não apenas guardada ao longe, em alguma caverna profunda
da memória. Como descreve tão bem a pesquisadora Carol Travis:
“A memória, numa palavra,
é desprezível. Na pior das hipóteses, ela é uma traidora e na melhor, uma
criadora de casos. Ela nos oferece vívidas lembranças de eventos, que jamais
teriam acontecido, enquanto obscurece críticos detalhes de eventos que
aconteceram” (Carol Travis, “The
Freedom to Change”. Prime Time. Outubro 1990. p. 28).
Sim, as memórias podem até
mesmo criar, não a partir de eventos verdadeiros, mas através do implante de
eventos imaginados na mente. De fato, é possível que memórias implantadas
ou impostas se tornem ainda mais vívidas do que eventos verdadeiros do passado.
Sob determinadas condições,
a mente de uma pessoa se torna aberta a sugestões, de tal maneira que memórias
ilusórias podem ser recebidas, cridas e lembradas como memórias legítimas. A
hipnose, a imaginação conduzida e a cura interior são muito capazes de
fazer com que uma pessoa acumule falsas informações como sendo narrativas
verídicas de eventos passados. Em estado de elevada sugestão, a memória de uma
pessoa pode ser facilmente alterada e conduzida. Isso acontece sob a hipnose,
através da imaginação dirigida, nas terapias de regressão da idade (como a
terapia primária) e durante certas formas de cura interior.
O Poder da Sugestão
Bernard Diamond, professor
de Direito e professor clínico de Psiquiatria, afirma que as pessoas
hipnotizadas “gravam na memória fantasias e sugestões, deliberada ou
involuntariamente comunicadas pelo hipnotizador”. Elas não apenas podem
conseguir novas memórias, conforme Diamond declarou, mas ele diz que “Após
a hipnose, o paciente não pode mais diferenciar uma recordação
verdadeira de uma fantasia ou detalhe sugerido”. Ele observou que as
testemunhas nas cortes judiciais que foram antes hipnotizadas, “certamente
desenvolvem uma certeza sobre suas memórias, as quais as testemunhas comuns
raramente exibem... [e] ninguém, mesmo com muita experiência, pode verificar a
exatidão de uma memória hipnoticamente conduzida.” Bernard Diamond, “Inherent
problems in the Use of Pretrial Hypnosis on a Prospective Witness” -
California Law Review, março 1980, pp. 314, 333-337; 348).
A certeza das pseudo memórias e a
incerteza das memórias verdadeiras tornam questionáveis atividades como a
hipnose e a cura interior, na melhor das hipóteses, e na pior,
perigosas. Pelo fato da memória ser tão duvidosa, os métodos de cura que se
embasam nas lembranças, guardadas nas subterrâneas assim chamadas memórias
ocultas, não somente abrem a possibilidade à criatividade humana como
ainda expõem a mente à possível sugestão demoníaca. Muito embora o hipnotizador
ou agente da cura interior possa[tentar] proteger a pessoa que está
recebendo o falso material, ele não consegue evitar a implantação da sugestão
humana. Nem também pode evitar que sugestões demoníacas penetrem na mente
vulnerável da pessoa que se encontra em estado de sugestão.
Mesmo que existam pessoas na
sala, orando em favor do paciente que está sendo submetido à hipnose ou à cura
interior, ainda permanece a possibilidade de mentiras e fantasias serem
gravadas na memória. Por esse motivo é que as atividades ocultistas são
proibidas na Bíblia. A hipnose e a memória dirigida são ambas ocultistas
e a cura interior envolve a sugestão hipnótica, a memória dirigida e a
visualização ocultista. O hipnotizador terapeuta Dr. Joe M. Persinger diz que o
campo da hipnose “inclui a meditação, visualização, imaginação dirigida,
relaxamento, biofeedback e técnicas respiratórias” (Joe M. Persinger,
citado por Sheri Graves: “Hypnosis Exploring Deep Levels of the Mind” -
Santa Bárbara News-Press, 20/09/1989, p. D1).
Com referência à relação
entre a imaginação dirigida e a hipnose, o Dr. Bressler, autoridade no
campo da hipnose e da imaginação, diz: “Acho que, simplesmente, ambas
são a mesma coisa”. Ele também diz: “A imaginação está no âmago de toda
mágica”. (David Bressler, “The Inner Adviser Technique: The Healer Within”
- InfoMedix tape, Garden Grove, CA, 1983).
John Weldon e Zola Lewitt
dizem: “É de se esperar que a maioria, senão todos os que estão no
ocultismo, provavelmente irão sofrer algum dano psicológico ou espiritual.”
(John
Weldon e Zola Lewitt, “Psychic Healing”, Chicago; Moody Press, 1982, p.
195).
Realidade ou Ilusão?
Os que praticam a cura
interior não deveriam ficar surpresos diante da possibilidade de
alterar ou forçar a memória, porque existem ocasiões nas quais,
propositadamente, eles tentam substituir as memórias más por memórias boas.
Eles fazem isto usando a visualização e a imaginação dirigida. De fato, uma das
formas aparentemente atraentes da cura interior é ver Jesus sofrendo
numa dolorosa cena do passado. A cura interior ajuda alguém a recriar a
memória, ao ver Jesus dizer ou fazer coisas que vão fazer o paciente se sentir
melhor a respeito da situação. Por exemplo, no caso de um homem, cujo pai o
tenha negligenciado quando ele ainda era um garoto. Através do encorajamento
verbal, ele iria regressar à infância e iria visualizar Jesus apanhando a bola
e elogiando-o por ter acertado a jogada (?). Alguns agentes da cura interior
levam as pessoas de volta ao útero materno, conduzindo-as a um renascimento,
através da memória dirigida. Nesse caso, os agentes da cura interior
deveriam reconhecer o perigo do involuntário aumento ou gravação das memórias
através de palavras ou ações, que podem significar uma coisa para o agente da cura
interior, mas podem comunicar algo mais ao paciente que se encontra altamente
vulnerável.
É quase provável que as
pessoas que se recordam de abuso sexual e incesto através de uma cura
interior, estão relembrando uma ilusão ou distorção da realidade, uma
destruição sugestiva acidentalmente ali colocada pelo agente da cura
interior, ou criada através de uma combinação de estímulo, tal como num
pesadelo, ou, ainda pior, implantado por uma influência demoníaca. Mesmo assim,
elas não têm a menor dúvida sobre a sua recém descoberta memória guardada. De
fato, a suposta memória tem a marca de uma lembrança hipnoticamente gravada, em
vez de uma realidade distante. E quem poderá ou irá revelar-lhes a verdade?
Provavelmente, não a sua igreja nem outros cristãos, caso estes tenham sido
favoráveis ou ignorantes da cura interior.
A Trágica Influência da
Cura Interior
Muitos cristãos têm sido
influenciados por certos autores de bestsellers e agentes da cura interior,
como John e Paula Sandford, Rita Bennett e David Seamands. Infelizmente, esses
cristãos acreditam em declarações como as de Sandford:
“A atuação da graça não
pode ser mantida em algumas pessoas sem a cura interior do seu passado. O
cuidado de Deus não pode ser sentido sem uma profunda reprogramação interior de
todos os maus condicionamentos que nelas foram colocados pelos pais, família,
professores e pregadores da Igreja”
(David Seamands, “Healing for Damaged Emotions” - Victor Books, 1981, p.
85).
Esses escritores “cristãos” inculcam falsas informações e encorajam crenças
errôneas. Apesar da pesquisa do cérebro mostrar o contrário, eles ensinam que a
mente é como um computador e que existe um reservatório inconsciente de
memórias muito fortes, as quais influenciam altamente o pensamento e as
atitudes das pessoas. E estão convencidos de que as memórias que elas expõem
são exatas.
O trágico exemplo de pessoas
com memórias recentemente “apanhadas no buraco negro da ira, ressentimento,
falta de perdão, acusações, separação e confusão” faz parte do quadro do dano
operado pelos que, honestamente, acreditam estar ajudando as pessoas. As
práticas da cura interior de regressão ao passado, escavando no inconsciente as
memórias escondidas, invocando imagens, liberando fantasias e pesadelos e
acreditadas mentiras, mais se assemelham ao mundo do ocultismo do que à obra do
Espírito Santo [Aqui é desconsiderada a admoestação do apóstolo Paulo,
conforme Filipenses 3:13 e 4:8 “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja
alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás
ficam, e avançando para as que estão diante de mim,” (Fp 3:13 ACF) “Quanto ao
mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é
justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há
alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” (Fp 4:8 ACF)]. Uma
lembrança imaginária criada sob um estado altamente sugestionável e quase
hipnótico vai redundar numa cura imaginária. Também pode lançar as pessoas num
pesadelo vivo.
Certo dia, fomos contatados
por uma senhora que nos perguntou se conhecíamos um psiquiatra cristão.
Meses antes, ela havia contado, entusiasticamente, que, junto com a filha,
havia freqüentado um seminário de cura interior, tendo sido ambas
curadas de tudo que nem mesmo conseguiam se lembrar que existisse. Agora, ela
estava desesperada. Sua filha estava tentando lidar com todo tipo de sujeira
que havia mentalizado durante a cura interior.
As pessoas mais vulneráveis aos agentes da cura interior são as que
estão num baixo degrau de escalada espiritual ou estão passando por
dificuldades. Os agentes da cura interior induzem essas pessoas, com
todo tipo de promessas diretas ou implícitas, à cura de emoções prejudiciais, à
cura das raízes do passado, e tais promessas evitam o crescimento pessoal e a
possibilidade da pessoa andar mais próxima de Deus (?). Eles circulam por
congregações, como aves de rapina, esperando a oportunidade de cair sobre os
que estão próximos da exaustão espiritual. Eles garantem às suas vítimas em
perspectiva o sincero desejo de ajudá-las, mas acabam apunhalando-as com o uso
de versos bíblicos isolados do contexto e de uma conversa aparentemente cristã.
Contudo, logo que o seu jogo
consegue alcançar a pessoa, o agente da cura interior logo começa a sua
penetração parasitária.
E o relacionamento entre
vítima e hóspede prossegue, enquanto o anfitrião continua a olhar para o agente
da cura interior a fim de se sentir completamente bem, emocional e
espiritualmente. Entretanto, em
vez de ser curado, existe uma possibilidade muito mais forte de que o recebedor
da cura interior passe a viver numa base de mentira, no abismo infernal.
A cura interior não
se embasa na verdade. Ela se baseia em falsa memória, imaginação dirigida,
fantasia, visualização e sugestão semelhantes à hipnose. Conquanto os agentes
da cura interior possam invocar Jesus e recitar versos bíblicos na cura
interior, ela não é bíblica. Jesus ensina em João 8:31-32: “Se vós
permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e
conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.
Oramos pelos que têm sido
vítimas do abuso da cura interior, a fim de eles fiquem libertos [desse
engodo], através da verdade que está
Martin & Deidre Bobgan, “Inner Healing: Illumination or
Illusion?”
Traduzido por Mary Schultze, em 04/12/2008.