Duas malcriadas iconoclastas

 

            Uma das filhas mais lindas, inteligentes e amorosas, que se encontram em minha abençoada lista de “filhos espirituais” (não gerados, mas adotados pelo coração) é Cidinha. Ela escreve coisas lindas, envia-me páginas deslumbrantes e sempre tem uma palavra de carinho dirigida ao coração desta sua idosa “Mamie”. Eu só queria que minha filha biológica (alemã) demonstrasse a metade do amor que Cidinha me tem demonstrado, nestes muitos anos de convivência virtual. Talvez seja, exatamente, por ser (a nossa) uma convivência virtual e não física, o que a impede de ver meus horrendos defeitos, pois sou melhor para escrever do que para conviver. Hoje mesmo, fui praticamente taxada de “herege” por um dos filhos virtuais mais amados (um pastor batista reconstrucionista) e consegui responder, sem qualquer forma de agressão. Se alguém me chamasse “herege” na cara... Ach Du, Mien Got!!!

            Logo após ter-me convertido, em Maio de 1978,  radical como sempre fui, resolvi dar um basta em todo tipo de idolatria. Assim, esmaguei, sob os pés, a peça mais linda e amada da casa, que era um crucifixo de prata, incrustado em madeira, o qual ficara anos e anos sobre a parede, acima da cama.

            Minha irmã Rosa, ex-freira católica, e meu marido, um alemão luterano liberal, ficaram tão horrorizados - com a minha iconoclastia - que pensaram em me internar numa clínica psiquiátrica.

Mais tarde, eu iria sofrer esse mesmo tipo de ameaça da filha alemã, quando, após deixar o curso de Teologia, no Seminário Betel do RJ, exigi o direito de reassumir a direção da nossa micro-empresa, na qual “ela e o marido estavam se dando bem por 20 anos”. (Guardei esta mágoa por mais de 20 anos. AGORA, desabafei, oxente!).

Sou radical e iconoclasta, acima de tudo, por ter sido uma católica  praticante (enquanto meu marido nunca o foi) e porque minha filha (já recebera a firma dando um bom lucro, sem ter carregado o peso dos anos de trabalho que eu havia encarado); por isso fui ameaçada de “internação” como louca. Depois, o marido e a filha se habituaram à minha nova FÉ e me deixaram em paz. O marido e a irmã já faleceram e espero que Deus tenha sido misericordioso com eles, como sempre tem sido comigo. E que minha filha (adepta do judaísmo liberal) se converta a Cristo, antes que seja tarde demais e ela fique sofrendo horrores,  aqui na terra, após o Arrebatamento. O mais triste com relação ao Schultze, é que, uma hora antes de morrer, quando eu falei o que Paulo havia escrito sobre quem não entraria no Reino de Deus, conforme Gálatas 5:21, ele deu uma risada e falou: “Então, Deus é quem vai sair perdendo...” 

Apenas quatro anos antes dele falecer eu havia me convertido a Cristo, exatamente após uma briga feia com um pastor presbiteriano (que mais tarde seria o meu pai na fé), quando ele disse, numa visita ao nosso laboratório, que eu, uma católica praticante, que se julgava impecável, estava indo para o inferno, por ser idólatra. Expulsei-o dali e mais tarde, após ler o Novo Testamento, resolvi visitá-lo, a fim de lhe pedir perdão. Tornei-me presbiteriana, uma denominação que ainda hoje respeito, e ali fiquei por mais de 16 anos, até me filiar a uma igreja batista. Pois, como eu, Cidinha também teve uma história parecida, a qual vem narrada abaixo:

“Eu me converti, simplesmente, pela ‘falta de educação’ de um Pastor. Fui até a casa dele, a fim de solicitar uma assinatura. Saí de lá com a assinatura dele, mas, arrasada. Quando entrei, de imediato, ele começou a censurar os católicos e  as imagens, de forma grotesca. Ouvi tudo e, ao chegar em casa, ajoelhei-me e pedi ao  Espírito Santo que me mostrasse quem estava certo: eu ou o Pastor.

Naquela mesma noite, tive um sonho, no qual o ESPÍRITO SANTO respondeu-me que o Pastor estava certo, é claro... No dia seguinte, peguei todas as minhas imagens e, sem consultar minha mãe (um fato que muito me custou),  bati com o martelo sobre todas elas (Errei ao pegar as imagens de minha mãe, pois quem se converteu fui eu e não ela).

 Deus tem uma forma e fôrma especial para cada um, não é mesmo?

Precisamos distribuir o Evangelho, sem esperar nada em troca! Não nos preocupemos com o que pensem de nós! Deus está no comando da nau. JESUS, NA SUA GRANDIOSA HUMILDADE, CONQUISTOU O MUNDO!”

 

            Pelo visto, tenho muito que aprender com essas filhas maravilhosas, que o Senhor me entregou.

 

Mary Schultze, 11/06/2008.

www.cpr.org.br/Mary.htm