A Vida Depois de Sair da Torre de Vigia
Três Entrevistas com ex-Testemunhas de Jeová, como a Sociedade Torre de Vigia os afetou, e como eles estão vivendo agora.
Randall Watters
Temos aqui três entrevistas com três ex-TJs, para ficarmos cientes de como a Torre de Vigia as afetou e como têm elas conseguido sobreviver.
1. - Entrevista com o Dr. Edmund Gruss
Randall Watters (RW) - Esta é uma entrevista com o Dr. Edmund Gruss, Professor de História no Master’s College.
Ed, você é uma ex-TJ, não que isso seja um título seu, mas uma parte de sua experiência de vida. Conte-nos um pouco sobre o seu passado como TJ.
Edmund Gruss (EG) - Como as TJs sempre visitam os lares, elas também faziam isso nos anos 1940. Nesse ano de 1940, morávamos em Palms, que fica perto de Culver City, abaixo da área da AL. Uma senhora TJ visitou nossa casa, frisando a proximidade do Armagedom e começou a estudar em nossa casa, comigo e com minha mãe. Meu pai não se envolveu de fato com as TJs. Como eu ainda era uma criança de apenas sete anos, o que me aconteceu foi concordar com o que estava sendo explicado a minha mãe e aceitei o que estava sendo ensinado, pois ainda não conhecia algo melhor. Eu quase não havia freqüentado uma EBD ou uma igreja, com exceção de pouco tempo em que tinha ido à EBD. Desse modo, não possuía uma exposição verdadeira do Cristianismo ou de outra coisa que pudesse conferir com o que as TJs estavam ensinando. Como de praxe, eu estava estudando em casa, indo às reuniões do Salão do Reino e trabalhando na cozinha, quando havia assembléias. Eu iria fazer (pelo menos em tempo parcial) o trabalho de rua e de casa em casa, uma experiência normal à maioria dos garotos TJs.
RW - Isso aconteceu nos anos 1940. Certo?
EG - Certo, em meados dos anos 1940.
RW - Foi no tempo em que havia uma febre de guerra e as TJs não eram vistas com bons olhos nos USA.
EG - O que elas frisavam é que o Armagedom era uma questão de meses à frente e isso foi especificamente declarado na Torre de Vigia de 15/09/1941. Fui à Convenção de St. Louis e os personagens “João e Eunice” do novo livro para crianças falavam de desistir de casar porque o Armagedom não estava tão longe de acontecer e elas poderiam desistir disso para dedicar suas vidas exclusivamente ao ministério. Esse era o nosso pensamento. A pressão melhorou em 1943 com o livro A Verdade vos Libertará, e uma nova cronologia para a decorrência dos seis mil anos (eu acho), que foi 1972. Essas cronologias não se constituíam somente em opções.
RW - Então veio a II Guerra Mundial e nada aconteceu. Creio que você estava com uns 17 anos quando começou a pensar por si mesmo. E o que estava acontecendo naquele tempo?
EG - Nós nos mudamos para Encinitas, CA, e eu tive colegas de escola vindo à nossa casa para estudar. Naquele tempo veio um pastor à cidade e começou a fazer ali reuniões evangelísticas. Alguns amigos meus aceitaram Cristo. Após terem-No aceitado e experimentado a diferença em suas vidas, eles começaram a perceber o que as TJs haviam feito comigo e deixaram de ir estudar em minha casa. Eles me disseram que eu poderia ter vida eterna se aceitasse Cristo. De algum modo havia uma diferença de opiniões, é claro. Mais tarde, fui à casa do pastor que os havia conduzido a Cristo. Ele me apresentou o Evangelho e ali mesmo orou por mim. Eu havia sido ensinado pela Torre de Vigia que somente os 144.000 iriam nascer de novo. Os demais não poderiam exigi-lo.
O pastor me disse que eu poderia nascer de novo. Eu coloquei exatamente em minha mente que se existisse algo como ter uma relação pessoal com Cristo, para nascer de novo, eu teria de pedir isso ao Deus, Jeová. Eu disse apenas: “Será que existe isso? Sei que sou um pecador. É isso que a Bíblia diz que somos. Se eu posso nascer de novo, desejo que isso aconteça”. Então, algo aconteceu como resultado de minha oração e ali começou a minha saída da Sociedade Torre de Vigia.
RW - E você começou a fazer pesquisa?
EG - Um pouco. Falei com várias pessoas. Lia minha Bíblia, mas a única coisa que me havia ficado clara é que eu poderia aceitar a Cristo, nascer de novo e ter a vida eterna.
RW - Então, basicamente você chegou a isso a partir de uma aproximação devocional. Você reconheceu Cristo. Aparentemente sentiu que o Espírito Santo habitando em seu íntimo estava operando em sua vida, mas seria uma questão de tempo até que você começasse a lidar com as doutrinas verdadeiras.
EG - Deixei as doutrinas de lado, porque não tinha chance de considerar todas elas. Logo em seguida, fui para uma escola cristã. Ali, como parte dos meus estudos bíblicos, na classe e fora da classe, comecei a investigar. Acho que é muito importante que investiguemos as coisas que nos foram ensinadas. Se o que lhe ensinaram nessa área for verdade, então por que iria você desistir disso? Se elas são verdadeiras, são verdadeiras. Se elas são falsas, são falsas.
RW - No que você ainda acredita das coisas que aprendeu nas TJs?
EG - Levei quatro anos para me purificar de tudo. Como a data para a queda de Jerusalém. Eu não estava por dentro desse assunto, mas à medida em que fui estudando História, vi que as datas eram diferentes nesses livros. Em algumas [doutrinas] eu tropeçava, mas outras eu investigava a fundo. Claro que as primeiras se referiam à pessoa de Cristo, à natureza da Trindade e à salvação pela fé. Foi então que eu descobri uma porção de erros na Sociedade Torre de Vigia, os quais me haviam sido ensinados como verdade e que já não eram mais ensinados como verdade.
RW - Houve alguma reação contra você, depois que você abandonou a Torre de Vigia?
EG - Houve uma reação, sim; mas somente 21 anos depois que eu abandonei a Torre de Vigia. Isso aconteceu depois que eu publiquei dois folhetos e estes circularam na área. Logo apareceram três senhores do Salão do Reino local e perguntaram se era eu quem os havia publicado. Respondi que meu nome constava dos mesmos e que não iria negar o fato. Isso aconteceu depois que me graduei no colégio e no seminário e já era professor há 11 anos. A única razão pela qual acho ter sido desassociado foi porque quando eu escrevi uma carta à Sociedade pedindo que me respondessem uma pergunta, a carta foi devolvida, dizendo que pelo fato de ser eu uma pessoa desassociada, ela não responderia minhas perguntas. Relacionei isso à videira e quando eles me disseram isso, supostamente eu “chorei como um bebê”
RW - Essa é a história que elas contam?
EG - ... E outras mais, desse tipo: “Ó, sabemos por que ele saiu. Ele almejava uma alta posição!” Apenas absurdas tolices.
RW - Elas adoram fabricar histórias. Relembrando aquele tempo em que você deixou a Torre de Vigia, quando estava mais ou menos com 17 anos, essa foi uma experiência de certo modo negativa? Se o foi, em qual sentido?
EG - Não foi negativa no sentido de sair do erro para a verdade. Foi negativa no sentido do relacionamento com minha mãe, o qual foi cortado. Eu era um filho do diabo; um relacionamento muito difícil. Aqueles que eu poderia ver como amigos e contatos haviam sumido, embora eu tivesse outros para substituí-los, o que foi muito importante. Você precisa verificar que aqueles que fazem parte dessa experiência são basicamente obrigados a deixar a sua amizade, pois você se tornou uma persona non grata e, contudo, Deus traz à sua vida amigos que são muito melhores do que aqueles.
RW - O que me diz sobre a confusão ou luta com o conceito de “verdade”?
EG - Bem, esse é o problema. “O que é verdade religiosa?” “Onde está a verdade religiosa?” Porque “tudo que existe aí no mundo é do diabo”.
RW - Você acha que precisou recomeçar ou o que?
EG - Bem a única coisa que eu trouxe comigo da Sociedade Torre de Vigia é que a Bíblia é a autoridade e que você não precisa de uma sociedade para interpretá-la para você. A Bíblia é a Palavra de Deus e eu busco a verdade religiosa na Bíblia e somente na Bíblia. É isso que nos ensinam as TJs, mas isso não é a pura verdade que você recebe. Você tem os livros, tem tudo menos a Bíblia.
RW - Olhando pelo lado positivo, o que você acha que isso lhe adiantou como experiência?
EG - Sei o que você está querendo, mas eis o que eu penso. Essa experiência me preparou para o que eu teria de fazer mais tarde, pois me despertou interesse nessa área.
RW - Especificamente?
EG - Seitas. A idéia é que eu poderia pregar nas igrejas e falar sobre o assunto. “Eu era um adolescente TJ”. Então alguém pergunta: “O que você acha dos mórmons?” Eu teria de aproveitar minha experiência e expor todos os tipos de outros grupos e movimentos e as experiências de outros. Foi assim que as coisas funcionaram, a ponto de meus ensinos terem, nesses 30 anos, se envolvido nessa área, junto com a História.
RW - Você escreveu pelo menos dois livros. O mais importante para mim teria sido “The Apostles of Denial” (Os Apóstolos da Negação). Esse foi o primeiro livro que eu li sobre abandonar as TJs, o qual me afetou um bocado. Você também escreveu “Cults and the Occult” (As Seitas e o Ocultismo) e provavelmente muitos outros. Não foi?
EG - “Jehovah’s Witnesses and Prophetic Speculation” (As TJs e a Especulação Profética); “What Every Mormon Should Know” (O Que Todo Mórmon Deveria Saber); “The Ouiji Board: Doorway to the Occult” (A Tábua Ouija: Porta Direta Para o Ocultismo) e alguns outros escritos mais efêmeros.
RW - Então basicamente, o fenômeno da seita é uma questão de interesse e o fato de ter sido uma TJ tem-no ajudado nesse ponto. Ao deixar a Torre de Vigia, você ainda era muito jovem. Quais as lutas enfrentadas sobre o seu futuro, sua carreira, suas direções na vida e outras?
EG - Eu não tinha plano algum sobre uma carreira. Sendo uma TJ, o Armagedom estava preste a acontecer e éramos desencorajados a ir ao colégio. Elas ainda desencorajam as TJs neste ponto. Eu não tinha planos de carreira, além do curso secundário.
RW - Então você estava pensando: “E agora, o que eu vou fazer?”
EG - Eu tive um falso começo na classe dos juniores. Freqüentei por um semestre, mas não concluí. Obtive algum crédito e prossegui num segundo semestre num colégio diferente de juniores e ali obtive alguns créditos e, finalmente, passei de ano, em 1951, e continuei direto. Não houve mais problemas depois disso. Passei pelos quatro anos da Faculdade e também pelos três anos de Seminário. Durante esse tempo, pediram-me para ser um companheiro instrutor. Acharam que eu estava interessado em seitas, então disseram que eu poderia ir em frente e ensinar esse curso de “Seitas” no Instituto Bíblico, o que eu fiz. Eu sempre tivera a idéia de compartilhar o que estou aprendendo com outras pessoas e, finalmente, prossegui e consegui o meu Th.M. Minha tese foi “The Apostle of Denial”. Em 1960, eles precisaram de alguém para ensinar no curso de Seitas e também de Geologia, de modo que comecei minha carreira ensinando num curso de Seitas e num curso de Geologia Física. Mais tarde, depois da Faculdade, eu me mudei para Newhall.
RW -... Perto do Colégio Batista L.A.?
EG - Sim. Eles precisavam de alguém para ensinar História e eventualmente eu desenvolvi principalmente História, de modo que se pode dizer que a coisa “seita” se desenvolvia ao lado. Eu usava isso na classe.
RW - Você diria ou você se vê a si mesmo principalmente como um ex-TJ? Conheço uma porção de gente que abandona as seitas, até mesmo as que abandonam os problemas de dependência, como os ex-alcoólicos, e continuam se considerando alcoólicos. Você se considera um ex-TJ ou o que?
EG - Não, eu não sou um ex-pecador perdido que por acaso foi uma TJ; mas quando se apresenta a oportunidade, eu falo de minha própria experiência e atualizo-a com outras coisas, além dos meus 10 anos de envolvimento. Falo do assunto de como você pode gastar seu tempo em algo errado e como Cristo pode redimi-lo de qualquer tipo de passado ou situação. Tenho certeza de que a experiência deixou suas marcas em minha mente. Minha esposa diz, vez por outra, “Isso você apanhou quando era TJ”.
RW - Puxa! Ela ainda diz isso?
EG - Realmente, tendo sido um cristão por 40 anos, não me embaraço no pensamento das TJs.
RW - Houve todo um segmento de sua vida como TJ, mas de certo foi apenas um breve segmento de sua vida.
EG - Mesmo que tenha sido extremamente importante como ponto de partida à direção que isso me deu para escrever e o que se pode considera o principal ministério fora da classe. Vemos muitos TJs e muitos ex-TJs assistidos de um modo ou de outro pelo que somos capazes de conseguir em pequena escala. É encorajador receber uma carta, uma chamada telefônica ou o que seja. Gosto de me considerar numa posição de ser a última geração iluminada ou luz para ajudar os outros. Outros, como você mesmo, têm prosseguido e pode ser que se eu voltar a escrever novamente, me atualize um pouco. Meu livro foi uma ajuda naquele tempo, quando não havia tanta coisa disponível.
RW - Sei que você ainda está envolvido, Ed, ajudando as pessoas que são TJs ou as que de lá saíram, mas o caso é que você principalmente se especializa na educação cristã. Numa pergunta final, e quais projetos você está envolvido no que concerne aos próximos 5 ou 10 anos na educação cristã?
EG - Bem, sou um Catedrático no Departamento de História de nossa Faculdade. Sinto que treinar pessoas jovens para o ensino público e particular é importante. Muitos de nossos graduados são missionários ou pastores. Outros são Advogados ou assistentes. Acho que a História é uma preparação para muitos outros campos de trabalho. Eles não precisam realmente ser ministros ou pastores a fim de trabalhar para Deus. Estou planejando aposentar-me em dois anos, a fim de voltar a escrever mais vigorosamente. Até o ponto em que diz respeito aos projetos, tenho uma porção de pesquisa engavetada. Eu gostaria de completar um trabalho definitivo sobre as TJs com uma tentativa de algo semelhante a “Hundred Years of False Prophecy” (Cem Anos de Falsa Profecia). Você deve ter entendido isso, mas de fato eu gostaria de olhar as coisas em profundidade, não que pretenda expandi-las demais.
RW - ... Mas de uma perspectiva histórica?
EG - Investigando amplamente o Movimento do Segundo Advento e a especulação referente à Segunda Vinda de Cristo. Todas as demais idéias que surgem, além do Segundo Advento, são apanhadas pelos Russelitas e as TJs. Existe uma porção de coisas que foram publicadas, porém são pouco conhecidas e eu gostaria de pelo menos fazer referência às mesmas, mas isso vai depender de coletar tudo, a fim de que, no caso de que alguém as quisesse, pudesse conseguir uma exposição recente. Fiz o trabalho, porém ainda preciso colocar tudo em ordem.
RW - Excelente!
EG - Acho isso importante. Precisamos restabelecer a verdade e denunciar o erro, duas ou três vezes em cada geração, porque existe uma nova colheita de pessoas chegando sem saber o que aconteceu no passado.
RW – É verdade, especialmente na Organização Torre de Vigia, achamos que existem mais e mais pessoas que não possuem conhecimento algum sobre o passado. Realmente apreciamos esta hora de entrevista, Ed, e agradecemos pelo seu tempo. Foi um prazer!
2. Entrevista com David T. Brown
RW - Dave, a primeira pergunta que desejo lhe fazer é qual a experiência ou qual o passado que você teve na organização das TJs.
Dave - Comecei a estudar com os TJs quando tinha uns 12 anos, contra a vontade de meus pais. Fui batizado aos 15 anos, em 1969. Eu nunca fiz o pioneiro regular, mas fiz o pioneiro “temporário” nesse tempo, durante vários meses, e em seguida me apliquei ao serviço Betel em 1973, e fui para o Brooklin em setembro de 1973. Fui transferido do Brooklin para a Fazenda da Torre de Vigia, em fevereiro de 1975, de onde saí um ano e um dia depois, em fevereiro de 1976.
RW - Não muito tempo depois que você se casou, certo?
Dave - Eu me casei em março de 1977 com uma pioneira regular e tinha como objetivo tornar-me um pioneiro e possivelmente tentar voltar ao serviço Betel.
RW - Mais tarde você teve dúvidas sobre a organização Torre de Vigia e sua doutrina e em 1980 você a abandonou. Certo?
Dave - Certo.
RW - Agora voltando àqueles tempos, quando você era um adolescente, o que você imagina terem sido os motivos para se envolver na organização?
Dave - Tenho para mim que eu desejava obter algumas respostas para algumas questões básicas da vida. Queria entender a Bíblia e obter o conhecimento de Deus e também conseguir algumas boas amizades com as pessoas na congregação. Isso fortaleceu o meu desejo de estar em contato com a organização. Meu pessoal era surdo e mudo, como ainda continua sendo. Eu estava interpretando para as TJS, quando me chamaram. Foi uma experiência porta-a-porta que me envolveu. Eu era um adolescente perturbado querendo algumas respostas, sem conseguir satisfação alguma da igreja e foi por isso que me envolvi.
RW – Então isso preencheu algumas carências de amizades e respostas para os problemas da vida. Quantos anos você permaneceu na Torre de Vigia?
Dave - Batizado, 11 anos.
RW - Voltando ao tempo, depois de você ter se casado e ter resolvido abandona a organização Torre de Vigia, como ou de qual maneira a Torre de Vigia lhe deixou uma experiência negativa?
Dave - sem dúvida, o aspecto de perder meus amigos. Eles eram de fato importantes. Acho que a pior situação foi que eu não mais podia continuar usando a fachada de ser uma TJ. Se tivesse mantido a fachada, teria sofrido um esgotamento nervoso. Mina esposa não queria abandonar as TJs, às quais ela dava muito apoio, estando muito envolvida e, além de tudo, grávida. Eu me sentia mal em causar todos esses transtornos em sal vida. Além de experimentar a tristeza de saber que havia a possibilidade de nos separarmos, sendo esse o fim de qualquer discussão espiritual com minha esposa.
RW - Sua esposa achou que o seu mundo ia ficar à parte naquela ocasião?
Dave - Mais tarde ela se expressou, quando disse que aquela fora como uma experiência de morte. Não me lembro de suas exatas palavras, mas sei que foi um tempo de muito desgosto para ela.
RW - De que maneira você diria que abandonar a Torre de Vigia teria sido uma experiência positiva?
Dave - Um dos itens principais quando deixei a organização foi o papel que Cristo desempenha na vida de um cristão. Era muito confiável saber que eu poderia orar a Ele e foi por isso que eu deixei a organização. Era reconfortante, garantido, alegre e foi isso que me deu apoio. Estando a ponto de sofrer um colapso nervoso nesse tempo, acho que não me teria sido possível sobreviver, se não tivesse tido essa nova experiência em minha vida.
RW - Como você acabou entrando num ministério para ajudar as TJs? Você começou logo depois de 1980 ou como foi que este se desenvolveu?
Dave - Bem, inicialmente foi uma espécie de cruzada para tentar despertar meus amigos que ainda estavam na organização. Enviei-lhes material conforme ia podendo, a partir daí. As pessoas telefonavam quando sabiam de minha situação. Eu havia deixado a organização e elas me telefonavam para pedir informações. Elas queriam receber alguns conselhos. Foi isso exatamente o que aconteceu, a partir de então.
RW - Então, você tinha o desejo de ajudar as TJs a conhecer Cristo.
Dave - Certo. Essa era a coisa básica a ser compartilhada com elas. O que eu havia encontrado.
RW - Você não acha que está fazendo isso por alguma motivação impulsiva, quem sabe uma motivação negativa ou algo assim? Raiva ou amargura?
Dave - Acho que houve um tempo em que eu até pensei que estivesse envolvido com isso, porque também era uma espécie de terapia. Não sei se terapia é a palavra exata. Era uma maneira de quase desejar poder compartilhar isso com minha esposa. Não sei se isso realmente se encaixa no que você está perguntando. Logo depois, comecei a verificar que esse era apenas um desejo de compartilhar e de como eu poderia ajudar outras pessoas e o que eu precisava fazer por outras pessoas.
RW - Dave, o que você vê como o maior problema em ajudar as TJs a reconstruírem suas vidas, após saírem da Torre de Vigia?
Dave - Acho que a coisa mais importante a ser feita é a necessidade delas serem desprogramadas. Uma porção de gente que abandona a Torre de Vigia continua pensando ainda como uma TJ. Elas precisam de bastante tempo para estudar a história da Sociedade Torre de Vigia e também para ver a diferença entre o que a Bíblia diz em oposição à Torre de Vigia, de modo a não continuarem prisioneiras do passado. Outro problema principal, pelo menos com algumas TJs, é um bocado de amargura pela sua experiência. Meu próprio ponto de vista sobre isso é sim, a Sociedade Torre de Vigia manipula as pessoas. Ela machuca as pessoas. Ela faz algumas coisas ruins, mas quanto à maioria das pessoas envolvidas com as TJS, elas precisam reconhecer que escolheram isso até certo ponto, mesmo tendo sido enganadas. Existe uma parte de culpa da pessoa aí. Atravessar a vida com amargura e incapaz de se desvencilhar, é o que atrapalha no progresso do conhecimento de tudo que o Cristianismo significa.
RW - Obrigado, Dave pelo seu tempo. Estou feliz em saber que sua esposa Doris se uniu a você na caminhada cristã, também nestes dois últimos anos.
3. Entrevista com Donna Fried
RW - Donna, eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas sobre o seu envolvimento com as TJs e o que você tem feito desde que deixou a organização. Eu gostaria de dar à nossa audiência uma boa idéia sobre o que aconteceu em sua vida, para onde você vai e o que você sente sobre ter abandonado as TJs. A primeira pergunta é: Que tipo de vida social você tinha na Sociedade Torre de Vigia?
Donna - Bem, só para você saber, eu fui envolvida com as TJs aos dez anos de idade, quando comecei a estudar com elas, até os 25 anos de idade. Basicamente o meu crescimento na idade foi passado dentro da Torre de Vigia. Minha adolescência, os anos em que a vida social está se desenvolvendo e quando a nossa identidade individual está se firmando, foram passados como uma TJ, de modo que minha aprovação e meu círculo social procederam todos de outras TJs, das jovens e das mais velhas.
RW - Então você realmente não tinha uma vida lá fora?
Donna - Realmente, não tinha. No curso primário eu tinha amigos não TJs, mas me sentia de fato culpada por isso. Mudei-me depois do curso primário, de modo que em meus primeiros anos de escola, as pessoas eram estranhas para mim e meus únicos amigos eram os do Salão do Reino. Eu tinha uma porção de amigos mais velhos. A mistura de idades era muito ampla, então quando eu estava com 14 a 15 anos, meus amigos tinham em média 16 a 22 anos de idade. Eram pessoas que tinham carros e jogavam boliche nas noites de domingo e patinavam nas noites de sábado. Desse modo, consegui manter um bom número de amigos. Não apenas me tornei amiga das pessoas em meu próprio Salão do Reino, como nos circuitos das Assembléias e, através dos amigos dos amigos, estabeleci um amplo círculo social. Aprendi que para ser convidada às festas, teria de ser amistosa. Então, além da aparência externa, eu tinha de ir de porta em porta e fazer amigos entre as pessoas, a fim de convencê-las a receber e estudar a literatura, aparência que me facilitou a aquisição de uma porção de amigos entre as TJs. Eu também possuía um temperamento amistoso, amava as pessoas e gostava de conhecer gente nova. Quando deixei a organização, na casa dos 20 anos, tinha uma centena de amigos, pelo menos na área local, em Nova York, na Pennsylvania e Nova Jersey. Eu tinha números de telefone e era convidada às festas em toda a área dos três estados. Além de ter uns 35 amigos betelitas do Lar Betel em Brooklin e das fazendas da Torre de Vigia, e quando se conhece um betelita, ele apresenta você a uns outros dez e todos eles gostam de ser convidados para as festas. Especialmente quando você tem um grupo alegre de garotas atraentes, os betelitas sempre vão às festas e eu era muito convidada para danças e fins de semana e para corridas de touros, para esquiar, etc. Quando os betelitas iam para casa nos vários estados de onde procediam, eles se tornavam correspondentes e tinham amigos em suas cidades que eu iria encontrar, mais tarde.
Acabei encontrando minha eventual companheira de quarto, uma betelita que saiu em 1976. Ela possuía uma porção de amigos e fui passar três semanas onde ela morava, na Flórida, e lá encontrei uma tonelada de pessoas, o que fez crescer o meu círculo de amizades. Também fui uma pioneira e, desse modo, era socialmente ativa em minha própria congregação. Havia sempre piqueniques, onde as pessoas levavam comida, e festas na praia. Toda semana eu tinha algo a fazer, além de andar de porta em porta pela manhã. Toda noite acontecia alguma coisa. No tempo em que saí, minha vida social girava em torno de ir à Betel de Brooklin, nas noites de segunda feira com minha amiga e uma porção de rapazes, para ler a Bíblia, e isso foi início de minha saída da Torre de Vigia.
RW - Você não saiu apenas seis meses após ter descoberto coisas erradas. Isso levou tempo. Por que você levou algum tempo para perceber o que havia de errado no sistema da Torre de Vigia? É possível que você tenha visto muito antes, coisas erradas que a aborreciam.
Donna - É verdade. Levei três anos para sair, talvez um pouco mais. Comecei a ver coisas que me aborreciam, em 1979, mas eram apenas pequenos fios da tapeçaria. A seqüência de fatos, quando comecei a perceber, ia ficando cada vez mais insustentável. A razão por que demorei tanto tempo foi porque eu sabia que se continuasse observando aquele sistema, ele destrinçaria toda a tapeçaria de minha vida, inclusive minha vida espiritual, minha crença no sistema sobre Deus e minha esperança no futuro. Todo o meu plano para o futuro era o novo paraíso e achava que se continuasse naquele sistema, tinha esperança de casar e viver para sempre em um novo sistema. Eu amava a idéia de um paraíso e sabia que se rasgasse aquela tapeçaria, todo meu sistema de crenças cairia e minha visão do futuro iria se desfazer. Os ensinos da Torre de Vigia são como uma teia: um rasgão que haja em uma das crenças e todas vão rolando umas sobre as outras. Isso quer dizer que quando se quebra uma parte do sistema, todo o sistema se despedaça.
WR - Tudo se despedaça.
Donna - Então, isso me levou algum tempo. Vi o tratamento. Em 1980, um grupo dos meus amigos foi desassociado por vários motivos: conspiração contra a organização, descrença em algumas de suas doutrinas e na condução de estudos bíblicos; subversão, apostasia e diversas outras coisas. Vi sendo desassociadas pessoas que realmente amavam a Deus. O tratamento para elas, de suas famílias e de seus amigos que as amavam era tão mau que isso levou muito tempo até que eu tivesse coragem de pensar que haveria outro tipo de vida para mim, fora da Torre de Vigia.
RW - Então, no real sentido de deixar a Torre de Vigia, o que você consideraria uma experiência negativa?
Donna - A experiência mais negativa ao deixar a Torre de Vigia foi nas imediatas circunstâncias temporais. Você sabe que quando tomar uma decisão desse tipo vai perder todas as pessoas que você havia conhecido, pessoas importantes para você, tudo que tem valor em sua vida. As pessoas que você conhece e ama e que constituem sua família espiritual, mestres espirituais, mães e pais espirituais, filhos, pessoas de quem eu estivera próxima em minha adolescência, quando houve o divórcio de meus pais, uma decisão desse tipo iria fazê-los agir como se eu estivesse morta. Essa foi uma experiência negativa. É sempre uma experiência negativa perder todo mundo.
RW - E o lado positivo? Desde que você saiu, nestes sete anos, deve ter havido um lado positivo.
Donna - Quando uma pessoa toma uma decisão embasada em sua consciência e em seu relacionamento com Deus, colocando sobre o altar tudo que é de valor para ela, sempre existe um lado positivo. O crescimento que procede da rendição a Deus é diferente do crescimento que vem da desobediência e do pecado e das conseqüências negativas das escolhas erradas. Faz-se a escolha certa e a conseqüência é dolorosa. Mas a longo prazo, o efeito positivo disso é mais positivo do que o de qualquer outra decisão que se possa tomar na vida e do que qualquer lição em qualquer escola, qualquer experiência espiritual e qualquer sucesso.
RW - Até mesmo, quando causa dor imediata, vale a pena, ao longo da vida?
Donna - É verdade. Ao longo da vida, o crescimento que disso provém no caráter da pessoa, a virtude e a tenacidade, e a força que é plantada em seu caráter valem por essa decisão. É uma decisão difícil, como a de Abraão quando ia sacrificar Isaque e é preciso que se queira fazer isso. O caráter que Deus coloca em seu íntimo faz com que você saiba e tenha confiança de que vencerá qualquer obstáculo. Nos dias que antecederam a esse grande sacrifício, houve um grande desafio e um sacrifício terrível [mas agora] posso me refrescar por causa dele. As decisões que poderiam ter sido severas sem essa força extra que nos é acrescentada, tornam-se mais fáceis, quando se toma uma decisão desse tipo.
RW - Isso é realmente bom, Donna. Você é uma pessoa sensível. Está em contato com você mesma, então vou lhe fazer uma pergunta que não fiz aos outros. Ao deixar a Torre de Vigia, quais os tipos de luta há muito sepultados, que você enfrentou que a Torre de Vigia tenha suprimido e dos quais você não estava a par? As seitas às vezes nos possibilitam a lutar contra coisas em nossas vidas, e não realmente como uma cura, mas como um analgésico. Como aconteceu isso em sua vida?
Donna - Então você vai me fazer responder a uma pergunta muito vulnerável! Antes de me tornar uma TJ, eu era tímida. Era muito insegura. Vinha de uma família desfeita e o fundamento sob meus pés era instável. Eu tinha uma baixa auto-estima. Para falar a verdade, eu me odiava. Acreditava que apenas se fizesse as coisas certas eu seria amada. Se eu fizesse tudo certo, as pessoas poderiam me amar e me aceitar. Se eu fizesse qualquer coisa que desagradasse meus pais ou meus amigos, eu iria perder todos eles. Eu vivia sob constante temor. Isso foi antes da Torre de Vigia. Entrei na Torre de Vigia e então os seus ensinos confirmaram que eu estava totalmente certa, porque nós teríamos de fazer alguma coisa diretamente para Deus gostar de nós. Mas o que ela acrescentou a isto foi uma lista de fazer e não fazer. E o que você deveria ser, para evitar que as pessoas a rejeitassem, inclusive Deus. O que eu fiz foi vencer aquela lista.
RW - Foi uma solução, mas uma solução muito difícil. Não foi realmente uma solução, mas já que você disse, OK, vou acreditar nisso. Ela funcionou até certo ponto.
Donna - Certo, foi uma solução externa. Foi a perfeita solução externa porque ela me deu as respostas ao que eu precisava fazer para ser perfeita, então fiz tudo aquilo. Nas TJs você pode completar. Você pode complementar, sendo popular, se for uma pioneira e está fazendo tudo que é possível. Se você estiver se queimando em todo o seu tempo livre, visitando os enfermos e cuidando dos filhos das pessoas, sem falta a uma reunião, a não ser que esteja literalmente morrendo, e estiver gastando todo o seu tempo com as TJs, e vivendo dentro das normas ou do que é correto dentro da Torre de Vigia, você pode sentir-se totalmente OK a seu próprio respeito. Mas tire tudo isso e todas as lutas
voltam à tona novamente. A única maneira de se curar dessas lutas subconscientes é através da cura interior [recebida] da mão de Deus e essa é a única maneira. Tão logo essas coisas externas foram expostas e me tornei cristã, eu até tentei fazer isso dentro da igreja. Tentei encontrar os fazer e não fazer que iriam me tornar aceita dentro da igreja.
RW - Você pensou que seria igual à Torre de Vigia e disse: “Como poderei ser aceita aqui?”
Donna - Certo. [Mas] o sistema de graus é muito diferente. Você pode fazer isso por algum tempo na igreja, mas quando recebe o Espírito Santo dentro de você, Ele não lhe permite fazê-lo por muito tempo. De repente, as luzes começam a brilhar e a denunciar que o que você está fazendo é obra da carne. Isso não é bom e você precisa começar a expor diante do Senhor o que está dentro dessas lutas interiores.
RW - Isso não parece confortável, será?
Donna - Nem é também imediato. É muito desconfortável. É muito doloroso e é um processo longo. Leva tempo. Ser agradável a Deus está no processo e não necessariamente no resultado final. É isso que agrada ao Senhor.
RW - Vou lhe fazer outra pergunta, Donna. Muitas pessoas que abandonam as TJs começam um ministério para retirar as pessoas lá de dentro das TJs, algumas delas por motivos errados, por sentirem amargura, raiva ou outra coisa. Por que você não organizou um ministério desse tipo? Sei que você tem estado ativa, de um certo modo, nesse ponto, mas não organizou um ministério.
Donna - No início você sente culpa e deseja ajudar outras pessoas a sair das TJs. Como você sabe, eu comecei datilografando para os Ministérios Betel, ao que me dediquei inteiramente, pois era isso que eu supostamente precisava fazer. [Mas] de fato eu fiquei muito doente com a doutrina das TJs. Logo que tive minhas próprias perguntas respondidas, as únicas pessoas nas quais eu estava realmente interessada eram os membros de minha família e meus amigos mais chegados, que ainda continuavam sendo TJs. Era nessas pessoas que eu estava realmente interessada em ajudar a sair. Quanto às demais pessoas, foi apenas por motivo de culpa que fiz algo para tentar ajudar. Do que eu mais precisava era estar com outras pessoas que não tinham envolvimento com as TJs. Se alguém fica sabendo que uma pessoa saiu de lá, vai ficar longe das conversas das TJs, dos contatos e das revistas da Torre de Vigia. Quando eu via uma revista da Torre de Vigia, tinha vontade de atirá-la para longe. Não queria ver suas gravuras com o rapaz, a mulher e os pássaros, não queria escutar a frase “servo fiel e discreto”. Ficava escandalizada com a Tradução Novo Mundo. Eu só queria consertar. As TJs que saem [da organização] precisam de algum tempo para reconstruir amizades e descobrir que existem pessoas gentis e bondosas fora das TJs, as quais podem ser amistosas. Precisei de tempo para descobrir quem era eu como um indivíduo fora do molde robótico das TJs. Eu não tinha a menor idéia de quem era Donna Fried. Tinha dez anos quando a forma começou a me moldar e tenho precisado destes últimos sete anos, ainda lutando com o que gosto e com o que não gosto de fazer e o que gosto de apreciar. Todas essas perguntas são muito importantes para serem respondidas, quando você sai. Você deixa de resvalar na espiral e de ser enforcada no pensamento da Torre de Vigia, quando se encontra com essas pessoas bondosas.
RW - Certo. Você sabe que no meu primeiro ano, após ter deixado a Torre de Vigia, eu nada queria com as TJs, mas o Senhor tem um modo de colocá-las em nosso caminho. Sei que você tem ajudado uma porção de TJs a sair, mesmo sem ter tentado fazê-lo e isso é muito bonito.
Donna - É verdade.
RW - O que você está fazendo agora, Donna, e como se sente sobre sua carreira e seu futuro?
Donna - O que estou fazendo agora? Em tempo integral eu dirijo uma firma de Advocacia e amo minha carreira, sentindo ter sido vocacionada para a mesma, pelo Senhor. Aprendi bastante sobre gerenciamento. Dirijo um encontro semanal de oração e na firma uma porção de gente foi salva. Sinto que estou exatamente onde deveria estar, no momento. Também leciono numa classe de relacionamento na igreja, a qual é realmente meu amor e minha alegria. Passei um ano escrevendo um programa sobre relacionamentos. Ele se chama “Programa de Descoberta Pré-Matrimonial” e realmente coloco o meu coração no mesmo. Tive numa carreira rápida. Faço minha vida na gerência da firma de Advocacia e em meu relacionamento com as pessoas no trabalho. Estou muito envolvida com a Igreja e suas atividades. Tenho muita responsabilidade dentro da igreja. Eventualmente vejo-me num ministério de tempo integral, mas somente a mão do Senhor poderá me conduzir fora desse ministério de tempo integral. Eu nem mesmo sei qual a direção que possa vir a tomar. Sinto apenas esse entusiasmo de ministrar às pessoas que têm dificuldades familiares, que estão passando por aflição, pessoas que carecem de ajuda no sentido de construir saudáveis relacionamentos familiares.
RW - As pessoas têm tentado pressionar você ou dito que você faria melhor se tivesse um ministério sobre seitas, especialmente sobre o pessoal TJ? Se isso acontece, qual é a sua reação?
Donna - Os cristãos nunca percebem... Os cristãos que nunca estiveram envolvidos numa seita não entendem como é complicado tentar sair da mesma. O primeiro pensamento é que deve ser uma obra do Senhor que você esteja em um ministério de seitas, quando você já foi membro de uma seita. Isso é tão falso como dizer a uma pessoa que já foi alcoólica que o seu ministério deve ser o de falar nos Alcoólicos Anônimos. Essa pode não ser exatamente a sua vocação. Você precisa descobrir quem você é, e quais são os dons e habilidades que Deus tem inerentemente colocado em você, os quais lhe tragam alegria e não apenas satisfaçam aquele sentimento de culpa. [Quando as pessoas diziam isso] no princípio em me ressentia e agora [verifico] é uma resposta natural dos cristãos e isso em nada me afeta agora.
RW - Donna, o que você imagina ser a maior necessidade entre as TJs, além, é claro, da salvação em Jesus Cristo?
Donna - Esta é uma pergunta muito boa.
RW - Você conhece muito sobre as TJs e sobre as pessoas que têm saído e por isso está em condição de responder realmente bem essa pergunta.
Donna - Amor incondicional. Quando você está nas TJs, acha que está num ambiente de amor incondicional e tem uma família. É um grande choque, quando descobre que tomou uma decisão consciente diante de Deus de sair e essas pessoas que aparentemente se supunha que amassem você incondicionalmente como uma família, dão as costas a você e ficam cochichando sobre você e revelam umas às outras todas as confidências que você lhes fez em segredo. Espalham boatos sobre você. Você perde a confiança em qualquer pessoa. É muito difícil voltar a confiar. É muito difícil voltar a ter amigos. É muito difícil entrar num grupo de outros cristãos, mesmo que seja em um pequeno grupo de estudo bíblico, pois você está sensível demais para confiar em alguém. A partir dessa perspectiva, do que uma ex-TJ precisa é de amor incondicional, de amizade sincera. Ela precisa de diversão. Precisa de aceitação. Uma TJ que sai precisa entrar em contato com o que ela é como um indivíduo, não como aquela pessoa membro de seita ou uma cristã, ou conforme se supõe que ela seja, mas como Deus a fez e quais sãos os seus dons. A resposta à pergunta: “quem sou eu, Senhor?” entrando em contato com a sua individualidade, vai possibilitar às TJs experimentar alegria em sua vida e paz e descansar, confiar e relaxar, quer sejam psicólogos ou membros de uma família, quaisquer que sejam. Uma vez que você se conscientize de quem você é, ninguém vai conseguir colocar outra identidade em você.
RW - Puxa! Isso é realmente bom! Grato pelo seu tempo, Donna. Nós gostamos de fato. Deus a abençoe!
Fonte: http://www.freeminds.org/psych/lifafter.htm
Tradução de Mary Schultze para o CPR, em 30/05/2007.