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FORA DA CARIDADE, HÁ SALVAÇÃO!

Uma análise bíblica sobre a caridade e boas obras

 

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16)

 

DEFINIÇÃO DE CARIDADE

 

        No Novo Dicionário Aurélio, lemos que caridade é assim definida: “No vocabulário cristão, o amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem e procura identificar-se com o amor de Deus; ágape, amor-caridade. Benevolência, complacência, compaixão. Beneficência, benefício; esmola”.

Porém, as falsas religiões, equivocadamente, baseiam-se nesta atitude de amor ao próximo, a caridade (boas obras), como sendo o “caminho para a salvação”. Um dos exemplos dessas falsas religiões que pregam esse falso ensino é o Espiritismo, uma das mais heréticas e falsas religiões do Brasil.

 

O QUE DIZ O ESPIRITISMO?

 

A máxima do Espiritismo é que: "fora da caridade não há salvação". É por isso que eles fazem tanta caridade e possuem tantas entidades filantrópicas. Mas, na Bíblia, lemos: “Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens” (Mt 15:9). [Vide também: Cl 2:22; 1Tm 4:1; 2Tm 4:3; 2Jo 1:9].

Sabemos que Kardec sustentou toda a sua (falsa) doutrina espírita (ou seria vã filosofia?) na tese de que a caridade é conditio sine qua non para a salvação da alma (pagamento do suposto “carma”). E, esta herética religião, ainda comete o disparate de se dizer cristã (sic).

Isto, além de ridículo e sem fundamento bíblico, é contrário à razão (aliás, a Bíblia não é o fundamento dessa falsa religião, evidentemente!). A Bíblia diz: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Cl 2:8).

Se a salvação fosse por obras, bastaria que um milionário, no leito de morte, após viver uma vida de completa devassidão, doasse todos os seus bens a uma instituição social ou a alguém, e o mesmo seria salvo em virtude de sua “caridade”. (brincadeira, não é mesmo? Onde fica o sacrifício de Jesus Cristo?). Porém, sabemos (ou deveríamos saber) que “...  sem derramamento de sangue não há remissão” dos pecados (Hb 9:22).

Crer que a salvação vem pelas obras levaria ainda à conclusão de que tais espíritas seriam os primeiros a serem salvos (pois são os que mais se apresentam praticando a caridade), mesmo sem crerem em Jesus Cristo como o Salvador.

A Bíblia nos mostra que: “... todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23).

 

COMO PAGAR A DÍVIDA PELO PECADO?

 

Como o que menos importa, em termos de fé, são opiniões pessoais, devemos nos basear sempre na infalível Palavra de Deus (a VERDADE QUE LIBERTA!), que deve ser nossa ÚNICA regra de fé e prática: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). Jesus Cristo deixou isto muito claro, em Sua oração intercessória: “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17:17).

Como o pecado afastou a humanidade de Deus, os homens perderam a comunhão com Ele e, assim, tornou-se necessário reparar este dano, de alguma forma, para nos “religar” ao Criador.

Visto que, pelo esforço pessoal do homem, ele jamais conseguiria reparar o estrago feito pelo pecado, Deus tomou a iniciativa e enviou Seu Filho ao mundo para morrer em nosso lugar (Jo 1:14, 3:16; Gl 4:4; 1Jo 4:9-10, 14), como sacrifício perfeito pelos pecados (Jo 1:29; Ef 5:2; Hb 9:26, 10:12; 1Pe 1:19; Ap 5:12; 13:8).

Jesus Cristo é a verdadeira religião, só Ele nos “religa” ao Pai (Jo 14:6). [A palavra religião vem de religar, do latim “religare”].

“Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4:10).

Jesus Cristo é 100% Deus, “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2:9). [Vide também: Gn 1:26; Mq 5:2; Mt 3:17, 8:29, 14:33, 27:54; Mc 1:1, 3:11, 15:39; Lc 1:32, 1:35, 4:41, 9:20, Jo 1:1-3, 10, 34, 49; 3:18, 5:25, 8:58, 11:4, 27, 20:31; At 8:37, 9:20; Rm 1:4; 2Co 1:19; Gl 2:20; Ef 4:13; Cl 1:15; 1Tm 3:16; Hb 1:6, 4:14; 7:3, 9:26; 1Jo 1:1, 3:5, 8, 4:15, 5:5; Ap 1:8, 2:18, 22:13].

Em um dado momento da história, Ele Se encarnou como Homem, manifestando-Se em carne: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14).

Assim, Ele também é 100% Homem (Mt 1:1, 21, 8:20, 9:6; Jo 1:14; Ap 22:16), tendo vivido sem pecado algum (Mt 27:24; Lc 23:4, 14, 47; Hb 7:26, 9:14; 1Pe 1:19) e morrido em nosso lugar (Rm 5:6, 8, 8:34, 14:9; 2Co 5:14-15; 1Co 15:3), como pagamento da dívida exigida por Deus para o perdão dos pecados.

Tudo o que podia ser feito para quitar a dívida pelo pecado já foi consumado por Jesus Cristo. Foi Ele mesmo Quem disse: “Está consumado” (Jo 19:30). A dívida está quitada: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Cl 2:14).

Com isso, não precisamos fazer mais nada para pagar pelos pecados, pois Jesus Cristo já o fez por nós!

 

COMO SER SALVO, ENTÃO?

 

Jesus Cristo propiciou a salvação a todo aquele que nEle crer (Jo 3:16, 6:47, 8:24, 10:38, 11:25-27, 12:46, 14:1, 17:20-21, 20:29-31; Fp 1:29; 1Jo 5:10) e O confessar, como lemos em Romanos 10:9 “... Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”.

A Bíblia deixa muito claro que: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (Jo 3:36).

Em João 14:6, o próprio Jesus Cristo nos afirmou que Ele (e apenas Ele) é o ÚNICO “caminho, e a verdade e a vida”. E Ele ainda frisou: “ninguém vem ao Pai, senão por mim”. É muito interessante notarmos que o Senhor usou a forma verbal “vem” e não “vai”. Isto nos mostra que, além dEle ser o ÚNICO caminho ao Pai, Ele também é Um com o Pai, ou seja, é o próprio Deus encarnado. Indo ao Pai, nós estaremos indo, conseqüentemente, a Jesus também! (Deus é um Ser triúno).

Pelo sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário, todo aquele que nEle crer se torna justificado diante de Deus. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24).

A Bíblia traz verdadeiros tratados sobre a fé, em contraste com as obras. Basta que leiamos as epístolas aos Romanos e aos Gálatas, por exemplo. Aliás, em Gálatas 2:16, lemos: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada(grifos meus).

Sermos justificados diante de Deus significa que, quando cremos em Jesus Cristo e O recebemos como Senhor e Salvador, crendo que Ele morreu em nosso lugar, nascemos de novo (Jo 3:3, 5).

Com isso, Deus nos vê JUSTOS diante dEle (At 13:39, Rm 3:28, 5:1, 9, 8:30; 1Co 6:11; Gl 2:16, 3:11, 24; Tt 3:7). Não nos tornamos justos por nossos méritos ou obras (caridade) praticados em vida, mas pelos méritos de Jesus Cristo que nos são transferidos; pois, Ele, na cruz do calvário, cumpriu toda a Lei e os profetas (Mt 5:17; Lc 16:16; Jo 17:4, 19:30; Rm 10:4, 14:5, 7; Gl 3:10-13, 23-25, 5:4; Ef 2:15; Cl 2:14-16; Hb 12:2).

Deus, com isto, não olha mais para nós, para nossos pecados, mas para Jesus Cristo, que é JUSTO E PERFEITO e que, com a nossa conversão, vem habitar em nós, através do Seu Espírito Santo (At 7:49, 17:24; Rm 8:11; 1Co 3:16, 6:19; 2Co 6:16; 2Tm 1:14; Tg 4:5; Ap 3:20).

 

E A CARIDADE QUE A PESSOA PRATICOU? PARA QUE SERVE?

 

Está muito claro na Bíblia, em Efésios 2:8-9: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (grifos meus).

O próprio Martinho Lutero, ao se deparar com estas passagens das Escrituras (Ef 2:8-9), questionou o enganoso sistema religioso da igreja católica romana (que também prega a salvação por obras) e promoveu, com isso, a Reforma Protestante, ao perceber que somos salvos pela graça, por meio da fé em Jesus Cristo e não por obras (como a caridade, por exemplo).

Porém, ao contrário do que declaram (e crêem) os espíritas, católicos, etc., verificamos, na Bíblia, que todas as boas obras (caridade, filantropia, doações, esmolas, etc.) que a pessoa tenha praticado, antes de crer em Jesus Cristo e ser salva (antes de nascer de novo) não passam de esforços pessoais, mera atitude humanista e não têm nenhum proveito para sua salvação (sendo obras mortas, portanto).

Lemos em Isaías 64:6 que “... todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam” (grifos meus).

Portanto, se fôssemos depender de nossa caridade (boas obras) para sermos salvos, estaríamos literalmente fritos, ou melhor, “assados”, num lugar onde só há pranto e ranger de dentes... (Mt 13:50, 25:41).

Diante da perfeição de Deus e do Seu padrão de moral e conduta, não há quem faça o bem verdadeiramente. Na verdade, para Deus, não há nem um justo: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só (Rm 3:1-12) (grifos meus).

Para Deus, no fundo, no fundo, tudo o que fazemos é com segundas intenções (pura vaidade), em maior ou menor grau, visto que, enquanto estivermos neste corpo físico, somos pecadores: “E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol” (Ec 2:11).

 

 

 

 

FORA DA CARIDADE, HÁ SALVAÇÃO?

 

De maneira alguma estou dizendo que devemos desprezar as boas obras e muito menos a caridade. Mas, sim, entendê-las corretamente!

 

Na 2 Pedro 1:7, encontramos a única menção à palavra caridade, em toda a Bíblia. Porém, no versículo 1, vemos que Pedro endereça esta Carta “... aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (grifos meus). Continuando, lemos que a caridade deve ser “acrescentada” à fé: “E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade (2Pe 1:5-7). Portanto, quem não tem fé em Jesus Cristo, tem obras mortas...

A FÉ salvadora é aquela que está depositada em uma Pessoa: o Senhor Jesus Cristo. Como vimos, não precisamos praticar “boas obras” para sermos salvos, pois somos salvos pela fé. Deus diz: "Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua FÉ lhe é imputada como justiça" (Rm 4:4-5). (ênfase minha)

A caridade e as boas ações devem ser praticadas como evidências exteriores (2Pe 1:5-9) de que a pessoa é convertida ao Senhor Jesus Cristo (é nova criatura, nascida de novo), como frutos de verdadeiro arrependimento e amor ao próximo (At 26:20), para que possa “... andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (Cl 1:10).

Tiago esclarece que as obras são FRUTOS da fé, pois a fé COOPERA com as obras, e as obras servem apenas para APERFEIÇOAR a fé, não sendo condição para a salvação, mas CONSEQÜÊNCIA da mesma (Tg 2:20-23). Vide também (Mt 7:20; Jo 15:8)

No que tange aos “salvos”, suas boas obras lhes garantem galardões/recompensas (Mt 6:1-2, 10:42; 1Co 3:8, 14; Cl 3:24; Hb 11:6; 2Jo 1:8; Ap 11:18, 22). Por outro lado, é bom frisarmos que, até nossas “boas obras”, não são méritos nossos, mas Deus as preparou para nós, para que não tivéssemos a soberba de nos considerar bons ou melhores que alguém: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10).

 

>>>> Obras que agradam a Deus são CONSEQÜÊNCIAS naturais da fé genuína e não causas da mesma. <<<<

 

QUAL A MANEIRA CORRETA DE PRATICAR A CARIDADE?

 

        Tudo o que os salvos fizerem por amor ao próximo, toda a caridade que se propuserem a realizar, deverá ser feito de forma altruísta (sem exigir nada em troca) e de forma discreta (preferencialmente, sem que ninguém o saiba).

Conforme Mateus 6:1-3, “Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita (grifos meus).

 

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A instrução de Paulo ao carcereiro de Filipos é a RESPOSTA aos espíritas (e a toda a humanidade): "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo" (At 16:31).

Afinal, sendo Jesus Cristo o próprio Deus encarnado e já tendo Ele cumprido todas as ordenanças da Lei (Gl 3:10-13; Ef 2:15; Cl 2:14) e quitado toda a dívida pelos pecados da humanidade, pra que se esforçar, tentando fazer algo que já foi consumado por Jesus Cristo?

        Portanto, ao contrário do que afirma o Espiritismo, a Bíblia nos diz que FORA DA CARIDADE HÁ SALVAÇÃO!

 

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).

 

 

Humberto Fontes

Setembro/2008

humbertoetania@globo.com

  

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