Jesus Se identificou como Deus?
Não existe outro
profeta, exceto Jesus, que pudesse ou até mesmo tivesse a ousadia de dizer: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê
em mim tem a vida eterna” (João 6:47). Ou mais: João 6:35; 11:25; 15, e
outros. Nenhum outro profeta declarou que haveria tremendas conseqüências para
quem não acreditasse Naquele que Ele declarava ser. Provavelmente, não existe
uma declaração mais importante do que aquela que Jesus fez aos judeus, conforme
João 8:24: “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não
crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados”.
Existe, nos evangelhos,
um registro de que Jesus usou vinte e três vezes a expressão “EU SOU”, sete das quais foram feitas
especificamente no Evangelho de João, a fim de identificar a Sua Divindade.
João costuma usar o número 7 em seus escritos.
Todo o Evangelho de
João está concentrado em comprovar a Divindade de Jesus. Começamos a entender
cabalmente o que significa o nome “Jesus”, quando Ele aplicou o Nome que Deus
deu a Moisés, na sarça ardente. Jesus fez sete declarações importantes sobre
Ele mesmo como o “EU SOU”, as quais estão
espalhadas no percurso dos Seus três anos de ministério terreno.
1. - “EU SOU O PÃO DA
VIDA” - “E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá
fome, e quem crê em mim nunca terá sede” (João 6:35). Esta é uma das treze
declarações “EU SOU” contidas no Livro de João. Ela foi feita na pregação, após a
alimentação da multidão. Neste discurso, Jesus disse à multidão: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela
comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará;
porque a este o Pai, Deus, o selou”. À medida que Ele procura atrair a fé
sobre Ele mesmo, Jesus vai Se concentrando no desafio de “mostrar Suas
credenciais”. Eles [os judeus] lhe perguntam: “Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que
operas tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a
comer o pão do céu” (João 6:30-31). Eles se referiam ao maná que
Moisés havia lhes dado sobrenaturalmente. Jesus prossegue corrigindo a sua
falta de entendimento, declarando: “Na verdade, na
verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o
verdadeiro pão do céu” (verso 32), acrescentando, em seguida: “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e
dá vida ao mundo” (verso 33). Ele esclarece que Deus agora lhes dá o sustento com o próprio Filho,
Jesus, “o pão do céu”. Contudo, eles não estavam pedindo esse pão celestial,
pois tinham fome física e estava pensando carnalmente. Por isso a compreensão
deles falha, até que a conversa prossegue.
Em reposta ao seu pedido, Jesus fez a
declaração do verso 35: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a
mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede”. Durante a travessia
no deserto, sob o comando de Moisés, os israelitas apresentavam duas queixas constantes:
fome e sede. Mas, Jesus não está falando aqui de necessidades físicas, mas
espirituais. Ele diz ser a resposta às necessidades do coração humano e que
somente Ele é a nossa fonte de consolo espiritual. Visto como o pão é um
alimento basicamente universal, Jesus está afirmando que Ele preenche esta
falta a qualquer pessoa. Ele é o Salvador do mundo, “dá vida ao mundo” (verso 33), pois somente Ele é “o pão da vida” (verso 35). Todos os outros tipos de
pão permitem que se tenha fome, novamente, como no caso do maná no deserto, o
qual servia apenas para o dia em que era dado, mas não para o dia seguinte. Ele
satisfazia a fome, depois de ingerido; os israelitas ficavam satisfeitos, e
isto faz lembrar o que o salmista escreveu: “Provai e vede que o Senhor é bom.”
Jesus Se identificou
como o sustento do qual o homem precisa para sobrevier espiritualmente, a fim
de ser preservado para a vida eterna. Ele usou a referência bíblica, quando o
Diabo o desafiou a comer pão, quando Jesus estava faminto, a fim de comprovar
que Ele era realmente o Filho de Deus. Em João 6:51,
lemos: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu;
se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha
carne, que eu darei pela vida do mundo”.
Em Mateus 4:3-4, lemos:
“E, chegando-se a ele o tentador,
disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. Ele,
porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de
toda a palavra que sai da boca de Deus”. Quando Israel estava
sendo conduzido por Deus através do deserto, foi Deus quem o alimentou com o
maná, momento em que Ele disse estas palavras... Isso nos remete ao que o
salmista escreveu no Salmo 42:1-2: “ASSIM como o cervo
brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A
minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei
ante a face de Deus?”. Eis a resposta que Jesus deu à mulher samaritana,
no poço de Jacó: “Qualquer que beber desta água
tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá
sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte
para a vida eterna”. (João 4:13-14). “Jesus é
para a alma o que o pão é para o corpo; Ele alimenta e sustenta a vida espiritual”.
(Matthew Henry’s
Concise Commentary).
Quando Jesus falou: “Eu sou o pão da vida, o pão que desceu do céu”, Ele está tornando
conhecida a Sua origem celestial.
2. - “EU SOU A LUZ DO MUNDO” - "Eu sou a luz do mundo; quem me segue não
andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12). Isto é dito na primeira
pessoa, mostrando que somente Ele pode usar este título.
Na própria criação do
mundo quando somente existiam trevas, a primeira atividade de Deus foi criar a
luz, a fim de dissipá-las, conforme Gênesis 1:3-4: “E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus
que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas”.
A luz é usada nas
Escrituras referindo-se à Palavra de Deus (Seus mandamentos) como verdade: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz
para o meu caminho”. (Salmos 119:105). Em Provérbios 6:23, lemos: “Porque o mandamento é lâmpada, e a lei é luz; e as
repreensões da correção são o caminho da vida”. A Palavra de Deus (a
Bíblia) é sempre representada como Luz
ou Lâmpada, para iluminar e guiar o crente neste mundo de trevas: “E a luz resplandece nas trevas...” (João 1:5). Isto concorda com a
referência de João 8:12 (supracitada) e também com a de João 1:7: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está,
temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos
purifica de todo o pecado”. Esta referência nos leva ainda a Isaías
2:5: “Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na
luz do SENHOR”. Deixar de andar nas veredas do
Senhor é o mesmo que andar na ignorância e no pecado. Deixar de andar com
Cristo (a Luz do mundo) é estar separado da comunhão com Deus.
A luz de Deus é vista
em Sua revelação, conforme Ezequiel 1:4, 13, 26, 28 e Sua salvação, em Habacuque 3:3-4: “Deus veio de Temã, e do monte de Parã o Santo (Selá). A sua glória
cobriu os céus, e a terra encheu-se do seu louvor. E o resplendor se fez como a
luz, raios brilhantes saíam da sua mão, e ali estava o esconderijo da sua
força”. Em Jó 29:3, lemos: “Quando [Deus] fazia resplandecer a sua lâmpada sobre a minha cabeça e
quando eu pela sua luz caminhava pelas trevas”. No Salmo 43:3, Lemos: “Envia a tua luz e a tua verdade, para que me
guiem e me levem ao teu santo monte, e aos teus tabernáculos”. O salmista declara
ainda: “O SENHOR é a minha luz e a minha
salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da minha
vida; de quem me recearei?” (Salmos 27:1). A luz é sempre usada como símbolo de
santidade e pureza [Por isso Jesus é a Luz do mundo]. No Salmo 44:3, lemos: “Pois não
conquistaram a terra pela sua espada, nem o seu braço os salvou, mas a tua
destra e o teu braço, e a luz da tua face, porquanto te agradaste deles”. O braço de Deus é o
Messias com a Sua atividade na Terra.
A luz também representa
a bondade e a obra redentora de Deus. Ela se justapõe às trevas, que simbolizam
o pecado, o mal
e as obras de Satanás. Em Isaías 8:20, temos um
exemplo disto: “À lei e ao
testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz
neles”.
João nos apresenta Jesus tanto como
sendo a Luz como sendo a Vida, no início do seu evangelho. Nos versos 1:3-5, ele
diz: ”Todas as coisas foram feitas por ele,
e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz
dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”. Aqui, “as trevas”
simbolizam o homem decaído, vivendo [por obra de Satanás] na ignorância e no
pecado.
Quando se refere a João
Batista, ele diz: “Houve um homem
enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que
testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele
a luz, mas para que testificasse da luz. Ali estava a luz verdadeira [Jesus], que ilumina a todo o homem que vem ao mundo” (João 1:6-9). [ênfase
minha]. Aqui, ele diz que Jesus é a revelação da verdade e da salvação para
cada pessoa que já tiver existido (ou vier a existir) no mundo.
O VERBO já havia
visitado o mundo como luz, antes mesmo de Sua encarnação: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com
Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas
foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. E a luz O
acompanhou em Sua encarnação, conforme João 3:19-21;
12:46: “E a condenação é esta: Que a luz veio
ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras
eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz,
para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para
a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus”. (3:19-21);
“Eu sou a luz que vim ao mundo, para que
todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (João 12:46). Jesus
era cheio de graça e de verdade.
Nesta segunda
declaração como “EU SOU”, Jesus usa a luz como
metáfora, confirmando o
que seria dito a Seu respeito pelo “apóstolo do Amor”. Na 1
João 1:5, lemos: “Deus é luz, e não há
nele trevas nenhumas”. Em João 3:9, falando sobre a visita de Nicodemos,
vamos ler: “Nicodemos respondeu,
e disse-lhe: Como pode ser isso?” No verso 21, lemos: “... Quem pratica a verdade vem para a luz, a fim
de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus”. No Salmo 107:10-11,
lemos: “Tal como a que se assenta nas trevas e
sombra da morte, presa em aflição e em ferro; porquanto se rebelaram contra as
palavras de Deus, e desprezaram o conselho do Altíssimo”. A expressão “não
andar nas trevas” (João
8:12) e “andar na luz” (1 João 1:7) são consistentes com o que lemos no Velho
Testamento.
No início do seu
Evangelho, João escreve que “Jesus é a luz do mundo” (referindo-se a Gênesis).
Em João 8:12, Jesus faz aos fariseus esta afirmação em
alta voz, bem como em outras passagens do Evangelho de João (João 9:5;
12:35-36-46). A afirmação feita por Jesus em João 8:12
foi durante a Festa dos Tabernáculos, no pátio do
Templo. É importante dar uma olhada retrospectiva em João 7:14,
pois ali, duas cerimônias importantes aconteciam: a primeira era o derramamento
da água sobre os pés, pelos sacerdotes levitas, enquanto o coro cantava o
Grande Hallel; a segunda era quando eram acesos os
vários candelabros grandes (o Menorah), na área do
Templo, os quais o alumiavam de tal maneira que ele era visto através de
milhas. Jesus aproveitou a oportunidade para usar estes simbólicos rituais, a
fim de ilustrar os Seus ensinos e a Sua Pessoa. (João 7:37,
38 e 8:12).
O tabernáculo
fora construído para conter a presença de Deus sobre a arca, no Santo dos Santos. Muito antes que alguém
pudesse entrar, teria de passar pelo lugar santo, o qual continha o candelabro,
a única luz natural no tabernáculo.
Em
Êxodo 35:14-15, lemos: “E o candelabro da luminária, e os seus utensílios, e as suas lâmpadas,
e o azeite para a luminária, e o altar do incenso e os seus varais, e o azeite
da unção, e o incenso aromático, e a cortina da porta para a entrada do tabernáculo...”. O mesmo pode ser
visto em Êxodo 39:37-39. O candelabro era feito do
metal mais precioso da Terra, ouro puro.
Em
Êxodo 27:20, lemos: “Tu pois ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de
oliveiras, batido, para o candeeiro, para fazer arder as lâmpadas
continuamente”. Segundo Levítico, para que as lâmpadas
queimassem continuamente, usava-se o óleo fabricado de olivas prensadas.
Em João 8:20, Jesus disse estas palavras, no pátio das mulheres, a
parte mais pública do Templo. Ali ficavam quatro candelabros, cada um deles com
quatro vasilhames de azeite. As lâmpadas eram acesas na primeira noite da Festa
dos Tabernáculos (referindo-se à coluna de nuvens
durante o dia e a de fogo, durante a noite). A própria figura lhes era
familiar, retirada da profecia e da tradição hebraica. Deus é luz, um dos nomes
do Messias (Isaías 9:2; 42:6; 49:6; 60:1-3; Malaquias
4:2; Lucas 2:32). Uma das orações conhecidas entre os
judeus era esta: “Os israelitas disseram
a Deus: Ó Senhor do universo, tu nos ordenas a que acendamos lâmpadas para Ti
e, contudo, Tu és A LUZ DO MUNDO; e em Ti habita a luz”.
Tendo
isso como pano de fundo, com a Sua declaração, conforme João 9:5 - de que Ele
era a luz do mundo - Jesus estava proclamando ser o cumprimento da religião
judaica em Israel, a qual lhe foi dada por Deus.
A
metáfora da luz é encontrada
nos acontecimentos e tipologia do VT. A presença de Deus, na
nuvem, conduziu os hebreus à Terra prometida (Êxodo 13:21-22)
e os protegia dos inimigos (Êxodo 14:19-25). Eles cantavam o Salmo 27:1: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação”. O profeta Isaías
disse que o servo do Senhor (o Messias) foi dado como luz para os gentios. A
futura era do Milênio deve ser o tempo em que o próprio Senhor será a luz do
Seu povo (Isaías 60:19-22; Apocalipse 21:23-24).
A
declaração que Jesus fez no Templo deixa claro Quem de fato Ele é. Não apenas “a luz aos gentios”,
mas a “a luz do mundo”. Ao Se apresentar como a luz de todos os homens, Ele
está dizendo aos que O rejeitam que estes estão rejeitando o próprio Deus. O
destino eterno de cada pessoa depende do reconhecimento e aceitação de Quem
Jesus proclama ser.
Não se pode louvar a Deus,
em espírito e verdade, ao mesmo tempo em que se nega a Divindade do Seu Filho.
Deus é descrito como sendo Luz, ou revestido de luz, conforme Isaías 60:19: “...O SENHOR será a
tua luz perpétua, e o teu Deus a tua glória”. Na 1
Coríntios 2:8, Paulo diz que Jesus é “o Senhor da Glória”, um termo aplicado em reconhecimento à Sua
Divindade, à Sua luz, à “shekinah” de Deus”.
Na metade do Seu
ministério, Jesus revelou isto, pessoalmente, ao Seu reduzido ciclo de
discípulos, quando: “... transfigurou-se
diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz”. Em Lucas 9:29, lemos: “E, estando ele orando, transfigurou-se a aparência
do seu rosto, e a sua roupa ficou branca e mui resplandecente”. No verso 32, lemos: “E Pedro e os que
estavam com ele estavam carregados de sono; e, quando despertaram, viram a sua
glória e aqueles dois homens que estavam com ele”. Na 2 Pedro 1:17-19, lemos: “Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória,
quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho
amado, em quem me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando
nós com ele no monte santo; e temos, mui firme, a palavra dos profetas,
à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro,
até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações”. [grifos meus]. Pedro
chama o lugar de ”monte santo”, o que faz lembrar
Moisés chegando ao Monte Moriá, conforme Êxodo 3:1-5:
“E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã;
e levou o rebanho atrás do deserto, e chegou ao monte de Deus, a Horebe. E apareceu-lhe o anjo do SENHOR em uma chama de
fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça
não se consumia. E Moisés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande
visão, porque a sarça não se queima. E vendo o SENHOR que se virava para ver,
bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui. E disse: Não te chegues para cá; tira os
sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa”.
Em João 12:46,
lemos: “Eu sou a luz que vim ao mundo, para
que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas”. Paulo fala dos
incrédulos, na 2 Coríntios 4:4: “Nos quais o deus deste século cegou os
entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho
da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”.
Na 2 Timóteo 1:10, Paulo
diz: “E que é manifesta agora pela
aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz
a vida e a incorrupção pelo evangelho”. Na 1 Timóteo 6:15-16, lemos: “A qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, e
único poderoso SENHOR, Rei dos reis e Senhor dos senhores; Aquele que tem, ele
só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu
nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém”. Jesus Cristo é “o Rei dos reis e Senhor dos senhores”, o que é também dito
em Apocalipse 17:14.
3. - EU SOU A PORTA - “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim,
salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (João 10:9). A declaração “EU SOU” é feita por Jesus em várias
figuras de linguagem (verso 7), as quais consistem de
metáforas importantes. Por exemplo: “curral das ovelhas”; “pastor das ovelhas”,
“o porteiro”, “a porta”, sendo esta a entrada de uma casa.
Um pastor deve estar em
constante vigília, a fim de conservar suas ovelhas em segurança. Nos tempos bíblicos,
ele ficava em frente ao caminho por onde as ovelhas entravam e saíam do curral
e as guardava no pasto. Jesus começa o Seu discurso dizendo: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não
entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e
salteador” (verso 1). Suas ovelhas devem andar somente com
Ele, a fim de estarem seguras.
Acampadas ao redor do tabernáculo, no deserto, ficavam todas as tribos de
Israel, havendo apenas uma entrada de acesso, a qual era guardada pela tribo de
Judá (Jesus é da Tribo de Judá). Foi essa porta que Jesus mencionou. Nesse
caso, vemos que Jesus afirmou sobre Si mesmo, Sua exclusividade como Porteiro
aos que desejam entrar na prometida plenitude, na terra celestial. Em João
10:8-11, lemos: “Todos quantos vieram
antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a
porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e
achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu
vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. Eu sou o bom Pastor; o bom
Pastor dá a sua vida pelas ovelhas [N.T. - No verso 8, Jesus infere que todos os que vieram antes ou vieram
depois Dele “são ladrões e salteadores”. Nesse caso, Confúcio, Buda, Maomé,
Rosenkreutz, Joseph Smith e todos os fundadores de
religiões são “ladrões e salteadores”,
conforme as palavras do nosso “Deus bendito eternamente!” (Romanos 9:5)]. O verbo “salvar-se-á” implica em vida
eterna. Do mesmo modo como as outras declarações de Jesus - “EU
SOU” - esta enfatiza a Sua Divindade.
4. - EU SOU O BOM
PASTOR - “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a
sua vida pelas ovelhas” (João 10:11). Aqui, Jesus Se coloca
em contraste com os líderes religiosos do Seu tempo [N. T. - Como na certa iria se colocar
contra os ambiciosos líderes carismáticos de hoje, um tipo de ladrão de almas,
que Ele chama de “mercenário”, exatamente como os líderes de hoje, que se assentam em tronos de ouro maciço], que não tinham o
menor amor pelas ovelhas e nelas visavam apenas lucro (versos 12 e 13). Ser um
Bom Pastor, conforme Jesus, equivale a ter uma
intrínseca bondade, justiça e beleza moral.
Ao usar a expressão “Bom Pastor”, Jesus estava Se referindo à Sua
posição diante do Seu povo. Ele é o “pastor das ovelhas”, Aquele que orienta,
conduz, protege e cuida das ovelhas, as quais são inteiramente dependentes
Dele. Aqui, podemos ver uma alusão ao Salmo 23, no qual Davi diz: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará”. Jesus também fala de
Sua missão. Em pelos menos três ocasiões, Ele falou em “dar a Sua vida pelas
ovelhas” (versos 15, 17, 18). Jesus protege Suas ovelhas até a morte. Ao mesmo
tempo, Ele é “o Cordeiro de Deus” que dá a vida pelas Suas ovelhas, a fim de
“tirar o pecado do mundo”.
No V.T.,
o pastor era visto como um líder, um companheiro das ovelhas, como no caso de
Davi lutando com leão para proteger suas ovelhas. (1
Samuel 17:34-37). Ele conhece cada ovelha do Seu rebanho, “Procura conhecer o estado das Suas ovelhas; põe o
Seu coração sobre os Seus rebanhos” (Provérbios 27:23);
“Entre os Seus braços recolherá os
cordeirinhos, e os levará no Seu regaço; as que amamentam guiará suavemente (Isaías 40:11). Ele
busca as ovelhas dispersas: “Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que
está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e
livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de
escuridão” (Ezequiel 34:12). Ele disse: “Que homem dentre
vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e
nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la? E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso; e, chegando a casa,
convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei
a minha ovelha perdida. Digo-vos que assim haverá alegria no
céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que
não necessitam de arrependimento” (Lucas 15:4-7).
Cristo está formando um rebanho Seu, unido pela Sua Palavra Santa, velando
constantemente sobre ela. Ele é o “Sumo Pastor” (1 Pedro 5:4). Ele é o “grande pastor das ovelhas” (Hebreus 13:20). Em Mateus 9:36, nós vemos Sua compaixão pelas ovelhas:
“E, vendo as multidões, teve grande
compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não
têm pastor”. Em Miquéias 5:2, lemos: “E tu, Belém Efrata,
posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em
Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da
eternidade”. [N.T. - Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores
(Primeira Vinda) e para governar sobre Israel... e o mundo (Segunda Vinda)]. Ele disse: “Se alguém me serve,
siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E,
se alguém me servir, meu Pai o honrará” (João 12:26). Em João
10:26-30, Ele disse aos incrédulos judeus: “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo
tenho dito. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me
seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as
arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior
do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. Eu
e o Pai somos um”.
Observem que as
ovelhas são de Jesus, ouvem a Sua voz, estão em Suas mãos e nas mãos do Pai, e
Ele lhes dá a vida eterna. Nenhum homem
neste mundo poderia afirmar tudo isso e muito menos fazer o que Jesus fez na
Terra. Ele é o único Pastor do V.T. que continua
sendo o Pastor do N.T. (conforme Ezequiel 34:23; Zacarias 11:4-14 e 13:7), tendo sido o cumprimento de
todas as profecias (João 10:8, 11, 14). Ele é o Único Pastor que pode conduzir
aos “verdes pastos” e às
“águas tranqüilas”. Em João 10:14-16, Ele disse: “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas,
e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu
conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que
não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha
voz, e haverá um rebanho e um Pastor. Em Apocalipse 7:17, lemos: “Porque o Cordeiro
que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes
das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima”.
5. - EU SOU
RESSURREIÇÃO E A VIDA - “Disse-lhe Jesus: Eu
sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”. (João 11:25).
A esperança da humanidade é não morrer permanentemente, porém reviver.
Jesus fez a declaração acima a Marta, cujo irmão Lázaro estava morto há quatro
dias. Jesus havia adiado Sua chegada ali, de propósito, a fim de mostrar a
glória de Deus. Quando Ele disse a Marta que o seu irmão iria ressuscitar, ela
entendeu que Jesus estava Se referindo à ressurreição do último dia (João 11:23-24). Neste ponto, Jesus faz Sua espantosa afirmação: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim,
ainda que esteja morto, viverá”, seguida do verso 26: “E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca
morrerá. Crês tu isto?” que foi comprovada quando Lázaro levantou dos
mortos (verso 44).
No início do seu evangelho, João diz que Jesus é a vida (João 1:4), o
que significa que Ele não apenas compartilha a vida, mas que é a ressurreição e vida. Sendo Ele a
ressurreição, isso quer dizer que quando Jesus Se depara com uma pessoa morta
em seus delitos e pecados, Ele pode levantá-la para a vida eterna. “Derribai este templo, e em três dias o levantarei” (João 2:19), Ele disse aos judeus, quando estes O desafiaram após
ter Ele demonstrado indignação, derrubando as mesas dos cambistas na entrada do
Templo. Em João 10:17-18, lemos: “Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida
para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho
poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu
Pai”. Ele tem todo o poder sobre a morte, até mesmo sobre a Sua própria morte,
o que nenhum homem ou profeta jamais poderia afirmar. Seu poder é tão grande
que desmonta os grilhões da morte e somente Alguém que não seja apenas um ser
criado, mas um Ser Divino, poderia comprovar tal
afirmação.
6. - EU SOU O
CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA - “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por
mim”. (João 14:6). Esta afirmação completa a anterior. Ele disse isto aos que
haviam se comprometido a segui-Lo. Ela engloba muitas outras afirmações,
sintetizando três declarações em uma. Às vésperas de Sua crucificação, Jesus
participou da Ceia da Páscoa, tendo ali anunciado a proximidade de Sua morte (João
13:33, 36 e 14:2-3). Ele disse aos discípulos: “Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho” (verso 4), ao que Tomé indagou: “Senhor,
nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?” Então Jesus lhe deu a
resposta contida no verso 6. Ser o caminho, a verdade e a vida, são características de Deus e de Sua graça, a fim de que a
humanidade seja reconciliada com o Pai. Ele disse que iria para a casa do Pai.
Ele não é apenas “um caminho”, mas o ÚNICO. Isso neutraliza as afirmações dos
líderes religiosos de todos os tempos, confirmando a exclusividade de Cristo como Salvador. Realmente, não existe outro
meio de se chegar a Deus, a não ser pelo reconhecimento da morte vicária de
Cristo. O primeiro acontecimento, após Sua morte, foi o véu do Templo se
rasgando, a fim
de permitir livre acesso a Deus e estabelecer uma Nova Aliança, na qual os
pecadores têm livre acesso ao Pai, sem a necessidade de outro mediador que não
seja Cristo.
Ele é a Verdade porque representa total
segurança e confiabilidade no que diz e realiza, tendo feito tudo que o Pai O incumbiu
de realizar, sendo a própria Verdade encarnada
(João 1:1-14).
Ele é a Vida por ser capaz de dar vida até a
quem já morreu, como no caso de Lázaro, da filha de Jairo e do filho da viúva
de Naim. Ele é Auto-existente, como o Pai (João 5:16) e com a Sua morte e ressurreição Ele Se tornou a fonte da vida eterna para todos os
que Nele crêem (João 3:16). “Pois, assim como o
Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer”. (João 5:21).
Quando Ele usava a
frase “EU SOU”, conforme a revelação
de Deus em
Êxodo, estava confirmando a Sua Divindade e comprovando que Ele, de fato, era o
Messias prometido a Israel, anunciado pelos profetas do V.T.
7 - EU
SOU A VIDEIRA VERDADEIRA - “EU sou a videira
verdadeira, e meu Pai é o lavrador”. (João 15:1). Esta é a última declaração
de Jesus como o “EU SOU”, a qual foi
feita no cenáculo. Ele se une ao Pai, no verso 1 e ao
crente, no verso 5: “Eu sou a videira,
vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim
nada podeis fazer”. Este verso nos dá uma preciosa lição, a de que “sem Jesus nada somos e
nada podemos”. A videira foi plantada na vinha de Deus (sendo o símbolo de
Israel). No Salmo 80:8-9, lemos: “Trouxeste uma vinha
do Egito; lançaste fora os gentios, e a plantaste. Preparaste-lhe lugar, e
fizeste com que ela deitasse raízes, e encheu a
terra”. Nos versos 14-15,
lemos: “Oh! Deus dos Exércitos, volta-te, nós te rogamos, atende dos céus, e vê, e visita
esta vide; e a videira que a tua destra plantou, e o sarmento que fortificaste
para ti”. Em Zacarias 6:12-13, lemos: “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis aqui o homem
cujo nome é RENOVO; ele brotará do seu lugar, e edificará o templo do SENHOR.
Ele mesmo edificará o templo do SENHOR, e ele levará a glória; assentar-se-á no
seu trono e dominará, e será sacerdote no seu trono, e conselho de paz haverá
entre ambos os ofícios”. Contudo, por causa de sua rebelião, a vinha foi "queimada pelo fogo, está cortada; pereceu
pela repreensão da tua face”. (Salmos 80:16),
caindo sob o julgamento divino. Israel falhou na sua vocação para ser “luz dos gentios” e... “minha salvação até à extremidade da terra.” (Isaías 49:6). Após
Sua ressurreição, Jesus entregou Sua missão àqueles que O haviam seguido em
Seus três anos de ministério terreno, a fim de que se tornassem luz para este
mundo. A videira julgada por causa de sua desobediência não reconheceu Jesus, a
Videira Verdadeira, o Filho obediente, o Qual realizou a vocação de Israel para
que o mundo fosse alcançado, conforme a promessa feita a Abraão: “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e
engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te
abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas
as famílias da terra”. (Gênesis 12:2-3).
Somos enviados ao mundo
como representantes de Cristo, a fim de pregar o evangelho, até que Ele venha.
Sua declaração em João 15:1 tem dupla significação: 1. - Mostrar os frutos do caráter do cristão, refletidos por Aquele
que nele habita (Mateus 3:8; 7:20; Romanos 6:22;
Gálatas 5:22). 2. - Abençoar o
mundo, trazendo frutos para o Seu Reino (João 15:5, 16; Colossenses
1:10). A transformação da mente do cristão na mente de
Cristo somente acontece pela obra do Espírito de Cristo que nele habita
(Romanos 8:9).
Conclusão
Jesus explicou em João 5:37: “E o Pai, que me
enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o
seu parecer”. Jesus dá a fonte de Sua comissão - o Pai. Os judeus nunca viram nem
ouviram a voz do Pai, segundo Jesus declarou: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do
Pai, esse o revelou”, o Qual Se revelou aos homens através de Sua encarnação: “Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que
me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou”. (João 12:44-45). Cristo é “... o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e
sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si
mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas
alturas” (Hebreus 1:3). Ele é a voz que o Seu
povo ouviu e a Luz que ele viu. No entanto, esse povo O rejeitou e, por isso,
mereceu esta advertência: “Porque muitos
virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.” (Marcos 13:16; Mateus 24:5).
Mary Schultze,
10/10/2008.
Excerto do texto “Did
Jesus Identify Himself as God?”
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