Malachi Martin
Os escritos do ex-padre jesuíta - Malachi Martin – falecido em 27/07/1999 em Nova York, expõem uma arrasadora crítica à ICR, instituição da qual ele se desligou desiludido, após ter ali permanecido por 10 anos, seis dos quais pesquisando a história da mesma dentro do Vaticano (1958-1964) (Jornal “The Independent”, 06/08/1999: “The Friday Review”, p. 7).
Martin nasceu no Condado de Kerry, em 1921. Durante o tempo em que trabalhou em Roma ele sempre esteve próximo ao papa João XXIII e afirmava ter sido iniciado nos mais recônditos segredos do Vaticano. Seus anos em Roma também coincidiram com a realização do Concílio Vaticano II (1961-1965). Completamente decepcionado com a ICR e a Ordem Jesuíta, em 1964 ele pediu dispensa de votos religiosos e abandonou Roma às pressas, em julho do mesmo ano, tendo ido para Nova York, onde trabalhou como lavador de pratos e motorista de táxi, conseguindo a nacionalidade americana em 1970.
Sua sucessão de livros sobre temas católicos tornou-se cada vez mais extravagante. No livro “The Pilgrim” (O Peregrino), publicado em 1964, ele divulgou os esforços feitos contra a intenção de João XXIII de revogar a doutrina que culpava os judeus pela morte de Cristo. Em “Hostage to the Devil” (Hospedagem ao Diabo), publicado em 1976, ele fala dos supostos espiões soviéticos vivendo dentro do Vaticano. No livro “The Keys of This Blood” (As Chaves Deste Sangue), publicado em 1990, ele denuncia o delírio do papa JP2 de controlar o mundo através da Nova Ordem Mundial (corroborando a afirmação de que o Vaticano é a força propulsora por trás da União Européia). Em “Windswept House”, (Casa Desarrumada) publicado em 1996, ele apresenta a versão fictícia de um verdadeiro assassino. Em todos os seus escritos “o declínio e queda” da ICR se apresentam como uma constante obsessão.
Em 1981, Martin vergastou a ICR afirmando que esta é “uma igreja de seminários vazios, bispos politiqueiros, freiras pintadas de mini-saias, laicato confuso, e um Vaticano que hospeda traidores comunistas, prelados marxistas, um bordel sobrecarregado de exorcistas e burocratas hostis, com pouca gente boa e calma, centro de 37% de clérigos e pessoas que faturam para uma ICR sufocada por Paulo VI”.
Martin é mais um exemplo do crescente número de sacerdotes que têm testemunhado a iniqüidade da Meretriz Babilônia, a partir do seu âmago, tendo resolvido clamar contra ela, de cima dos telhados. Que material ainda mais sinistro teria ele descoberto, se tivesse permanecido por mais tempo no Vaticano? O repórter Felix Corley falou: “O Vaticano deve ter ficado satisfeito, por ter ele saído no tempo certo”.
Prof. Arthur Noble, “Satan´s Hold on the Vatican”
EIPS, 24/08/99
Tradução de Mary Schultze, dezembro 2002