“Meu lindo Jesus, meu amor”?
Hoje recebi a visita de um irmão para o almoço, o qual ficou a tarde inteira fazendo pesquisa no computador e, quando se foi, já não havia tempo de me preparar para ir assistir ao culto vespertino na PIBT. Coloquei um casaco por cima da roupa que estava usando e fui assistir ao culto na Catedral Metodista, quase ao lado do meu apê.
Logo no início do serviço religioso, o barulho tornou-se ensurdecedor, com instrumentos abusivos em decibéis, acompanhando dois corinhos cantados, durante meia hora. Dois corinhos demorando meia hora? Claro! Eles foram repetidos pelo menos 12 vezes e as letras eram simplesmente extravagantes, com uma delas dizendo “Meu lindo Jesus, meu amor!”, enquanto a congregação balançava freneticamente o corpo, ao ritmo da música. Fiquei pensando que os apóstolos de Cristo, seus amigos mais íntimos, costumavam chamá-Lo “Senhor” e “Mestre”, enquanto hoje os pentecas se acham no direito de chamá-lo “Meu lindo Jesus, meu amor”, como se o nosso grande Deus e Salvador fosse uma espécie de amante dos membros da igreja, conforme essa canção repleta de intimidade física! Fiquei lendo a Bíblia, depois da terceira repetição, até que os crentes começaram a cantar outro corinho do mesmo tipo, no qual se ouvia: “seu perfume me envolve...” e por aí... (Dava para imaginar o “Jesus dos pentecas” vestindo um short minúsculo e usando no tórax a sensual “Body Lotion” do estilista/perfumista Calvin Klein!)
Depois de uma pausa para o necessário descanso físico dos corpos cansados da jinga “evangélica”, o pregador tomou a Palavra e leu João 3:1-5, passagem na qual iria embasar a pregação da noite. Não quero dizer que ele seja um mau pregador, pois parece ter vocação para isso... Apenas lhe falta um mínimo de cultura na língua portuguesa. O tempo inteiro ele falava “bença”, “mulé”, “homi”, “Nicodemo”, “lova”, “tu faz” e outras “maravilhas” vernaculistas.
Ele explicou detalhadamente, pelo menos 3 vezes, que “nascer da água e do Espírito” significa “ser batizado” e receber a unção do “Espírito Santo”. Mencionou a presença de um certo “apóstolo” que vem pregar na próxima quinta feira (lá estarei, para escutar suas heresias, pois imagino que seja um “judaizante” que prega o batismo como condição sine-qua-non de salvação).
O pregador contou que certa vez precisou passar por dentro de um centro de macumba, a fim de visitar uma pessoa que morava na casa dos fundos, e resolveu ungir as mãos e o chão, para não ficar contaminado espiritualmente. Só que, na hora, ele descobriu que havia levado um vidro de Novalgina, em vez do vidrinho de óleo. “Mas o efeito foi o mesmo, porque Deus tem tanto poder que agiu, mesmo sem o óleo de unção verdadeiro”. Ele disse que a dona do centro de macumba o ameaçou, quando ele tentou pregar o evangelho, até que ele gritou: “Você e toda a sua família vão morrer hoje à noite, indo diretamente para o inferno”. A dona levou um susto tremendo e acabou aceitando Jesus Cristo como Salvador. Ele prosseguiu, com ares de vitória: ”Foi assim mesmo... E eu tinha levado a minha Bíblia!!!” (Só que ele esqueceu de ler João 6:67-68, uma passagem comprovando que Jesus não força pessoa alguma aceitá-Lo, principalmente sob ameaças...) Ele contou ainda que, certa vez, pregou para uma senhora de 83 anos e quando perguntou se a dita queria se entregar a Jesus Cristo, ela respondeu: “Agora, não, pastor. Vou esperar mais um tempo!” A gargalhada foi geral!
Depois da pregação, vieram dois novos convertidos para receber uma “bença” dada por ele, mas antes tiveram de prometer que “seriam dizimistas fiéis, a fim de se tornarem membros da igreja” (Malaquias 3:8-10 vai continuar sendo usada, como uma arma calibre 38, pelos pastores malaquianos judaizantes!)
Quando o culto terminou, com uma avalanche de gente saindo, fiquei esperando para dar uma palavrinha com o pregador. Ele veio, demonstrando boa vontade; chamei-o para um lugar à parte e pedi: “Pastor, por favor, abra a sua Bíblia e leia Efésios 5:26”, onde está escrito: “Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra...”. Então eu disse que ele havia falado uma tremenda heresia na pregação, pois a água mencionada em João 3:5-b não é a água do batismo, conforme ele ensinou, pois o batismo não salva... E nem também é o líquido amniótico, como alguns pregadores costumam afirmar. Essa “água” é a “Palavra de Deus”, e a salvação não vem “pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, [Ele] nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5). Batismo é obra. Eu já sabia que a água mencionada em João 3:5 é a Palavra de Deus, mesmo antes de me filiar a uma igreja evangélica, e Dave Hunt o confirmou em um dos seus artigos por mim traduzidos. Segundo John Wesley, a quem é atribuída a fundação da Igreja Metodista: “Para a santificar... pela palavra - que é o canal ordinário de todas as bênçãos...” Wesley ficaria perplexo diante da “carismatice” que hoje predomina nessa denominação, com tanto barulho e rebolado “avivando” a pregação de tantas heresias...!
Acho que o pastor ficou meio atrapalhado, tentando explicar que achava isso mesmo, mas eu insisti: “O Senhor falou claramente que para nascer de novo é preciso passar pela água do batismo e pela unção do Espírito Santo. Não se lembra?” Ainda bem que ele possui a virtude da humildade e acabou concordando; e quando eu prometi levar-lhe um CD de presente, ele ficou radiante e disse que teria o maior prazer em recebê-lo. Vamos ver...
Depois deste desabafo, vou dormir; mas antes quero fazer minha oração noturna em o Nome do Senhor Jesus Cristo, “Rei dos reis e Senhor dos senhores", deixando bem claro que não vou tratá-lo como “Meu lindo Jesus, meu amor!”
Mary Schultze, 27/01/2008.