Não abusemos da paciência divina

 

            “E os apóstolos ajuntaram-se a Jesus, e contaram-lhe tudo, tanto o que tinham feito como o que tinham ensinado. E ele disse-lhes: Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco. Porque havia muitos que iam e vinham, e não tinham tempo para comer. E foram sós num barco para um lugar deserto. E a multidão viu-os partir, e muitos o conheceram; e correram para lá, a pé, de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que eles, e aproximavam-se dele. E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas. E, como o dia fosse já muito adiantado, os seus discípulos se aproximaram dele, e lhe disseram: O lugar é deserto, e o dia está já muito adiantado. Despede-os, para que vão aos lugares e aldeias circunvizinhas, e comprem pão para si; porque não têm que comer. Ele, porém, respondendo, lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram-lhe: Iremos nós, e compraremos duzentos dinheiros de pão para lhes darmos de comer? E ele disse-lhes: Quantos pães tendes? Ide ver. E, sabendo-o eles, disseram: Cinco pães e dois peixes. E ordenou-lhes que fizessem assentar a todos, em ranchos, sobre a erva verde. E assentaram-se repartidos de cem em cem, e de cinqüenta em cinqüenta. E, tomando ele os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou e partiu os pães, e deu-os aos seus discípulos para que os pusessem diante deles. E repartiu os dois peixes por todos. E todos comeram, e ficaram fartos; e levantaram doze alcofas cheias de pedaços de pão e de peixe. E os que comeram os pães eram quase cinco mil homens”.

         Por mais que tenhamos realizado na obra, não podemos nem devemos “tirar férias” de Deus, porque Ele trabalha dia e noite em nosso favor.

         Certa vez, num desses cultos barulhentos, onde se pregavam milagres de cura e muita prosperidade, com uma audiência de mais de mil pessoas, o pastor (casado com uma pastora) anunciou: “Agora mesmo, Deus está falando com minha esposa e ela vai nos dar uma revelação”. Primeiro eu pergunto: “Como é que ele sabia que Deus estava falando coma sua esposa?” Vocês não acham isso muito suspeito? Essa história de “Deus me falou” é muito estranha!

         A pastora levantou-se e declarou solenemente: “O Senhor acaba de me dizer que aqui neste salão existe uma pessoa que está com muita dor no braço direito e Ele vai curá-la imediatamente!”

         Ora, no meio de mil almas sedentas de milagres, será que não haveria pelo menos uma pessoa com dor no braço direito? Vocês não acham que o Deus desse casal trabalha com uma chance enorme de possibilidades? Esse tipo de milagre não pode ser comparado ao supra citado milagre dos cinco pães e dois peixes, alimentando 5.000 homens (fora outro tanto de mulheres e crianças). Deus não age parcimoniosamente. Ele é o Doador da vida e quando age na verdade é para nos deixar perplexos diante de sua GRANDEZA!

         Certo escritor pentecostal me enviou um trabalho intitulado: “Jesus e Uma Xícara de Café”, dizendo que o seu Jesus é tão estimulante como um café, quando ele se sente cansado, desanimado, etc. Depois de ler o tal artigo, logo o deletei, porque o meu Jesus não contém cafeína... Ele é onipotente, onipresente e gracioso demais! Outro “teólogo” tem-me enviado ensinos sobre como ser realmente espiritual. Li uns dois e tenho deletado os muitos que ele tem enviado, diariamente, querendo me ensinar a ser “espiritual”.

         Agora vamos ler o segundo milagre dos pães. Faço questão de escrever bastante para que certos irmãos preguiçosos leiam a Palavra de Deus, pelo menos hoje, sem esperar “revelação” e “profecias” de outros irmãos mais “abençoados”.

        “Naqueles dias, havendo uma grande multidão, e não tendo quê comer, Jesus chamou a si os seus discípulos, e disse-lhes: tenho compaixão da multidão, porque há já três dias que estão comigo, e não têm quê comer. E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe. E os seus discípulos responderam-lhe: De onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto? E perguntou-lhes: Quantos pães tendes? E disseram-lhe: Sete. E ordenou à multidão que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, e tendo dado graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos, para que os pusessem diante deles, e puseram-nos diante da multidão. Tinham também alguns peixinhos; e, tendo dado graças, ordenou que também lhos pusessem diante. E comeram, e saciaram-se; e dos pedaços que sobejaram levantaram sete cestos. E os que comeram eram quase quatro mil; e despediu-os”.  (Marcos 8:1-9).

        Vocês notaram que, de repente, Jesus se tornou “econômico” em matéria de milagre? Antes Ele usou 5 pães e 2 peixes para alimentar 5.000 homens, com uma sobra de 12 cestos. Aqui Ele usou 7 pães e alguns peixinhos para alimentar 4.000, com uma sobra de apenas 7 cestos. Imagino que houve uma razão para isso...

         Devemos ter muito cuidado com relação à segunda chance de bênção que o Senhor nos dá. Não devemos ficar o tempo inteiro pedindo coisas a Deus, como se Ele fosse apenas um provedor repleto de obrigações para conosco. Tiago diz: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada” (Tiago 1:5). Vejam que ele fala de “sabedoria” e não de coisas materiais. E como “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria” (Salmos 111:10), devemos ler a Palavra Santa, a fim de conhecê-Lo melhor, em vez de ficarmos Lhe pedindo coisas, pois o Senhor nos ensinou que Ele sabe do que precisamos. Não costumo pedir coisa alguma para mim... somente para a família, os amigos e irmãos na fé... Assim mesmo, duas vezes ao dia. E nunca peço bens materiais, somente muita saúde e que estes cresçam na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo” (2 Pedro 3:18). Para mim sempre peço perdão dos pecados cometidos milhares de vezes ao dia.     Por que, em vez de ficarmos pedindo coisas não Lhe damos presentes? Quando ganhamos uma alma para o Senhor estamos Lhe ofertando um grande presente, porque Ele “deseja que todos os homens sejam salvos” (1 Timóteo 2:4).

         O que há de errado com a maioria dos crentes é que eles não costumam apreciar o que Deus tem feito em nossas vidas. Quando recebemos uma bênção, achamos isso normal e vamos logo esperando pela segunda bênção (que pode não ser tão grande como a primeira) esquecendo de agradecer tudo de bom que o Senhor tem feito por nós.

         Costumo sempre agradecer a Deus pelo fato de, aos 75 anos de idade, ter uma excelente saúde, o essencial para viver confortavelmente e, sobretudo, ter aceitado o sacrifício de Cristo na cruz, pelo qual estou segura da salvação eterna. Não preciso do meio bilhão de dólares que a família de um certo político possui nos paraísos fiscais, dinheiro desviado dos impostos pagos pelos paulistas, muitos dos quais se privando até de um prato de arroz e feijão, para cumprir as injustas leis deste país. Não gostaria de estar na pele desses “bandidos de colarinho branco”, o quais, se não derem contas dos seus atos aqui na terra, onde a justiça dos homens é sempre injusta, terão de dar contas no julgamento do Trono Branco...     

         Deus está sempre “tentando” abençoar os crentes de todas as maneiras e sempre agimos em relação a Ele com uma ingratidão enorme. Quando temos dinheiro, esquecemo-nos dEle com a maior naturalidade e quando não temos, nos queixamos, como se Ele fosse responsável por todos os nossos desgostos.

         Deus é como um mineiro que fica muitos anos escavando a rocha,  a fim de encontrar uma  genuína esmeralda. Quando a encontra, entrega-a ao melhor lapidador do universo - o Espírito Santo - para ser lapidada e ela se torne uma jóia de grande valor. Ela tem a mesma cor da Esperança que Deus em nós deposita, de que nos tornemos crentes sinceros e maduros na fé. Quando essa esmeralda perde o brilho, por causa da nossa natureza pecaminosa, Ele usa a água pura da Palavra para limpar a mesma, conforme João 15:3.

         Estão pregando, por aí,  uma doutrina demoníaca (neopentecostal) ensinando os crentes a “perdoar Deus”. Existe blasfêmia maior? E os  (pastores e membros de igrejas “avivadas”) que ficam “vomitando” um corinho que diz: “Restitui o que é meu!”... Como se Deus fosse um tremendo “bandido de colarinho branco”, um tipo MV, que estivesse sonegando um “mensalão” (ou “semanalão”)  ao qual os crentes têm todo o direito?

         Deus é soberano. Ele faz o que bem deseja, quando o deseja e a quem deseja. Ele não exige que sejamos dizimistas (dá o dízimo quem pode, quem quer e o faz de coração, sem ser coagido a isso). Ele deseja que vivamos uma vida honesta, pagando nossas contas em dia e amando ao próximo como a nós mesmos (Romanos 13:7-10). O resto é papo furado de pastor malaquiano!

 

Mary Schultze, setembro 2005

pastor malaquiano!

 

Mary Schultze, setembro 2005