Novamente em Leipzig

 

         Recebi uma carta da filha alemã contando suas aventuras e desventuras nos últimos meses, desde o casamento de  Luciana (minha neta mais velha), em 24/06, até os problemas que tem enfrentado com as estalactites de gelo invadindo os aposentos da neta menor e com uma gerente mau caráter na Clínica Veterinária do meu genro.

         Junto à carta veio um CD musicado, com toda a movimentação do casamento de Luciana, contendo 180 fotos e outras coisas interessantes. Não pude ir ao casamento da neta porque o problema com a prefeitura de Caxias ainda estava em fase de solução e agora vejo, mais uma vez, como Romanos 8:28 tem sido uma realidade em minha vida. Deixei de viajar até a Alemanha (país que eu não suporto), economizei uns US$2.000 (que agora joguei na reforma do meu apê) e há poucos dias recebi a documentação de tudo, como se lá estivesse. Depois do computador e da Internet, viajar para o exterior só mesmo para quem gosta de ficar apertado numa poltrona aérea por muitas horas, o que, francamente, não é meu caso, apesar de “A Primavera” de Vivaldi ser o fundo musical nas aeronaves da Ibéria.

         Quando traduzi o livro “Fact or Fraud” do Dr. Goran Larsson, contestando a obra “Os Protocolos de Sião” e não lhe cobrei pelo trabalho, ele me ofereceu uma ida a Israel, com tudo pago em hotel 5 estrelas. Agradeci e respondi que me achava idosa demais para viajar e, anos depois, quando ele veio ao Brasil, teve a gentileza de vir passar um dia inteiro comigo aqui em Terê.

         Uma notícia que me chamou a atenção na carta da filha foi que o marido de Luciana (José, um Físico Nuclear peruano) conseguiu um bom emprego em Leipzig, a cidade que tem a marca registrada de Lutero como Reformador e de Bach como compositor sacro e regente de coral. Vamos ler sobre esta cidade, conforme escrevi no capítulo 5 do meu livro “Viajando com Martinho Lutero”:

 

Leipzig

A cidade da famosa disputa

 

        Nos idos dos séculos 15 e 16 Leipzig já era uma cidade de respeitável importância do ponto de vista comercial e intelectual, no Eleitorado da Saxônia. Existem provas de que Lutero visitou esta cidade cerca de dezessete vezes. Sua estada mais importante foi durante o verão de 1519, quando tomou parte na famosa “Disputa de Leipzig”, no Castelo de Pleissenburg.

         Confrontado por um erudito em Teologia Ortodoxa, Lutero deslizou gradualmente, no curso do seu acrimonioso debate acadêmico,  de ser um crítico da Igreja Católica em direção ao seu papel de Reformador. A área do castelo é agora ocupada pela nova Prefeitura, e no alto da parede mais alta da mesma está afixada uma placa simples e atrativa em memória desse evento histórico. Uma placa de pedra memorial marca o antigo local, na Hainstrasse, da Casa próxima à Pereira, onde Lutero e Melâncton permaneceram durante a disputa. O fato do aparecimento de Lutero em Leipzig ter tido considerável reprovação é evidenciado por uma gravação pedra (datada de 1535), a qual retrata o papa e o imperador aparentemente triunfando sobre o seu adversário prostrado. Este exemplo fora do comum de documentação contemporânea, pode ser visto na parte externa da Frege Haus. Por outro lado, em 1521 o púlpito em estilo gótico antigo foi feito para a Igreja de São Nicholas. Ele é conhecido como o Púlpito de Lutero, embora o Reformador jamais o tivesse ocupado mas  apenas sermões foram aí pregados refletindo suas idéias

         O edifício mais intimamente associado a Lutero é, contudo, a Igreja de São Thomas, onde, no dia 25 de junho de 1519, a Disputa de Leipzig foi aberta com um culto religioso, no qual o Coral da Igreja, sob a direção de Georg Haw, tomou parte. Mais de dois séculos depois, o coral dessa igreja estaria sob a direção do genial compositor cristão, Johann Sebastian Bach.

         Com o seu sermão Whitsun, no dia 25 de maio de 1539, Martinho Lutero introduziu definitivamente a Reforma  em Leipzig. Uma placa memorial de bronze no interior da Igreja comemora este significativo evento. O edifício obteve sua aparência atual no despertar da Reforma.

         Depois de 1539, os altares edificados para a veneração dos santos foram demolidos, junto com a parede que separava a chancelaria, reservada somente ao clero da congregação, no corpo central da igreja.

         Quando a igreja foi reconstruída entre 1880 e 1890, vitrais coloridos foram instalados, na parede sul; um deles retratando Lutero e um outro, o Rei Gustavo Adolfo, o qual lutou pela sobrevivência do Protestantismo, tanto em Leipzig como noutros lugares, durante as guerras pós Reforma.

         Uma terceira janela honra Johann Sebastian Bach, o mestre de Coral de São Thomas, cuja obra se tornou conhecida após a Reforma como o Coral dos Garotos Municipais, tendo feito uma contribuição positiva ao desenvolvimento da música protestante na igreja. Bach nasceu em Eisenach, em 1685 (onde Lutero estudou de 1498 a 1501), depois foi para Leipzig, e aí se notabilizou como um dos maiores nomes da música sacra erudita.

         Relendo este trecho do meu livrinho, sinto-me novamente em Leipzig, onde consegui as anotações para este capítulo. Agora, com a neta residindo ali, até pode acontecer que eu me anime a ir novamente  à Alemanha pós-cristã, para matar a saudade  dessa pérola da Saxônia!

 

Mary Schultze, dezembro 2005

a matar a saudade  dessa pérola da Saxônia!

 

Mary Schultze, dezembro 2005