Oferta de Abel ou de Caim?
Um esperto pastor malaquiano, em cuja “igreja”
congrega a mãe de um dos meus filhos virtuais,
no interior de São Paulo, arranjou um meio de coagir os membros de sua
“sinagoga pentecostal” a entregar uma oferta dobrada, com a chegada do 13º.
Salário.
Mandou que os seus “obreiros” distribuíssem envelopes
entre os membros e visitantes, com a seguinte orientação: “Você vai dar uma oferta de Abel, ou vai dar uma oferta de Caim,
a qual, certamente, o Senhor vai rejeitar? Lembre-se: uma oferta de Abel
não pode ser inferior a 10% do seu 13º. salário, além do dízimo, que você é
obrigado pela Lei de Deus a entregar, neste final de ano. Já a oferta de
Caim é a mesma de sempre: minguada e entregue de má vontade, etc.”
E a maioria dos crentes, ignorante da Verdade que
liberta do engodo religioso, vai se submetendo a esse tipo de malandragem. Um
sujeito como este merece cadeia, pois é um assaltante de inocentes ovelhas; um
lobo vestido de terno e gravata, comprados na Rua 25 de Março,
Todo pastor que usa e abusa do Velho Testamento é mal
intencionado. Pastor sério usa o VT apenas como ilustração e em seguida passa
para o Novo Testamento, principalmente para as Epístolas de Paulo. Quando eu entro
numa dessas igrejas malaquianas e escuto o VT sendo lido e aplicado, literalmente,
à era atual, tenho vontade de gritar uns desaforos para o pastor malaquiano,
aconselhando-o a ir plantar batata, pois errou sua vocação.
Tenho conseguido levar avante o meu pequeno ministério, sem receber um centavo
sequer, de quem quer que seja. E até hoje o Senhor me sustentou. Em 2005, quando
eu estava a ponto de parar, a Prefeitura de Duque de Caxias (RJ), depositou uma
certa quantia pelo meu galpão, que havia sido desapropriado. Não movi qualquer
ação judicial contra a Prefeitura; apenas orei. Na hora exata, o Senhor me
enviou o dinheiro. Você acham que dei 10% à igreja que freqüento? Negativo!!!
Comprei um apartamento com o valor integral do galpão, depois o aluguei e com esse
aluguel sustento o meu ministério e ainda me sobra dinheiro para comprar roupa
e calçados...
Deus não é
quitandeiro para ficar exigindo dinheiro meu. Trabalhei, árdua e honestamente,
durante 43 anos, e agora mereço viver decentemente (sem precisar dever um centavo
na praça), conforme a Bíblia exige (Romanos 13:8). Ela não me ordena a entregar
o dízimo (coisa do VT), nem que eu fique dando ofertas, para sustentar o luxo de
pastor algum. Em geral, um pastor gasta algumas horas por semana, lendo a Bíblia,
para conseguir o tema dos dois sermões dominicais; em seguida, ele lê sermões
de alguns confrades, faz uma salada de tudo e sobe ao púlpito, tentando fazer
jus a um bom salário. Eu trabalho pelo menos oito horas por dia, lendo,
traduzindo e respondendo e-mails com perguntas e consultas bíblicas, sem ganhar
dinheiro algum. Quem está servindo melhor a Deus... O pastor bem remunerado ou
esta voluntária, quase octogenária? E depois de tudo isso, eu ainda preciso
entregar 10% de minha pensão para engordar um pastor? Qual o pastor que cita
Gálatas 5:1?
Gosto de contribuir para missões nacionais e mundiais e também para a construção do novo templo, pois o atual
já não comporta o número de visitantes, e com isso minha consciência cristã fica
em paz.
Quem for inteligente que estude a Palavra de Deus e
tire proveito da mesma, porque o Evangelho bem estudado e compreendido, sempre dá
lucro! E não somente lucro espiritual, mas também material, pois livra o
cristão do engodo, que transborda nessas sinagogas tipo “Jesus e Cia. Ltda.”, as quais enchem o país. Certa vez calei um advogado
que estava me extorquindo, com apenas um verso bíblico. De outra feita, reduzi em
50% o custo de uma cobrança fiscal sobre o inventário do meu marido, quando
citei o Salmo 68:5, explicando o significado. Quem disse que a Palavra de Deus
volta vazia?
É isso aí, meus amigos. A Palavra de Deus dá lucro em
todos os sentidos, quando aplicada conforme a justiça divina e o amor ao
próximo.
Mary
Schultze, 26/11/2008.