O Auto do Compadecido

 

         D. Mariquinha foi dormir lá pelas 23 hs., depois de assistir o JN e a novela das 21 hs., que ainda é chamada "novela das oito". Ela não costuma ficar diante de um aparelho de TV para ver baboseiras, mas quando a novela fala de religião e política, a velhinha se anima e acompanha a mesma. "O Clone" foi uma delas.

Infelizmente, tudo neste país anda sempre atrasado e por isso o Brasil, que deveria ser penta-campeão em todos os sentidos, não passa de um país de rubinhos e ronaldinhos e vive pendurado na bainha das calças do Tio Sam (isto é, dos jesuítas), pedindo empréstimo ao FMI, a fim de cobrir os rombos que os políticos ladrões e os traficantes de drogas costumam fazer no dinheiro do povo, com todas as implicações resultantes do pecado da generalizada corrupção moral.

D.M. sonhou que havia feito uma redação de português numa prova do vestibular da FESO e a diretoria deu-lhe nota baixa, dizendo que ela havia plagiado o Ariano Suassuna, na obra "O Auto da Compadecida". Vejamos o que D.M. escreveu:

"Serafina, uma nordestina pobre e iletrada, faleceu de repente e lá em cima teve de comparecer diante do Tribunal de Cristo, onde o Juiz era Deus Pai, o promotor era Satanás e o Advogado era o próprio Senhor Jesus Cristo.

Satanás chegou, lindo de morrer, todo resplandecente como o "Anjo de Luz" da 2 Coríntios 11:14, e foi logo fazendo a sua acusação:

         'Senhor Deus, essa mulher precisa ser condenada, porque não deu de mamar aos filhos e ainda tinha preguiça de ferver a água em que preparava o leite em pó das crianças, fornecido pela "Pastoral" da minha igreja favorita, levando algumas delas à desidratação, com diarréia e vômito, e a morrer em seguida. Ela passava muito mal as roupas do marido, usava sal demais na comida e por isso o coitado faleceu de enfarte, antes dos 50 anos. Ela cometeu muitos outros pecados e, então, precisa ser condenada ao inferno, já que o purgatório, sobre cuja existência eu ensinei os padres a falar, só existe mesmo na teologia católica, etc.'

O "Anjo de Luz", que  tem sido sempre apresentado como um horrendo personagem chifrudo e rabudo, costuma transformar-se em "disco voador", almas desencarnadas,  espíritos de luz e até mesmo nos raios de luz, que entram pelas janelas dos quartos dos hospitais, onde estão agonizando os seus líderes favoritos, e os cura repentinamente (ou pelo menos os faz melhorar), a fim de conseguir mais adeptos para o Espiritismo, para depois levar todos eles para o seu reino de trevas.

Depois das acusações do "Anjo de Luz", Jesus Cristo, com a aparência de um crucificado, ainda com as cicatrizes nas mãos, nos pés e no lado, levantou-se e falou:

'Pai, esta mulher cometeu pecados, sim. Mas ela os cometeu por causa da sua ignorância, pois não teve o direito de freqüentar uma escola secundária, como a maioria dos seus patrícios também não tem, havendo se limitado ao curso primário. Ela cometeu todos os erros de que a acusa o meu inimigo. Contudo, não pode ser condenada ao inferno. Um dia ela leu na Bíblia alguns versículos importantes, como Romanos 1:16 e 6:23, João 11:25-26, Atos 4:12 e outros, creu em Mim e, por isso, foi salva da condenação eterna e vou levá-la comigo para o céu, pois este é o Meu Tribunal e nele alma nenhuma pode ser condenada, visto como aqui só comparecem os que em vida creram no Meu Nome'.

Serafina foi salva e Satanás saiu dali cabisbaixo, recolhendo-se ao seu país infernal, onde bilhões de almas, tragadas em razão da descrença e do engodo religioso, se encontram em dores e sofrimentos cruciantes e eternos.

Se 14 bilhões de almas podem ser tragadas e contidas em apenas um quilômetro cúbico da crosta terrestre, segundo os cientistas europeus, então o inferno não deve ser tão grande assim para conter os bilhões que já morreram e os bilhões que em breve lá irão chegar ".  Até aqui falou D.M.

Agora vou provar que a velhinha não plagiou o autor Ariano Suassuna. Ela apenas quis mostrar aos professores da FESO que o pernambucano usou a falsa teologia romana da salvação através das obras e da mediação de Maria, enquanto ela usou a verdadeira teologia evangélica da salvação unicamente através da fé no sacrifício  vicário de Cristo na cruz, sem o concurso de obras mortas, ou da mediação de uma Senhora, que, mesmo tendo sido a mãe de Jesus na carne, não tem poder algum para salvar quem quer que seja, simplesmente porque foi pecadora ao nascer, visto como a Bíblia afirma que "... todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3:23). Além disso, criatura alguma jamais poderia colaborar com o Criador em matéria de salvação. Somente o Espírito Santo pode fazê-lo, porque Ele também é Deus!

 

Mary Schultze - 21/07/2002