O Embuste de Fátima
O católico Carlos Yamaguchi, de São Paulo, pensou ter encontrado um meio de provar que o milagre de Fátima realmente aconteceu, exibindo um artigo publicado no jornal português “Diário de Notícias”, página 2, coluna 10, datado de 15/10/1917, artigo esse que passamos a transcrever, atualizando a ortografia do colunista:
Mais de 50 mil pessoas acorrem ao local da aparição. Vila Nova de Ourum, 13 hs. Apesar da chuva miudinha e impertinente que começou a cair logo de manhã, extraordinário número de pessoas acorreu à freguesia de Fátima para presenciar o caso extraordinário da aparição que desde quinta feira de Ascensão tem ocupado a atenção destes povos e atraído àquela localidade milhares e milhares de peregrinos de todas as classes sociais e sexos.
Já anteontem começaram a passar por esta vila ranchos de homens e mulheres, que com toda a devoção e crença, entoando cânticos e rezando o terço, se dirigiam para o local onde o “milagre” se devia repetir pela última vez, conforme as declarações dos três pastorzinhos, a quem Nossa Senhora se dignou aparecer várias vezes, como eles dizem, nos dias 13, desde aquela data.
Para se poder imaginar a afluência de pessoas, vamos dar uma nota dos veículos que nos foi possível contar: Carros, 240; bicicletas, 130; automóveis, para cima de 100. Esta estatística representa apenas o número de veículos que regressou por esta vila.
A ansiedade pela hora do colóquio, 13 hs., era manifesta.
Embora a chuva continuasse a fustigar aquela multidão, ninguém arredou o pé do local privilegiado. Precisamente àquela mesma hora, os três pastorzinhos, cujos nomes são Lúcia, Jacinto e Francisco, chegaram ao lugar preciso, postando-se imediatamente de joelhos sob um arco “adrede” arranjado, assim como um altar que junto foi levantado.
A sugestão tomou imediatamente aqueles milhares de crentes e curiosos. Como grande número de pessoas tivesse os guarda-chuvas abertos, os pequenos mandaram fechá-los, e coisa estranha, segundo o testemunho de milhares e milhares de pessoas, o sol apareceu com uma cor de prata fosca, numa agitação circular, como se fosse tocado pela eletricidade, segundo a expressão empregada por pessoas ilustradas (?) que presenciaram o fato.
E milhares de pessoas sugestionadas, e quem sabe mesmo ofuscadas pela própria luz do sol que durante o dia aparecia pela primeira vez, caíram por terra chorando e levantando para o alto as mãos, que instintivamente juntavam.
Nos seus rostos notava-se um embevecimento estático que denotava um absoluto alheamento da vida. Choravam e rezavam as suas almas simples, perante a estranha sensação dum fato que para eles, naquele momento, era milagroso. Pessoas houve mesmo, segundo ouvimos a algumas, que lhes pareceu ver o sol abandonar a sua fictícia órbita, romper as nuvens e descer no horizonte. A sugestão destes videntes estendia-se a outros a quem eles explicavam o fenômeno, e, por esse motivo, muitas pregando que o astro rei viria precipitar-se no solo, prorromperam em altos gritos, impetrando a proteção da Virgem.
A “hora milagrosa” passara.
As crianças levantaram-se, sorridentes, e explicaram aos seus ansiosos ouvintes que a “Senhora” lhes dissera que a paz viria breve e que não tardaria o regresso dos nossos bravos soldados que em França lutavam heroicamente. No local eram vendidos postais com os retratos das ingênuas crianças.
Os peregrinos, após aqueles momentos de ansiedade, regressaram às suas casas, desejosos de contar aos que não tiveram a felicidade de ir ao local santo, o que seus olhos e principalmente as suas almas crentes haviam com tanto deslumbramento presenciado. (Até aqui falou o colunista).
1. Agora vamos comentar o seu trabalho:
Para provar que não acreditara no fenômeno, o colunista usou no título a palavra “milagre” entre aspas.
2. A “Senhora” só apareceu às crianças e o jornalista usa a expressão “como eles dizem”, demonstrando não acreditar no tal “milagre”. Ela errou na data do término da guerra.
3. O colunista usa as expressões “sugestão” e “sugestionadas”, as quais tivemos o cuidado de grifar, a fim de não deixar que passassem despercebidas.
4. O colunista fala “segundo o testemunho”, da parte dos católicos fanáticos e não que ele mesmo tenha testemunhado o fato.
5. O colunista admite que aqueles milhares de pessoas estivessem “ofuscados” pela luz do sol.
6. O colunista admite que o fato era milagroso “para eles”, os crentes sugestionados, não para si mesmo.
7. Ele diz que “pessoas houve” que lhes “pareceu” ver o sol abandonar a sua órbita fictícia. A Igreja Católica, através do papa Pio XII, afirma que milhares de pessoas “garantiram” ter realmente presenciado o fenômeno.
8. O colunista diz que a sugestão dos “videntes” atingiu outras pessoas, que acreditaram no que realmente nunca viram.
9. O colunista fala de uma “hora milagrosa” entre aspas, porque de fato não acreditou no embuste.
10.O colunista cita as crianças como “ingênuas”. Na verdade eram três crianças analfabetas, fáceis de serem sugestionadas, sendo a líder da turma – Lúcia - considerada por um confiável escritor português como uma pessoa “mitomaníaca”. Lúcia mais tarde seria internada num convento carmelita, ficando incomunicável, só podendo falar com o seu confessor, um padre jesuíta. As duas crianças – Jacinto e Francisco – morreram de pneumonia e fraqueza, vítimas dos jejuns forçados a que foram submetidos, “a mando da Senhora infanticida”.
Considerando que ao fato foi destinada apenas uma coluna ocupando 1/12 de página do “Diário de Notícias”, isso mostra como o tal acontecimento de Fátima foi sem importância. Só que, ao longo de tantas décadas, com a propaganda enganosa feita por Pio XII e seus sucessores (principalmente pelo mariólatra JP2), propaganda essa financiada com as ofertas dos analfabetos bíblicos, o assunto foi crescendo de tal maneira que se transformou no MAIOR MITO do Catolicismo Romano, a ponto de ter sido a “Senhora de Fátima” escolhida para ser a padroeira da União Européia, de onde na certa sairá, brevemente, como seu pupilo, o Anticristo.
Mary Schultze, fevereiro, 2004