O Príncipe das Sombras
Uma irmã em Cristo, que reside no Pará e tem o hábito de me telefonar para tirar dúvidas em assuntos bíblicos, ligou dizendo que um professor da EBD em sua igreja estava dando um estudo e leu João 14:1 assim: “Não confundam o seu coração”. Ela queria saber que versão é esta, e se está correta, mas não pude ajudá-la, pois tenho muitas versões da Bíblia em minha estante: ARA, RC, FIEL, NVI, BLH, REINA VALERIA, KING JAMES, e em nenhuma destas posso encontrar esta declaração, a qual, obviamente, está errada.
Ela ficou tão desapontada com a minha “incompetência” que desligou o telefone, depois que lhe expliquei o significado real desta frase, ou seja, Cristo quis dizer aos seus discípulos que eles “não deveriam ficar preocupados” com a sua iminente partida para o Pai, pois somente assim Ele poderia ir preparar lindas moradas para todos os que Nele cressem, etc.
As versões RC, Fiel, Ara, e NVI dizem: “Não se turbe o vosso coração”. A King James diz: “Let not your heart be troubled”, ou seja, exatamente o mesmo. Infelizmente está chegando ao Brasil uma versão chamada “A Mensagem”, recheada de conceitos da Nova Era, a qual talvez contenha a frase da maneira como o tal irmão leu na igreja, só que ainda não tenho esta versão, embora tenha alguns versos, em dois artigos traduzidos sobre essa bíblia.
A maneira como os tradutores das novas versões da Bíblia se comportam me faz lembrar um filme iugoslavo que vi em DVD - O Príncipe das Sombras - com o astro Brad Pitt, cujo enredo muito me impressionou:
Um garoto americano da classe média alta nasce com uma dermatite provocada por um tipo de herpes e por causa dessa moléstia ele precisa passar a vida inteira vestido de couro negro, da cabeça aos pés, pois qualquer raio de sol poderá matá-lo, coberto de chagas purulentas, depois de apenas três dias de exposição à luz.
A mãe enlouquece, de tanta preocupação, e o pai agora tem dois problemas: cuidar de uma esposa louca e de um filho em perigo de vida. Ele percorre vários países em busca da cura e acaba caindo nas mãos de um curandeiro iugoslavo, o qual lhe arranca uma fortuna em dólares e acaba confessando que o mal do jovem é incurável.
Entrementes, o rapaz vai a um baile de máscara (ele vivia obrigatoriamente mascarado e esse tipo de festa lhe era propício) e ali conhece uma garota americana que iria se apaixonar por ele, independentemente dele retirar a máscara e mostrar-lhe o rosto. Ele resolve retirar a máscara e as roupas de couro, contra a vontade paterna, a fim de ganhar o amor da garota, sem que ela conheça a sua verdadeira identidade. Ficam amigos, sem que ela saiba que ele é o mascarado, até que ela confessa que ama o tal “príncipe negro” e misterioso.
Passam três dias na praia, na maior felicidade e intimidade, até que o corpo do jovem começar a ficar cheio de pústulas, com uma aparência monstruosa, e então ele descobre que está morrendo. Nesse momento, ele decide fugir para bem longe e morrer sem que a amada o veja tão desfigurado.
O pai se desespera e procura uma igrejinha no alto de um monte, dentro da qual se ajoelha chorando e pedindo a cura do filho, diante da imagem da Madona com o Menino (ortodoxa). Mais tarde, ele entra no quarto da esposa, chorando e dizendo: “Eu queria tanto que você voltasse ao normal e que nosso filho não morresse... Isso seria tudo que eu poderia desejar na vida: uma família saudável, unida e feliz”.
Exatamente como esse pai aflito, ajoelhado diante de um ídolo, os pregadores e editores das novas versões da Bíblia tentam conseguir curas físicas e espirituais para os membros de suas igrejas. Eles renegam a Divindade do Único Deus capaz de curar-nos, o Senhor Jesus Cristo, por eles rebaixado ao status de “cristo cósmico”. O “deus” desses homens (Mamom) só é capaz de efetuar milagres em favor dos seus bolsos, ou seja, em favor de suas contas bancárias, nos paraísos fiscais... E quando essas curas acontecem, elas têm um preço: O “príncipe das sombras” dá a cura (até mesmo em o Nome de Jesus) mas, em troca, esses pregadores são obrigados a pregar um falso evangelho, a fim de conduzir o maior número possível de almas para o seu “reino de sombras”.
Esses pregadores de cura e prosperidade, muitos deles assentados em tronos de ouro, um dia vão encarar o verdadeiro Senhor que eles traíram e Dele ouvirão esta sentença: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”. (Mateus 7:21-23).
Mary Schultze, 03/04/06