O SUCESSO DE HARRY POTTER

 

Fomos surpreendidos pelo sucesso dos livros da saga Harry Potter. Muitos se levantaram contra os livros e o filme que tratam deste assunto. Outros apoiaram e, como sempre, há os que ignoram ou não se interessam pelo assunto.

Não farei acusações sobre isso ou aquilo. Quero pensar porque esses livros fazem tanto sucesso, não só em Portugal, mas no mundo inteiro, a fim de dar, em seguida, a minha opinião sincera sobre o que penso que devemos fazer como cristãos e servos do Senhor Jesus.

Por que tanta euforia, por causa de um livro, que nada acrescenta à juventude? Confesso que não consegui passar das primeiras páginas. O livro narra a história de um menino órfão, desprezado pelos tios, por ser filho de feiticeiros e por ser ele próprio um aprendiz de feiticeiro. Particularmente não fiquei sequer interessado na história. Não consegui avançar na leitura do livro. Então,  por que ele faz tanto sucesso?

Há várias respostas a essa pergunta. Começo dizendo que o sucesso acontece por causa da massificação da média. Já viram a publicidade em prol dos livros e do filme? Quem são os patrocinadores do Harry Potter? Ele se tornou um produto comercial, com elevado investimento, numa campanha de marketing perfeita, que deu tamanho resultado. Outra razão para o sucesso é a moda. Ler Harry Potter é fazer parte do meio. Sua leitura identifica o leitor com o que de mais actual existe no mercado. Contudo, a meu ver, a razão mais séria que existe, da qual não falamos, é a projecção. Creio que as pessoas se sentem como esse menino. Solitárias, desprezadas e tendo que vencer tudo e todos. Digamos que ele é o super-herói dos nossos tempos.

Qual é a doença do nosso século? A solidão! O que está matando a nossa juventude? A solidão, a depressão, o desprezo, o ficar de lado, a carência de objetivo. Sendo assim, os leitores encontram em Harry Potter um ideal a ser seguido. Um padrão do que desejariam ser. Ele aponta o exemplo do menino  desprezado que consegue dar a volta por cima. Coisa que nem sempre acontece com todos. Na realidade, muitos desses leitores são órfãos de pais vivos. Vivem numa sociedade cruel e segregadora. Estão cercados de inimigos e projectam em Potter tudo o que gostariam de ser. Creio, sinceramente, que essas três razões têm feito de Harry Potter um tremendo sucesso em nossos dias.

É a realidade dos jovens das nossas igrejas. Eles passam pelo processo que foi aqui narrado. São influenciados pela média e desejam fazer parte do grupo, porqu se sentem sós. De quem é a culpa dos nossos jovens se encontrarem dessa forma? Tenho certeza que muitos dirão que é dos pastores. "Nosso pastor não prepara a juventude para enfrentar o dia-a-dia".

Haverá um grupo que dirá que esses jovens são culpados, por não aceitarem conselhos, achando que sabem tudo. Não nos escutam. Sei que muitos ficarão zangados, mas a culpa primeiramente é dos pais. No livro "Certo ou Errado" há uma declaração muito apropriada do Pr. James Strole, que diz: “Os pais cristãos não se sacrificam pelos filhos. Eles supõem que a igreja ou a escola cristã esteja fazendo esse trabalho”. A vasta maioria de professores, directores e obreiros da igreja que lidam com a está suplicando aos pais que se envolvam mais na educação académica e espiritual de seus filhos; isto pode ser considerado uma tragédia, a qual vem contribuindo imensamente para o declínio dos valores bíblicos entre os nossos jovens.”[i]

Essa é a nossa realidade. Os pais estão ausentes. A mentalidade moderna, infelizmente, se fundamenta em coisas. Os pais se preocupam em dar tudo aos filhos, menos companhia. Um deles me disse que seus pais nunca lhe falaram de Jesus. Nunca leram a Bíblia e muito menos oraram juntos. O triste desse facto, é que seus pais eram líderes da igreja. Há um relaxamento com a Palavra de Deus. Vive-se a tradição e não o cristianismo autêntico. Vemos o reflexo disso na educação dos filhos e no secularismo que vivemos.

Não podemos ficar na superfície. Devemos mergulhar no estudo da Palavra de Deus. O estudo deve ser iniciado no dia-a-dia, em nossos lares e não na igreja. Os pais devem dizer aos seus filhos: “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo.” (1 Co 11.1). Será que os nossos filhos estão vendo em nós o Senhor Jesus?

Harry Potter é um feiticeiro e precisamos dizer aos nossos filhos, que não há feiticeiros bons. Eles se opõem ao Senhor e não herdarão o reino dos céus. A Bíblia afirma: “Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte.” (Ap 21.8).

Ensinamos isso, ou dizemos que a Bíblia está ultrapassada. Será que fazemos como a senhora que ia aos cultos de oração suplicar a ajuda de Deus, e depois aos bruxos, caso o Senhor não a escutasse? Qual é o exemplo que passamos aos nossos filhos?

O sucesso de Harry Potter é a demonstração de que vivemos uma espiritualidade vazia. Mostra que estamos falhando e abrindo as nossas portas para todo tipo de coisas, até para o ocultismo. Sejamos biblicamente firmes e tenhamos a coragem de dar menos coisas aos nossos filhos, presenteando-os com a nossa companhia. Que sejamos um exemplo vivo para eles, um exemplo de verdadeiros cristãos, para que não sejam levados por todo vento de doutrina e não sejam enganados pelos homens.

 

Pr. Marcos:

 

O artigo está excelente.O Sr. já leu  o que um néscio pastor anglicano falou sobre o assunto, conforme o meu artigo "O Frio é Intenso", não?

Escreva para a "Chamada da Meia Noite" e peça o livro do Dr. Samuel Fernandes sobre o Harry Potter, que é muito importante, porque deixa os pastores bem a par deste assunto.

Para mim Harry Potter é uma protótipo do Anticristo para a juventude...

 

Mary, janeiro 2002