O crime compensa?
Nos anos 50, quando me casei com o Schultze, o distrito do RJ, onde nos conhecemos e fomos morar, era quase um distrito de Santa Catarina, nele vivendo uma grande quantidade de europeus - principalmente alemães - que haviam fugido dos horrores da II Guerra Mundial. Essa guerra tenebrosa, bolada e sacramentada por Pio XII, com a ajuda da Ordem Jesuíta, a qual serve os papas desde o ano de 1540, quase destruiu a Europa, tendo causado o massacre de milhões de inocentes, inclusive de seis milhões de judeus.
Nesse tempo conheci um casal muito interessante. Ele era um ex-membro da SS nazista, engenheiro de profissão, alto, louro e muito bonito. Ela, uma francesa linda, que havia se apaixonado pelo soldado inimigo, quando a Alemanha ocupou a França, e depois da guerra se casaram, mesmo sendo ele já casado com uma alemã.
No Brasil ela havia chegado bem antes dele, que sendo procurado pela justiça aliada, teve de fugir da Europa, a fim de vir se encontrar com a esposa. Enquanto ele não chegava, ela se empregou como governanta em casa de um escritor nordestino, na zona sul do Rio, e ali ficou tentando, e mais tarde conseguindo, trazer o marido para o nosso país.
Ele depressa conseguiu emprego, como encarregado de uma usina de eletricidade no interior do Estado do RJ. Ela era bastante eficiente e colaborava muito com o marido, de modo que logo ficaram bem de vida, tornando-se proprietários de uma firma de material de construção. Mais tarde tiveram o primeiro filho, da mesma idade de nossa primeira filha. As duas crianças costumavam brincar juntas e um dia nossa filha quase matou o filho deles, com uma paulada dada com um brinquedo de madeira. Felizmente não se tornou assassina do amigo de infância.
Esse engenheiro alemão tinha um hábito curioso, que levei anos para entender. Viajava duas vezes por ano à Alemanha e carregava sempre um cinto especial recheado de pedras preciosas do Brasil. Essas viagens lhe davam um bom lucro e assim ele fez um excelente investimento num banco alemão, pagando naquele uma aposentadoria, que lhe daria cerca de 20 salários mínimos (do Brasil), na velhice. Aqui ele pagava INSS sobre 10 salários para ele e a esposa, pois a firma estava no nome de ambos. Desse modo, quando se aposentaram e foram viver na Alemanha, sua renda alcançava em média 40 salários dos nossos. Viviam bem, numa bela mansão em ..., com os dois filhos adultos. Mais tarde ele morreu e ela ficou financeiramente garantida, do mesmo modo como sempre ficam em nosso país as viúvas dos altos funcionários públicos e militares.
A última vez em que a vi, quando veio ao Brasil resolver uns assuntos financeiros, ela já era viúva e continuava bonita e elegante, como sempre. Convidei-a para assistir uma reunião evangélica na zona sul do Rio, quando foi procurar-me em Copacabana, onde funcionou o escritório comercial de nossa firma, durante mais de vinte anos. Ela recusou o convite, dizendo que "detestava tudo que se relacionava com o evangelho, pois era uma descrente e achava ridículo uma mulher 'de cultura' como eu acreditar nessas baboseiras religiosas, etc.
Anos depois minha filha M. foi visitá-la na Alemanha e contou que ela continua incrédula, deprimida e muito solitária, pois os filhos se casaram e a deixaram em amarga solidão.
Agora eu pergunto: será que o crime compensa? Será que as pedras preciosas que o marido levou durante tantos anos para a Europa, a fim de lá garantir um futuro financeiro para a esposa e os filhos, valeram a pena?
Perguntei isso ao Espírito Santo, autor do Novo Testamento. E Ele me respondeu, através da pena de Paulo, na Sagrada Escritura: "Não, o crime não compensa. O salário do pecado é a morte eterna e somente o sangue de Jesus Cristo purifica de todo pecado." Pena que aquela amiga de meio século atrás não tenha aceito a minha sugestão de se entregar a Jesus, quando a vi pela última vez, há quase 20 anos. Agora ela estaria menos solitária, menos infeliz, e com um lugar bem garantido na mansão celestial que Jesus foi preparar para todos os que crêem em Deus e no Seu Filho Bendito.
Como sou grata a esse Deus Bendito, que deu a vida por mim e por tantos milhões de pecadores que não valem sequer uma gota do Seu sangue precioso!
Mary Schultze, 17/07/2002