Obedecer ao Espírito de Deus

 

        Sou especialista em desobedecer ao comando do Santo Espírito de Deus e, por isso,  muitas vezes me dou mal.

         Na metade da semana passada, ia descendo para o almoço, quando, de repente, senti um enorme desejo de ver meus netos, que moram no 2º. Andar. Estava atrasada e, por egoísmo,  deixei o encontro para depois do almoço. Cometi um erro porque...

         A zeladora ia descendo do mesmo andar onde moro e conversávamos escada abaixo, quando a “dona do cachorro” (como é conhecida no prédio a moradora do apartamento 101), cuja especialidade é brigar com as pessoas, veio na direção da moça e começou a injuriá-la por ter esta trancado o portão do jardim, impedindo que o seu cão fosse brincar ali. (Convém observar que o regulamento proíbe cachorros no prédio e também no jardim do mesmo).

         Fiquei parada, escutando as injúrias, sem querer me intrometer no assunto, sabendo que ela e o marido (segundo informações não confirmadas) são usuários de drogas, até que a dona, de dedo em riste, gritou:

         “Sou proprietária do imóvel, pago o condomínio em dia e faço neste prédio o que eu bem quiser.”

         Achei que era hora de entrar na briga e falei calmamente: “Garota, primeiro você não é dona de imóvel algum, pois mora de favor no apartamento do seu sogro. Segundo, não paga o condomínio em dia, pois, segundo fomos informados na última reunião, seu marido está devendo sete meses de aluguel. Terceiro, você não pode fazer o que bem quiser neste prédio, porque temos aqui um regulamento que deve ser obedecido”.  

         Eu jamais havia presenciado uma pessoa tão furiosa, como a dona ficou, após ter escutado essas palavras. Começou a me agredir verbalmente, aos gritos,  de todos os palavrões possíveis e imagináveis (alguns que eu ainda não conhecia) e quando saí para a rua, a fim de evitar uma agressão física da parte dela, foi atrás de mim na calçada, gritando as mesmas “odiabilidades”, atraindo a atenção dos vizinhos de um salão de beleza em frente e dos carros que passavam pela rua.

         Nunca fui tão ultrajada em toda a minha existência setuagenária, mas agüentei firme, orando em voz baixa: “Senhor, tem misericórdia dessa filha de Belial, pois ela não sabe o que diz!”

         Fui almoçar e trouxe dois filmes nacionais para ver em DVD, a fim de me acalmar, pois estava agastada demais para trabalhar normalmente. Mais tarde, quando estava vendo o primeiro filme (A Partilha), a dona do cachorro e o marido vieram à minha porta e continuaram me destratando, até que pedi licença, fechei a porta e, novamente, pedi que Deus tivesse misericórdia desse casal perdido no vício e na falta de educação.

         Quando minha filha Rose chegou do trabalho e soube da confusão, queria ir até o apartamento do casal tomar satisfações, mas pedi que ela ficasse quieta. A Bíblia nos ensina em Deuteronômio 32:35: “Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo que resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e as coisas que lhes hão de suceder, se apressam a chega”. Costumo ser contundente em meus escritos, mas nunca revido, pessoalmente, qualquer ofensa, por isso nunca tive problema algum com os vizinhos.

         Dois dias depois,  eu teria de devolver os filmes alugados, mas estava cansada e fiquei em dúvida. De repente, senti que era minha obrigação devolver os DVDs pontualmente (não por causa da multa, mas por causa da palavra empenhada). Hesitei muito e, na última hora, andei 8 quarteirões (não gosto de tomar ônibus) até a loja de aluguel dos filmes.

         O moço da loja me perguntou se eu havia gostado dos filmes, ao que respondi francamente: “Gostei de um e não do outro. Este apresenta algumas cenas de sexo explícito e tive de retirar do aparelho e guardar, pois esse tipo de cena não me interessa. Sou uma crente bíblica no Senhor Jesus Cristo e não gosto de sujar minha mente com esse tipo de coisas, etc.”

         Quando terminei, um jovem, (que estava na mesma loja, me olhou e perguntou se eu era evangélica. Respondi que sim. Conversamos bastante. Ele me contou que tem apenas 4 meses de conversão, pertence à igreja metodista próxima ao meu apartamento (a qual tem usado e abusado da Teologia da Prosperidade, do Movimento G-12 e dos “Propósitos” do Rick Warren, cujo pastor me detesta).

         Durante meia hora, doutrinei aquele moço recém convertido, o qual me apresentou uma linda Bíblia na edição Revista e Corrigida. Trocamos os e-mails e pretendo enviar-lhe minha nova apostila - Colar de Topázios Azuis - com 11 artigos do Dave Hunt (55 páginas) e 32 artigos meus (50 páginas), a fim de conduzir esse moço bem intencionado ao bom caminho do legítimo Evangelho de Cristo.

         No final da conversa, descobri que ele é casado com uma funcionária do supermercado aqui perto, cujo (novo) dono é meu filho na fé. Eu nem sabia que ela era crente, mas, mesmo assim, dei ótimas informações sobre ela ao novo dono, quando este me pediu opinião sobre os antigos funcionários do tal mercado.

         Nessa tarde em que obedeci ao comando do Espírito Santo, fiz um novo amigo e, quem sabe, o próprio Deus assim determinara, a fim de que eu possa ajudar esse jovem recém-convertido com a minha experiência bíblica. Louvado seja o Senhor!!!

 

Mary Schultze, fevereiro 2006