Os pentecas e o Velho Testamento

 

            O penteca F.D. ficou injuriado com os meus artigos, postados no site do CPR, mostrando os erros carismáticos, e me enviou um e-mail agressivo, chamando-me herege, incrédula, ignorante da palavra de Deus, uma cega guiando outros cegos para o inferno... Tudo isso e mais algumas “odiabilidades”, por causa do artigo - “A Dispensação Pentecostal” e outros - dizendo que as curas miraculosas, bem como as línguas, profecias, visões e revelações (tão comuns na igreja primitiva, principalmente constituída de judeus convertidos)  terminaram, quando o Cânon da Escritura foi encerrado, tanto que o Apóstolo Paulo não pôde curar o seu companheiro Trófimo, quando este ficou doente, etc. Isto não significa que Deus tenha deixado de curar, quando Ele o deseja. Mas essa enxurrada de “curas divinas”, que teve início com os hereges William Branham, Kathryn Kuhlman e outros, é muito duvidosa...

            Pelo que entendi, esse penteca é membro da INV e ficou ainda mais injuriado com os meus artigos condenando a cobrança dos dízimos. Sobre esta igreja tenho algumas restrições.

            Certa vez eu estava assistindo a um culto na mesma, quando o pastor começou a “orar em língua estranha” e, em seguida, falou que o Espírito estava lhe revelando que todos os membros ali presentes deveriam contribuir com pelo menos 10 dólares para a compra de um teclado, etc. Olhei ao redor e vi uma porção de crentes mal vestidos, demonstrando pobreza, e fiquei indignada. Logo que o culto terminou, fui até o pastor e lhe entreguei 10 dólares que, por acaso, eu guardava na bolsa, e falei: “Nesta igreja existem muitas pessoas que nem sequer comem carne todo dia, por falta de dinheiro. Pela mais pobre dessas pessoas, estou lhe entregando estes 10 dólares, a fim de que ela fique livre da obrigação que o senhor acabou de impor a todas elas”. Ele me olhou aborrecido, mas, mesmo assim, recebeu os 10 dólares. Nunca mais pisei nessa igreja.

            Numa noite de dezembro, eu estava jantando na mansão de um empresário da cidade, membro da mesma igreja. Lá pelas tantas, o assunto caiu sobre o dízimo. Quando expus minhas idéias, citando Gálatas 3:9-10 e 5:14, o dono da casa ficou aborrecido e falou: “Não concordo com você. Eu sou muito abençoado, exatamente porque entrego o meu dízimo. Por exemplo, este ano, ganhei mais de dois milhões em meus negócios e entreguei mais de 200 mil Reais de dízimo à igreja”. Pouco tempo depois, ele deixou a cidade porque os negócios não estavam indo muito bem... Imaginem a tristeza do pastor, quando perdeu essa mina de ouro!

            Muitos pastores costumam ler o capítulo 3 de Malaquias, para intimidar os crentes, fazendo-os crer que se não entregarem pontualmente o dízimo não serão abençoados. Duvido que esses pastores “lucrófilos” expliquem aos seus ouvintes que os textos de Malaquias 3:8-10 têm sido interpretados e aplicados erroneamente pela maioria das igrejas cristãs. Uma interpretação correta do texto, segundo o contexto, vai mostrar que aqueles que são culpados de roubar a Deus, conforme Malaquias 3:8, são os sacerdotes ministradores e não o povo. Consequentemente, os que são amaldiçoados em Malaquias 3:9 são os sacerdotes, por terem quebrado a Antiga Aliança. Os pobres, as mulheres e os artesãos não eram obrigados a entregar o dízimo, segundo a Lei de Moisés. Os crentes da Nova Aliança foram completamente liberados de todas as leis do VT, conforme Jesus disse em Lucas 16:16: “A lei e os profetas duraram até João”. Em Mateus 23:23 (que os lucrófilos adoram citar) Jesus  está cumprindo a lei e falando para os líderes fariseus.

            Os pastores “lucrófilos”, principalmente os carismáticos, além de pregarem o falso evangelho da fé/prosperidade, ainda exigem o dízimo, agrilhoando os crentes às leis do VT, a fim de conservarem esses coitados presos às suas “sinagogas”, pelo medo de perderem bênçãos financeiras e espirituais, ou até serem castigados por desobediência. E assim, eles vão enriquecendo, acumulando fortunas nos bancos estrangeiros e até se assentando em tronos de ouro maciço, como Benny Hinn, Kenneth Copeland, Peter Wagner, Robert Schüller e outros “jacarés espirituais”.

            Crente, leia o VT apenas para se ilustrar nos exemplos e na história de Israel. Nenhum profeta do VT fala diretamente para nós. Eles apontavam para as duas vindas do Messias e davam conselhos à nação de Israel, para que esta andasse conforme os mandamentos de Deus. Lembre-se que o nosso evangelho está contido nas cartas de Paulo. Ele é prático, límpido e simples como o autor do mesmo, o qual foi inspirado nas visões que teve de Jesus ressuscitado e pelo Seu Espírito, libertando os gentios do peso que Deus havia colocado sobre os judeus. Isso porque os judeus sempre pediram sinais, enquanto os gentios preferiram pedir sabedoria. É pena que os pastores carismáticos tenham regredido tanto, ao ponto de resolverem impingir as leis do Velho Testamento aos membros de suas congregações, complicando a vida dos crentes, com o fito de encherem os gazofilácios de suas “sinagogas pentecostais”.

 

Mary Schultze, 31/12/2008

www.cpr.org.br/Mary.htm

 

 

 

 

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