Os políticos no mês de setembro
Setembro é o mês em que nascem mais crianças neste país, porque nas Noites (pagãs) de Natal e Ano Novo os casais se encharcam de vinho e se amam sofregamente, esquecendo os cuidados necessários para impedir o aumento da família.
Setembro é também o mês em que os candidatos às eleições de outubro mais fazem promessas mirabolantes, porque dispõem de apenas 30 dias para garantir, enganosamente, que tudo vai ficar melhor para os eleitores que lhes derem votos.
Aqui vão algumas das melodiosas promessas da maioria desses homens, que, obviamente, só querem mesmo se eleger, esquecendo depois tudo que prometeram.
Vote em mim porque eu prometo que serei...
Tão empreendedor como o foi JK, na construção de Brasília.
Tão amigo dos trabalhadores como o foi Getúlio Vargas, em seus quase 20 anos de governo. E prometo me suicidar, se não estiver agradando a todos...
Tão corajoso como o LULA, concorrendo a tantas eleições que acabou sendo eleito pelo cansaço dos eleitores de ver o seu nome entre os candidatos.
Tão ardoroso em defender a democracia como o foi Carlos Lacerda...
Prometo ainda que farei...
Muitas obras de infra-estrutura, asfaltando todas as ruas da cidade e construindo a maior rede de esgotos do Estado.
Construir muros de proteção sobre todas as casas suspensas nas encostas, evitando tragédias durante os temporais.
O possível e o impossível para baixar os preços das passagens de ônibus e da cesta básica...
Mais do que o impossível para arranjar emprego para todos os desempregados do nosso município.
Construir creches para todas as crianças de mães trabalhadoras.
A distribuição de cestas básicas às famílias que ganham menos de 2 salários mínimos.
Abrir colégios em todos os bairros do município para que nenhuma mãe fique de madrugada tentando conseguir vaga para os filhos e toda criança possa estudar sem ônus para a família.
Construir abrigos decentes para todos os meninos de rua, idosos e dependentes de drogas.
Proibir que os bares fiquem abertos depois das 22 horas, evitando, assim, que a violência se espalhe na cidade.
Colocar na cadeia todos os traficantes, em menos de um ano de governo.
Fechar todas as financeiras que vivem espoliando a pobreza, comendo o fígado dos pobres que lhes pedem dinheiro emprestado.
Criar uma lei proibindo que certas igrejas barulhentas perturbem o sono dos vizinhos.
Proibir que os pastores exijam o dízimo (que foi abolido no Novo Testamento) e que inventem mil e uma artimanhas para tirar dinheiro dos incautos.
Enfim, prometo que farei tudo para agradar a todos, coisa que nem mesmo Jesus Cristo conseguiu...
É isso aí... Quem vai acreditar em todas essas promessas e votar nesses candidatos que prometem tanto?
Graças a Deus já não preciso votar, porque passei dos 70 anos e, assim, não corro mais o risco de colocar tantos mentirosos nos cargos políticos da cidade.
Se eu fosse votar...
Votaria num homem que tivesse nascido na pobreza e chegado ao topo, através de trabalho honesto e responsável.
Que jamais tivesse atrasado o pagamento de uma dívida, pois a maioria dos políticos peca por inadimplência.
Que fosse um excelente empresário, tratando bem os empregados, pagando salários dignos e oferecendo preços compatíveis em seus estabelecimentos.
Que soubesse usar o dinheiro do povo para realmente resolver os problemas da cidade, em vez de criar um “caixa 2” para garantir as próximas eleições.
Que não colocasse todos os amigos e familiares em cargos fantasmas. Quando se entra numa repartição do governo, neste país, nota-se que lá dentro dos balcões o número de funcionários é maior do que o das pessoas que aguardam uma solução dos problemas, dali saindo sem solução alguma, porque o pessoal, que deveria estar trabalhando para resolvê-los, está sempre discutindo futebol, carnaval e problemas particulares, ignorando os rostos cansados que ali esperam.
Por isso dou graças a Deus de não precisar mais votar, embora reconheça que existe uma porcentagem ínfima de políticos sinceros e honestos, os quais trabalham em favor do povo que os elegeu.
Amigo leitor, saiba muito bem a quem dar o seu voto, a fim de que este não caia dentro de uma lata de lixo! E se der um voto a quem o merece, parabéns, e ... Aleluia... Glória a Deus!
Mary Schultze, agosto 2004