Os tentáculos do polvo
Por causa da roubalheira dos políticos brasileiros, o país não progride, os empregos ficam sempre mais difíceis e o brasileiro vai mergulhando cada dia mais na pobreza, enquanto os pobres vão ficando cada dia mais miseráveis. Uma das causas da falta de empregos é que, para cobrir os gastos excessivos da máquina governamental, os empresários (e até os micro-empresários) pagam uma fortuna de impostos. Um empregado que ganha o salário mínimo, por exemplo, custa dois salários ao patrão, porque o governo leva outro salário para cobrir as falcatruas do parlamento e das empresas estatais, num país tão corrompido pelo abuso de poder e pela impunidade. A máquina governamental é por demais corrompida pelo pecado da ambição e esse pecado é um polvo que vai estendendo os tentáculos e esmagando quem dele se aproxima. O deus deste país colonizado pelos jesuítas é Mamom, enquanto essa Ordem é a mais rica do planeta.
Um pastor amigo costuma dizer: “A Mary fala mesmo depois de fútil”, por isso não me calo e vou denunciando os abusos políticos e religiosos, que proliferam como erva daninha, neste país tão rico e espoliado pelos “espertos”.
Há algumas semanas entrei num armarinho da cidade, em busca de uma blusa azul. Enquanto era atendida, percebi que a vendedora (uma jovem loura e bonita chamada Pat) expressava um olhar de tanto sofrimento que me senti comovida. Procurei conversar com ela, comprei a blusa e deixei um cartão dizendo: “quando precisar de um conselho de mãe, pode me procurar”. Poucos dias depois ela me telefonou, dizendo que eu era a única pessoa que lhe havia dado um pouco de atenção e carinho e precisava conversar comigo.
Veio ao meu apê e contou uma história que me deixou perplexa.
Nasceu num lar dito evangélico, com a família freqüentando uma dessas igrejas malaquianas, que só falam em dinheiro e pregam um evangelho espúrio. Quando tinha 17 anos, conheceu um homem e, para fugir da miséria do lar, foi morar com ele. Suportou oito anos de sofrimento ao lado do tal companheiro, que a maltratava, porém ela o amava e não queria voltar para casa. Diz que esse foi o único homem de sua vida. O pai e o irmão (esquizofrênico) são encostados no INSS, a mãe é alcoólatra, a ponto de cair na rua, e sai todas as noites para farrear nos bares, a fim de esquecer os sofrimentos. Por isso a menina não queria voltar.
Mas um dia as humilhações sofridas com o tal companheiro se tornaram insuportáveis e ela voltou para a “família”. Como tem o segundo grau (feito à noite, quando o serviço de faxineira o permitia), conseguiu emprego nesse armarinho, porém o gerente do mesmo começou a assediá-la com propostas. Ela recusou-se a “colaborar” e agora está sendo perseguida pelo sujeito. Isto sem mencionar que a sua carteira de trabalho foi assinada com o mínimo de R$300, mas ela só recebe a metade, além de 3,5% sobre o que vende. Como não tem muita lábia para vender e na loja trabalham sete vendedores, Pat não tem conseguido atingir o salário mínimo e se sente frustrada.
Em casa a situação é insustentável e por isso ela me procurou, novamente, para pedir conselhos. Eu havia lhe dado um Novo Testamento, livrinho que a fez chorar de alegria. Ontem, quando me telefonou, convidei-a para ir à PIBT, assistir ao culto vespertino. Depois do comovente sermão do pastor, Pat entendeu a mensagem e, quando este fez o apelo, foi a primeira a levantar a mão, querendo aceitar o senhorio e a proteção do Senhor Jesus Cristo em sua vida. Depois veio jantar comigo e paguei-lhe a passagem de volta à favela onde mora.
Aconselhei-a a vir aqui hoje à noite, para fazer um cadastro, e vou tentar conseguir-lhe um emprego melhor. Ela é bonita, meiga, inteligente e sabe se expressar bem, por isso creio que não será tão difícil. Quem sabe Deus me colocou em sua vida para que eu possa ajudá-la a sair da miséria moral e social que tem suportado no lar e no sub-emprego que agora ocupa.
Orem por essa jovem, a fim de que o Senhor me ajude a ajudá-la. O Brasil está cheio de gente sofrida, porque os corruptos políticos desta nação roubam o dinheiro do povo, muitos patrões são também desonestos e os caminhos do brasileiro pobre vão ficando cada dia mais pedregosos, com árvores espinhentas lhe ferindo o rosto triste.
Mary Schultze, agosto 2005