Pastores corrompidos na religião e na política

 

         Certa vez, o ex-funcionário de uma rádio, cuja proprietária é uma conhecida “igreja evangélica”, me contou que um bispo dessa igreja se mostrava tão arrogante que as pessoas o evitavam, pois, quando ele chegava àquela rádio, os funcionários já esperavam muita repreensão e grosseria da parte dele, que sempre os tratava como escravos...

         Infelizmente, esses pastores que pregam a teologia da prosperidade não se contentam com o grau de corrupção moral e religiosa de sua denominação, passando a  incentivar abertamente a apropriação indébita do dinheiro do Estado, que os favorece economicamente, a fim de se manterem na  privilegiada imunidade parlamentar, daí passando a cometer até mesmo crimes contra os seus desafetos, achando que jamais serão punidos.

         “Não terás outros deuses diante de mim” é o que lemos em Êxodo 20:3  e  Deuteronômio 5:7. Esses “pastores da prosperidade” há muito já trocaram o Deus de Abraão, Isaque e Jacó pelo deus Mamom, servindo-o sem constrangimento, à espera de mais e mais “bênçãos” materiais.

         O bezerro de ouro tem sido a sua divindade preferida, cuja gordura tem alimentado as suas contas bancárias no exterior. Por causa disso, eles têm conduzido o Brasil a uma situação cada vez mais caótica, entregando em suas igrejas a ilusão da prosperidade e, ao mesmo tempo, consumindo os dízimos e ofertas, que os iludidos membros dessas congregações vão entregando, em troca de bênçãos que nunca chegam. Com esses milhões de Reais eles se elegem e, ainda achando pouco, vão consumindo o chamado “mensalão” e ficando cada vez mais “prósperos”. Pastor que se preza não entra na política, pois,  conforme a 2 Timóteo 2:4, “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”.

         Deus tinha um projeto para o povo brasileiro, quando abençoou a penetração do evangelho de Cristo em nosso país, o qual foi trazido, antes do início do século passado, por homens realmente convertidos e interessados em ganhar almas para o Senhor. O Brasil estava indo muito bem com a parcimoniosa pregação das igrejas tradicionais, as quais, mesmo ganhando poucas almas, realmente as ganhavam de modo correto, pregando a leitura da Palavra de Deus e uma vida reta diante de Deus e dos homens.

         Depois que o tal evangelho da prosperidade chegou, trazendo a consagração de músicas de baixo quilate intelectual e espiritual, um grave crime passou a ser cometido contra a santidade do Senhor, pregada em Habacuque 2:20: “...O SENHOR está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra”. Navegando nas águas poluídas da ilusão antropocêntrica da prosperidade material e espiritual, as pessoas começaram a andar com a Bíblia debaixo do braço, usando camisetas e adesivos nos carros, com dizeres supostamente bíblicos... enfim, o evangelho neste país passou a ser um tipo de comida self-service, da qual todos se servem e vão pagando conforme o peso dos pratos escolhidos.

         As conseqüências desse movimento religioso ativista já estão sendo vistas nos lares, nas escolas e no ambiente de trabalho, onde os “crentes” se comportam da maneira mais esdrúxula, escandalizando os irmãos e os incrédulos. E sem santidade de vida não se podem ganhar almas para o Senhor. Falar é fácil, mas agir conforme a pregação é muito difícil para esses “convencidos” não “convertidos”!

         As esposas dos pastores andam na última moda, exibindo roupas extravagantes, sapatos de bicos mais finos que alfinetes, blusas de crepe meridianamente transparentes, enfim, elas vão à igreja para exibir os modelitos comprados nas butiques mais caras da cidade,   com os dízimos entregues por membros que, muitas vezes, deixam de se alimentar corretamente, a fim de colocarem a décima parte dos seus minguados rendimentos no gazofilácio da sua denominação.

         Pastor que exige a entrega do dízimo é um ladrão! Não é ladrão o crente que deixa de obedecer Malaquias 3, pois esse livro, como todos os outros do Velho Testamento, já se tornou obsoleto. Vivemos agora na Dispensação da Graça, portanto exibir um gazofilácio diante do público e, pior ainda, ficar cobrando o dízimo dos membros da igreja é uma injúria contra o evangelho simples e  puro que Paulo pregou na igreja primitiva. Que sejam dadas ofertas conforme a vontade e a capacidade financeira de cada um. Mas exigir 10% da renda bruta do pobre crente é um crime! Um crime quase igual ao do bispo que, segundo denúncia feita por uma deputada na TV, mandou matar o seu próprio confrade por ganância e sede de poder político!!!

 

Mary Schultze, setembro 2005