(Carta enviada por Públius Lentulus, amigo de Pilatos, ao Senado de Roma, no Ano 0030)
Nestes dias tenho visto
homem de grande valor,
que se chama Jesus Cristo
e vive pregando o amor.
De profeta muita gente
o chama e os amigos seus
afirmam, seguramente,
ser Ele o Filho de Deus.
O povo o estava seguindo
e quando cheguei ali,
soube que ele tinha vindo
da família de Davi.
É belo de corpo inteiro,
perfeito em fisionomia,
filho de um carpinteiro
e sua esposa – Maria.
Tem espessas sobrancelhas,
cabelo partido ao meio,
bem liso até as orelhas,
depois ondulado e cheio.
Cor de castanha madura
a cabeleira ondulada.
A barba tem a espessura
de nuvens numa alvorada.
Tem lindos boca e nariz
bronzeados pelo mar.
E um cheiro bom de raiz
Vem do seu corpo, no ar.
A pele corada e lisa
tem um tom rosa dourado
e à beira-mar vem a brisa
afagar seu rosto amado.
Não tem perfil de mortal,
é forte, puro e formoso
e sempre reprova o mal
De modo assaz vigoroso.
Tem um olhar doce e puro,
Nos olhos de um cinza claro.
Quando fala é tão seguro
que a todos transmite amparo.
Quando reprova é severo,
mas sabe falar tão bem,
que em breve revê-lo, espero,
aqui, em Jerusalém.
Jamais o viram sorrindo,
mas chorar muitos o viram,
e a sua ordem ouvindo,
muitos demônios fugiram.
Muitas doenças do povo
com poder ele curou
e hoje fez algo de novo:
um morto ressuscitou.
Foi Lázaro - irmão de Maria
e Marta – seu grande amigo.
Estava no quarto dia
e ele o tirou do jazigo.
De singular formosura,
Jesus Cristo é diferente
e dele força e candura
emanam constantemente
Estou pronto a concordar
que um filho de galileus
um dia possa chegar
a ser o Rei dos Judeus.
E fico preocupado
do meu coração no fundo,
que este aqui retratado
venha a governar o mundo!