Perversão na Estrada de Damasco

 

O Prof. Arthur Noble encerra esta pesquisa sobre o Falso Profeta de Roma com um artigo publicado no site “ianpaisley org”, em dezembro de 2001. Vamos ler a seguir: 

A maravilhosa história da conversão de Paulo na Estrada de Damasco, conforme narrada em Atos 9:1-19; 22:5-16 e 26:12-18, apresenta um visível contraste com a “peregrinação” do papa JP2.

Paulo, antes conhecido por Saulo, o nome do Rei Saul dos hebreus, fora antes treinado para se tornar um rabino e o seu zelo pelo estudo da lei judaica o conduziu à perseguição contra a igreja recém nascida. No Livro de Atos, Paulo é retratado como uma testemunha que apoiava o apedrejamento de Estevão, o primeiro mártir do Cristianismo. Contudo, após a sua experiência e a visão que teve a caminho de Damasco, ele próprio se converteu ao Cristianismo, passando a guardar a fé cristã, e sofreu, conforme suas próprias palavras, em 2 Coríntios, 11:24-27: “Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez”. Até que, finalmente, foi degolado por ordem de Nero.

         Agora o papa JP2, à medida em que excursiona pelo Oriente Médio, afirma estar seguindo as pegadas de Paulo. Isso até nos dá náusea!

         Em primeiro lugar, como pode o líder de uma igreja, cujo credo e práticas não mostram semelhança alguma com o Cristianismo primitivo, autodenominar-se sucessor de Paulo?  Como foi bem colocado por Cobbin, no Cristianismo primitivo jamais encontramos:

         “Nenhum papa, nenhum cardeal, nenhum monge, nenhuma freira,  nenhuma hóstia consagrada, nenhuma água benta, nenhum badalar de sinos, nenhuma canonização de santos, nenhuma missa, nenhuma vela gigante, nenhum crisma, nenhuma cruz, nenhuma repetição do “Pai Nosso” e da “Ave-Maria”, nenhum jubileu papal, nenhuma indulgência plenária, nenhum purgatório, nenhuma bula, nenhuma inquisição. De fato, não existe coisa sobre o papado, exceto o banimento do céu e a condenação à eterna destruição”.

         Em segundo lugar, Paulo entendeu a revelação de Jesus Cristo no sentido de abandonar a falsa religião. Em contraste, o declarado objetivo do papa é estabelecer uma religião global [isto é, católica] misturando os crassos erros da ICR com as crenças de outras religiões, sendo essa a razão  de sua cruzada ecumênica. Essa tentativa de preparar um caldeirão de bruxas contendo crenças disparatadas é chocantemente simbolizada em sua convocação de todas as religiões para a oração comunitária. O seu objetivo é apenas a união bastarda da religião, num sistema dentro do qual ele visualiza o seu ofício de líder supremo [Isto é, o falso profeta do Anticristo].

         Em terceiro lugar, Jesus Cristo disse que “o seu reino não é deste mundo” (João 18:36) e que devemos “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21). Contudo, o projeto do papa é politicamente motivado. O Vaticano afirma sutilmente que as viagens do papa JP2 são de caráter puramente espiritual, conquanto ele esteja espiritualmente alinhado com os palestinos e, de um modo ou de outro, ele tenha tornado alienados os líderes judeus, gregos, ortodoxos orientais e os muçulmanos. Será que o seu antecessor não visualizou a ameaça da força política no sentido de garantir a “pax romana” na Europa? Onde se encontra, então, nesse projeto terreno, o Espírito Santo pelo qual foi Paulo de Tarso dirigido? Vamos dar a famosa resposta do autor e crítico britânico, Anthony Burgess, quando de sua visita ao Vaticano: “Toda a vida humana se encontra aqui, mas o Espírito Santo deve estar em algum outro lugar”.

         Guerra e caos sem nenhuma paz e reconciliação têm acontecido, após as visitas do papa. Como disse o profeta Jeremias: “Paz, paz; quando não há paz” (Jeremias 6:14).  Roma tem buscado tão somente o aumento do seu poder religioso na esfera política e o que ela tem conseguido lhe garante um alto grau de influência secular, a qual poderá ser usada contra os seus adversários espirituais. O sistema já uma vez quase conquistou para ela toda a Cristandade e a sua natureza imutável está pressionando para que isso novamente aconteça.

         Toda essa galanteria papal, plena de falsas apologias, não passa de uma enganosa cortina de fumaça com o objetivo de fazer renascer o Romanismo [com o estabelecimento do Sétimo Império Romano em franco renascimento].

         Não se trata de um genuíno arrependimento pelas cruzadas, pela Inquisição e pelo Holocausto. [A inquisição continua em pleno vigor, sob o disfarce de Congregação para a Doutrina da Fé, com o Cardeal Ratzinger na liderança da mesma]. Esses movimentos da ICR trouxeram tormento e destruição a milhões de muçulmanos, judeus, ortodoxos e cristãos bíblicos, durante os séculos em que Roma exerceu o seu domínio sobre a Europa e o Mediterrâneo. [Quem sabe, dentro em breve, estaremos voltando aos mesmos procedimentos eclesiásticos da Idade Média?]

         Como disse Lorenzo Cremonosi: “O papa é um astuto diplomata. Ele sabe como é poderosa a sua imagem e dela está se aproveitando muito bem, sem colocar o Vaticano em novas e drásticas posições”.

         Semper eadem! A ICR é sempre a mesma, nunca muda e por isso temos essa perversão na estrada de Damasco.

 

Mary Schultze

(Último capítulo da apostila “O Falso Profeta”.

Janeiro 2003