Precisamos ler Amós...

 

         A maioria dos pregadores da atualidade (padres católicos e pastores evangélicos) há muito tem deixado de pregar sobre o inferno, o castigo de Deus  sobre os pecados da humanidade, a santificação de vida, preferindo falar de  prosperidade e, sobretudo, de dinheiro, tendo muitos se transformado em verdadeiros “pedintes”, durante os cultos religiosos.

Além da classe média baixa, que imagina poder comprar salvação e bênçãos divinas com boas ofertas às igrejas, existe um seguimento de pessoas adormecidas e embrutecidas pela prosperidade, ignorando voluntariamente  os resultados que, inevitavelmente, chegam, sempre que a religião se desvia da moralidade. Isso para não mencionar a corrupção, a opulência e a opressão, que têm conduzido à violência nas grandes cidades, onde os filhinhos de papais da classe média  e alta e os astros da TV, geralmente dizendo-se “espiritualistas”, costumam financiar, com o seu vício, os lucros dos traficantes de drogas.

Os apartamentos duplex de luxo na zona opulenta das grandes cidades - e os divertimentos nas boates e discotecas - já não conseguem satisfazer o anseio, cada vez maior, de novidades e experiências “chocantes” da juventude atual. As orgias regadas a drogas e bebidas fortes são o que essa juventude sem Deus tem buscado. E muitos jovens acabam cometendo crimes específicos ainda mais culpáveis e merecedores de censura, como o assassinato de seus próprios pais e parentes próximos, na busca desenfreada de dinheiro para financiar-lhes os vícios.

O pior é que a busca de prosperidade tem atingido as igrejas ditas evangélicas, onde os pastores prometem mundos e fundos a quem der mais dinheiro ao pastor. Até mesmo nessas igrejas temos visto a mentira desenfreada, disfarçada sob o ato hipócrita de ofertar. Na religião do papa os fiéis sempre procuram compensar os seus pecados com confissões feitas a um sacerdote e com peregrinações a santuários distantes, a fim de pedirem bênçãos a um ídolo qualquer, que não fala, não ouve e nem pode fazer coisa alguma, exceto aumentar a carga de pecados desses crédulos religiosos, acrescentando-lhes o peso do pecado da idolatria tão abominada por Deus.

Tanto os pregadores modernos como os membros de igrejas têm esquecido: a soberania universal de Deus, o pecado da desumanidade e a  responsabilidade moral da humanidade. Como disse Amós 4:12: “prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus”, assim também ele diz aos homens  de hoje – religiosos ou ateus -  que se preparem, pois o castigo divino está preste a desabar sobre essa humanidade perdida no utilitarismo e na hipocrisia, no progresso material e no hedonismo.

Para os que me consideram dona de uma língua viperina, digo o mesmo que John Knox escreveu nas quatro paredes do seu “estúdio” na Rua Alta, Edimburgo, onde se lia: “Estou no lugar onde a consciência me manda falar a verdade, por isso digo a verdade e quem quiser que me condene”.

O culto elaborado, enfeitado de chavões evangélicos e de corinhos heréticos sobrecarregados de centenas de decibéis, não sendo sincero, tem-se transformado num insulto a Deus e Ele poderia dizer, hoje em dia,  o mesmo que disse aos israelitas, no século 8 antes de Cristo: “Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me exalarão bom cheiro. ... ofertas... não me agradarei delas... Afastai de mim o estrépito dos vossos cânticos; porque não ouvirei as melodias das vossas violas” (Amós 5:21-23).

Muitos cristãos modernos parecem incapazes de conceber a salvação sem os sacramentos e as cerimônias de sua própria igreja, como no caso do Catolicismo Romano. Todos os religiosos atuais se esquecem de que deve haver justiça social de homem para homem: “Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso” (Amós 5:24). Os requisitos divinos são sempre morais. Os resultados morais determinam o curso da história... Tiago 1:27 nos ensina isso: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”.

Amigos católicos e evangélicos, lembrem-se que o privilégio de ser cristão envolve responsabilidade. Vamos ler a Bíblia e procurar seguir os seus ensinamentos simples e claros, pois “ o obedecer é melhor do que o sacrificar” (1 Samuel 15:22). Deixem de querer comprar Deus com dízimos, ofertas e cânticos estrepitosos!  Ele se compraz numa vida reta e justa diante de Deus e dos homens. Que adianta entregar o dízimo e ficar devendo a conta de energia elétrica, de telefone e aquelas prestações feitas, num momento de euforia? A Bíblia diz: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor...” (Romanos 13:8). Portanto, vamos moralizar as práticas religiosas hodiernas e viver mais de acordo com a Palavra de Deus, pois será esta, conforme disse Jesus,  que nos julgará no dia final: “Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia” (João 12:48).

         Vamos freqüentar igrejas decentes, que não fiquem pedindo dinheiro nem ensinando práticas esdrúxulas embasadas no ocultismo, pois o nosso Deus deseja que O adoremos em espírito e em verdade! (João 4:24).

 

Mary Schultze, abril 2004