Psicologia - Ciência ou Religião?
O que William Law escreveu, há dois séculos, está mais evidente
hoje: “O homem precisa ser salvo de
sua própria sabedoria tanto como de sua justiça própria, pois ambas
produzem uma e a mesma corrupção”.
É um paradoxo verificar
que, no tempo em que os pesquisadores da Psicologia [secular] demonstram
menos confiança no aconselhamento psicológico, mais e mais cristãos
estejam correndo atrás dele. Os centros de aconselhamentos “cristãos”
estão brotando através de toda a nação, oferecendo o que muitos acreditam
ser uma perfeita combinação de Cristianismo mais Psicologia.
Além disso, os cristãos que não estão no ministério de
aconselhamento buscam os psicólogos para se aconselharem sobre como viver,
como se relacionar com os outros e como enfrentar os desafios da vida.
Em suas tentativas de se tornarem importantes, muitos pregadores,
mestres, conselheiros e escritores promovem uma perspectiva psicológica da
vida, em vez da perspectiva bíblica. O emblema da Psicologia obscurece a
Cruz de Cristo e o jargão psicológico de cristãos professos contamina a
Palavra de Deus. A Psicologia é um levedo sutil disseminado na Igreja. Ela
tem permeado a massa e está matando de inanição espiritual as ovelhas. Ela
promete muito mais do que pode dar e o que ela dá não é alimento
nutritivo. Mesmo assim, multidões de cristãos professos vêem a Psicologia
com respeito e admiração.
Ora, quando falamos em Psicologia, não estamos nos referindo a todo
o campo de estudos psicológicos, como o da pesquisa válida. Nossa
preocupação reside exatamente naquelas áreas que tratam da
natureza humana; de como o homem
deve viver e de como ele pode mudar. Estas áreas envolvem alguns
valores, atitudes e comportamentos, que são diametralmente opostos aos
ensinos da Palavra de Deus. Vamos ver, portanto, que a Psicanálise a
Psicoterapia são incompatíveis com a fé cristã.
Quatro mitos sobre a
Psicologia
Entre os cristãos professos existem quatro mitos
importantes sobre a Psicologia, os quais têm se entrincheirado dentro da
Igreja. O primeiro mito, igualmente comum aos cristãos e os não cristãos é
que a Psicoterapia (aconselhamento psicológico, com suas teorias e
técnicas) é uma ciência... Um meio de estudar e ajudar a humanidade,
baseado na empírica evidência formada por dados mensuráveis e
consistentes.
O segundo mito importante é que o melhor tipo de
aconselhamento é o que utiliza tanto a Psicologia como a Bíblia. Os
psicólogos que se dizem cristãos geralmente afirmam ser mais qualificados
para ajudar as pessoas a se entender melhor e a mudar o seu comportamento
do que os cristãos (inclusive pastores e presbíteros) que não usam a
Psicologia.
O terceiro mito importante é que as pessoas que
estão passando por problemas mentais, emocionais e comportamentais são
mentalmente enfermas. Elas
estão supostamente enfermas no sentido psicológico e, portanto, precisam
de uma terapia psicológica. O argumento comum é que o médico trata do
corpo, o ministro trata do espírito e o psicólogo trata da mente e das
emoções. A não ser que os ministros sejam treinados na Psicanálise e na
Psicoterapia, eles, supostamente, são desqualificados para ajudar as
pessoas que estão passando por problemas
existenciais.
O quarto mito importante é que a Psicoterapia tem
um alto registro de sucesso... Que o aconselhamento psicológico
profissional produz maiores resultados do que outras formas de ajuda, tais
como a auto-ajuda, a ajuda familiar, a dos amigos ou a dos pastores. Desse
modo, o aconselhamento psicológico é visto como mais eficiente do que o
aconselhamento bíblico, no sentido de ajudar os cristãos. Esta é uma das
principais razões por que os cristãos professos estão estudando, a fim de
se tornarem psicoterapeutas.
A Psicologia é uma ciência?
Homens e mulheres de Deus buscam o conhecimento tanto na Escritura
como na revelação divina através do mundo físico. Paulo diz que todo homem
é responsável diante de Deus por causa da evidência que a criação dá sobre
a Sua existência (Romanos 1:20). O estudo científico é um meio válido para
se chegar a uma compreensão da obra de Deus e pode ajudar muito nos
caminhos da vida.
A verdadeira ciência desenvolve teorias embasadas no que pode ser
observado. Ela examina cada teoria através de rigorosos testes, para ver
se estas correspondem à realidade. O método científico trabalha,
cuidadosamente, observando e
registrando os dados físicos e quando chega a uma conclusão ela
qualifica ou não a teoria.
Durante os meados do século 19, eruditos (na verdade, filósofos)
quiseram estudar a natureza do homem, na esperança de aplicar o método
científico para observar, registrar e tratar o comportamento humano. Eles acreditavam que, se as
pessoas pudessem ser estudadas de maneira científica, haveria maior
exatidão na compreensão do comportamento atual, em predizer o
comportamento futuro e em alterar o comportamento através da intervenção
científica.
A Psicologia, bem como o seu braço forte, a Psicoterapia, têm
adotado, de fato, uma prática científica. Contudo, a partir de um estrito
ponto de vista científico, elas não têm conseguido satisfazer as
exigências da ciência. Ao tentar avaliar o status da Psicologia, a American Psychological Association
nomeou Sigismund Koch para planejar e dirigir um estudo subsidiado pela National Science Foundation. Este
estudo envolveu 80 eruditos eminentes, assessorando fatos, teorias e
métodos da Psicologia. Em 1983, os resultados foram publicados numa série
de sete volumes, intitulada “Psychology: A Study of Science”.
Koch publicou a ilusão de se pensar que a Psicologia é uma
ciência:
“A esperança de uma ciência
psicológica tornou-se impossível no que se refere à mesma. Toda a história
subseqüente da Psicologia pode ser vista como um esforço ritualista,
tentando se igualar às formas da ciência, a fim de manter a ilusão de que
ela seja uma ciência”.
Koch acrescenta: “Através da história da Psicologia
como ‘ciência’, o grosseiro conhecimento que ela tem apresentado tem sido
simplesmente negativo”.
O fato é que as declarações psicológicas que
descrevem o comportamento humano, ou que registram resultados de
pesquisas, podem ser científicas. Contudo, quando deixamos de descrever o comportamento humano,
para explicá-lo e,
particularmente, mudá-lo,
saímos da ciência para o campo da opinião. Sair da descrição para a prescrição é se mover da
objetividade para a opinião. E a opinião sobre o comportamento humano,
quando apresentada como verdade ou fato científico, é simplesmente uma
pseudociência. Ela se embasa em falsas premissas (opiniões, suposições e
explanações subjetivas), conduzindo a conclusões falsas.
O dicionário define pseudociência como “um sistema
de teorias, suposições e métodos erroneamente observados como sendo
científicos”. A pseudociência
ou falsa ciência inclui o uso do rótulo científico, a fim de produzir e
promover opiniões que não são prováveis nem
refutáveis.
Um aspecto da Psicologia dirigido pela
pseudociência é a Psicoterapia. Se ela tivesse alcançado sucesso como uma
ciência, haveria algum consenso no campo com referência aos problemas
mentais, emocionais e comportamentais e como tratá-los. Em vez disso, o
campo está repleto de teorias e técnicas contraditórias, todas elas
comunicando confusão, em lugar de alguma coisa
organizada.
A Psicoterapia prolifera com muitas explanações
conflitantes sobre o homem e
o seu comportamento. O psicólogo Roger Mills, em seu artigo “Psychology Goes Insane, Botches Role
as Science”, afirma:
“O campo
da Psicologia, hoje em dia, é literalmente, uma bagunça. Existem tantas
técnicas, métodos e teorias envolvendo-o, como existem pesquisadores e
terapeutas. Tenho visto, pessoalmente, terapeutas convencendo os clientes
de que todos os seus problemas provêm de suas mães, das estrelas, de sua
formação bioquímica, de sua dieta, do seu estilo de vida e até do carma de
vidas passadas”.
Com mais de 150 sistemas diferentes de
Psicoterapia, cada um deles afirmando superioridade sobre os outros, é
difícil visualizar opiniões tão diferentes, como sendo ciência, ou até
mesmo fatos.
Os
verdadeiros fundamentos da Psicoterapia não são científicos, principalmente o
determinismo, o humanismo secular, o behaviorismo, o existencialismo e,
também, o humanismo. O psiquiatra de renome mundial, E. Fuller Torrey, diz
claramente:
“As
técnicas usadas pelos psiquiatras ocidentais estão, com raras exceções, no
mesmo nível das práticas usadas pelos curandeiros da feitiçaria”.
A Psicologia como religião
Explicações sobre a
razão das pessoas se comportarem como se comportam e de como mudam de
comportamento têm preocupado filósofos, teólogos, líderes de seitas e
ocultistas através dos séculos. Estas explicações formam a base da
Psicologia moderna. Contudo, a Psicologia trata das mesmas áreas de
preocupação tratadas na Escritura.
Visto como a Palavra de Deus ensina a viver, todas as idéias
relativas ao comportamento e às mudanças do mesmo são vistas como de
natureza religiosa. Enquanto a Bíblia afirma sua inspiração divina, a
Psicoterapia afirma possuir substância científica. Mesmo assim,
considerando que ela trata do comportamento, das atitudes morais e dos
valores, está tratando de religião... quer seja da fé cristã ou de
quaisquer outras das inúmeras religiões mundiais, inclusive do humanismo
secular.
O prêmio Nobel Richard Feinman, ao considerar a afirmação de status
científico da Psicoterapia, diz: “a
Psicanálise não é uma ciência... Talvez ela se assemelhe mais ao
curandeirismo ocultista”.
Carl Jung escreveu:
“As religiões são sistemas
de cura de doenças psíquicas... Daí porque os pacientes forçam os
psicoterapeutas a representar o papel de sacerdotes, esperando e exigindo
deles que os liberte dos seus problemas. Por isso, nós, os
psicoterapeutas, devemos nos ocupar dos problemas que, estritamente
falando, pertencem aos teólogos”.
Observem que Jung usou a palavra “religiões”, em vez de usar a
palavra “Cristianismo”. Ele havia repudiado o Cristianismo e explorado
outras formas de experiência religiosa, inclusive o ocultismo. Sem anular
a natureza religiosa do homem, Jung estava tratando do Deus da Bíblia e
assumindo ele mesmo o papel de sacerdote.
Jung via todas as religiões,
inclusive o Cristianismo, como mitologias coletivas. Ele não
acreditava que elas fossem reais na essência, mas que podiam afetar a
personalidade humana, devendo servir de solução aos problemas do homem.
Ao contrário de Jung, Sigmund Freud reduzia todas as crenças
religiosas ao status de ilusão e chamava a religião de “neurose obsessiva
da humanidade”. Ele via a religião como algo ilusório e, portanto, uma
coisa má e causadora de problemas mentais. Tanto a posição de Jung como a de
Freud são verdadeiras, no que se refere às [falsas] religiões do mundo,
mas também são anticristãs [N.T.: colocando o Cristianismo no mesmo balaio
de gatos das falsas religiões]. Jung nega o Cristianismo e Freud o
transforma em ilusão.
Ao repudiar o Deus da Bíblia, tanto Jung como Freud conduziram seus
seguidores à busca de compreensões alternativas para os problemas
existenciais. Eles mergulharam inteiramente em suas limitadas imaginações
e viram as coisas a partir de uma subjetividade anticristã. A fé uma vez
entregue aos santos foi substituída por um tipo de fé disfarçado de
medicina ou ciência, embasado em fundamentos, em direto contraste com a
Bíblia.
O psiquiatra Thomas Szasz, em seu livro “The Mith of Psychoterapy”,
publicado em 1978, diz: “Os
ingredientes básicos da Psicoterapia nem sempre envolvem repressão”.
Ele aponta que, conquanto a Psicoterapia não envolva repressão, ela sempre
envolve religião e (conversação) retórica. Szasz diz muito
acentuadamente que “As relações humanas que agora
chamamos Psicoterapia são, de fato, assuntos de religião, enquanto as
rotulamos, erroneamente, de terapêuticas, para enorme risco do nosso bem
estar espiritual” [N.T.:
Quando um católico se confessa com um sacerdote e lhe conta os pecados,
sai do confessionário totalmente curado de suas preocupações. Este é o
segredo do sucesso dos confessionários católicos]. Sempre se referindo à
Psicoterapia como sendo uma religião, Szasz diz: “Ela não é apenas uma religião se
fazendo passar por uma ciência, mas é, realmente, uma falsa religião, a
qual busca destruir a verdadeira religião”. Ele diz ainda que “A
psicoterapia é um nome moderno com tonalidade científica, para o que
antigamente se chamava ‘cura da alma’.” Um dos seus principais
objetivos ao escrever “The Mith of
Psychoterapy”
foi:
“... Mostrar como, com o
declínio da religião e o crescimento da ciência, no século 18,
a cura das almas (pecaminosas), que havia sido uma
parte integral das religiões cristãs, foi substituída pela cura das
mentes, chamada ‘Psicoterapia’. O verdadeiro aconselhamento bíblico foi
obscurecido e hoje é uma prática quase
inexistente”.
Psicoterapia transpessoal
Embora todas as formas de Psicoterapia sejam religiosas, o quarto
ramo da Psicologia - o transpessoal - é mais ostensivamente religioso do
que os outros. As psicologias transpessoais envolvem a fé no
sobrenatural... em algo que transcende o universo físico. Contudo, a
espiritualidade que elas oferecem inclui experiências místicas, tanto do
ocultismo como das religiões orientais.
Através das psicologias transpessoais, várias formas de religiões
orientais estão invadindo a vida ocidental. O psicólogo Daniel Goleman
cita Chogyam Tungpa, dizendo: “O
budismo vai entrar no ocidente sob a forma de Psicologia”. Goleman
aponta como as religiões orientais “parecem estar tomando uma forte
direção como psicologias, não como religiões”. Jacob Needleman também
diz:
“Um grande e crescente
número de psicoterapeutas está agora convencido de que as religiões
orientais oferecem uma compreensão da mente muito mais completa que
qualquer coisa já vista pela ciência ocidental. Ao mesmo tempo, os novos
líderes das novas religiões - os inúmeros gurus e mestres espirituais,
agora agindo no Ocidente - estão adaptando e reformulando os sistemas
tradicionais, conforme a linguagem e a atmosfera da Psicologia
moderna”.
Psicologia mais Bíblia
A Igreja não escapou dessa grande invasão da influência da
Psicoterapia. Ela tem, inconscientemente, mas com ansiedade, abraçado a
falsa ciência da Psicoterapia. Ela não apenas tem incorporado intimamente
este espectro das diversas circunstâncias e ensinos dos psicoterapeutas
nos sermões e nos seminários, como está andando de mãos dadas com a
Psicoterapia, confiando mental e emocionalmente e até coxeando diante do
enaltecido altar da Psicoterapia.
Muitos líderes da Igreja contendem que esta não tem capacidade para
enfrentar as necessidades das
pessoas que sofrem de depressão, ansiedade, medo e outros problemas da
vida. Por isso, elas confiam
e prestam mais atenção aos praticantes da falsa ciência do que à Palavra
de Deus e à obra do Espírito Santo.
Por causa da confusão entre a ciência e a pseudociência, os líderes
da Igreja têm elevado os psicoterapeutas a uma posição de autoridade
dentro da Igreja moderna. Desse modo, qualquer ataque à mistura da
Psicoterapia com o Cristianismo é considerado um ataque à própria
Igreja.
Embora a Igreja tenha aceitado e endossado, quase universalmente, a
Psicologia, existem cristãos que não o fizeram. O Dr. Jay E.Adams
diz:
“Em minha opinião, defender,
permitir e praticar a Psiquiatria e os dogmas psicanalíticos dentro da
Igreja é tão pagão e herético
(apóstata e perigoso) como propagar os ensinos das seitas mais bizarras. A
única diferença vital é que as seitas são menos perigosas, visto como os
seus erros são logo detectáveis”.
A Psicoterapia é o erro mais sutil e perigoso espectro perseguindo
a Igreja, por ser percebida e recebida como uma salvação científica para a
alma enferma, uma vez que ela é, realmente, um sistema pseudocientifico
substituto da crença religiosa.
A igreja primitiva encarou e ministrou os problemas mentais e
comportamentais, que eram tão complexos como os de hoje. De modo algum, as
condições da igreja primitiva eram mais difíceis do que as de hoje. Os
cristãos primitivos sofreram perseguições, pobreza e várias outras
aflições que a cristandade do século 20 não conhece (especialmente no
Ocidente). As catacumbas de Roma são um testemunho da gravidade e dos
problemas encarados pela igreja primitiva.
Quando sofremos, hoje em dia, isso acontece pelo excesso de
facilidades, as quais nos induzem ao egocentrismo, o que não acontecia nos
tempos antigos. Contudo, a
cura dos pecados e da autopreocupação existia na igreja primitiva, tanto
como existe hoje.
A Palavra de Deus e a obra do Espírito Santo são aplicáveis a todos
os problemas da vida, e não precisam ser substituídos pelas conversas, nas
terapias e nos psicoterapeutas.
Será que a igreja moderna desistiu de sua vocação e da obrigação de
ministrar aos indivíduos que sofrem?
Se isso acontece é porque os cristãos acreditam no mito de que o
aconselhamento psicológico é uma ciência, quando, em verdade, ele é apenas
outra religião, “outro evangelho”.
O conflito entre a maneira de aconselhamento psicológico e a
maneira de aconselhamento bíblico não está entre a verdadeira ciência e a
religião da Bíblia.
A pior de todas as primorosas promessas da Psicologia “cristã” é
que a Bíblia mais a Psicoterapia podem prover melhor ajuda que a Bíblia sozinha. Conquanto
esta idéia tenha sido promovida por muitos psicoterapeutas “cristãos”, não
existe qualquer evidência na pesquisa que possa
respaldá-la.
Pessoa alguma jamais conseguiu provar que a Bíblia precise de
argumentação psicológica, a fim de se tornar mais efetiva, no tratamento
dos problemas da vida. Ninguém pôde comprovar que a cura “cristianizada”
das mentes (a Psicoterapia) seja mais benéfica que o uso da simples e não
adulterada cura das almas, através do aconselhamento
bíblico.
Existe uma Psicologia
cristã?
A Christian Association of
Psychology Studies (CAPS) é formada por um grupo de psicólogos e
conselheiros que professam ser cristãos. Em uma de suas reuniões, foi
declarado o seguinte:
“Sempre nos indagam se somos
‘psicólogos cristãos’ e achamos difícil responder, uma vez que não sabemos
o que esta pergunta significa. Somos cristãos que são psicólogos, porém,
no momento, ainda não existe uma Psicologia cristã aceitável, que seja
diferente da Psicologia não cristã. É difícil afirmar que funcionamos de
maneira diferente dos nossos colegas não cristãos... Visto como ainda não
existe uma teoria aceitável, um modo de pesquisa ou metodologia de
tratamento que seja distintamente cristão” (06/76 - CAPS Western
Association).
Apesar da lengalenga das opiniões e contradições científicas, os
“psicólogos cristãos”
proclamam: “Toda verdade é a
verdade de Deus”, mas não são claros no que significa “a verdade de Deus”.
Será que
os pronunciamentos de Freud sobre a neurose obsessiva são a verdade de Deus? Ou será ela a
estrutura dos arquétipos de Jung? Ou será que a verdade de Deus é o behaviorismo de B. F. Skinner.
Ou a verdade de Deus significa: “Estou bem. Você está
bem?”
A Psicologia, como todas as religiões, inclui elementos de verdade.
Até mesmo a tentação que Satanás fez a Eva incluiu a verdade e a mentira. A
sedução de que “toda verdade é a
verdade de Deus” é a falácia de que existe muita semelhança entre os
ensinos bíblicos e as idéias psicológicas. Contudo, tais semelhanças não
tornam a Psicologia compatível com o Cristianismo mais que a semelhança
com outras crenças religiosas. Até mesmo religiões como o Hinduísmo, o
Budismo e o Islamismo contêm declarações sobre atitudes e comportamentos
que podem ser semelhantes a alguns versos bíblicos. As semelhanças entre a
Psicologia e o Cristianismo indicam simplesmente que os sistemas de
aconselhamento são, de
fato, religiosos. O cristão não deveria procurar os psicólogos mais que os
líderes das religiões não cristãs, a fim de conseguir ajuda para os
problemas existenciais.
Tendo em vista que não existe uma Psicologia “cristã” definida,
qualquer um que se nomeie psicólogo cristão decide por conta própria quais
entre as inúmeras opiniões e métodos dos psicólogos se adaptam às suas
idéias sobre “a verdade de Deus”. Ao fazer isto, as observações subjetivas
e as opiniões pessoais de simples mortais são colocadas no mesmo nível da
inspirada Palavra de Deus.
Somente a Bíblia contém a exclusiva e pura “verdade de Deus”. Tudo
o mais é distorcido pelas limitações da percepção humana. Qualquer coisa
que se possa descobrir além da criação de Deus é apenas um conhecimento ou
entendimento parcial. Nada pode ser equiparado à verdade de
Deus.
O simples fato de imaginar que teorias sempre conflitantes de
homens não redimidos, como Freud, Jung, Rogers e outros, sejam a verdade de Deus é minar a
Palavra de Deus. Que os psicólogos que se autodenominam cristãos tenham a
ousadia de usar esta frase para justificar o uso da Psicologia apenas
demonstra a direção de sua fé.
A declaração de que “toda
verdade é a verdade de Deus”
é comentada na publicação cristã Baker Encyclopedia of Psychology.
O livro afirma que os seus contribuintes estão “entre os melhores eruditos
evangélicos no campo”. Na revisão deste livro, o Dr. Ed Payne,
professor associado de Medicina, no
Medical College of Georgia, diz:
“Quase certamente a mensagem
do livro e de seus autores é que a Bíblia e a literatura psicológica estão no mesmo nível de
autoridade”. Payne prossegue:
“A alternativa do auto-amor não é o auto-ódio, mas o amor no
relacionamento com Deus e os outros; a alternativa para a auto-estima não
é a autocondenação, mas uma compreensão da grandeza de Deus habitando em
um vaso de barro; a alternativa para a auto-satisfação não é uma vida
vazia de significação, mas o convite de Deus para que a pessoa se envolva
com Ele, em vez de se envolver consigo mesma. A verificação de que o Deus
Criador do universo escolheu depositar em nós o Seu amor deveria gerar
amor e estima por Ele, em vez de gerá-los por nós. A admirável verdade de
que Deus nos tem convocado para um relacionamento com Ele, para fazer a
Sua vontade, ultrapassa de longe os nossos ínfimos sonhos de
auto-satisfação.”
Os psicologizadores da Igreja não estão provendo alimento
espiritual àqueles que eles tentam deixar à vontade em sua
autocentralidade. Eles estão lhes roubando as riquezas de Cristo, as quais
são ofertadas a todos os que se humilham na Sua
presença.
A humildade não se encontra na linguagem da Psicologia em qualquer
grau elevado. Dobbins chega ao ponto de encorajar os indivíduos a
expressarem sua ira contra Deus (Ver o registro de James Dobson para o
mesmo ensino). Ele diz: “Se você
estiver zangado com Deus, diga-Lhe isto. Vá em frente e fale. Ele é grande o bastante para
recebê-lo” [N.T.: Este ensino foi adotado por alguns segmentos
evangélicos neopentecostais, os quais afirmam que o crente deve “perdoar
Deus”].
Onde se encontra na Escritura que seja correto
ficar zangado com Deus? Jonas se revoltou contra a Sua ordem, para o seu
próprio detrimento, mas nenhum exemplo pode ser encontrado, onde a ira
contra Deus seja condescendida ou mesmo encorajada. Eclesiastes 5:2: “Não
te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar
palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre
a terra; assim sejam poucas as tuas palavras”.
Sempre que se mistura a Psicologia com a Escritura, a Palavra de
Deus é diluída e a Igreja, enganada. A ira é mais complexa que a enganosa
simplicidade apresentada por Dobbins. Sua base bíblica para explicar a
raiva é fraca, na melhor das hipóteses, e errônea, na pior. Os escritos e
os filmes de Dobbins são embasados em suas opiniões psicológicas pessoais,
sem qualquer comprovação. Infelizmente, essas opiniões e conclusões não
condizem com a realidade. Aparentemente, Dobbins gostaria que
acreditássemos no que ele diz, simplesmente porque ele o diz. Contudo,
concordar com suas teorias é carregar uma mala cheia de vento (conforme
ele faz em seus escritos) e, recomendar que alguém se zangue com Deus, sem
qualquer pesquisa válida ou prova bíblica, é cientificamente recusável e
biblicamente não confiável.
A
estrada menos viajada
O psiquiatra M. Scott Peck se tornou extremamente popular como
preletor e escritor, entre os cristãos professos. Seus livros “People of the Lie” (Povo da Mentira) e “The Road Less Traveled” (A Estrada Menos Viajada) têm
aparecido nas colunas da revista evangélica Livro do Ano. A lista é o
resultado dos votos coletados de líderes e teólogos evangélicos
selecionados pela revista. Um revisor de livros do New York Times revela: “A
principal aceitação do livro está no vasto Cinturão Bíblico”. O revisor
descreve “A Estrada Menos
Viajada” como “uma ambígua
tentativa de casar a teologia cristã com as descobertas de Freud e Jung do
século 20”. Numa entrevista que
apareceu na “Christianity Today”, perguntaram a Peck o que ele achava de
chamar Cristo de “Salvador”, ao que ele respondeu:
“Peck gosta de Jesus, o
Salvador, como uma vovó complacente (um termo que eu tenho certeza de que
ele não usa com seriedade), e um exemplo, alguém que nos mostra como viver
e morrer. Mas ele não gosta da idéia de Jesus, o Propiciador” (Christianiy Today, 01/03/85, p.
22).
A compreensão de Peck sobre a natureza de Deus e a natureza humana
provém de uma mistura de Psicologia junguiana com misticismo oriental, em
vez da Bíblia. Vamos ler o que ele diz sobre Deus e o
homem:
“Deus quer que nos tornemos
Ele mesmo (ou ela mesma...). Estamos evoluindo rumo à divindade. Deus é o
objetivo dessa evolução. Deus é a fonte da força evolucionista e ser Deus é o nosso destino. É
isso que queremos dizer, quando falamos que Ele é o Alfa e o Ômega, o
princípio e o fim”. [N.T.: A mesma lorota de Satanás, conforme Gênesis
3:1-6]. Leiamos Isaias 44:6 - “Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, e seu
Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e
fora de mim não há Deus”.
Peck prossegue:
“Uma coisa é acreditar num
Deus bondoso e idoso, o Qual vai cuidar de nós, a partir de Sua cômoda
posição de poder, à qual jamais iremos chegar. Bem, outra coisa é crer
em um
Deus que pretenda que alcancemos Sua posição, Seu poder,
Sua soberania, Sua identidade, etc.”
As únicas palavras que se aproximam desta declaração se referem a
Lúcifer, conforme Isaías 14:12-14:
“Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como
foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu
coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu
trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.
Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao
Altíssimo”.
De fato, Peck se autodenomina um deus diante de todos os que
assumirem a responsabilidade de obter a divindade:
“Entretanto, logo que
acreditamos que o homem pode se tornar um deus, não podemos descansar por
muito tempo e jamais dizer: ‘ok, meu serviço acabou, está consumado’.
Devemos nos empurrar sempre
para uma sabedoria cada vez maior e também para uma efetividade
cada vez maior. Com esta crença, nos enroscamos em nossa própria
exigência, pelo menos até a morte, num vigoroso moinho de automelhoramento
e de crescimento espiritual. A responsabilidade é exclusivamente
nossa”. [N.T.: E você, crente carismático, vai
encarar?].
Peck vai mais longe, na confusão do misticismo
oriental e do ocultismo junguiano, ao dizer:
“Falando francamente, nosso
inconsciente é Deus dentro de nós. O tempo inteiro somos parte de Deus.
Deus tem estado conosco o tempo inteiro, está agora e sempre estará”.
Ao contrário de Peck, a Bíblia revela que a única maneira da pessoa
entrar numa relação com Deus é através da fé em Jesus Cristo e que Ele é o
único caminho para se chegar ao Pai. (João 14:6). Até que alguém nasça de
novo pelo Espírito Santo, ele reside no reino de trevas, sob o domínio de
Satanás. (Efésios 2:1-5).
Não importa quão pessoais e importantes sejam os terapeutas
“cristãos” (ou que afirmam ser cristãos); eles são pesadamente
influenciados pela ímpia perspectiva psicológica. Desse modo, a Psicologia
se torna o meio de
interpretação tanto da Escritura como de sua aplicação ao viver diário.
Quando alguém lê a Bíblia, sob a perspectiva psicológica de Freud, Jung,
Adler, Maslow, Rogers e outros, ele tende a conformar a sua compreensão da
Bíblia às teorias destes
homens ímpios. Em vez de enxergar a vida através das lentes da Bíblia, ele
passa a ver a Bíblia através das lentes da
Psicologia.
Os amalgamadores acrescentam a sabedoria humana, tentando preencher
o que eles imaginam estar faltando à Bíblia. Eles pegam o antigo problema
da humanidade, que é o PECADO enraizado na autocentralidade, dão-lhe novo
nome, como: “crise da idade”, ou outra idéia, oferecendo a solução a
partir de uma massa levedada. Eles combinam idéias psicológicas com um
verso ou uma história da Bíblia, aqui e ali, afim de que os pacientes
acreditem que se tratam de soluções efetivas para os problemas que,
erroneamente, imaginam estar além do alcance da Escritura.
Pastores minados
Os “curandeiros” psicológicos minam os pastores e têm desenvolvido
uma forma referencial para eles. (1) Qualquer pastor que não tenha
estudado Psicologia não pode ser qualificado para aconselhar as ovelhas
sobre os seus problemas existenciais (2). Referem-se favoravelmente apenas
aos terapeutas profissionais. Este é um modelo previsível, a partir da perspectiva da sedução
psicológica do Cristianismo.
Os pastores têm sido intimidados pelas advertências dos psicólogos.
Eles temem não conseguir fazer a coisa exata para a qual Deus os
vocacionou - ministrar as
necessidades espirituais das pessoas através de um conselho piedoso, tanto
no púlpito como fora do mesmo. Uma parte dessa intimidação tem partido dos
pastores treinados na Psicologia.
Um porta-voz da American
Association of Pastoral Counselors, um grupo treinado na Psicoterapia,
diz: “Nossa preocupação é que
existe uma porção de ministros não treinados para tratar com os seus
paroquianos, através da Psicoterapia”. E é claro, se os pastores não
são treinados, não podem ser considerados como qualificados. Desse modo, o
conselho subreptício é: “procure um profissional”.
Dentro do confinamento da sala dos psicoterapeutas, a mensagem
pastoral confrontando o pecado é a subversão da vida individual. Tem
havido uma mudança sutil na significação das palavras e frases. A palavra
“pecado” é rebatizada como falha, erro, reação ao passado ferido, etc.
Palavras como “curado” têm substituído a palavra “santificado” e “santo”.
De fato, a palavra “santo” foi redefinida para significar algum tipo de
satisfação psicológica. Para
os psicologizadores, o que é literal na Escritura passa, às vezes, a ser
metafórico e o que é metafórico se torna literal [N.T.: conforme melhor se
adapte às suas idéias].
Essas definições são recebidas somente pelos que pagam o preço de
recebê-las dos psicoterapeutas. Elas se tornaram modelos dentro da
comunidade cristã professa, através da ampla influência da Psicoterapia,
dos livros e da chamada mídia cristã. Não é de admirar que alguns
pastores piedosos estejam abandonando o seu testemunho de buscar conselhos
apenas na Escritura... Mas quem se dá conta disso?
Finalmente, os que confiam na Psicoterapia, em vez de confiar na
Escritura, vão pagar o preço de não serem confrontados diretamente com a
sua natureza pecaminosa. Será que o sistema psicológico pode justificar
uma pessoa diante de Deus e lhe dar paz com Deus? [N.T.: Leiamos Romanos
5:1]. Será que o sistema psicológico oferece o tipo de fé, pela qual
alguém possa viver conforme as promessas de Deus? Será que o sistema
psicológico cumpre suas promessas, do mesmo modo como Deus as cumpre? Será
que o sistema psicológico dá a mesma esperança da qual Paulo fala? Será
que ele possibilita alguém a exultar, mesmo em meio à tribulação? Será que
ele aumenta o tipo de perseverança que edifica o caráter, dá esperança e
produz o amor divino, amor que se estende até mesmo aos
inimigos?
Através dos séculos tem havido indivíduos que têm passado por
problemas extremamente difíceis na vida, que têm buscado Deus e comprovado
que Ele é verdadeiramente Fiel. Eles perscrutam a Palavra de Deus,
buscando sabedoria e orientação, para conviver e vencer os seus problemas.
A vida desses santos tem iluminado bastante as vidas das pobres almas, que
têm seguido o canto da sereia da Psicoterapia.
O mito da saúde mental
Os termos distúrbio
mental, enfermidade mental
e desordem mental tornaram-se
populares para todos os tipos de problemas da vida, a maior parte dos
quais com pouco ou nenhum tratamento. Estes são logo rotulados de doenças
mentais, para as quais a Psicoterapia é a solução. Quando as pessoas são
consideradas responsáveis pelo seu comportamento, devemos lidar com elas
na base na educação, da fé e
da escolha. Mas, quando as consideramos “mentalmente enfermas”, nós as
privamos da dignidade humana, da responsabilidade pessoal e do
relacionamento divino, através dos quais os problemas podem ser
resolvidos.
Por causa do termo “doença mental”, acontecem atitudes e
comportamentos nos meios médicos; por isso, é importante examinar o
assunto com exatidão. Ao examinar o conceito de doença ou distúrbio
mental, o pesquisador psiquiatra, Dr. E. Fuller Torrey,
diz:
“O próprio termo não tem
sentido, sendo um erro semântico.
As duas palavras não podem aparecer juntas. Ninguém pode ter um
distúrbio mental mais que ter uma idéia púrpura ou um espaço
vazio”.
A palavra “mental” significa “da mente” e mente não é a mesma coisa
que “cérebro”. Além disso, a mente é de fato mais que apenas uma função da
atividade cerebral. A pesquisadora do cérebro e autora, Bárbara Brown,
insiste em que a mente vai além do cérebro. Ela diz:
“O consenso científico de que a mente é o mesmo cérebro mecânico é
letalmente errada... Os dados das pesquisas das próprias ciências apontam
muito mais fortemente na direção de uma mente mais do que cérebro... Deus
criou a mente humana para
amá-Lo e para escolher amar, confiar e obedecê-Lo. No exato ato da
criação, Deus planejou para a humanidade governar Sua criação terrena,
servindo-O como Seu representante na Terra. Pelo fato da mente ir além do
reino físico, ela está além da pesquisa científica e não se pode ficar
mentalmente doente”.
Visto como a mente não é um órgão físico, ela não pode adoecer.
Conquanto alguém tenha um cérebro doente, ele não pode ter uma mente
enferma, embora ele tenha uma mente pecaminosa ou não redimida. Torrey
diz, com muita propriedade:
“De fato, a mente não pode se tornar enferma, mais que o intelecto
pode se tornar obcecado. Além disso, a idéia de que os “distúrbios”
mentais são de fato distúrbios do cérebro criou uma estranha categoria de
“distúrbios”, que são, por definição, sem causas conhecidas. O corpo e o
comportamento se tornam interligados nesta confusão, até não se tornarem
mais distinguíveis. É preciso voltar aos antigos princípios: o distúrbio é
algo que temos e o comportamento é algo que
fazemos”.
Pode-se entender o que seja um corpo doente, mas o que é uma mente
enferma? É óbvio que não se pode ter uma emoção nem um comportamento
doente. Então, o que é uma mente enferma? Mesmo assim, os terapeutas se
referem aos problemas mentais, emocionais e comportamentais como sendo
doenças.
Thomas Szsaz critica o que ele chama “impostor psiquiatra”, o qual
“apóia um desejo comum, culturalmente compartilhado, de equiparar e
confundir o cérebro com a mente e nervos com nervosismo”. O cérebro e a
mente não apenas não são sinônimos como não o são os nervos e o
nervosismo. Alguém poderia
esperar nervosamente a chegada de um amigo que se atrasou para um
encontro, mas seus nervos poderiam estar ocupados com outras
tarefas.
Szasz diz:
“É costume definir a
Psiquiatria como uma especialidade médica, preocupada com o estudo,
diagnóstico e tratamento da doença mental. Esta significação é inútil e
mal conduzida. A doença mental é um mito... A idéia de uma pessoa ter uma
doença mental é cientificamente inexata. Ela provê o consentimento
profissional à popular racionalização... ou seja, que os problemas em
viver experiências em termos expressos dos chamados sintomas psiquiátricos
são basicamente idênticos às moléstias do
corpo”.
Embora um problema médico ou moléstia do cérebro possa acarretar
sintomas mentais, emocionais e comportamentais, a pessoa não age e não
pode racionalmente ser classificada como “mentalmente enferma”. Ela pode
estar medicinalmente doente, mas não mentalmente. As palavras “psicólogo”
e “biólogo” não são sinônimos. Do mesmo modo, mental e medicinal não são sinônimos. Uma
se refere à mente e a outra ao corpo.
O aconselhamento psicológico trata do cérebro físico. Ele trata dos
aspectos do pensar, sentir e se comportar. Deste modo, o psicoterapeuta
não entra no negócio de curar doenças, mas de ensinar novas maneiras de
pensar, sentir e se comportar. Ele é um mestre, não um
médico.
Muitos têm usado, desonestamente, o termo “doença mental”, para
descrever toda uma hoste de “problemas da vida”. Embora o termo “doença
mental” seja errado, uma junção errônea das duas palavras, ele se tornou firmemente inserido
no vocabulário público, sendo pronunciado, superficialmente, em todas as
ocasiões, tanto pelos leigos como pelos profissionais. Jonas Robstscher
diz:
“Nossa cultura está permeada
de pensamento psiquiátrico. A Psiquiatria, que teve os seus inícios no
cuidado com os doentes, tem expandido sua rede para incluir cada pessoa e exercer
sua autoridade sobre toda uma população, através de métodos que vão desde
a terapia forçada e do controle coagido, até o avanço das idéias e
promulgação de valores”.
O exato termo “doença
mental” se tornou uma praga na sociedade. Se de fato cremos que uma pessoa
com problema mental, emocional e comportamental está doente, então teremos
admitido que ela já não é responsável pelo seu comportamento. E se ela não
é responsável pelo seu comportamento, então o que é?
As propostas psicanalíticas e behavioristas pregam que o
comportamento do homem é fixado por forças além do seu controle. Na
proposta psicanalítica, o homem é controlado por forças psiquiátricas
interiores e exteriores; segue-se que ele não é responsável pelo seu
comportamento. Deste modo, aos criminosos é permitido fazer barganha na
base da “insanidade temporária”, da “capacidade reduzida” e da “posição
incompetente de julgamento”. Todo o impacto do mal deslanchado sobre a
sociedade pelos profissionais da Psicanálise ainda está para ser
verificado.
Entrementes, a mística ao redor do termo “doença mental” tem
afugentado pessoas que poderiam ser de grande ajuda aos que sofrem de
problemas existenciais. Muitas pessoas que desejam ajudar os indivíduos
com problemas se sentem “desqualificadas” para ajudar uma pessoa rotulada
como “mentalmente enferma”. A confusão inerente a esta justaposição de
termos tem conduzido a erros que, freqüentemente, têm sido mais
prejudiciais que auxiliadores aos que são assim
rotulados.
Muitos casos são contados sobre a intrusão governamental em vidas
pessoais forçando o encarceramento em instituições mentais, privação de
direitos pessoais e perda da vivência, por causa do estigma anexado ao
termo “doença mental”. Mesmo
assim, a profissão continua a promover o falso conceito da “doença
mental”, para alinhá-lo à Medicina e conseguir impingir a Psicoterapia
como ciência... enquanto o público vai condescendendo (Até mesmo crianças
estão sendo diagnosticadas como mentalmente enfermas)... Pior ainda é que
a Igreja professa está seguindo a mesma linha.
A Psicoterapia é bem
sucedida?
Por causa da grande confiança dos que acreditam se tratar de uma
ciência e de um número cada vez maior de pessoas rotuladas como
“mentalmente enfermas”, a Psicoterapia continua a florescer com suas
promessas de mudança, cura e felicidade. Garantias são apoiadas por
testemunhos de confiança nos modelos e métodos psicológicos. Contudo, a
pesquisa narra algo diferente sobre a eficiência e as limitações da
Psicoterapia.
As pesquisas mais conhecidas sobre as taxas de sucesso e fracasso
da Psicoterapia foram registradas em 1952, por Hans J. Eysenck, eminente
erudito inglês. Eysenck comparou grupos de pacientes tratados pela
Psicoterapia com pessoas às quais foi dado pouco ou nenhum tratamento. Ele
descobriu que uma porcentagem
maior de pacientes que não haviam se submetido à Psicoterapia
demonstrou uma melhora superior à daqueles que haviam se submetido à
Psicoterapia. Após ter examinado mais de 8.000 casos, Eysenck
concluiu:
“... Dificilmente, 2/3 de um grupo de pacientes neuróticos vão se
reabilitar ou melhorar num espaço de uns dois anos, a partir do
estabelecimento de sua doença, quer sejam tratados ou não pela
Psicoterapia”.
A American Psychiatric
Association indica que uma resposta definitiva a esta pergunta: “A
Psicoterapia funciona?” pode ser obtida. Seu livro de pesquisa de 1982: “Psychoterapy Research:
Methodological and Efficacy Issues” conclui: “Inequívocas conclusões sobre as
casuais conexões entre o tratamento e o resultado podem nunca ser
possíveis na pesquisa da Psicoterapia”. Na revisão do livro, o
Brain-Mind Bulletin diz: “A
pesquisa muitas vezes falha em demonstrar uma inequívoca vantagem da
Psicoterapia”. Um exemplo interessante vem do citado livro: “Uma experiência no All-India
Institute of Mental Health, em Bangalore descobriu que os psiquiatras
treinados no Ocidente e os curandeiros nativos tiveram quase a mesma taxa
de recuperação. A diferença mais notável foi que os curandeiros místicos
liberaram os seus pacientes mais cedo.”
Se a American Psychological
Association e a American Psychiatry Association (assim como outros grupos
independentes de estudo) entregam registros mistos [Psicanálise mais
curandeirismo] sobre a eficácia da Psicoterapia, por que tantos líderes
“cristãos” aceitam as inatingíveis promessas da Psicologia? E se existe
pouca pesquisa positiva e virtualmente nenhuma evidência que apóie a
Psicoterapia, por que os cristãos professos estão tão ansiosos para
substituir as teorias terapêuticas da Escritura e do Espírito Santo? Estas são perguntas legítimas
[N.T.: que devem ser respondidas...], tendo em vista, principalmente, a
natureza religiosa da Psicoterapia.
Conclusão
A Igreja existe num mundo hostil. Se os seus membros não rejeitarem
as filosofias do mundo, elas irão se refletir em suas vidas. Se somos amigos do mundo, de suas
religiões e filosofias, dos seus sistemas e práticas psicológicos,
precisamos nos indagar seriamente por que não estamos dando atenção às
palavras de Jesus: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a
vós, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era
seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso
é que o mundo vos odeia” (João 15:18-19).
Obviamente, se não levamos a sério estas palavras é porque não
acreditamos nelas. A Igreja foi criada para refletir Jesus, não o mundo. Muito embora sejamos do
mundo, não estamos nele (João 17:16). Então, cada ministro do Corpo de
Cristo deve ser bíblico e não deve tentar absorver as teorias e técnicas
filosóficas do mundo. A Igreja pode, de fato, mostrar uma forma de
piedade, pois, se apela às coisas ditadas pelo mundo, ela nega o poder de
Deus. Ela faz do homem o seu deus.
Como membros do corpo de Cristo, precisamos orar
para que Ele faça em nós a lavagem regeneradora e santificadora do
Espírito Santo (Tito 3:5). Devemos orar por uma seleção entre o falso e o
legítimo evangelho. Devemos buscar a face de Deus com diligência. Devemos
nos desembaraçar do que pertence ao mundo, à carne e ao diabo e vestir
novas roupas (tudo que é de Cristo). Bebamos a água que jorra das fontes
da vida, da Palavra Santa de Jesus, em vez de beber das cisternas rotas
dos sistemas psicológicos.
Excerto do
artigo PsychoHeresy: The
Psychological Seduction of Christianity de Martin
& Deidre Bobgan, traduzido por Mary Schultze, em
15/12/2008.
www.cpr.org.br/Mary.htm