Que culpa tenho eu?

 

        Para alguns irmãos (principalmente mulheres) que me enviam mensagens contundentes, achando que vão me deixar deprimida, ou com um enorme complexo de culpa, respondo simplesmente.

         Que culpa tenho eu ... que Deus tenha sido maravilhoso demais para mim, desde o dia do meu nascimento, até o dia de hoje? Ele me tem  cumulado de bênçãos (mesmo eu não sendo dizimista) e essas bênçãos são tantas que resolvi fazer um ligeiro resumo de algumas delas...

         Nasci num lar católico, onde havia muita generosidade com os empregados, meus pais me amavam muito e me deram tudo de que eu precisava para ser uma criança feliz. Fui educada na fé em Cristo, honrando-O como Deus e Salvador, embora com a falsa noção de que Maria tinha quase tanto poder como Ele e que eu era tão abençoada, por ter nascido no dia da Imaculada Conceição.

         Na escola nunca tirei o segundo lugar, sempre era a melhor aluna da classe e quando terminei o curso ginasial falava Inglês fluentemente, tendo aprendido essa língua sozinha, porque sempre me dediquei ao estudo da mesma, além do Português e do Latim, que eu também apreciava muito. Por isso hoje consigo escrever as duas primeiras línguas sem problema algum de redação e ainda entendo um pouco da terceira. Do Alemão aprenderia o básico, no futuro...

         Meu pai me adorava. Quando completei 15 anos, ele me deu de presente um colar com 15 gramas de ouro 18 K, com uma medalha de Nossa Senhora. Quando completei 18 anos, ele, que sempre desejou me ver formada em Medicina, deu-me de presente uma caneta de ouro 18 K com duas esmeraldas formando os olhos da cobra que adornava a peça. Nos anos seguintes, eu escreveria sempre com essa caneta de ouro!!! Até que um dia perdi a peça... Mas não chorei, pois nunca me apeguei a coisas materiais.

         Meu pai sempre me cumulava de mimos. De brincos e pulseiras, de roupas lindas, dizendo que eu era uma princesa, que era linda e que um dia ainda seria uma grande médica. Nisso ele errou, pois me tornei uma secretária bilíngüe, depois empresária em cosméticos e, finalmente, uma escritora evangélica, pelo que agradeço imensamente a Deus, pois não gosto de ver sangue...

         Por não ter seguido a carreira que meu pai escolhera, ele rompeu comigo e me cortou a mesada (que era a maior do colégio), mas logo arranjei um bom emprego e até o dia do casamento nunca me faltou coisa alguma. Dou graças a Deus por esse rompimento com meu pai, visto como aprendi a me “virar” sozinha” e, assim,  cresci na vida. Romanos 8:28!!!

         Casei-me com um alemão de Berlim e não poderia ter escolhido um marido mais honesto, mais trabalhador, amoroso e apaixonado do que este. Ele continuou me cumulando de jóias, roupas finas e livros, viajamos por 13 países (depois viajei por mais dois), ele sempre me dando amor, apoio e dizendo que eu era maravilhosa! Trabalhamos muito e fizemos uma pequena fortuna (nunca recebi nada de meus pais, porque minha mãe ficou com tudo e como esta morreu recentemente e meus 4 irmãos estão se desentendendo por causa da herança, preferi ficar neutra, pois brigar por dinheiro não é exatamente o meu forte).

         Converti-me aos 48 anos de idade, lendo em duas línguas a Bíblia King James/Trinitariana, e, quando me filiei a uma igreja presbiteriana, já havia lido o Novo Testamento 50 vezes, portanto não deixei que pastor ou presbítero algum me fizesse a cabeça, impondo-me leis humanas (como o Dizimo, por exemplo). Hoje leio a Bíblia em três idiomas e fiz um bom curso teológico, portanto os pastores sempre pensam bastante, antes de virem me expor doutrinas humanas, tentando me convencer de coisas que são do interesse deles e não do Reino...

         Não posso reclamar da vida. Tenho o suficiente para viver, sou amparada por um bom plano de saúde, tenho boa saúde, o mesmo peso dos vinte anos, congrego numa igreja excelente e minha cabeça ainda está funcionando muito bem. Ultimamente, quando traduzi dois livros de Teologia Bíblica (O Senhor do Céu e A Glória do Seu Nome), num total de 120 páginas, consultei o dicionário apenas 12 vezes, o que deu uma consulta para cada dez páginas. Esses livros escritos por Sir Robert Anderson são maravilhosos e me fizeram crescer na fé, pois versam sobre a Divindade e o Nome de Jesus Cristo, nosso grande Deus e Salvador.

         Gastei seis semanas nas duas traduções e como não aceitei pagamento algum (enquanto um irmão que traduziu um outro livro de 120 ps., do mesmo autor, pediu R$1.800 à pessoa interessada na tradução), ganhei de presente um monitor de  cristal líquido, que há tanto tempo eu desejava possuir.

         Que culpa tenho eu se Deus é tão maravilhoso assim comigo, provando a veracidade de Efésios 3:19-21? “E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém”.

         Aos invejosos aconselho que façam a seguinte oração: “Senhor, tu tens sido bom demais com a Mary, que  é tão má, tão orgulhosa, tão vaidosa, tão deficiente no amor ao próximo... Castiga a Mary e me dá tudo que tens dado a ela”.

         Se Ele escutar esta oração, tudo bem. Ele é SOBERANO e JUSTO. Tem todo o direito de fazer o que bem desejar... com o fariseu invejoso que fizer esta oração.

 

Mary Schultze - abril, 2005