Quem é filho de Deus?

 

       A maioria dos ignorantes bíblicos (católicos, espíritas e até mesmo membros de igrejas “avivadas”) que encontro por aí, nas reuniões sociais, nas livrarias e nas lojas, costuma indagar, com a maior cara de pau: “Ora, afinal não somos todos filhos de Deus?

        Essa tolice caracteriza a heresia radicada em suas mentes paganizadas.  A licença poética até pode nos levar a descrever-nos como filhos de Adão, visto como somos os seus remotos descendentes. Contudo, exceto numa acepção puramente figurada da expressão, nem mesmo Adão era filho de Deus! Ele era apenas Sua criatura. A humanidade não foi gerada a partir do Adão inocente do Éden, mas do Adão decaído que dali fora expulso. Então qual o sentido aqui de pretendermos ser filhos de Deus?

        Aí vem o seminarista com ares de erudito bíblico e nos contesta: “Ora, mas o Apóstolo PAULO não disse aos pagãos de Atenas que eles eram geração de Deus?” (Atos 17:28).

        Minha resposta rápida é:  Não! Claro que não! Para resgatá-los de sua idolatria, Paulo citou as palavras de um dos seus poetas gregos, trecho de um hino composto em louvor a Júpiter: “Pois dele somos geração, o seu genos”. A questão não é o que a mente predisposta possa ler nesta passagem bíblica, mas o que o locutor (Paulo) quis dizer e o que os seus ouvintes entenderam. Será que alguns deles imaginavam que o Apóstolo fosse um filho de Júpiter? Se o objetivo do Apóstolo fosse ensinar-lhes que eles eram filhos do Deus Onipotente que fez o céu e a terra, teria ele citado o ensino de uma divindade pagã? O apelo do Apóstolo à sua literatura clássica teve o propósito de admoestá-los, mostrando que Deus nada tinha a ver com os seus ídolos mortos “dignificados na arte e na contravenção humana”. Seu argumento teria sido igualmente válido se ele tivesse feito uma comparação com a criação inferior.

        O Deus Onisciente, cujas criaturas têm vida física e espiritual, tem de ser um Deus vivo. Cada um de nós é filho dos pais que nos geraram e de ninguém mais podemos ser filhos. O crente no Senhor Jesus Cristo se torna filho de Deus porque foi gerado de Deus: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (João 1:12). E aos que foram gerados de Deus ele diz, no verso 13: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. O cristão nasce duas vezes: fisicamente,  como filho de pai biológico e, no Espírito Santo,  como filho de Deus. A escritura é enfática e explícita em que os dois nascimentos são totalmente distintos. Como disse o próprio Senhor Jesus Cristo: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6). Ao mesmo tempo, suas terríveis palavras dirigidas aos judeus que estavam tramando a Sua morte foram estas: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (João 8:44). Qualquer pessoa, por mais bem intencionada e correta que seja em todos os sentidos, nesta vida terrena, mas não creia que Jesus Cristo é o Filho de Deus, o Messias de Israel e nosso Deus e grande Salvador, o qual está vivo e entronizado no céu à destra do Pai, aguardando o momento de retornar à terra, para reinar no Trono de Davi, não passa de um enganado pagão e o seu destino eterno será tenebroso.

        E se alguém ainda achar que estas palavras não são definitivas, vamos repetir: “os que são nascidos da carne não são filhos de Deus”... E de um certo modo são “filhos do diabo”, segundo as palavras do próprio Senhor, que por nós morreu e ressuscitou.  Poderia uma declaração vetar mais claramente a ilusão de que todos os homens são, por natureza, filhos de Deus?

        Por causa dessa idéia absurda de que “todos são filhos de Deus” é que os “teólogos hedonistas” da  Teologia da Fé/Prosperidade logo arranjaram um colorido pretexto para rebaixar o Senhor da Glória ao nível comum da humanidade - blasfêmia que chega ao ápice, na declaração: “Ora, se Jesus era Deus, nós também somos deuses”.

 

Sir Robert Anderson - “The Honour of His Name”.

Mary Schultze, abril 2005.