Quem precisa andar “Rompendo em Fé”?

 

  dirceumadruga@bol.com.br”,  membro da Igreja Presbiteriana de São Borja, RS,  escreveu ao CPR, contestando o meu artigo “Declaração de Guerra”. Vamos ler o que ele escreveu, depois que revisei o seu português (e também meus erros digitográficos, na resposta rápida que lhe dei). O mal dos cristãos de hoje é a mania de espiritualizar tudo, por influência dos seus pastores, os quais ignoram completamente que estão seguindo a teologia católica de Agostinho.

 Dirceu - Sou assinante do Desafio das Seitas e na p. 7 do 3º trimestre me chamou a atenção  o texto, cuja autora escreve que na sua própria igreja foi cantado um corinho, ao qual ela se refere como tendo uma heresia. Pois nós, aqui na igreja, cantamos o mesmo hino, e eu não percebo heresia alguma, por isso peço maior esclarecimento do próprio autor que escreveu o texto (Declaração de Guerra),  explicando onde está encaixada a heresia mencionada...

 

Resposta - Paulo diz na 2 Coríntios 11:3: "Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo."

Pois é isso, exatamente, o que os "mestres" da Teologia da Fé/Prosperidade têm feito, ou seja, têm-se apartado da simplicidade do evangelho, aproveitando, nas canções de conteúdo duvidoso, termos usados com freqüência no Satanismo. 

 

Dirceu - O hino que aqui cantamos  diz que “com ousadia vou mover no sobrenatural” e, pelo que eu entendo, tudo que é espiritual é sobrenatural e,  quando oramos, estamos nos movendo no sobrenatural.

 

Resposta - Além do erro gramatical da canção, quem sabe, o seu pastor e os líderes da igreja nunca se preocuparam em pesquisar bem a Bíblia e as religiões ocultistas e, por isso, não conseguem notar os erros de gramática e heresia nos cânticos gospel, quase todos eles de péssima qualidade, em geral compostos por semi-analfabetos no vernáculo e na Bíblia, alguns desses "compositores" de vida irregular...

 

Dirceu - Moisés, quando orava ao Senhor nosso Deus,  do alto do relevo, a batalha era vencida pelo povo de Deus, mas quando ele baixava as mãos o inimigo vencia, eis ai um exemplo de mover o sobrenatural.

 

Resposta - Duas coisas perigosas têm acontecido, principalmente com os discípulos de Benny Hinn, Kennet Hagin, Kennet Copeland, Robert Schuller, Peter Wagner e outros ganancioso da Teologia da Fé/Prosperidade. Ou transformam a Igreja na Nova Israel de Deus (teoria do teólogo católico Agostinho de Hipona, pai do Anti-Semitismo) ou então usam e abusam do Velho Testamento, a fim de respaldar suas reivindicações gananciosas. Um exemplo é o caso do Dízimo, para o qual os “sabichões” citam Malaquias 3 o tempo inteiro. Ora, amigo, estamos no Novo Testamento, na Era da Graça, e devemos ler e seguir Paulo, em vez dos  autores do V.T. O próprio Jesus afirmou que "toda a lei e os profetas vigoraram até João...

 

Dirceu - O autor desse artigo tem muito mais conhecimento da palavra de Deus do que eu, mas me esclareça melhor, pois não quero estar louvando ao nosso Deus com cânticos heréticos...

...SE DIANTE DE MIM NÃO SE ABRIR O MAR / DEUS VAI ME FAZER ANDAR POR SOBRE AS ÁGUASROMPENDO EM FÉ/ MINHA VIDA SE REVESTIRÁ DO TEU PODER/ ROMPENDO EM FÉ/ COM OUSADIA VOU MOVER O SOBRENATURAL VOU LUTAR E VENCER / VOU PLANTAR E COLHER/ E A CADA DIA VOU VIVER ROMPENDO EM FÉ

Resposta - Jesus não mandou que rompêssemos em fé, pois Ele mesmo sabia que nossa fé é, no máximo, do tamanho de um grão de mostarda (Mateus 17:20; Lucas 17:6). Isso sem falar que ele se dirigia aos judeus, conforme Ele mesmo afirmou, tendo deixado Paulo para cuidar de nós, os gentios.  Ora, Paulo diz: "Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria...  (1 Co 1:22), daí tantos sinais e maravilhas na Igreja Primitiva, inclusive no Pentecostes. Nós, gentios, devemos viver exclusivamente pela fé genuína e simples em Cristo, no Seu sacrifício no Calvário, e não em movimentos de entusiasmo espúrio, como esses de agora. Eu só quero ver essa gente que canta com tanto entusiasmo, rebolando e levantando as mãos,  enfrentando uma perseguição religiosa como os líderes dos séculos passados... Será que esses gesticuladores, ansiosos de poder, vão romper em fé, ou simplesmente se acovardar? Aí é que está o busilis da coisa, irmão! O Cristianismo é um modo de vida, não uma religião pagã, no que essa gente tem tentado transformá-lo. Vamos ser sóbrios e cantar os hinos dos antigos "santos cristãos", que viveram uma vida reta e sacrifical  diante de Deus e dos homens. Poderiam esses “compositores” de araque comparar-se a Lutero e outros grandes compositores cristãos, escrevendo e musicando hinos como o “Castelo Forte”, por exemplo?

Dirceu - Com fé podemos mover montanhas.  E isto só é feito com a ação de Deus, não que estejamos dando ordens a Deus, mas sim, temos a certeza que ele atende nossa suplicas e,  no mínimo, Ele nos responderá. Isto é mover o sobrenatural.

Resposta - Deus não se deixa  “mover” nem “comover” por oração alguma, que não seja para a Sua glória e para o nosso bem. Então, não somos nós que “movemos” coisa alguma, mas Ele, somente Ele, pode mover todo o universo. Não precisamos nos revestir de "poder", nem remover montanhas, literalmente, pois elas só serão removidas na época da Tribulação, conforme Apocalipse. Pois, quando somos fracos aí é que somos fortes... Dê um cheque sem fundos e depois ore com muita fé, para ver se o cheque fica bom! Isso seria remover uma montanha no sentido figurado do termo. Vamos viver uma vida santa, nos dias negros atuais, sem nos afastarmos dos conselhos de Paulo, pois esses teólogos de araque, que têm influenciado os líderes das igrejas modernas, só querem mesmo é engrossar suas contas bancárias e não ganhar almas para o Senhor. Aconselho o irmão a ler muito a Bíblia e também bons livros (por exemplo, os da Chamada da Meia Noite), para melhorar o seu vernáculo. OK? Paulo foi o MAIOR apóstolo de Cristo, exatamente porque era poliglota e muito, muito culto! Então, para contestar qualquer escritor evangélico seria bom que o irmão melhorasse a redação...

 

Mary Schultze, novembro 2004.