Quem precisa de imagens?

Uma de minhas filhas, após ter lido o artigo que traduzi recentemente sobre o Código Da Vinci,  enviou pela Internet uma pintura clássica originalíssima, que eu não conhecia: O Cenáculo de São Marcos de Domenico Ghirlandaio. Descobri algumas coisas estranhas no quadro: 1. um crucifixo acima da cabeça de Jesus, com uma frase escrita em Latim; 2.  um discípulo de costas para quem observa a pintura, sem qualquer auréola sobre a cabeça, conforme está sobre a cabeça dos demais personagens da Ceia, o que nos leva a supor que se trate de Judas Iscariotes; 3. quase ao lado de Judas aparece um gato (odeio gatos, nem gosto de vê-los à  minha frente, pois aprendi cedo que os ditos simbolizam o ocultismo); 4. um  pavão observa a cena, provavelmente representando o orgulho e ganância de Judas; 5. no quadro também se podem ver aves estranhíssimas, voando; 6. num crucifixo acima da cabeça de Jesus, há uma frase em latim, mas não deu para identificar o que ela diz.

À irmã que me enviou o quadro, pedindo opinião, respondi:

A Palavra de Deus condena qualquer imagem religiosa. Assim, tanto a Ceia de Da Vinci, como qualquer coisa que represente Jesus ou a Trindade são condenadas pela Palavra Santa.

A fé não se alimenta de imagens, pois, então, deixa de ser fé. Um dos maiores erros do Catolicismo Romano foi alimentar a idolatria, usando imagens na Era das Trevas, a fim de enaltecer  o analfabetismo do povo, em vez de ensiná-lo a ler a Bíblia. Era esse o seu jogo: cegar o entendimento do povo, para que lhe não resplandecesse a luz de Cristo, a verdade que liberta do erro doutrinário, entregue exclusivamente em  Sua Palavra, pela qual seremos todos julgados, conforme João 12:48.

Novamente a irmã me escreveu, indagando se, neste caso, seria permitido armar presépios em casa, na época do Natal. Respondi logo:

Claro que não. Isto é uma tradição católica, que a Bíblia não endossa. Não armo presépios, nem árvores de Natal;  do Natal só gosto mesmo das músicas sacras, do peito de peru e do panetone.

Em 2001, quando estava na Alemanha, ganhei do então noivo de minha neta Luciana um presépio do tamanho da moeda de um Real, fabricado com um material branco leitoso. É lindo! Guardei-o como recordação da viagem. Anos depois, apareceu o mesmo presépio na TV, com a informação de que se trata de uma rara obra de arte, existindo poucos no mundo e que o dito procede do povo andino, etc. O rapaz que mo deu de presente, hoje professor de Física Nuclear na Universidade de Leipzig, é peruano, casado com minha neta.

 Antigamente, os crentes se distinguiam dos incrédulos pela aversão à idolatria. Hoje, com o avanço do neopentecostalismo, inovações como sinais e maravilhas, fanerose, línguas estranhas, sal grosso, fitinhas, fogueiras “santas” e outras parafernálias pagãs estão penetrando na igreja (inclusive nas igrejas batistas) com uma incontrolável avalanche de erro doutrinário. Alguns líderes ficam pregando que o crente pode se tornar um Deus, principalmente quando “colabora” com os dízimos e ofertas, comprovando a sua fé sobrenatural.

        Muitas vezes, quando volto do almoço, pelo calçadão de Terê, vejo um grupo de pentecas, gritando, um deles com a Bíblia na mão, aberta sobre um livro do Velho Testamento, que ele, provavelmente, lê e prega, sem entender o contexto.  Certo dia, perdi a calma, segurei a Bíblia do penteca e falei umas verdades. Enquanto eu tentava explicar a inutilidade daquela pregação do VT, no meio de tanto barulho e confusão, ele ficou o tempo inteiro repetindo com entonação histérica: “Aleluia, irmã”!

Pelo visto, nada mais falta para que este segmento do Cristianismo se torne inteiramente católico/mariólatra, pois o sistema de crença pagã, com vistas ao reconstrucionismo do mundo, através do “poder” da  igreja (uma teoria de Agostinho,  bispo católico), tem prevalecido nos setores pentecostais.

Alguns pastores “evangélicos”, contaminados pela psicologia secular,  estão incrementando a psicanálise dentro da igreja,  os propósitos de crescimento da igreja, alguns deles pregando que o crente pode  conseguir tudo que deseja, através da palavra falada com entonação de exigência a Deus.

Quando a Palavra de Deus se torna presa da fértil imaginação do homem decaído, ele tenta “melhorar” o seu conteúdo e o resultado é um evangelho deturpado, um “outro evangelho”, contra o qual Paulo nos admoesta em Gálatas 1:6-9:

“Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema”.

 

Mary Schultze, 15/12/2008.

www.cpr.org.br/Mary.htm

 

 

 

 

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