Quem precisa ser dizimista?
Imaginem Jesus gritando, diante do túmulo, em João 11:43: ”Lázaro, já que você foi um judeu exemplar, que sempre entregou fielmente o dízimo, eu ordeno: levante-se dessa laje sepulcral e venha para fora!”
Minha faxineira (bimensal) afirma ser crente, mas abandonou a igreja porque o pastor vivia censurando-a por não entregar 10% do que recebe em suas faxinas domésticas. Cansou de ouvir reclamações e deu o fora da igreja...
O dízimo é doutrina do Velho Testamento, nunca fez parte do contexto da igreja primitiva e foi inventado pelas igrejas independentes das denominações tradicionais, com o objetivo de crescer mais depressa. Infelizmente, como diz Paulo na 1 Timóteo 6:10, “o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”. Por isso, enquanto muitos pastores engordam suas contas bancárias, recebendo altos salários para pregar oito sermões mensais, os crentes vão ficando cada vez mais pobres de dinheiro e doutrina, pois a preocupação de recolher o dízimo tem sido maior do que a de entregar mensagens realmente bíblicas.
Enquanto muitas igrejas neopentecostais recolhem milhares de Reais, em suas caixas coletoras do “semanalão” ou “mensalão”, muitos pais e mães de família deixam de comprar mantimentos indispensáveis ou de pagar as contas do mês, com medo de serem amaldiçoados, caso não entreguem pontualmente o dízimo. Não se encontra em parte alguma do Novo Testamento qualquer mandamento de entrega do dízimo, mas em Romanos 13 lemos sobre a obrigação de pagar todos os impostos devidos ao governo e ainda no verso 8, lemos “A ninguém devais coisa alguma”. Os pastores malaquianos vivem citando Malaquias e outros profetas do VT, iludindo os crentes com mensagens espiritualizadas, em vez de usarem as Epístolas de Paulo, que são o nosso verdadeiro evangelho. Jesus declarou que “toda a lei e os profetas duraram até João” e que Ele fora enviado “às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Depois separou o apóstolo Paulo para pregar aos gentios e quando lhe apareceu no confinamento de três anos no deserto, entregou-lhe tudo que seria importante para nós, os gentios. Infelizmente, a maioria dos pastores malaquianos despreza o evangelho paulino, simplesmente porque este não rende lucro algum.
Converti-me em 01/05/1978. Entreguei o dízimo durante muitos anos, até que minha mãe adoeceu e precisei pagar um plano UNIMED para ela, que já estava chegando aos 90 anos. Ela morreu com quase 97 anos (25/03/05), bem assistida por uma enfermeira e um bom plano de saúde. Cumpri, assim, o mandamento de honrar pai e mãe. E agora, deveria voltar a entregar o dízimo? Claro que não! Durante meses andei estudando o assunto e acabei escrevendo o livro “O Dízimo do Dízimo”, com o resultado de minhas pesquisas. Esse livro (em forma de apostila) tem evitado que muitos irmãos abandonem suas igrejas, pois quando se queixam da cobrança do dízimo, eu mando “O Dízimo do Dízimo” para eles, que depois me agradecem, dizendo que agora estão mais firmes na leitura da Palavra e na freqüência à igreja, entregando somente o que podem e quando podem...
Quando me aposentei (1995) recebia dez salários mínimos, mas o governo foi me subtraindo aos poucos e hoje recebo menos de sete. Mesmo assim, continuo empregando um salário mínimo no ministério de escrever livros e artigos, a fim de edificar os irmãos na fé. Aproveito meus conhecimentos de Inglês, traduzo bons autores e envio essas traduções aos irmãos, ou preparo apostilas com o material. Faço este trabalho por amor ao Senhor e não ao pastor... Os pastores trabalham menos do que eu e ganham um bom salário... Ora, por que seria eu tão tola a ponto de lhes dar 10% do que recebo, depois de 45 anos de trabalho árduo? Meu gasto com tinta, papel ofício, cópias xérox, manutenção do computador e Internet às vezes ultrapassa o orçamento, mas nunca me faltou dinheiro para efetuar os pagamentos mensais (sempre três dias antes do vencimento), alimentar-me convenientemente e ainda comprar coisas bonitas, para melhorar o visual.
Sou feliz e muito abençoada, mesmo não sendo dizimista. Nunca fiquei gravemente enferma, nem precisei ser internada num hospital, por qualquer doença ou para fazer uma cirurgia. Tenho 76 anos, sem nenhum dos achaques da terceira idade. Não tenho problema cardíaco, renal ou respiratório, nem tenho diabetes, osteoporose e pressão alta. Minha pressão é 12 X 8, meu peso é o mesmo dos vinte anos e ainda consigo traduzir 10 páginas de Inglês sem consultar o dicionário. Portanto, ainda não estou com o mal de Alzeimer... Faço todo o serviço doméstico. Fico mais de oito horas diárias teclando no computador e não tenho tendinite, enquanto minha filha de 29 anos já está de braço enfaixado! Mas a maior bênção é o trabalho que realizo em prol do evangelho, apenas por amor ao meu SENHOR.
Vou continuar longe da caixa coletora do “semanalão” ou “mensalão”, pois temo que, se começar a entregar o dízimo, segundo a pregação dos pastores malaquianos, as bênçãos divinas serão tantas que irei explodir, transformando-me em “mulher-bomba”, quando muitos pastores malaquianos já me chamam de “peste!” Noventa e nove entre cem pastores aqui em Terê me detestam por causa dos artigos contundentes que publico no jornal (O Diário) da cidade. Louvado seja Deus!
Mas, pensando bem... se de repente me acontecesse um terrível acidente e eu morresse? Ora, depois de 76 anos, quatro meses e três dias de bênçãos incontáveis, morrer - na cama ou no asfalto - seria mais uma bênção, pois “combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”. (2 Timóteo 4:7-8).
Mary Schultze, 11/04/06