Quem precisa ser espiritual?
Quanto mais leio e traduzo artigos sobre os astros reluzentes do firmamento evangélico americano, como Robert Schüller, Benny Hinn, Kenneth Copeland, Peter Wagner, Rick Joyner, Rick Warren e tantos outros ”apóstolos” e “profetas” da “New Apostolic Reformation” (Nova Reforma Apostólica), mais me “comovo” com a maneira desses “homens de Deus” ensinarem aos seus seguidores como atingir a espiritualidade, usando métodos humanos, com regras e mais regras copiadas do Velho Testamento, do Catolicismo Romano e do Paganismo. Todo líder evangélico que usa e abusa do Velho Testamento prova que não crê na Divindade do Senhor, pois o nosso Testamento é o Novo, enquanto o Velho é apenas um livro poético e histórico, profetizando a vinda do Messias e a restauração futura de Israel, no Reino Milenar de Cristo. Ele nos apresenta exemplos de homens bons e maus, exortando-nos a seguir os bons exemplos, sem, contudo, nos forçar a obedecer aos mandamentos da Antiga Aliança (Leiam Lucas 16:16 e o Livro de Gálatas).
Esses homens pregam que ser espiritual é o único meio de atingir a santificação, esquecendo de recomendar aos seus seguidores que leiam as Epístolas de Paulo, a fim de se libertarem do legalismo judaico. Eles pregam um evangelho obsoleto em seus shows evangélicos interrnacionais, não só nos USA como em todos os países do hemisfério ocidental, ao mesmo tempo em que se hospedam em hotéis cinco estrelas, procurando compensar a ausência dos seus tronos de ouro deixados em casa.
Ensinar espiritualidade é muito fácil... Difícil é praticar realmente uma comunhão íntima com Senhor Jesus Cristo, confiando exclusivamente nos méritos de Sua morte na cruz do Calvário, na certeza de que somente Ele pode nos tornar realmente espirituais, quando O amamos e amamos a Sua Palavra, pela qual seremos julgados (João 12:48).
Sempre que assisto a um culto/show numa dessas igrejas “avivadas”, noto que, depois de pregar insistentemente a obrigação do crente contribuir liberalmente com dízimos e ofertas, o pastor costuma fazer orações longas e carameladas, agradecendo ao Senhor aquela chegada de “suprimento para a Sua obra”, oração que me faz lembrar aquela calda escura do pudim de leite moça, pois sei que o dinheiro, na maioria das vezes, vai cair diretamente na conta do pastor...
Esses “doutores em espiritualidade” transformaram a graça de Cristo numa duríssima “via sacra”, pregando que se o membro de sua igreja deixar de contribuir liberalmente “com a obra do Senhor”; se não subir aos montes para orar; se não fizer orações quilométricas; se não usar objetos materiais representando coisas espirituais e se não for à igreja pelo menos três vezes por semana, jamais vai crescer na graça e se tornar um crente espiritual.
Pelo que esses “santos homens” pregam, já posso ter a certeza de que não sou uma crente espiritual, porque:
1. - Não contribuo com dízimo algum e só dou ofertas quando me sobra dinheiro, após o pagamento de todas as obrigações com o governo, o supermercado, o condomínio e alguma prestação que tenha feito (obedecendo aos mandamentos de Romanos 13:7-8) e depois de garantir o orçamento de 30 dias, para almoçar fora e comprar frutas e legumes na loja de hortigranjeiros.
Reservo, anualmente, uma oferta para missões nacionais e mundiais e entrego, mensalmente, uma ajuda para a construção de um novo templo, pois o nosso já não comporta o número de pessoas inteligentes, que procuram uma igreja séria, nos cultos dominicais, onde se cantam belos hinos evangélicos e se escuta uma excelente pregação do legítimo evangelho, em vez dos corinhos heréticos e das medíocres pregações visando a coleta de fundos...
O Senhor nos ensinou a orar em nosso quarto, a fim de não chamarmos a atenção dos outros para a nossa “espiritualidade”. Por isso não subo a nenhum monte para orar, nem fico repetindo palavras, como as letras dos corinhos evangélicos estão repetindo, imitando os mantras do Hinduísmo (“... quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos” - Mateus 6:6-7).
2. - Faço orações breves, pois o nosso Deus Onisciente já sabe do que necessito. Nunca peço bens materiais, mas somente a conversão dos parentes e amigos não crentes, bem como a edificação dos já nascidos de novo. Por exemplo: quando estou passando roupa, limpando a casa ou cozinhando, costumo escutar um CD da Bíblia, para me desligar do esforço físico e ficar mais perto de Deus. Então, me sinto tão feliz e transportada às regiões celestiais, que oro: “Senhor, como tu és maravilhoso, dando-me a graça de escutar a Tua Palavra Santa, enquanto faço o trabalho doméstico. Se o céu for melhor do que isso, eu não vou agüentar!”. Logo em seguida, me dou conta de como sou feliz já aqui neste mundo violento. E também me lembro de que, quando eu chegar ao céu, terei um corpo glorificado e, portanto, irei suportar “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem... as que Deus preparou para os que o amam” (1 Coríntios 2:9).
Infelizmente, os “apóstolos” e ”profetas” modernos camuflam toda a simplicidade que há em Cristo, incorrendo na preocupação de Paulo: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. (2 Coríntios 11:3).
Leiamos o que diz o Pr. Paulo Pimentel, em seu artigo (Evangélicos Mergulham no Esoterismo) sobre uma das práticas mais comuns desses “magos” evangélicos, ou seja, a queima de pedidos de oração: “Satanás é ardiloso (2 Coríntios 2:11). Ardil é uma armadilha; um meio astucioso a que se recorre para enganar alguém. Dessa forma, com muitos ardis, o diabo tem afastado bons cristãos da simplicidade da vida cristã (2 Coríntios 11:3), trazendo grandes estragos para o testemunho que as igrejas devem dar aos perdidos. Um ardil muito praticado é a QUEIMA DE PEDIDOS DE ORAÇÃO... prática dos grupos dados ao esoterismo”.
Além de pregar as doutrinas do Velho Testamento e de afirmar que Igreja é a Nova Israel de Deus, copiando a teoria de Agostinho de Hipona sobre a reconstrução do mundo através da igreja, essa turma de "auricamuflados" xamãs evangélicos também copia as práticas do paganismo e do hinduísmo, confirmando o que lemos em Salmos 42:7: “Um abismo chama outro abismo”.
A triste verdade é que a nova teologia desses "mestres da espiritualidade" exclui a Onipotência e a Onisciência do Senhor Jesus Cristo, desviando os olhos dos crentes da cruz de Cristo para os seus ardis “legalistas”, copiando as doutrinas do Catolicismo Romano, ao mesmo tempo em que usam e recomendam as edições deturpadas da Bíblia, todas elas impressas nas editoras de propriedade do Vaticano, através da bilionária Ordem de Loyola.
Mary Schultze, maio 2006