Quem precisa ser rico?
Jonas, meu grande amigo e irmão em Cristo, telefonou-me há duas semanas dizendo que estava muito doente e lamentava não poder vir ao RJ (como havia planejado para o mês de julho), a fim de me encontrar e abraçar, depois de quatro anos de amizade epistolar. Nossa troca de cartas e telefonemas foi sempre embasada em mútuos testemunhos do grande poder de Jesus Cristo em nossas vidas. Jonas escrevia livros e mos enviava para revisar. Eu lhe mandava tudo que escrevia e no domingo (21/05), ele telefonou com voz enfraquecida, exatamente para agradecer a remessa do CD que gravei recentemente, com 2.000 páginas de material traduzido e escrito por mim. Ele estava aguardando o resultado de uns exames que havia feito e hoje sua filha me ligou para dizer que ele tem poucos dias de vida, pois um câncer intestinal lhe tomou todos os órgãos, sem dar sinal algum de existência, até pouco tempo atrás, quando as dores começaram. Quando falei com sua esposa (Joana) não me contive e choramos juntas ao telefone.
Minha esperança é que eu vá para o céu em 2007, quando Jonas e eu poderemos nos encontrar, dobrando os joelhos diante do SENHOR, louvando-O e glorificando-O pelo Seu grande amor demonstrado na cruz do Calvário.
Por causa dessa amarga notícia, hoje estive chorando bem baixinho na igreja, tentando esconder minha tristeza de todos os que sentavam perto de mim. A Palavra comanda a nos organizarmos com ordem e decência dentro da igreja, sem escândalo, sem gritaria, sem o falso evangelho (que está sendo pregado em troca de fundos), ajudando nas missões que possam trazer a Cristo os perdidos do mundo, cumprindo a ordenança que nos foi confiada pelo Salvador, em Mateus 28:19-20: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”.
Paulo nos ensina em Gálatas 3:22: “Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes”. Quando pregamos o Evangelho de Cristo estamos direcionando os incrédulos ao Espírito Santo, o qual nos “convence do pecado, da justiça e do juízo”, acrescentando à Igreja do SENHOR os que vão sendo salvos através da pregação e do testemunho fiel. Ele é também o Deus que outorga, de modo sobrenatural e soberano, os Seus dons aos crentes realmente convertidos, apontando a cada um o serviço que o SENHOR deseja que seja feito para a glória da Trindade Santa. Amparados pela força divina adquirida na leitura diária da Palavra Santa, passamos a sentir o desejo de pregar e de testemunhar o Evangelho que nos transformou em novas criaturas. As verdades bíblicas enchem nossa mente como um dilúvio de bênçãos e alegria.
Eram palavras vivas e verdadeiras, como estas, que Jonas sempre escrevia em suas cartas e assim ele ia me edificando, mesmo sem jamais ter feito um curso teológico e nem sequer ter cursado o segundo grau.
Jonas Domingos de Morais foi um dos homens mais sinceros e inteligentes que encontrei nesta vida e muito aprendi com este santo cristão. Quando revisava os seus livros e ele me agradecia, eu sempre respondia de coração: “Eu é que deveria agradecer-lhe, porque tive momentos maravilhosos convivendo com os seus personagens”. Ele criou personagens fantásticos, inclusive um alemão muito honesto e fleumático chamado Hans (em homenagem a meu marido) e alguns animais falantes, como o Ratão Joceu (inspirado em certo político importante), “um rato nordestino, que se mudou para os armazéns de São Paulo, pois nos celeiros da Bahia, por causa da seca, já não se encontrava uma espiga de milho seco para comer” ...
Jonas era muito fino em sua maneira de criticar, ao contrário desta cronista, que é um tipo de “metralhadora ambulante”, ou a “Mary que fala, mesmo depois de fútil”, segundo o melhor amigo - Paulo Pimentel.
Vivemos num mundo hostil, como escravos das grandes corporações, quando deveríamos ser escravos exclusivamente do SENHOR Jesus Cristo, de quem somos apenas “servos inúteis”, conforme Lucas 17:10: “Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer”.
Segundo os escritores Avro Manhattan (The Vatican Billions) e Eric Jon Phelps (Vatican Assassins) todas as multinacionais do planeta são controladas (com maioria de ações) pelo poder econômico-religioso do Vaticano, o qual usufrui a parte do leão em cada dólar que é coletado no mundo por todas essas multinacionais. Jonas lia meus livros e artigos, depois escrevia suas críticas políticas e religiosas, de um modo que me encantava.
Jonas e eu combatíamos os pastores malaquianos, que ficam ocupando os púlpitos com a pregação do falso evangelho, prometendo enriquecimento material aos crentes, se estes colaborarem com as suas igrejas, enchendo de Reais as “caixas coletoras do semanalão”. A prosperidade nessas igrejas é uma realidade... mas somente para os seus ministros. Estes costumam assentar-se, literalmente, em “tronos de ouro maciço”, à custa dos pobres deficientes bíblicos.
“Quem precisa ser rico?” Indagava Jonas. “Todo crente que lê e ama a Bíblia já é um milionário! Não precisa de riqueza material para se auto-afirmar, pois o evangelho de Cristo iguala homens e mulheres, ricos e pobres, pretos e brancos, bonitos e feios, inteligentes e menos dotados. Porque é o evangelho das “boas novas, etc.” Tive vontade de gritar: “Apoiado”, quando o pastor da PIBT disse hoje palavras idênticas a estas, no sermão pregado antes da Ceia do Senhor. A verdade insofismável é que somos todos milionários porque temos o Criador do Céu e da Terra como nosso irmão, (João 1:12), sendo herdeiros através Dele de todas as bênçãos materiais e espirituais que provêm do Pai Celeste, porque “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação ” (Tiago 1:17).
Depois do triplo banquete entregue hoje em forma de palavras, da Ceia do Senhor e de um almoço excelente na PIBT, vim para casa mais conformada, certa de que Deus tem um propósito para a minha vida e talvez queira me deixar aqui, ainda por algum tempo, pois Ele é Soberano, enquanto eu sou apenas “uma serva inútil”.
Mary Schultze, 04/06/06