“REDENTOR”, IRINEU e MARY NIP
Ontem à noite, estava tão cansada que resolvi ver o filme nacional “Redentor”, pois não estou na fase de “Mary Bíblica”, nem de “Mary Fútil”. Entrei na fase de “Mary DVD”, por recomendação de uma amiga médica. Levo meu trabalho de pesquisa tão a sério que ele tem pesado uma tonelada sobre meus frágeis ombros, já sobrecarregados de 76 “primaveras”.
O filme é excelente. Ele mostra a tremenda corrupção de alguns empresários da construção e dos políticos, neste país. A corrupção é a marca registrada dos altos setores nacionais, uns empurrando os outros, e tudo se transformando num hediondo círculo vicioso - com escândalos tipo “Correios”, “Mensalão” e outros piores, quase todos escondidos sob a grossa camada de fumaça, que sai das chaminés do Vaticano.
O filme (Redentor) me fez recordar uma sátira que escrevi há algum tempo, e também alguns versos do meu amigo Dr. IRINEU, presidente da FESO, nesta cidade.
Com a sátira “Memórias”, a qual me faz lembrar a “conversão” do moço rico, o triste final do jornalista corrupto, bem como o banqueiro e traficante colombiano, (três dos muitos personagens do filme) vai falar o Dr. Irineu:
Hoje, o pobre já não bebe
sua aguardente de cana.
Rico, que tomava uísque,
(que é bebida de bacana)
desceu do seu pedestal
e agora só toma cana.
Cruzeiro virou Real
e o rico... ficou sem grana.
Só político desonesto
pode conseguir dinheiro,
roubando "à la ratazana",
viajando o mundo inteiro.
E quando volta ao país,
procura logo a fronteira.
Seu negócio é cocaína,
mas ele mesmo não cheira.
Se quisermos descobrir
o número de ladrões
não precisamos ir longe,
é só lembrar dos “anões”.
Se juntarmos os de agora
no congresso renovado,
e gritar: pega ladrão!
Correndo pra todo lado
todos logo irão embora,
e o Congresso... fechado!
(Como vemos, este homem, que é o presidente da maior entidade educacional do nosso município, tem a visão de um simples homem do povo).
Agora vai falar a Mary NIP:
Que falta ao nosso governo,
de uma a outra cidade? VERDADE.
E o que mais o desonra,
causando infelicidade?
Na certa a falta de HONRA.
A que o povo o exponha,
de dedo em riste, na cara? VERGONHA.
Centrado na Babilônia
do BBB que se exalta,
o que mais hoje nos falta:
VERDADE, HONRA e VERGONHA!
E a gangue do negócio
da erva e dos paraísos
fiscais, da ambição e usura
das caimãs, dos seguros,
desgraça do nosso povo,
a quem só traz desventura?
NEGÓCIO, AMBIÇÃO, USURA.
E a polícia que nos guarda? BASTARDA.
E a justiça prometida? VENDIDA.
Por que a nós tanto assusta? INJUSTA.
Quem é que traz a clemência
aos cidadãos sofredores?
Ninguém, pois só a violência
impera - e os seqüestradores.
Então que temos de graça?
Só enxames de mosquitos
"dengosos", em cada praça,
nos causando faniquitos.
Isso porque a justiça
a saúde, a educação
são como a máquina que enguiça,
deixando o povo na mão.
Por ser a politicagem
tão baixa que nos assusta,
dela temos esta imagem:
BASTARDA, VENDIDA, INJUSTA.
Mary Schultze, março 2006.
(parafraseando Gregório de Mattos Guerra).