Remindo o tempo
Ontem (24/03/06), quando ia almoçar no Oswaldo, avistei uma jovem loura, tão linda que fiquei parada, olhando para ela, como se fosse uma aparição angelical, fazendo-me lembrar a neta alemã - Luciana - que agora tem 26 anos.
Ela observou minha perplexidade e logo veio falar comigo. Era uma jovem desempregada, mãe solteira, com uma filhinha de colo para criar, tendo perdido o emprego recentemente e por isso está vendendo balas na rua, a fim de conseguir comprar o leite do bebê. Foi isso que ela me contou, oferecendo-me um pacote de balas, que comprei, num piscar de olhos, o qual logo passaria à frente, pois não gosto de balas.
Conversei alguns minutos com a jovem, pregando o evangelho e dando-lhe conselhos para crer e confiar no Senhor Jesus Cristo, o Deus Criador do Céu e da Terra, o Qual, certamente, há de conseguir-lhe uma ocupação melhor, dentro de pouco tempo, para ela não mais precisar vender balas na rua.
Paulo nos ordenou: “Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo!” (Colossenses 4:5).
Pena que não adivinhei que, naquela mesma tarde, iria me telefonar um irmão na fé, que é o dono de três supermercados nesta cidade. Tenho feito algumas traduções para ele, sem nada cobrar, ele já empregou uma pessoa a pedido meu e bem que poderia ajudar essa moça... Que Deus me ajude a reencontrá-la, para eu poder encaminhá-la a esse irmão empresário.
Essa moça, como tantas outras, achou que era livre para fazer tudo que desejava e acabou se metendo nessa tremenda enrascada, que é ter uma filha sem condição de criá-la. Os jovens de hoje não pensam nas conseqüências dos seus atos e praticam relações sexuais com a maior facilidade, correndo riscos terríveis, como pegar DSTs e também gerar uma criança, que será infeliz e desprotegida por falta de apoio familiar.
Deus sempre me leva a encontrar pessoas que precisam de amor e carinho. Na semana passada, encontrei no Bradesco uma jovem morena, muito linda, que estava atendendo no Caixa dos Idosos. Conversei com ela e soube que está provisoriamente aqui em Terê, substituindo um colega que entrou em férias. Soube que ela sobe e desce a serra diariamente e quando eu lhe disse que tive empresa de cosméticos em Caxias, por 36 anos, ela ficou muito animada. Conversamos um pouco e na segunda vez em que a vi, dei-lhe um CD com artigos e livros evangélicos (ela tem computador em casa).
Na terceira vez em que entrei no banco, quando me viu, a jovem caxiense foi logo falando em voz alta: “Mamie querida, estava com saudade e quero atender a senhora!”. O caixa ao lado, também meu amigo, brincou: “Quem vai atender a Mary sou eu, pois ela é a ‘nossa senhora’ do banco!”. Ri da piada e disse que, ao contrário desses dois católicos romanos, sou uma protestante e não posso aceitar o título de “nossa senhora”, nem ter senhora alguma em minha vida... Apenas tenho um SENHOR!
Até poucos anos, eu não conseguia entender como Deus podia permitir que eu continuasse tão tagarela, depois de muitos anos de conversão, de um curso bem feito num seminário teológico e de tantos anos de vida. Hoje entendo: Ele me usa assim como eu sou, pois faço amizades com facilidade, não tenho vergonha de pregar o evangelho em toda parte aonde chego. Não me incomodo se me acharem maluca ou esclerosada, pois sei que o meu Senhor me ama como eu sou e tem-me usado com todos os meus defeitos para a Sua honra e glória. Por isso não me canso de dizer: Bendito, louvado e glorificado seja o Seu Santo Nome!
E tem mais, conforme o Senhor Jesus nos prometeu, em Mateus 10:19-20, para as horas de perseguição, o que pode ser adaptado às horas de pregação: “... não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós”.
Mary Schultze, março 2006.