“Riso Santo” - Um lamentável Engodo?

 

Warren Smith

 

         Mais uma vez, dei uma olhada no vídeo - “Encontro de  Sinais e Maravilhas, no Campo”. Pastores de  imensas igrejas carismáticas  esbarravam-se pelo palco da igreja, todos eles “embriagados” [do “espírito”] com o “riso santo”. Desejando testemunhar o fato de que o “riso santo” tivesse transformado os seus ministérios e suas vidas, muitos deles estavam impossibilitados de falar, quando para isso eram convocados. Mesmo assim, sua condição de ”embriaguez” servia de testemunho. Sua voz embargada era vista como uma “prova do poder do Espírito” que deles se havia apossado. A congregação rugia em aprovação, enquanto um após outro ria incontrolavelmente, depois caindo ao chão. De pé, ao lado dos pastores, “embriagados”, estava o evangelista Rodney Howard-Brown [que agora chamaremos simplesmente R.H-B], o auto-intitulado “despenseiro do Espírito Santo”, o qual estava servindo o ”vinho novo” do “riso santo”.  Muitos cristãos acreditam hoje  que R.H-B é o canal escolhido por Deus para compartilhar o “reavivamento do riso” à igreja dos últimos tempos. Outros o vêem como um falso profeta, o qual está infligindo enorme dano ao Corpo de Cristo.

        No início da última primavera, o Spiritual Counterfeit Project (Projeto de Engodo Espiritual) recebeu um fax de alguém expressando preocupação sobre o novo fenômeno chamado “riso santo”. Essa pessoa contava que na Igreja Vineyard, que se localiza na área da Baía de São Francisco (CA), estava fazendo experiências com o que seria um sinal desse “reavivamento”. Membros da igreja e alguns visitantes estavam caindo em espontâneas e incontroláveis risadas, durante os cultos noturnos.

        Mais tarde, quando conversei com vários membros da congregação de Vineyard, em São Francisco, eles me disseram que centenas de pessoas estavam tendo acessos de riso como um sinal de  “reavivamento” e que algumas pessoas eram “sacudidas no espírito”, ficando inconscientes durante horas, após terem caído ao chão, com o “riso santo”. Os membros da Vineyard descreviam este fenômeno como inquestionavelmente “espantoso” e como sendo “definitivamente” uma obra do Senhor.

         Eu fiquei sabendo que os pastores da Vineyard haviam chegado, recentemente, de Toronto, onde havia sido registrado que “Deus havia tocado as pessoas e onde o reavivamento havia irrompido”. Os pastores de São Francisco haviam participado do “reavivamento” de Toronto e o haviam trazido para São Francisco. Era como se uma das características do “riso santo” fosse a de poder ser facilmente transferido de uma pessoa para outra, com uma simples imposição de mãos. Desse modo, o “reavivamento” de Toronto estava sendo espalhado na Igreja Vineyard, em São Francisco. Suas reuniões noturnas estavam sendo realizadas, a fim de acumular a multidão de pessoas desejosas de receber o “toque” desse “mover de Deus”.

        Dentro daquelas poucas semanas de visita à Vineyard, pude captar um pequeno programa sobre o “riso santo”, numa estação local  de TV cristã. O painel de convidados estava discutindo, entusiasticamente, o “riso santo”, endossando-o como sendo, inquestionavelmente, um “derramamento” do Espírito de Deus, nestes últimos tempos. Comparando o “riso santo” à obra do Espírito no Pentecoste, eles estavam convencidos de que o “riso santo” era absolutamente autêntico. Eles o equiparavam à noção bíblica de “alegria”, e entendiam que o “riso santo” era a “alegria do Senhor”. Muitas referências à alegria do Senhor eram citadas, alguns cânticos em referência eram cantados e, lá pelo final do programa, era como se eu tivesse assistido a uma hora de propaganda comercial sobre o “riso santo”.

         Aconteceu, várias semanas mais tarde, um programa sobre o “riso santo” na Trinity Broadcasting Network (TBN). Enquanto o pregador, R.H-B,  estava entregando o que parecia ser uma mensagem séria, as pessoas se deleitavam em risadas, sem motivo algum para isso. Contudo, R.H-B parecia ignorar aquilo e continuou pregando. Depois, quando as risadas atingiram o ápice, ele começou a incorporá-las a tudo que estava acontecendo, afirmando que o “riso santo” que as pessoas estavam experimentando era expressamente do Espírito Santo de Deus. Ele também comparou o “espírito” que ali se manifestava com o Espírito Santo do Pentecoste. Ele lembrou a audiência que os discípulos reunidos no Cenáculo tinham sido vistos como “cheios de mosto”, quando, em verdade, estavam embriagados do Espírito.

        A audiência de  R.H-B continuou a rir histericamente, enquanto ele falava do “reavivamento” atual e de como o “riso santo” estava liberando esse “reavivamento”. No final do programa, R.H-B saiu cambaleando pelo hall da igreja, entre uma multidão de pessoas caídas ao chão, ele mesmo dando, agora, muitas risadas.

         À medida que ia andando, rindo e falando em línguas, ele ia também impondo as mãos sobre as pessoas. Após dizer “fique cheio”, ele repetia a frase: “do alto da cabeça até as pontas dos artelhos”, as pessoas caíam ao chão, em histéricas gargalhadas. Quando o programa terminou, o evangelista continuou acenando os braços, entre os corpos caídos, muitos deles ainda convulsionados e às gargalhadas. [N.T. - Como diria minha avó católica, “Vixe Maria, isso parece coisa do demo”.]

         Nesse tempo, foi-me enviado  um folheto avisando que Charles e Frances Hunter, autores de um livro recente intitulado “Holy Laughter”  (Riso Santo),  estavam chegando a Portland, Maine. O folheto dizia: “Deus está enchendo a igreja com o riso santo. Venha receber o batismo da alegria. Você jamais será o mesmo! Não falte a este inesquecível mover do Espírito Santo.” Outro livro sobre  o “riso santo” intitulado “Fresh Anointing, Another Great Wakening”  (Nova Unção, Outro Grande Despertamento) também me chamou a atenção. Neste livro, Mona Johnian descreve a “chegada”, em nosso tempo, do movimento do “riso santo’, o qual havia irrompido na sua Igreja de Boston, quando ela e o marido assistiam  ao culto liderado por RH-B.

         Durante esse período bimensal, houve ainda outro programa sobre o “riso santo”. Ele focalizava um culto local televisionado, cujo pregador era Richard Roberts, filho de Oral Roberts, da Universidade Oral Roberts. O sermão inteiro versou sobre o “riso santo” e como este havia mudado sua vida e seu ministério. Ele descreveu como o “reavivamento” havia chegado à sua universidade e como ele havia cancelado as aulas da mesma durante dois dias, a fim de que os 4.000 alunos da mesma pudessem experimentar, pessoalmente, a “alegria do Senhor”, recebendo o dom do “riso santo”. Não me surpreendi ao ver que o reavivamento pregado por Roberts havia chegado até ele através de R.H-B.

         Mais tarde, quando finalizava o meu cansativo curso de verão sobre o assunto do “riso santo”, a edição de agosto da revista “Charisma”  trazia a foto de R.H-B, na capa. Ele era, obviamente, o homem do momento. A história da capa sobre o agora popular “despenseiro do Espírito Santo”, trazia como título: “Praise the Lord and Pass The New Wine”  (Louve o Senhor e Passe o Vinho Novo). Mais um artigo endossando R.H-B e o “riso santo”. Então, comecei a conferir tudo que eu havia descoberto sobre o “riso santo” - nos programas de TV, nos livros, nas diversas “unções e “reavivamentos”, na Vineyard de São Francisco, nos Hunters, Mona Johnian, Richard Roberts e em tudo o mais. O artigo da “Charisma” descrevia R.H-B como o “condutor espiritual” para o “riso santo”; contudo, eu queria saber como R.H-B havia conseguido a sua “unção”.

        O artigo da “Charisma”  dizia que, na África do Sul, no verão de 1979, R.H-B havia “passado horas em oração, implorando uma profunda experiência com Deus”. E que, em meio às orações, ele havia desafiado Deus: “OU O SENHOR DESCE E ME TOCA, OU ENTÃO EU SUBO PARA TOCAR O SENHOR!” Conta a “Charisma’” que, de repente, no meio da oração, R.H-B sentiu como se todo o seu corpo estivesse pegando fogo. Ele começou a rir, incontrolavelmente; em seguida, começou a chorar e a falar em línguas”.  [N.T. - Deus deve ter ficado “receoso” da ameaça desse “condutor espiritual do Espírito Santo” e, então, mandou fogo no corpo dele!]. No livro de R.H-B - “The Touch of God” - escreve a “Charisma”  que o autor disse: “fui tomado por um suprimento de circuito elétrico e, desde então, o meu desejo é plugar as pessoas”.

E, certamente, uma das características mais marcantes  da “unção” de R.H-B, e de todo “reavivamento”, é a “unção” transferida, instantaneamente, às pessoas.  Os “ungidos” por R.H-B agora podem “ungir” os outros. E é isso que está acontecendo... O “Espírito Santo” que visitou R.H-B tem, exponencialmente, multiplicado-se, à medida que tem sido passado de uma pessoa para outra, ao redor do mundo. [N.T. - Não seria hora de ler a 2 Tessalonicenses 2:8-12?]. Um vídeo anunciado, na mesma edição de agosto da “Charisma”, documenta a difusão do “riso santo” de R.H-B. Seu título é “The Laughter That Was Heard Around the World”  (O Riso que Foi Ouvido ao Redor do Mundo).

O “reavivamento” do “riso santo” iniciado por R.H-B tem-se espalhado como fogo silvestre pelo mundo inteiro. Uma conferência patrocinada  pela Vineyard de Toronto atraiu 2.300 pastores dos lugares mais remotos, como o Camboja, por exemplo. Todos eles vieram observar o “reavivamento” do “riso santo”, o qual passou a ser chamado “Bênção de Toronto”. Até mesmo os pastores mais cépticos foram apanhados pelo “toque do Espírito Santo”, levando essa experiência de volta às igrejas de suas cidades.

O “reavivamento do riso” de R.H-B tem chegado, especialmente, a todas as ramificações do  Cristianismo, com o endosso de Pat Robertson, em seu  popular “Clube dos 700’. Em 17/10/1994, Robert disse o seguinte, referindo-se ao “riso santo”: “O que ele me diz é que o reavivamento está acontecendo,  no mundo, numa onda gigantesca... Estamos esperando a Vinda do Senhor... Acho este um sinal de encorajamento, em meio aos problemas de guerras e de tanta confusão. Deus está nos dizendo: ‘Estou no trono e vou tocar muitos milhões’. Isso é maravilhoso e eu aplaudo”.

 

Mas... O que diz a Bíblia sobre isso?

 

         No verão passado, após ter observado R.H-B na TBN, consultei minha concordância bíblica, a fim de ver se havia algum respaldo para o “riso santo”. Para minha surpresa, encontrei apenas 40 referências ao riso, na Bíblia. Destas, 34 se encontram no Velho Testamento e apenas 6, no Novo Testamento. É claro que, das 40 referências, 22 se referem ao riso de zombaria, como em Neemias 2:19, que diz: O que ouvindo Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, e Gesém, o árabe, zombaram de nós, e desprezaram-nos, e disseram: Que é isto que fazeis? Quereis rebelar-vos contra o rei?” ... Das 18 referências que sobram, 7 se referem à inicial descrença de Abraão e Sara de que Deus estaria lhes dando um filho, em tão avançada idade. Por fim, na pequena pesquisa sobre o riso, fiquei reduzido a 11 referências.

         Em Jó 8:20-21, Bildade, um dos falsos confortadores de Jó, admoesta-o, erroneamente: “Eis que Deus não rejeitará ao reto; nem toma pelas mãos os malfeitores; até que de riso se encha a tua boca, e os teus lábios de louvor”.

            No Salmo 126:2, o salmista registra: “Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o SENHOR a estes”.

            Em Provérbios 29:9, lemos: “O homem sábio que pleiteia com o tolo, quer se zangue, quer se ria, não terá descanso”. Nas 8 referências que restam, sugerindo qualquer coisa que lembre o “riso santo”, veremos:

Eclesiastes 2:2: “Ao riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta?”

Eclesiastes 7:3-4:  “Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração...  O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa do riso”.

Eclesiastes 7:6: “Porque qual o crepitar dos espinhos debaixo de uma panela, tal é o riso do tolo; também isto é vaidade.

Eclesiastes 10:19: “Para rir se fazem banquetes, e o vinho produz alegria, e por tudo o dinheiro responde”.

            Interessante é que as 3 referências finais da Bíblia sobre o riso, as únicas do Novo Testamento são de admoestação contra o mesmo. Estas 3 referências parecem endossar o argumento salomônico de que é melhor chorar do que rir.

Lucas 6:21, 25: “Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir... Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis”.

Tiago 4:9: “Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza”.

         Vasculhei as Escrituras, tentando encontrar um respaldo bíblico para o “riso santo” e não encontrei sequer um. Para minha surpresa, descobri que havia poucas referências na Bíblia  para qualquer tipo de riso. Será que isto significa que Deus não tem senso de humor ou que as pessoas na  Bíblia nunca riam? Não. Isto significa que o riso, aparentemente, não foi algo que Deus quisesse enfatizar. E, certamente, as últimas palavras de Jesus sobre o riso foram muito duras, conforme a passagem de  Lucas 6:25 supracitadas.

        Em Isaías 1:18, O Senhor nos convida: “Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã”. Tenho muitas dúvidas, aqui, sobre o “riso santo” e o “reavivamento do riso”! Vejamos:

 

01) - Não existe precedente algum para o “riso santo”.

O riso raramente é mencionado na Bíblia e, quando isso acontece, a Bíblia parece dar mais ênfase à tristeza santa do que ao “riso santo”, o que é endossado pelos argumentos de Salomão. Portanto, ela não apóia o atual “riso santo”.

 

02) - Substituir a palavra “alegria” por “riso” não  é conveniente. Isso é inexato e mal dirigido.

Não existe escritura apoiando o “riso santo”. Nem existem textos bíblicos sobre a “equiparação do  “riso” à  palavra “alegria”.

 

03) - O “riso santo” raramente defende, se é que o faz, a necessidade de testar os espíritos.

A Bíblia nos manda testar os espíritos, na 1 João 4:1, lemos: “AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”. Na p. 65 do seu livro “Holy Laughter”, Charles e Frances Hunter defendem exatamente o oposto.

 

04) - O “riso santo” raramente defende, se é que o faz, a admoestação sobre os falsos espíritos que surgirão, sobrenaturalmente, a fim de enganar os que os seguem, em vez de seguirem a verdade de Deus.

A 1 Timóteo 4:1 nos admoesta: “MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”.

 

05) - O “riso santo” raramente defende, se é que o faz, a admoestação bíblica sobre os falsos profetas que surgirão em nome do Senhor Jesus, trazendo em seu âmago um ‘falso espírito’.

Na 2 Coríntios 11:4, lemos: “Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis”.

 

06) - Muitos adeptos do “riso santo” ajudam a desencorajar e até intimidam os que questionam o “reavivamento do riso”.

Na revista “Charisma”, R.H-B desacata as pessoas que “tentam aplicar testes teológicos” ao que ele faz. O livro “Holy Laughter” se refere aos cépticos como sendo “os gélidos escolhidos de Deus”. Mona Johnian escreve: “Os cépticos, os hesitantes e os procrastinadores  não serão ungidos” . Ela avisa que “qualquer pessoa ou igreja que hesitar deve ser excluída”. [N.T. Ora, esta é a mesma política religiosa da Nova Era!]

 

07) - A oração de Rodney Howard-Brown (R.H-B) feita a Deus, logo antes de sua “unção”, dizendo: “OU O SENHOR DESCE E ME TOCA, OU ENTÃO EU SUBO PARA TOCAR O SENHOR”, é totalmente antibíblica, contrariando o que Jesus ensinou na “Oração do Senhor” - o Pai Nosso.

A Oração do Senhor ensina “Seja feita a tua vontade...”  R.H-B orou: “Seja feita a minha vontade”. Quem pode garantir que foi Deus quem respondeu a oração dele?

 

08) - O “riso santo” defende os sinais e maravilhas, desprezando o que a Bíblia admoesta sobre os enganosos sinais e maravilhas dos últimos tempos.

Em Mateus 16:4, Jesus admoesta: “Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas...” Em Mateus 24:24, ele diz: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”.  Na 2 Tessalonicenses 2:9,  lemos: “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira...”

 

09) – O “riso santo” defende a imposição de  mãos sobre quase qualquer pessoa.  A Bíblia admoesta, especificamente, contra isso.

Em Atos 8, Pedro se recusou a impor as mãos sobre o recém convertido Simão, o mágico, porque o seu coração não era reto diante de Deus. Paulo admoesta contra a indiscriminada imposição de mãos, na 1 Timóteo 5:22: A ninguém imponhas precipitadamente as mãos...”

 

10) - O “riso santo” defende, ostensivamente, o desprezo à admoestação bíblica de que as coisas devem ser feitas, decentemente, na igreja.

A 1 Coríntios 14:40 diz: Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”. Mona Johnian diz exatamente o oposto, na p. 45 do seu livro: “quebrem a tradição!”

 

11) - O caos e a confusão, que em geral predominam no “reavivamento do riso”, contradizem a descrição bíblica da Santíssima Pessoa de Deus.

A 1 Coríntios 14:33 declara: Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos”.

 

12) - O “riso santo” omite o aconselhamento à pesquisa das bem documentadas manifestações demoníacas, que aconteceram em reavivamentos passados.

O livro de Jessie Penn-Lewis e Evan Roberts: War On the Saints: a Disclosure of the Decptive Strategies Used by Evil Spirits Against God’s People”  mostra como ambos estiveram envolvidos com o reavivamento gaulês, na virada do século 19/20, e como ficaram extremamente  cônscios das manifestações demoníacas ali presentes, tentando dominar as reuniões. Na introdução, eles mostram “os graves perigos que se encontram nas trilhas do entusiasmo desinformado”.

 

13) - Vários  cristãos experimentaram o equivalente ao “riso santo”, quando militavam na Nova Era, antes de sua conversão.

O guru indiano, Bhaghvan Rajneesh, conhecido e estimado pelos seus seguidores, por causa de sua “embriaguez divina”, dizia  que havia mergulhado no poço do “Divino”. Fui um dos seus seguidores e encontrei centenas de discípulos dele, que foram até a Índia, a fim de beber do “vinho” de Rajneesh. Quando eram tocados fisicamente pelo guru, ou apenas estando em sua presença, eles eram acometidos de sensações de grande hilaridade e alegria. Os discípulos de Swami Baba Muktananda também costumavam mostrar incontroláveis crises de riso, depois de receberem o shaktipat (contato físico) do guru. [N.T. - Isso está acontecendo frequentemente, nas reuniões carismáticas, quando certos pastores “ungidos”, como Benny Hinn, por exemplo, impõem as mãos sobre os seus seguidores.]

 

14) – O “reavivamento do riso“ poderia, futuramente, emergir, com o que a Nova Era chama “Pentecoste Planetário”.

O “reavivamento do riso” poderia emergir, futuramente, como o Pentecoste Planetário da Nova Era. Bárbara Max Hubbard (que até foi candidata a vice-presidência dos Estados Unidos, em 1984), escreve em seu livro “Teachings from the Inner Christ”  (Ensinos do Cristo Interior) sobre o Pentecoste Planetário. No livro “The Revelation”, ela diz que quando todas as pessoas estiveram ligadas na mesma mente cósmica, então o “Cristo” vai aparecer e uma alegria incontrolável vai dominar todos os moradores da Terra, que estiverem ligados ao co-sistema, etc. [N.T. - Os inimigos da Palavra de Deus estão sempre exaltando o amor, alegria, paz e rendição incondicional ao “cristo”, que não é o da Bíblia. Infelizmente, multidões de cristãos militantes nas igrejas carismáticas e “avivadas”  estão sendo doutrinadas para cair nos engodos da Nova Era. Uma jovem (membro de uma das igrejas desta cidade) me disse: “Estou aberta para qualquer coisa, dentro do contexto evangélico”. Mais tarde, quando a escutei gritando, histericamente, uma oração, após uma retumbante exibição de louvor (como se Deus fosse surdo), sabendo que “Deus não é Deus de confusão, senão de paz”, fiquei  imaginando quantos cristãos vão ficar aqui, na hora do Arrebatamento, esperando o “cristo” que lhes está sendo impingido.]

         A controvérsia sobre o “riso santo” tem dividido congregações e causado profundas divisões no Corpo de Cristo. Conquanto muitas pessoas já tenham tomado partido, existem muitas que ainda estão tentando imaginar o que está  acontecendo. Será que este é um mover de Deus ou um tipo de engodo contra o qual nos admoesta a Bíblia em Mateus 24, na 1 Timóteo 4:1 e na 2 Tessalonicenses?

         Sem dúvida, a unidade é o desejo do coração de cada cristão sincero (Salmos 133:1). Mas, a Bíblia admoesta sobre o maciço engodo dos últimos dias, o qual vai se apresentar usando o nome de Cristo. Antes que a igreja, em nome da unidade, caia voluntariamente no “reavivamento” mundial, através do “riso santo”, precisamos ter certeza sobre quem é, de fato, aquele em nome de quem ela está se unindo.

Ao refletir sobre o “riso santo”, durante estes tempos trabalhosos, lembrei-me de um show musical especial, que vi na TV, alguns anos atrás. Num ambiente de pessoas muito requintadas, em Hollywood, um visitante cantou uma canção. Ele estava sóbrio, encarando as pessoas, naquela celebração. Suas palavras saíram elétricas e ferinas, parecendo flutuar no ar. Elas diziam: “Agora, vocês estão rindo, mas deveriam estar chorando. Vocês estão  na meia-noite de suas vidas...”

Os excessos carismáticos e pentecostais se assemelham à energia kundalini, a qual é tipicamente descrita como uma poderosa energia, adormecida como um serpente enrolada, na base da espinha dorsal.  Quando liberada, ela tem a capacidade de efetuar grandes curas físicas. Cristina e Stanislov Grof, autores do livro “Storm Search For the Self”  (A Tempestuosa Busca do Ego), descrevem como o despertamento da energia kundalini pode ser disparado por um mestre ou guru espiritual. E como esse despertamento pode trazer à memória antigos traumas psicológicos. Os gurus declaram que indivíduos envolvidos neste processo podem achar difícil controlar o comportamento. Durante as ondas de poder liberadas pela energia kundalini, muitas vezes as pessoas emitem sons estranhos, e os seus corpos fazem movimentos estranhos e inesperados. Entre as manifestações mais comuns, encontram-se o falar em línguas e a imitação de diversos e variados movimentos animalescos” (p. 78). [Os lutadores chineses, conforme apresentados na TV] são especialistas nesse tipo de movimentos. Os Grofs declaram ainda que um estudo cuidadoso da energia kundalini confirma que este  processo, embora intenso e desgastante, pode ser, também, curativo.

 

Excerto do artigo “Holy Laughter or Strong Delusion?”,  de Warren Smith - 1997.

Traduzido e comentado por Mary Schultze, em 25/07/2008.

www.cpr.org.br/Mary.htm