Sangue no Vaticano
(Parte I)
O eminente historiador britânico, Dr. Clive Gillis, publicou em 11 e 29/09/03, no site “www.ianpaisley.org”, um trabalho sobre o assunto acima, o qual achei importante traduzir.
O dia estava glorioso em Úmbria, em 1998. Eu estava viajando de Roma para Ovieto, num trem lotado, quando minha atenção foi despertada, subitamente, para a manchete de um jornal nacional da Itália, La Republica, o qual anunciava em letras grandes – MORTE NO VATICANO. Dentro havia um sub-título onde se lia “Sangue no Vaticano”.
Somente no dia 05/05/1998 ficou claro que não fora o papa a vítima do assassinato. Mesmo assim, “o pior banho de sangue em mais de um século” havia acontecido bem no coração do Vaticano, no dia anterior.
Como sempre acontece nos “arranjos” do Vaticano, passaram-se anos até que o caso pudesse ser criteriosamente apresentado. John Follain, correspondente do “The Sunday Times” para os assuntos do Vaticano apresenta agora uma nova versão desse cruel episódio, em seu livro “City of Secrets, 2003”. Convém dizer que Follain rejeita completamente a idéia do assassinato do papa João Paulo I e pode até ter dado mais crédito ao Vaticano do que este realmente merece, também, neste caso. Mesmo assim, o trabalho de Follain é de primeira classe.
Três corpos – Lá pelas 9 hs. da noite do dia 04/05/1998, no coração da Cidade do Vaticano foi cometido um triplo assassinato no apartamento do Comandante da Guarda Suíça, Alois Estermann. A mulher deste (uma ex-modelo), Gladys Meza Romero, foi a primeira a ser encontrada. Ela havia sido alvejada. Logo mais para dentro do apartamento, na sala de visitas, Estermann foi encontrado com uma bala no queixo e outra no pescoço. Ali perto, o oficial de armas, Cedric Tornay, estava emborcado sobre o revólver que havia matado os três. Ele parecia ter apontado a arma à própria boca e descarregado a mesma, estourando o crânio.
Parecia não haver razão alguma para qualquer outra explicação, além de que, simplesmente, Tornay havia assassinado o Comandante e sua esposa, a qual, infelizmente, ali se encontrava, antes que Tornay desse cabo da própria vida.
A Guarda Suíça - é composta basicamente de mercenários pagos para defender o papa e o Vaticano. Pouco antes da Reforma, a “Cadeira de Pedro” era ocupada pelo papa guerreiro Júlio II, o qual vivia entregue às batalhas com um exército completo. Tendo em vista que os monarcas da Europa estavam todos satisfeitos com os seus mercenários suíços, Júlio também quis ter alguns deles. Foi então que adquiriu 150 guardas, em 1506. Dois deles são vistos num afresco de Rafael, pintor que foi pressionado a glorificar as expedições militares de Júlio II. O afresco ainda pode ser visto nos apartamentos onde os guardas são pintados, ajoelhados diante do trono papal, os quais, ao primeiro sinal de problema, supunha-se que agarravam o papa ali sentado e depressa sumiam com ele.
Hoje em dia a Guarda Suíça, ou melhor, a “Cohors Pedestris Helvetiorum” se constitui no único exército do papa. O principal exército papal foi desmantelado junto com os estados papais, em 1870. As guardas - Palatina e Noble - foram debandadas por Paulo VI, na era da liberação com o Vaticano II. Além da Guarda Suíça existe uma força política doméstica, a Vigillanza, e no outro extremo da segurança, suplementando a espionagem geral e potencial sobre cada padre, existe um serviço secreto nas sombras, equivalente à CIA e à KGB.
A maior derrota da Guarda Suíça aconteceu durante o saque de Roma, em 1527, quando Clemente VII escapou - através da passagem - para o Castelo de Santa Ângela, deixando que os guardas enfrentassem o terrível extermínio, quando S. Pedro foi transformado em estábulos de cavalos.
Nos bons tempos, os jovens ficavam muito saudosos do lar, sofrendo o calor e a sujeira de Roma, que são um contraste com o ar fresco e os arroios das montanhas e florestas da Suíça. Mesmo assim, basta uma leve menção de ter prestado serviço na Guarda Suíça para que se abram as portas para uma nova carreira, quando de volta ao lar.
Madame Baudet – A mãe de Tornay, Muguette Baudet, que tinha o maior orgulho do filho, anda tremendamente consternada com o tratamento que foi dispensado a si mesma e ao filho, tendo deixado escapar à imprensa uma foto dele, ao pé do Memorial de Guerra, comemorando o saque de Roma. O público jamais havia visto esse Memorial, o qual consiste de um tablete gravado em pedra, no qual um soldado está de pé diante de duas figuras caídas. Abaixo existe uma inscrição em Latim dizendo: “Eles caíram gloriosamente... em defesa, até o final”. Em baixo, em letras grandes: MEMÓRIA PÁTRIA - “Sempre lembrados nesta terra mãe”. Supõe-se que Madame Baudet agora está menos entusiasmada com a foto do jornal do Vaticano, na qual ela aperta a mão do papa, enquanto o seu filho, em traje de gala, permanece de pé, durante a cerimônia do juramento.
Juramento – O juramento em cerimônia não é um estágio difícil de ser alcançado pelos recrutas. O complemento histórico da Guarda Suíça foi de 150 soldados, desde o papa Júlio II.
Contudo, hoje em dia, com o declínio do respeito pelo papado, é bem menor a tendência do jovem para viajar. Com a relativa pobreza da Itália comparada à Suíça e os baixos salários oferecidos, esse tipo de recrutamento tende a ser cada vez mais baixo. E a unidade recrutada vai minguando cada vez mais...
Os homens elegíveis devem ter entre 19 e 30 anos, com um mínimo de 1,74 m de altura. Devem ser suíços católicos romanos oriundos de famílias romanistas. A maioria dos jovens suíços deseja uma excitante permanência em Roma, porém esses jovens se ressentem ao ficar ligados aos quartéis do Vaticano, sob uma porção de exigências. Então, fora alguns romanistas praticantes, o Vaticano tem de atrair os candidatos como pode. Uma pensão, quando se desligam, é uma boa garantia para conseguirem outra carreira.
Mãe Protestante – É certo que Tornay era filho de mãe protestante, a qual fora forçada pelo pai do rapaz a fazê-lo crescer no romanismo, numa parte fortemente católica da Suíça, onde ele havia nascido e onde se fazem muitos recrutamentos. Ele estava muito interessando na parte militar de sua carreira e no glamour oferecido pela mesma. Certamente o pacto solene feito por ele de “servir o Supremo Pontífice JP2 e seus legítimos sucessores, e também me devotar a eles com toda a força, sacrificando a proporia vida para defendê-los, se for necessário” exige que todo guarda esteja disposto a proteger o papa dos projéteis, usando o próprio corpo como escudo.
O risco de se encontrar em tal situação não é muito, porém Torney, que viu isso na pequenez da hierarquia do Vaticano resumindo-se num gesto, certamente colocou o seu voto no topo de suas prioridades.
Já se foram os dias em que o Comandante devia ser também membro de uma família aristocrática suíça. Estermann, o 32º. Comandante, vinha de uma ascendência comum. O documento de recrutamento mais parece uma brochura para uma aventura de feriado. “Você é um jovem moderno, vivo dinâmico e atlético...Seu ideal é uma vida fascinante... sente-se atraído por atos de coragem... etc”.
Quando, certo dia, entrei numa área privativa do Vaticano, o guarda suíço que me acompanhou, em seu brilhante uniforme amarelo costurado em casa, levando a sua espada, era um agradável profissional jovem. Aberto e genuíno, o seu desempenho era de fato ágil, mostrando uma disciplina na unidade, a qual, nos passados anos 1960, havia se tornado dissoluta. Essa não era bem aceita, segundo o descontentamento estudantil em 1968, pelo fato de que o álcool era muito mais barato no supermercado do Vaticano do que na fronteira italiana. O uso da arma suíça usada por Tornay havia sido introduzida poucos antes dele chegar ali.
Um ato de loucura – Lá pela meia noite, o Secretário de Imprensa da Opus Dei do Vaticano, Navarro Valls, com a sua presença imposta de modo mais agressivo que a dos cardeais, declarou que o ato de Tornay foi um “caso de loucura”. Um exame post mortem mostrou um pequeno tumor de 4 cm X 2,5 cm no lobo central do cérebro de Tornay. Essa é a área do cérebro que controla a personalidade. Também havia traços de derivados de maconha em seu sistema.
Com rapidez o Vaticano se apegou a esses fatos como evidência para corroborar a teoria do “caso de loucura”. Nessa base, Navarro Valls elevou confiantemente a sua teoria de uma tempestade cerebral para uma “certeza moral”.
As circunstâncias nas horas que antecederam os assassinatos não poderiam ter sido mais apropriadas para um crime provocado por súbito furor. Ao meio dia do 04/05, Estermann fora nomeado Comandante da unidade, numa cerimônia usual. Tornay estava prestes a deixar a Guarda e voltar para casa. Ele tinha muita esperança de receber a ambicionada medalha benemérita pelos seus três anos de serviço. Seus colegas também esperavam que ele a recebesse, visto como, afinal, ele havia se tornado oficial. No mesmo dia, ele descobriu, muito casualmente, através de amigos, que o seu nome não constava da lista dos que iriam receber a medalha. Somente Estermann poderia ser o responsável pela negação de tal honraria. Ele, então, se envolveu em frenética atividade, tentando convencer qualquer pessoa, e as pessoas importantes, a respeito da medalha e do seu fracasso em conseguir a mesma. E quando isso não deu resultado, ele, aparentemente, cometeu os assassinatos, num acesso de loucura. Não sendo, contudo, capaz de assumir as conseqüências do seu ato, ele suicidou-se. O Vaticano estava satisfeito em sepultar esse escândalo com tanta facilidade.
Começaram a circular rumores – Contudo, no ano seguinte, começaram a circular rumores de que havia mais coisa a ser enxergada. Teria sido Estermann um espião do Vaticano para a STASI, a polícia secreta alemã oriental, antes da queda do Comunismo? Certamente essa espionagem é praticada de ambos os lados. Seria Estermann um sodomita? Haveria um terceiro atirador envolvido?
Em sua versão, o Vaticano negou, enfurecido, acesso à polícia italiana, sob a alegação de que essa era extraterritorial. Uma cópia completa do “Bolletino 55/99” publicado em 08/02/1999 está aqui diante de mim e continua firme na explicação do “ataque de loucura”.
O New York Times registrou o caso, dias mais tarde, sob a manchete “O Mistério do Assassinato no Vaticano aponta agressivamente Roma”, dizendo que “o encerramento da investigação do Vaticano sobre o assassinato do Comandante da Guarda Suíça por um dos seus oficiais, na semana passada, não conseguiu deter nova circulação de rumores e especulações”.
Essa história ainda iria longe. A família Baudet constituiu advogados importantes que o Vaticano não podia ignorar.
Em 07/08/02, o Catholic News Service registrou a capitulação: “As mortes na Guarda Suíça voltaram às manchetes dos jornais, quando Luc Brossolet disse que o sistema judicial do Vaticano é marcado pelo segredo, pelo silêncio e pelo abuso”.
Brossolet e Jacques Verges são advogados altamente considerados e foram contratados pela família de Tornay para pressionar o Vaticano por uma investigação adicional das mortes. Agora o Vaticano editou uma declaração revelando que a petição vinda de Brossolet e Verges está sendo examinada pelo Tribunal do Vaticano. Isso significa um recuo da parte de Roma. Contudo, a declaração continuou: “As declarações ofensivas contra a Santa Sé, o Vaticano e a Cidade do Vaticano e os seus corpos judiciários são totalmente inaceitáveis e, além disso, carentes de fundamento”.
O mesmo artigo mostrava que o Vaticano continua com o que foi dito no Bolletino 55/99. “Após nove meses de investigação sobre as mortes, o Juiz Gianluigi Marrone do Tribunal do Vaticano... não encontrou qualquer evidência que possa autenticar uma série de acusações sensacionais levantadas pela mídia italiana, sugerindo que as morte estavam ligadas ao tráfico de drogas, a assuntos homossexuais e a outros escândalos...”
(Parte II)
Duas famílias sofreram uma terrível tragédia pessoal, quando o Comandante Estermann, sua esposa e o oficial Tornay faleceram de morte violenta, no apartamento do Com. Estermann, no dia 04/05/1998.
Nossos corações sofrem por eles. Nossa tarefa não é interferir no caso, mas simplesmente declarar os fatos que condenam a “Mãe das prostituições e abominações da terra” (Apocalipse 17:5), para que nos sirvam de advertência. O correspondente do Sunday Times para assuntos do Vaticano, John Follain, acaba de publicar uma série de particularidades sobre a maneira como o Vaticano manipulou a situação.
É curioso que Follain rejeita a tese, ou seja, a evidência, de que João Paulo I foi assassinado. Portanto, ele deve subestimar a capacidade do Vaticano em matéria de traição. Contudo, o Times não se baseia em boatos. Além disso, tornar-se um representante credenciado no corpo da imprensa do Vaticano exige certas restrições. Por isso, quando o assunto da Guarda Suíça foi reaberto, após muito lobbying em 2002, um jornalista católico romano apresentou com esperteza a notícia relativa à conspiração terrorista no Vaticano. Num relance, ele havia banalizado sérias alegações. Os escândalos de Roma são em geral suprimidos, de modo que, quando a verdade aparece, ela prova ser mais extravagante do que se suspeitava. Mas até mesmo os fatos bem atestados sobre o banho de sangue se refletem de modo bastante maligno contra o Vaticano.
O baixo nível moral do Vaticano é bestseller em Roma – Há muito tempo, tem havido uma fraca porém ativa imprensa antipapista, que vem desde o tempo de Garibaldi. As livrarias romanas tendem a empilhar livretes em suas caixas registradoras. Eles vendem depressa e a bons preços. A sociedade romana, cansada como está do papado, deleita-se em expor os deslizes do Vaticano, na venda de livretes, que saem como bolos quentes. Infelizmente, esse cinismo, divorciado do conhecimento bíblico, tende a fechar as mentes romanas ao Evangelho, levando-as a condenar tudo que leva nome de cristão.
Um ano após os assassinatos no Vaticano, este escritor observou que uma publicação desse gênero desaparecia rapidamente numa estação terminal. Um livrete de 60 ps. estava sendo vendido na base de 20 mil liras (7 Libras). A capa toda em cores mostrava em fotos do Vaticano o oficial Tornay em sua cerimônia de juramento, com um enxerto do Com. Estermann e sua esposa. A sensação do caso havia esmaecido, porém o título do jornalista romano Fabio Croce era chocante: “Crime no Vaticano. Cedric Tornay. Mártir da Igreja Católica Romana (ICR).”
O prefácio do trabalho era um panegírico contra Roma. Traduzido cruamente, Croce escreveu: “Após 20 anos de mentiras, os sacerdotes oficiais do Cristianismo (isto é, a ICR), posam navegando num mar de falsidade, a fim de utilizar o fruto de toda a sua preparação cultural necessária ao maior engodo, com a sua próxima mentira.
Essa grande mentira consumada no dia 05/05/1998 (dia seguinte ao derramamento de sangue), ... (Tornay) foi destinado a tornar-se o mártir de um mundo que não era digno de sua... pureza”. Então, agora Tornay é um mártir!
A história oficial – A versão “recebida” dos eventos foi apresentada pelo advogado Nicola Picardi, o “promotor de justiça” do Vaticano, ao juiz examinador Gianluigi Marrone, no dia 08/02/1999. O Vaticano anunciou o caso como “encerrado” para o bem, apesar de numerosas inconsistências. O Vaticano insiste em que naquela noite de 04/05/1998, Cedric Tornay chegou ao apartamento de Estermann, no acampamento da Guarda Suíça no Vaticano, portando o seu revolver de sempre. Entrou no apartamento e atirou duas vezes no Com. Estermann, enquanto ele estava no telefone. Em seguida, indo até Gladys Romero, ele deu o terceiro tiro, o qual falhou e portanto ele a matou com o 4º. Tiro. Depois se ajoelhou e voltou o revolver contra ele próprio.
A polícia italiana excluída – Mons. Alois Jehle, capelão da Guarda Suíça, saiu do local dos tiros e foi avisar ao papa. (A cena do crime jamais foi inspecionada pela polícia italiana por causa da imunidade do Vaticano). O papa pensou um instante, julgou depressa o caso, elogiou Estermann e entregou o caso nas mãos do Cardeal Ângelo Sodano, o Secretário de Estado do Vaticano. O que Roma falou: Tornay havia assassinado o seu comandante numa tempestade de ódio e inveja porque Estermann, que havia sido promovido algumas horas antes, o havia privado de sua tão ansiosamente esperada medalha benemérita de condecoração pelos três anos de serviço. A qualidade de tal serviço já havia sido atestada pela promoção de Tornay a Oficial de lança.
A imprensa mostrou JP2 rezando pelas almas dos três falecidos, colocados em esquifes iguais, para enfatizar a igualdade de todos os homens diante de Deus. Essa foto tem sido reproduzida repetidamente pelo mundo inteiro.
Contudo, uma olhada nos arredores mostra que se trata de uma sala em péssimas condições, usada como câmara mortuária, antes da disposição final dos cadáveres, mas tarde. Porém, mesmo antes disso, à meia noite, três horas após o evento, o diletante da imprensa da Opus Dei do Vaticano, o Secretário Navarro Valls, tinha feito uma declaração de que o banho de sangue fora causado por uma “acesso de loucura” que havia atacado repentinamente Tornay. No excerto publicado naquele dia, Navarro Valls elevou essa proposição para uma “certeza”. Completando o julgamento, os últimos ritos puderam ter procedimento.
Juramento de segredo – Os procedimentos post mortem foram depressa executados pela junta de patologistas do Vaticano. Todos os envolvido haviam jurado segredo total para sempre, tendo sido proibidos de guardar cópias de quaisquer dos documentos produzidos. O registro final do caso “Bolletino 55/99” falou de muitos traços de maconha presentes na urina. Isso, disseram, leva a uma “perda da percepção”. A quantidade era muito pouca para indicar dependência de maconha e o efeito, se houvesse algum, seria acalmar impulsos de agressividade. Os patologistas exageraram também o significado de um tumor benigno no cérebro de Tornay: a presença, no crânio de Tornay de um cisto do tamanho de um ovo de pombo, o qual havia comprimido e deformado o lobo frontal, levantando parcialmente o osso. Os patologistas se apegaram a isso com prazer. O livro “Principles of Neurology” (McGraw Hill, 1985) foi citado de maneira distorcida, a fim de sugerir que esse achado ocasional, o qual talvez não tivesse efeito algum sobre Tornay, “foi responsável pelo impedimento da função cognitiva... e... relaxamento do comportamento”.
Na mesma noite, em frente ao altar mor, numa São Pedro lotada, estavam os esquifes de Estermann e esposa. A espada de Estermann e o elmo de plumas prateadas repousavam sobre o caixão. Sodano conduziu o serviço com a máxima pompa. Todos os grandes e bons da Cidade do Vaticano estavam presentes. Além disso, havia a lenda de que Estermann usara o seu próprio corpo como escudo no atentado que o papa sofreu em 1981. Orações pelo repouso das duas almas, já no purgatório, prosseguiram por vários dias. Entrementes, ao esquife de Tornay fora expressamente negada qualquer regalia militar, numa cerimônia totalmente diferente, numa capela situada num recanto, lá em baixo, na Cidade do Vaticano. A única referência pública do papa em todo o período foi sobre o comparecimento de Tornay diante do Senhor, no Dia do Julgamento, a cuja misericórdia ele o confiou.
A protestante Madame Baudet – era a mãe de Tornay, a qual havia concordado com o pai romanista em educar o filho no catolicismo romano. Ela não se encontrava em casa, quando o veredicto foi telefonado, cerca de 30 minutos a pós a descoberta do banho de sangue. Uma hora depois, o sacerdote da família, mesmo sem a autorização de Navarro, disse a Mme. Baudet em termos claros: “Ele cometeu suicídio...depois de matar duas pessoas”.
Roma prevaricou amplamente quando conservou uma senhora protestante fora do Vaticano. A Mme. Baudet fora dito que o corpo do seu filho estava em decomposição, que a sua cabeça fora decepada e de todas as maneiras os hotéis de Roma estavam superlotados. Quando ela chegou a Roma descobriu que nada disso era verdade. Foi-lhe acenada a esperança de que o papa, que tanto a havia elogiado na cerimônia de juramento de Tornay, iria recebê-la, porém ele jamais o fez. Roma ficou mais muda do que um túmulo. Os boatos foram se desvanecendo e talvez o Vaticano, pela primeira vez, estivesse falando a verdade.
A sombra da Opus Dei – Então seguindo-se à “conclusão” oficial de Roma, em fevereiro de 1999, veio o livro de Croce para sacudir a cidade. Estermann, segundo este, era muito ligado e na certa um membro da Opus Dei. Havia sido essa a razão para o atraso na sua promoção, pois havia os que estavam a favor e os que estavam contra, por trás das cenas. Estermann era um romanista praticante, como o eram muitos da Guarda, enquanto o interesse de Tornay era puramente militar.
A Suíça é uma cultura que acomoda naturalmente a Opus Dei. Os guardas suíços alemães eram, como Estermann, em sua maioria, católicos romanos devotos, orgulhosos, e através da influência deste, potenciais recrutas à Opus Dei. Os suíços franceses, como Tornay, eram considerados “caipiras” inferiores e esperava-se que falassem o suíço alemão. Eram expressamente discriminados quando faziam trabalhos extras e tarefas desagradáveis lhes eram dadas sem direito à escolha. Tornay havia contado à sua mãe que estava “investigando” a mão da Opus Dei na Guarda Suíça.
Um escuso segredo do Vaticano – Outro livrete falando do baixo padrão moral e da prática da sodomia foi do historiador Prof. Massimo Lacchei: “Verbum Dei et Verbum Gay” (A Palavra de Deus e a Palavra de Gay) foi também publicado, nesse tempo. Este não só desmascarava um dos segredos mais bem guardados da Cidade do Vaticano – o homossexualismo dentro de seus muros – como mostrava que a Guarda Suíça estava envolvida no mesmo. Os detalhes do livro não são publicáveis. Ele dava os nomes de “Major Jorg” e “Tenente Kaspar” aos dois homens e Lacchei anunciou, no dia da distribuição do livro, que os verdadeiros personagens eram Estermann e Tornay. O livro vendeu tanto que uma nova edição foi impressa dentro de apenas dez dias.
Convém dizer que a cuidadosa investigação de Follain, feita da melhor maneira possível, em face do silêncio do Vaticano, mostrou que Tornay era heterossexual e popular entre as mulheres, embora nem um pouco casto. Estermann havia se casado depressa, logo no início de sua carreira, tendo sido aconselhado a isso, pois se permanecesse solteiro jamais iria progredir na Guarda Suíça. Parece que ele era um sodomita promiscuo, o qual apanhava os soldados jovens. Certamente ele manteve um caso com Tornay por quase dois anos e então decidiu terminar.
Follain descobriu ainda que os jovens soldados se tornavam presa dos idosos hierarcas sodomitas do Vaticano.
Lacchei foi citado com estas palavras: “Vejo a Guarda Suíça como uma espécie de estufa, cujas flores são colhidas pelos bispos e cardeais sodomitas. As pessoas no Vaticano me contaram que os guardas suplementam os baixos soldos dessa maneira”.
Nesse caso, se aceitarmos a teoria de suicídio, poderemos facilmente imaginar porque Tornay ia deixar o Vaticano, após três anos de serviço. Ele devia ter chegado como um militar em Roma, cheio de ideais. Achou o soldo baixo, o glamour superexagerado e o trabalho ínfimo. Descobriu que era severamente discriminado pelos mais antigos e, em particular, por Estermann, por ser um suíço francês e não um suíço alemão romanista. Também descobriu a prática oculta da sodomia e permitiu-se aderir à mesma, a fim de obter as boas graças de Estermann, de quem agora tinha o favor. Foi então promovido a tenente oficial de lança e começou a prosperar financeiramente, graças aos favores dos bispos e cardeais. Então Estermann lhe deu um fora e toda a discriminação voltou.
Foi aí que Tornay achou que, expondo a ligação de Estermann com a Opus Dei, talvez conseguisse dar a volta por cima. A última gota foi quando Estermann recusou-se a conceder-lhe a medalha benemérita. Tornay resolveu neutralizar suas perdas e regressar a Suíça.
Este teria sido dificilmente um “acesso de loucura”. Em vez disso foi a conseqüência de três anos de demorada sedução exercida pela “mulher vestida de púrpura e de escarlate” (Apocalipse 17:3), sugando a sua fibra moral, até que ele não pôde mais suportar. O Vaticano o liquidou, pois Roma nunca muda!
Existe ainda outra teoria ganhando terreno. Será que Tornay não foi realmente assassinado? Parece fantástico, porém sua mãe e os dois advogados ilustres por ela contratados ACHAM QUE SIM. Deve-se ter em mente a figura de Roma no Livro de Apocalipse. E não devemos rejeitar mentalmente a possibilidade de que Tornay foi assassinado!
Obs. Se Agatha Christie estivesse viva, já pensaram que belo romance policial ela iria escrever, usando essa trágica história?
Parte III
Se dissermos que o Vaticano está camuflando o assassinato do guarda suíço Tornay como suicídio, contemplemos sua dolorosa mãe e consideremos tão somente os fatos.
Um veredicto de suicídio é maligno demais. Ele confirma que a Cidade do Vaticano é um antro de paixões desenfreadas, e que as suas autoridades resolvem os assunto através de suas próprias mãos já tão calejadas no manejo destes. Julgamentos indignos e apressados, além do costumeiro silêncio arrogante do Vaticano, nos trazem a suspeita de que Roma sabe mais do que tem se limitado a falar.
É verdade que os exércitos têm os seus problemas, mas o do papa se apresenta como o exército do Vigário de Cristo na terra. Três fatalidades - dois soldados e uma esposa imposta - num exército de apenas 100 pessoas, exige uma explicação.
Ninguém viu coisa alguma – As circunstâncias envolvendo a repentina morte de João Paulo I, em 1978, apresentam algumas semelhanças com esta tragédia. Num Estado minúsculo “ninguém viu coisa alguma e ninguém escutou barulho algum” na hora do incidente. Isso deixa o Vaticano livre para dar a sua própria versão de ambos os eventos.
A rapidez e o segredo absoluto caracterizaram a remoção dos corpos do apartamento de Estermann. Transformados em pacientes, os cadáveres foram transportados para o Hospital Gemelli do Vaticano, numa ambulância branca, com a placa SCV 424 (cuja tradução para os italianos é “Se Cristo Vedesse” (Se Cristo visse!) em vez de Estado Cidade do Vaticano. Nenhuma precaução forense, como luvas e sacolas plásticas, foi empregada. Então, mas uma vez os procedimentos post mortem foram executados às pressas. Se fosse uma peça teatral, poderíamos dizer que os agentes funerários já estavam de sobreaviso.
Os assassinatos da Guarda Suíça envolveram cinco tiros de revolver no pequeno apartamento de Estermann, a poucos metros do “Santo Padre”. Com o beneficio de ter como vizinha uma freira – Sóror Anna-Lina, a qual disse mais tarde que havia escutado um “ruído alto na porta ao lado”, o qual não chegou a despertar qualquer suspeita. Desse modo, as autoridades do Vaticano ficaram livres para interpretar a cena de sangue da maneira que bem desejaram. Ninguém mais, nem mesmo a polícia italiana, teve oportunidade de examinar a cena. Quando John Follain mostrou o registro do Vaticano ao Prof. Bernard Knight, famoso patologista britânico, ele os chamou de “um bando de prima donnas”.
O bilhete de suicídio – Além disso, houve uma carta escrita por Tornay à sua mãe, pouco antes de sua morte. Mme. Baudet tem insistido, desde o princípio - em que essa carta foi forjada. Sua declaração ganhou ampla cobertura sob as manchetes: “La Lettera de Mio Figlio”. Essa possibilidade foi elevada por Fabio Croce na primeira teoria de conspiração escrita sobre o assunto. Teria o Vaticano, ou mais propriamente a Opus Dei, ou outra facção qualquer do Vaticano desejado livrar-se do comandante de Tornay, a fim de evitar um futuro escândalo sodomita de um sujeito decaído? Nesse caso uma carta forjada seria o tipo de contravenção que se poderia imaginar fosse empregada.
Estranhas discrepâncias – Mas os leitores devem julgar por si mesmos. Tornay usou na carta um papel diferente do costumeiro. Ele datou a carta de 04/05/98, tendo escrito o mês por extenso, sem o zero para delinear os nove meses do ano, como costumava fazer. Ele se refere a Estermann como “Tenente Coronel”, quando deveria saber que Estermann agora era um Coronel, se realmente estivesse escrevendo a carta suicida algumas horas antes de dar cabo da própria vida. Ele chamou sua irmã “Melinda”, quando costumava chamá-la “Dada”. Ele usou a expressão “papa” em vez de “Santo Padre”. Mme. Baudet tem insistido sempre na mesma tecla: “Meu filho jamais teria matado alguém por causa de uma medalha”. Contudo, o Vaticano simplesmente fecha os olhos a todas essas discrepâncias.
Tornay escreveu: “Diga a Melinda, a Sara e ao papai que eu amo todos eles...” Mas Tornay gostava muito de seus dois irmãos de criação – Yvan e Joel. Então, por que não os teria mencionado? Por que? Ora, porque um falsário do Vaticano não saberia de sua existência. E o que é mais, a carta foi endereçada a Mme. Chamorel, nome jamais usado por Tornay, o qual sempre usava o nome de solteira de sua mãe – Mme. Baudet. Por que um erro tão fundamental? Ora, porque o falsário do Vaticano teve de confiar nas fontes administrativas de informações do Vaticano. “Chamorel” é o sobrenome que aparece nos registros do Vaticano. “O escriba a quem foi confiada a tarefa de fabricar a carta não era profeta... Ele não tinha meios de saber que a Sra. Chamorel havia se divorciado do segundo marido algum tempo antes... A pessoa que fabricou a carta conhecia Tornay muito bem... mas somente no sentido administrativo.” Por isso não é de admirar que os peritos em grafologia contratados por Mme. Baudet atestem que Tornay jamais escreveu essa carta.
A imprensa – O Vaticano garante que Cedric Tornay entregou essa carta a um amigo, antes de sua morte e que ela ficou guardada em segurança até ser entregue a Mme. Baudet, na tarde do funeral do seu filho. Contudo, os jornais italianos já a possuíam antes disso. “Na mesma manhã alguém já havia mandado um texto datilografado em Francês sem referir-se ao local e data, embora assinado”. O membro da Opus Dei e Secretário de Imprensa – Navarro-Valls – o qual se encarregou do caso para o Vaticano, dentro de poucas horas após a morte de Tornay, é o óbvio e possível canal.
A carta tem a assinatura “Cedrich” em vez de “Cedric”. Seria essa a grafia de suíços alemães fundamentalistas, os quais discriminavam os suíços franceses tais como Tornay e, portanto, aponta para essa facção da Opus na Guarda Suíça. Há uma boa razão para se acusar o Secretário da Conferência Suíça Episcopal Católica Romana, Rolland Tauffer de Friburgo, de estar mentindo. Ele disse: “Esta carta está na bolsa da mãe de Cedric Tornay... cuja cópia está nas mãos do juiz do Vaticano e ninguém mais poderia ter lido o seu conteúdo...” Contudo, o que Tornay diz na carta é exatamente o que acontece, aquilo de que Navarro-Vals precisava para sustentar a sua explicação fraudulenta. Poder-se-ia afirmar que Navarro-Valls não poderia ter fabricado uma carta mais conveniente para si mesmo. Com tantos anos de experiência, ele sabia o valor de tirar o Vaticano dessa enrascada. A família Baudet ficou imediatamente em posição mais fraca para refutar o conteúdo da carta, em vez de analisar os fatos e, desse modo, formar uma hipótese. “Uma vez que a verdade fosse camuflada seria tarde demais para restaurá-la”.
Mais discrepâncias - Contudo, o mais sinistro em tudo isso foi a referência de Tornay à sua extensão no serviço: “Após três anos, seis meses e seis dias gastos aqui, suportando todo tipo de injustiças...” Ele planejava deixar a Guarda Suíça e regressar à Suíça, após ter recebido a sua medalha e já estava contando os dias. Fabio Croce registrou em 1999, que após um feriado em Maurício, tendo encontrado o pai, ele voltou ´feliz e relaxado´, para confiar à mãe os seus planos de ´retornar à Suíça´, no final do período de alistamento.
Tornay deveria saber exatamente quando iria terminar o seu período de serviço. Ele morreu no dia 04/05/1998, após três anos, cinco meses e três dias. A suposta declaração de “três anos, seis meses e seis dias” iria nos levar a 07/06/1998. Teria havido um cuidadoso plano de assassinato programado para esse dia? Teriam as forças ocultas do Vaticano descoberto que os eventos estavam pressionando-as, forçando-as a um plano de compromisso antecipado? E tão apressado que a carta foi liberada sem a revisão do forjador, o qual teria resolvido esse problema fundamental? Os murmuradores mais tranqüilos do Vaticano têm notado uma luta interna entre a Opus Dei e a sombra do “clã maçônico” lá dentro. Isso poderia explicar o porquê do plano concebido ter dado errado.
Bernard Knight – A excelente investigação de Follain incluiu, como já foi dito, a sua entrevista com o famoso patologista, Prof. Bernard Knight. Os médicos desta geração consideram Knight uma lenda. Seu nome é sinônimo de excelência em Medicina Forense. Ele disse a Follain: “Tudo que você pode dizer com certeza é que o último Tito foi aquele com que Tornay se matou...A evidência que temos é que Tornay matou o casal Estermann e em seguida se matou...”
Barbie e Milosevic – Esta opinião teria grande peso, quando Follain descobriu que Mme. Baudet desejava que ele continuasse em sua teoria de que o filho foi assassinado e então ele se retirou. Seus famosos advogados Jacques Verge e Luc Brossolet têm defendido, dentre outros, Klaus Barbie e Slobodan Milosevic. Follain indagou: “O que poderia ter Tornay em comum em esses dois?” Poder-se-ia responder que ambos caíram na desgraçada ambição do Vaticano.
Um livro escrito por Brossolet intitulado “Assassinato no Vaticano em 04/05/98” expõe a evidência de uma camuflagem no assassinato de Tornay e Estermann. Esse livro tem muita saída na Itália. Roma continua mantendo o seu cruel e inescrutável silêncio em face às acusações de “patente injustiça”. Os advogados têm remexido os pontos chaves de sua evidência com papeis originais, diagramas balísticos e perturbadores testemunhos. Seus achados exigem uma resposta. Contudo, os advogados se queixam que “o último apelo de Mme. Baudet ao Santo Padre teve o mesmo tratamento de todos os precedentes: um silêncio absoluto... Estando a par ou não, concordando ou não, JP2 permanece soberano neste caso específico... o supremo juiz desse Estado (Vaticano)...onde a entrega da verdade sempre é condicionada aos interesses do regime...” Conforme diz Apocalipse 18:7: ... Estou assentada como rainha...”. Conspiração ou não, suicídio ou assassinato, sentimos grande simpatia por Mme. Baudet, a qual tem sido tratada desgraciosamente, sendo mal interpretada, obstruída e insultada pelo Vaticano em todos os sentidos. Suas queixas estão resumidas no apêndice do livro “Bloody Lies in the Vatican” (Mentiras de Sangue no Vaticano), sob o título “The Voice of Muguette Baudet” (A Voz de Muguette Baudet). Também tem circulado amplamente em Roma outra publicação que é um catálogo da contravenção, do silêncio e da inépcia do Vaticano, dos quais até mesmo uma dessas chamadas Repúblicas de Banana ficaria envergonhada. O conteúdo essencial do livro parece um jornal científico onde “os fatos pela reabertura da investigação” são simplesmente exigidos, sem comentário.
Evasão e manobras escusas – Além do escândalo da carta fabricada em nome de Tornay, existem dúvidas balísticas a serem esclarecidas. Além disso, uma segunda autopsia de Tornay na Suíça não mostrou o tal tumor cerebral de que fala o Vaticano em sua teoria da “crise de loucura”. A autopsia do Vaticano também parece ter deixado de ver uma escoriação no pulso de Tornay, a qual sugere ter sido ele imobilizado. A partir daí, uma hoste de testemunhas sobre a personalidade de Tornay tem sido claramente mal apresentada, a fim de combinar com a história da “loucura” entregue pelo Vaticano. Entrementes, o Coronel Buchs, comandante de Tornay disse: “Esse ato (de Cedric) continua incompreensível mesmo pelo fato de que ele era um jovem cheio de vitalidade e interesse, em harmonia com os colegas, o qual gostava de Roma...”
Todo esse episódio resulta num catálogo doentio de específicos exemplos documentados sobre a evasiva do Vaticano quando inquirido numa questão simples, somada a uma lista de “truques escusos” aplicados a Mme. Baudet para ver se ela desiste do assunto. E essa história vai continuar rolando, pois Roma nunca muda!
Dr. Clive Gillis – www.ianpaisley.org.
Traduzido por Mary Schultze, - rosa-daria@uol.com.br.
Setembro 2003