Ser grato e generoso
Hoje o pastor da nossa PIBT focalizou Lucas 17:17, tendo feito uma excelente preleção sobre o dever de todo cristão de ser grato (a Deus e ao próximo) e generoso com qualquer pessoa que esteja precisando de ajuda material, moral ou espiritual. Gostei do sermão e logo me lembrei de pessoas que têm sido ingratas comigo e até me decepcionaram bastante na vida. Isso não quer dizer que eu jamais tenha decepcionado pessoas... Pelo contrário, sou uma especialista em decepcioná-las, daí por que faço o possível de esquecer as ingratidões alheias. Agradeço tudo a Deus, diariamente, e com muita alegria...
Vou tentar me lembrar de algumas pessoas (até parentes próximos) que têm me decepcionado:
1. - Margarete (a filha alemã) aos 28 anos (1986), estava dando uma entrevista ao programa da TV Globo, “Pequenas Empresas, Grandes Negócios”, quando me proibiu de aparecer no mesmo. Eu era a fundadora e maior responsável pela firma, porém ela disse que eu estava muito velha e feia para me colocar diante das câmeras. Notem que eu tinha 56 anos. Imaginem o que ela iria dizer hoje!!!
2. - Fui forçada a deixar minha filha mais nova (18) sozinha, no bairro onde tive a empresa (que eu acabara de vender), pois ela recusou-se a vir morar comigo em Terê, dizendo que eu era “uma mãe castradora e fanática religiosa, querendo levá-la sempre à igreja... Que queria ficar livre para gozar a vida...” O resultado disso ela está colhendo hoje, com muitas dores e lágrimas.
3. - Para minha empregada de maior confiança, Demas, dei, com escritura passada, um apartamento onde já residia (de graça) há 8 anos, e poucos anos depois ela fez uma ação contra mim, na Justiça do Trabalho, querendo me tirar muito dinheiro. Ainda bem que ela perdeu a causa, mas o meu coração ainda hoje sangra, por causa dessa ingratidão.
4. - Em 1983, abriguei uma nordestina, que encontrara perambulando pelas ruas do RJ e me pediu guarida. A mulher me deu muita dor de cabeça, exigindo que eu lhe desse a metade da roupa de cama nova que ela viu numa das gavetas da cômoda do quarto de hóspedes. Para me livrar dessa visita incômoda, tive de pagar sua passagem de ônibus para o Maranhão.
5. - Também abriguei uma jovem hippie paraguaia, que acabou ficando seis meses em nossa casa. Paguei um curso de Estética para ela, em Copacabana, e a jovem, depois que voltou à sua terra, nunca mais deu notícias.
6. - Abriguei uma jovem cearense, que desejava fazer o mesmo curso de Estética, tendo ficado uns seis meses em nossa casa. Esqueceu-me depressa, logo que a sua clínica de beleza começou a dar lucro.
7. - Empreguei (com casa e comida) uma jovem paulista, que depois de seis meses, revelou-se uma tremenda mau caráter, tendo revelado à minha filha menor que ela era adotada. Ainda bem que a menina já sabia disso...
8. - Abriguei um jovem seminarista peruano, que havia estagiado no “Acampamento Jovens da Verdade”, o qual se revelou, mais tarde, com segundas intenções, vendo que eu era uma viúva recente... Mais uma passagem paga para me ver livre do incômodo seminarista.
9. - Abriguei uma mulher estranha, que, no final das contas, era uma cigana e quase me seqüestrou a filha menor, naquela época com dez anos de idade.
10. - A partir desse dia, tentei ser mais cuidadosa. Mesmo assim, anos depois, hospedei (já aqui em Terê) uma “escritora” paraense, que acabou me dando um prejuízo de R$200 e alguns problemas no supermercado vizinho, onde deu uma nota falsa de R$10, e só não foi presa porque disse que estava hospedada em meu apartamento e o gerente era meu amigo, tendo vindo até aqui, em companhia de um agente federal, para saber se realmente ela era confiável.
Finalmente, hospedei uma senhora, que pediu para ficar uma noite aqui, depois de um congresso em que estivemos juntas. Ficou quase uma semana e só foi embora porque resolvi ser franca, dizendo-lhe, cruamente, que ela estava sendo importuna, pois acabara de anunciar, diante do Pr. Paulo, que estava “adorando meus quitutes light e pretendia ficar uma quinzena em meu Spa”.
Mesmo depois de tudo isso, eu ainda continuo a receber amigos, mas, graças a Deus, nenhum deles tem-se revelado um mau caráter: Eduardo, André, Mathews, Cristiano... Portanto, vale a pena ser generosa, como nos aconselhou o pastor da PIBT.
Mary Schultze, julho 2005.