Amor verdadeiro - Parte II - Moral e Significação

Dave Hunt

 

A compreensão ateísta do amor, a mais elevada virtude humana, é terrivelmente distorcida. Sam Harris, em seu livro “Letter a Christian Nation”, diz que o fato do “Amor conduzir mais à felicidade do que o ódio”  é a chave para “A ordem moral do mundo” 1. Então, a moralidade depende do que torna alguém feliz? Qualquer filho que tenha sido disciplinado pelos pais sabe, perfeitamente, que isto não é verdade. O mais triste é que, não apenas Harris, mas, multidões que têm lido e transformado o seu livro num bestseller realmente pensam que escaparam de Deus com uma tolice que seria ridicularizada por qualquer classe elementar de ética.

Em outra explosão de profundidade totalmente chocante, Harris acrescenta:“Conquanto sentir amor pelos outros seja certamente uma das maiores fontes de nossa própria felicidade, isto significa uma preocupação muito profunda pela felicidade e sofrimento daqueles a quem amamos”.2 “Sentir amor”? O que significa isto? Com “profundos sentimentos de amor”, um jovem diz a uma jovem, ao seu lado, no carro: “Eu te amo de todo o meu coração!” O que ele realmente quer dizer, embora nenhum dos dois entenda, é:“Eu me amo e quero você”.

Se isto é o que “os genes egoístas” 3 (conforme Richard Dawkins diz) e as moléculas do seu cérebro estão levando-o a dizer, quem pode censurá-lo? É claro que a lógica do ateísmo, da evolução e seleção natural inevitavelmente nos farão chegar ao dia em que ninguém vai ser censurado por coisa alguma. A censura vai perder toda a significação. A construção física dos nossos corpos terá de assumir a responsabilidade. A desculpa universal (a qual deverá ser aceita por toda corte judicial) já não será: “o diabo me obrigou a fazer isso”, mas “meus genes egoístas me obrigaram a fazer isso”. Quem mais vai acreditar no diabo? Mas, certamente, todos nós acreditamos que os genes são egoístas, não é verdade? Não, não é. Ainda temos bastante senso comum para rejeitar esta amoralidade, a qual já governa nossa ética e moral.

Harris critica a Bíblia dizendo que ela concorda com a escravidão4. Ele ignora deliberadamente o fato de que nos tempos bíblicos a única alternativa para os que eram feitos cativos na guerra era a morte. Aqueles desesperadamente endividados não tinham o escape moderno da falência; eram obrigados a se vender à escravidão. E a solução não era tão simples para um escravo se tornar livre. Para onde iria um escravo libertado? Para muitos, esse era o único meio de subsistência.

Cristo não veio para reformar a sociedade terrena, mas para morrer pelos pecados do mundo e para que pudéssemos chegar ao céu, após a morte. Contudo, os ensinos da Bíblia admoestam, tanto o escravo como o seu dono, a agirem com respeito e até mesmo com amor mútuo. E, quando mudou a sociedade e outras possibilidades apareceram, os cristãos trataram de libertar os escravos.

O presidente Eisenhower disse: “Nosso governo não tem razão de existir, a não ser que seja fundamentado num profundo sentimento de fé religiosa - e não se preocupem com o que ela seja.”  5  Ike [N.T.: apelido do presidente Dwight David “Ike Eisenhower] não tinha o direito de expressar suas próprias opiniões, pois sua posição de liderança o obrigava a fazer pronunciamentos racionais - e esta declaração não faz sentido.

Existem diferenças tão grandes entre as religiões que elas se contradizem entre si. A crença do Hinduísmo com 330 milhões de deuses certamente contradiz a crença do Islamismo de que Alá é o único Deus e do Corão de que Cristo não morreu na cruz nem ressuscitou.6 Certamente, contradiz o exato fundamento do Cristianismo. Ike foi aceito como cristão por muitos evangélicos e frequentava regularmente a igreja (um comportamento politicamente correto para os presidentes). Contudo, é claro, que aquilo em que ele de fato acreditava e expressava publicamente contradizia a declaração de Cristo, conforme João 14.6:“Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”.

Muitos dos que se autodenominam cristãos aceitam implicitamente a autoridade da ciência sobre a Bíblia. Deste modo, sempre que a “ciência” discorda da Bíblia, quando os seus dogmas [N.T.: os “dogmas” da ciência] são atualmente aceitos com respeito à criação do universo e da vida, os cristãos desistem de sua fé na Escritura, o que significa desistir de sua fé no Autor da mesma. Ou, então, tentam torcer o que a Bíblia diz, a fim de deixar parecer que ela concorda com o big bang do Ateísmo e a narrativa da Teoria da Evolução de que o homem descende de peixes, répteis e chimpanzés. Neste ponto, eles se tornam parceiros dos ateus permitindo, inacreditavelmente, que eles ditem os termos da discussão.

Em seu livro “Reason in the Balance”, Phillip Johnson argumenta que somente a criação por Deus pode explicar a consciência moral do homem. A natureza não tem moral. O senso de moral e ética do homem não pode contribuir para a sobrevivência do mais apto, mas lutar contra ela. Se a evolução fosse verdade, deveríamos fechar todos os hospitais, acabar com os medicamentos e deixar os fracos morrerem, a fim de fortificar a raça. A bondade e a compaixão não podem ser conciliadas com a sobrevivência do mais apto. Contudo, o homem é obrigado pela consciência e compaixão a sacrificar-se pelo próximo, uma prova de que ele foi criado à imagem de um Deus de amor e misericórdia. (Deut. 4.31; Nee. 9.17; Sal. 103.8; 117.2; Heb. 8.12).

Se a teoria do big bang é correta, então a sentença que estou escrevendo agora provém e é o produto desta grande explosão. Cada pensamento e teoria (incluindo as maiores descobertas científicas e os piores erros políticos), cada ambição e emoção, incluindo o amor - tudo resultou do big bang. De qual outra fonte poderiam vir? Este é o absurdo que devemos abraçar com esta teoria, a qual remove toda a significação da vida.

Aquilo em que acreditamos, decidimos, falamos ou fazemos seria simplesmente o resultado de emoções ocasionais, antecedentes dos átomos em nossos cérebros, tendo tudo isso começado com uma gigantesca explosão, a qual, desde então, atirou a matéria para longe do epicentro.

Contudo, a existência humana envolve moral, ética, ambição, propósito, significação, esperança, amor e ódio, ciúme, autossacrifício, orgulho e humildade, frustração e paciência, ira, senso do certo e do errado, justiça e injustiça, compaixão, perdão, ad infinitum. Como poderiam estas qualidades da existência humana ter sido anexadas à matéria através de uma grande explosão? O big bang não oferece explicação alguma para estas qualidades humanas, as quais não têm qualquer relação com a energia e a matéria. Em vez disso, ele nega a significação dela. Se toda experiência humana fosse resultado de uma explosão gigantesca, ela seria totalmente sem significação. Qualquer pessoa que imaginasse de outro modo seria vítima de uma lorota cruel. E então?

Ah! Mas a evolução pegou esta matéria explodida e a transformou no que hoje somos. Será que foi? A história da capa da revista Time da primeira semana de Outubro 2006 afirma que realmente não existe uma distância entre os homens e os animais, mas apenas“pequenas diferenças borrifadas através do genoma”. Então, realmente, nós não experimentamos amor e alegria, realização, uma profunda conscientização das injustiças no mundo, mas nossos “genes egoístas” é que nos levam a ter estes sentimentos. São também estes genes que nos levam a rejeitar a declaração que reduz os homens a robôs programados? O resumo do artigo publicado na cnn.com explicou:

Como os cientistas continuam a nos lembrar, a evolução é um processo casual no qual mudanças genéticas arbitrárias interagem com as condições ocasionais do ambiente, produzindo um organismo de certo modo mais apto do que os seus companheiros. Após 3,5 bilhões de anos desse processo ocasional, emergiu uma criatura que pode ponderar sobre a sua própria origem e festejar num adágio de Mozart. 7

Desse modo, chegamos à seguinte conclusão: somos o que somos como o resultado de uma casualidade despropositada de 3,5 bilhões de anos. Onde fica a nossa responsabilidade moral? Como é possível tornar qualquer criminoso responsável pelo que os seus genes o levaram a fazer?

E, também, por que ter uma educação? Para que servem os governos e as eleições? Por que nos preocuparmos com qualquer coisa? Por que será que esta “casualidade” proveniente de uma explosão gigantesca de eons antigos produziu tão diversos resultados em pessoas diferentes, inclusive firmes convicções que causam argumentos, ira e até mesmo guerras?

Não haveria uma em um milhão de pessoas, que experimenta a realidade da vida e o amor, que não ficasse insultada ao saber que suas convicções mais profundas e maiores alegrias e temores são apenas fantasmas dos seus genes. Contudo, elas abraçarão tais teorias, quando pronunciadas em nome da ciência, sem verificar para onde é que elas [teorias] as conduzem. Os que promovem tais teorias não têm explicação para as perguntas sem resposta que essas teorias logicamente apresentam. E o que dizer da lógica e das convicções? Será que elas também são os resultados de um explosão gigantesca e, finalmente, não passam de enganos criados pelos “genes egoístas”?

Em contraste com as tentativas ateístas, no sentido de explicar o comportamento moral sem Deus, a Bíblia nos diz que estas qualidades pessoais e morais demonstram o fato de que fomos criados “à imagem de Deus” (Gen.1.26-27). Estamos destinados a refletir os Seus atributos, mas não como robôs. Ao homem foi dado o poder de escolha, o qual ele usou para se rebelar contra o Seu Criador, buscando independência dEle, como um pequeno deus responsável pelo seu destino. Nosso mundo atual, repleto de doença e sofrimento de todos os tipos, não é o mundo que Deus criou. É o mundo que nós mesmos fizemos, através de nossa rebelião e orgulho contra Ele.

A Bíblia nos mostra onde estamos errados e o que devemos fazer a respeito. Tudo o que ela diz soa verdadeiro às nossas consciências. A Teoria da Evolução nada tem que se aproxime desta explicação lógica da existência e tanto do bom como do mau comportamento humano. A Bíblia explica como Deus Se tornou homem através do nascimento virginal, a fim de morrer pelos pecados da humanidade para que Ele [Deus] pudesse perdoar os que se arrependessem de sua rebelião e aceitassem o pagamento que Cristo fez pelos nossos pecados, a fim de nos levar de volta a uma relação correta com o próprio Deus. Em todos os sentidos - isto é certamente muito melhor do que imaginar que somos a descendência de uma imensa explosão.

Além disso, a Bíblia prova ser a Palavra de Deus, através de centenas de profecias cumpridas - uma característica exclusiva da Bíblia e totalmente em falta no Corão, nos Vedas hindus, e em todas as outras escrituras religiosas. [As profecias bíblicas] não são predições baratas e psíquicas, mas eventos históricos que abalaram o mundo, profetizados claramente durante séculos e, em muitos casos, milhares de anos antes do seu cumprimento. São fatos indiscutíveis, cumpridos exatamente em cada detalhe, os quais o mundo tem testemunhado como parte de sua história.

Por que não acreditar na Bíblia, uma vez que suas declarações são apoiadas não somente pela profecia, mas por montanhas de evidências? Muitos dos maiores cientistas de todos os tipos, os quais descobriram os próprios fundamentos da ciência de hoje, eram crentes firmes, não no big bang, mas no Deus que criou o universo. A fé em Deus e em Sua Palavra, a Bíblia, foi o fundamento de suas vidas, o mesmo se aplicando a muitos dos cientistas espaciais e astronautas. Werner von Brown, diretor-fundador e durante muitos anos presidente do Centro de Voos Espaciais da NASA, sempre esteve ansioso para testificar:

“O voo do homem ao espaço... abriu... uma pequena porta para uma observação da espantosa visão do espaço. Uma olhada através desta pequena abertura no vasto mistério do universo apenas deveria confirmar nossa crença na certeza do seu Criador. Não posso entender um cientista que não reconhece a presença de uma racionalidade superior por trás da existência do universo”. 8

A evolução ateísta tem muitos aliados calorosos no movimento ambiental (às vezes conhecido como Verde). Em 1993, Mikhail Gorbashev, ex-líder soviético, fundou (e continua como o seu presidente ainda hoje) o quartel general da Cruz Verde Internacional, em Haia, para edificar a obra iniciada em 1992, na  EXPO, Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro, Brasil. Cruz verde? A cruz bíblica foi manchada com o sangue de Cristo, quando Ele morreu pelos pecados do mundo, incluindo os que dEle zombaram e O crucificaram. Pintar de verde a cruz (ver TBC 07/1997) é um movimento em crescimento no mundo inteiro. Gorbashev diz que o principal objetivo da Cruz Verde é “juntar as nações... para estimular a nova conscientização ambiental... levando o homem de volta ao senso de que ele faz parte da natureza.”

A ideia de que o homem deve ser convencido a agir como se fosse “parte da natureza” é, em si mesma, uma admissão de que ele não é. As criaturas da natureza não precisam desse tutor. Mesmo porque este retorno à natureza é um fator poderoso no sentido de encorajar a imoralidade no mundo de hoje.

Não existe o “certo” ou o “errado” na natureza. É claro que não é correto um vulcão explodir em lavas e gases venenosos. O que porventura a natureza faz, em sua expansão, é simplesmente “natural”. Se o homem é um produto da evolução, então tudo o que ele faz deve ser “natural”. Ninguém se queixa contra a destruição feita ao ambiente, pelos parasitas ou criaturas que destroem florestas inteiras. Nem contra os furacões, tornados e inundações, que causam terrível destruição. Estas ocorrências são todas “naturais” e nenhuma queixa pode ser feita contra coisa alguma que a natureza faz. Mas, se o homem é um produto da evolução, então ele é filho da natureza. E tudo o que ele faz deveria ser “natural”, como as ações de quaisquer criaturas em sua ancestralidade evolucionária ou seus parentes evolucionários da atualidade, ao seu redor, hoje em dia, que em sua maioria o envenenaria ou devoraria.

E o que dizer de uma grande preocupação dos ambientalistas sobre a possível extinção das chamadas “espécies em extinção”? Mais uma vez, o homem revela que não é produto das forças naturais. Espécies em extinção? Não é assim que a evolução funciona? Ela não tem entrado em contraste com as espécies através da seleção e sobrevivência dos mais aptos, durante milhões de anos? Por que deveria o homem, caso ele fosse um simples produto da evolução, estar agindo contra a evolução, conquanto afirmando acreditar dela ser um descendente?

Logicamente, não se pode acreditar tanto na evolução quanto no movimento ambiental. Os evolucionistas não deveriam estar preocupados com as espécies em extinção, nem com o bem-estar ecológico do planeta. Se o homem é o resultado da evolução do seu sistema cerebral e nervoso, ele vai ter sucesso em destruir a Terra num holocausto nuclear ou num colapso ecológico, os quais devem ser aceitos como um ato natural no universo em evolução. O simples fato de que o homem pode raciocinar sobre a Ecologia e a sobrevivência das espécies, já é prova suficiente de que ele não é o produto de tais forças, mas o fato de poder interferir com elas deve ter uma origem mais elevada.

O homem foi criado à imagem de Deus. Somente um Criador Inteligente poderia ter legado à humanidade os poderes racionais, morais e éticos em existência. Consequentemente, a solução do problema do mal nesta Terra não está nas imensas árvores e no contato com a natureza. Amor verdadeiro? Na cruz sangrenta, conforme declarado na Bíblia, Deus está dizendo a toda a humanidade: “Eu te amo!”. Aceitar este amor é a única esperança do homem. “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro”. (1 João 4.19).

 

TBC, Maio 2009 - “True Love - Part II - Morals & Meaning”, Dave Hunt - Traduzido por Mary Schultze, 06/05/2009