Teologia Relacional ou Teísmo Aberto - Outro evangelho?
(Gálatas 1:6-8).
Primeiro o pastor da PIBT começou a ler, dar um curso e a pregar a duvidosa teologia de Henry Blackaby apresentada em seu badalado livro “Conhecendo Deus”.
Logo em seguida, ele desceu mais um degrau e anunciou um novo curso focalizando um livro de René Kivitz (o qual, junto com Ricardo Gondim, é proponente do Teísmo Aberto ou Teologia Relacional).
Ele está sempre citando no púlpito autores como Phillip Yancey, Larry Crab e outros bem moderninhos, simplesmente porque a CBB os aprova. Mas será que Deus aprova esses autores?
Por que ele não prega autores sérios, realmente bíblicos, preferindo entregar aos membros da igreja esse tipo de teologia espúria... E ainda se acha no direito de criticar no púlpito quem tenta abrir-lhe os olhos que ficaram nublados pelos autores da moda? Por que ele não alimenta corretamente as suas ovelhas, em vez de dar-lhes rações secas e contaminadas?
Não pretendo ser uma especialista no assunto do Teísmo Aberto, (ou Teologia Relacional), mas apresento abaixo um artigo do eminente autor presbiteriano - Dr. Augustus Nicodemus Lopes - um homem a salvo de qualquer suspeita, um legítimo defensor da verdadeira teologia bíblica. Tem a palavra o Dr. Augustus Nicodemus Lopes.
Teologia Relacional: um novo deus no mercado
Rev. Augustus Nicodemus Lopes
As
ondas gigantes que provocaram a tremenda catástrofe na Ásia no final de dezembro
de 2004 afetaram também os arraiais evangélicos, levantando perguntas acerca de
Deus, seu caráter, seu poder, seu conhecimento, seus sentimentos e seu
relacionamento com o mundo e as pessoas diante de tragédias como aquela. Dentre
as diferentes respostas a essas perguntas, uma chama a atenção pela ousadia de
suas afirmações: Deus sofreu muito com a tragédia e certamente não a havia
determinado ou previsto; ele simplesmente não pôde evitá-la, pois Deus não
conhece o futuro, não controla ou guia a história, e não tem poder para fazer
aquilo que gostaria. Esta é a concepção de Deus defendida por um movimento
teológico conhecido como teologia relacional, ou ainda, teísmo aberto
ou teologia da abertura de Deus.
A teologia relacional, como movimento, teve início em décadas recentes, embora
seus conceitos sejam bem antigos. Ela ganhou popularidade por meio de escritores
norte-americanos como Greg Boyd, John Sanders e Clark Pinnock. No Brasil, estas
idéias têm sido assimiladas e difundidas por alguns líderes evangélicos, às
vezes de forma aberta e explícita
[Ricardo
Gondim, René Kivitz, e outros - MS].
A teologia
relacional considera a concepção tradicional de Deus como inadequada,
ultrapassada e insuficiente para explicar a realidade, especialmente catástrofes
como o tsunami de dezembro de 2004, e se apresenta como uma nova visão sobre
Deus e sua maneira de se relacionar com a criação. Seus pontos principais podem
ser resumidos desta forma:
1. O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão
subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os
dramas de suas criaturas.
2. Deus não é soberano. Só pode haver real relacionamento entre Deus e suas criaturas se estas tiverem, de fato, capacidade e liberdade para cooperarem ou contrariarem os desígnios últimos de Deus. Deus abriu mão de sua soberania para que isto ocorresse. Portanto, ele é incapaz de realizar tudo o que deseja, como impedir tragédias e erradicar o mal. Contudo, ele acaba se adequando às decisões humanas e, ao final, vai obter seus objetivos eternos, pois redesenha a história de acordo com estas decisões.
3. Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. O futuro é determinado pela combinação do que Deus e suas criaturas decidem fazer. Neste sentido, o futuro inexiste, pois os seres humanos são absolutamente livres para decidir o que quiserem e Deus não sabe antecipadamente que decisão uma determinada pessoa haverá de tomar num determinado momento.
4.
Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando,
pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a
se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a
liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.
5. Deus é vulnerável. Ele é passível de sofrimento e de erros em seus
conselhos e orientações. Em seu relacionamento com o homem, seus planos podem
ser frustrados. Ele se frustra e expressa esta frustração quando os seres
humanos não fazem o que ele gostaria.
6. Deus muda. Ele é imutável apenas em sua essência, mas muda de planos e até mesmo se arrepende de decisões tomadas. Ele muda de acordo com as decisões de suas criaturas, ao reagir a elas. Os textos bíblicos que falam do arrependimento de Deus não devem ser interpretados de forma figurada. Eles expressam o que realmente acontece com Deus.
Estes conceitos
sobre Deus decorrem da lógica adotada pela teologia relacional quanto ao
conceito da liberdade plena do homem, que é o ponto doutrinário central da sua
estrutura, a sua “menina dos olhos”. De acordo com a teologia relacional, para
que o homem tenha realmente pleno livre arbítrio suas decisões não podem sofrer
qualquer tipo de influência externa ou interna. Portanto, Deus não pode ter
decretado estas decisões e nem mesmo tê-las conhecido antecipadamente. Desta
forma, a teologia relacional rejeita não somente o conceito de que Deus
preordenou todas as coisas (calvinismo) como também o conceito de que Deus sabe
todas as coisas antecipadamente (arminianismo tradicional). Neste sentido, o
assunto deve ser entendido, não como uma discussão entre calvinistas e
arminianos, mas destes dois contra a teologia relacional. Vários líderes
calvinistas e arminianos no âmbito mundial têm considerado esta visão da
teologia relacional como alheia ao cristianismo.
A teologia relacional traz um forte apelo a alguns evangélicos, pois diz que
Deus está mais próximo de nós e se relaciona mais significativamente conosco do
que tem sido apresentado pela teologia tradicional. Segundo os teólogos
relacionais, o cristianismo histórico tem apresentado um Deus impassível, que
não se sensibiliza com os dramas de suas criaturas. A teologia relacional,
por sua vez, pretende apresentar um Deus mais humano, que constrói o futuro
mediante o relacionamento com suas criaturas. Os seres humanos são, dessa
forma, co-participantes com Deus na construção do futuro, podendo, na verdade,
determiná-lo por suas atitudes.
Contudo, a teologia relacional não é novidade. Ela tem raízes em conceitos antigos de filósofos gregos, no socinianismo (que negava exatamente que Deus conhecia o futuro, pois atos livres não podem ser preditos) e especialmente em ideologias modernas, como a teologia do processo. O que ela tem de novo é que virou um movimento teológico composto de escritores e teólogos que se uniram em torno dos pontos comuns e estão dispostos a persuadir a igreja cristã a abandonar seu conceito tradicional de Deus e a convencê-la que esta “nova” visão de Deus é evangélica e bíblica.
Mesmo
tendo surgido como uma reação a uma possível ênfase exagerada na impassividade e
transcendência de Deus, a teologia relacional acaba sendo um problema para a
igreja evangélica, especialmente em seu conceito sobre Deus. Embora os
evangélicos tenham divergências profundas em algumas questões, reformados,
arminianos, wesleyanos, pentecostais, tradicionais, neopentecostais e outros,
todos concordam, no mínimo, que Deus conhece todas as coisas, que é onipotente e
soberano. Entretanto, o Deus da teologia relacional é totalmente diferente
daquele da teologia cristã. Não se pode afirmar que os adeptos da teologia
relacional não são cristãos, mas que o conceito que eles têm de Deus é, no
mínimo, estranho ao cristianismo histórico.
Ao declarar que o atributo mais importante de Deus é o amor, a teologia
relacional perde o equilíbrio entre as qualidades de Deus apresentadas na
Bíblia, dentre as quais o amor é apenas uma delas. Ao dizer que Deus ignora o
futuro, é vulnerável e mutável, deixa sem explicação adequada dezenas de
passagens bíblicas que falam da soberania, do senhorio, da onipotência e da
onisciência de Deus (Is 46.10a; Jó 28; Jó 42.2; Sl 90; Sl 139; Rm 8.29; Ef 1; Tg
1.17; Ml 3.6; Gn 17.1 etc). Ao dizer que Deus não sabia qual a decisão de Adão e
Eva no Éden, e que mesmo assim arriscou-se em criá-los com livre arbítrio, a
teologia relacional o transforma num ser irresponsável. Ao falar do homem
como co-construtor de Deus de um futuro que inexiste, a teologia relacional
esquece tudo o que a Bíblia ensina sobre a queda e a corrupção do homem. Ao
fim, parece-nos que na tentativa extrema de resguardar a plena liberdade do
arbítrio humano, a teologia relacional está disposta a sacrificar a divindade
de Deus. Ao limitar sua soberania e seu pleno conhecimento, entroniza o
homem livre, todo-poderoso, no trono do universo, e desta forma, deixa-nos o
desespero como única alternativa diante das tragédias e catástrofes deste mundo
e o ceticismo como única atitude diante da realidade do mal no universo,
roubando-nos o final feliz prometido na Bíblia. Pois, afinal, poderá este
Deus ignorante, fraco, mutável, vulnerável e limitado cumprir tudo o que
prometeu?
Com certeza a visão tradicional de Deus adotada pelo cristianismo histórico por
séculos não é capaz de responder exaustivamente a todos os questionamentos sobre
o ser e os planos de Deus. Ela própria é a primeira a admitir este ponto.
Contudo, é preferível permanecer com perguntas não respondidas a aceitar
respostas que contrariem conceitos claros das Escrituras. Como já havia
declarado Jó há milênios (42.2,3): “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus
planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento
encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; cousas maravilhosas
demais para mim, coisas que eu não conhecia.”
NOTA: Os grifos e itálicos são meus – Mary Schultze, 16/03/2007 - http://www.cpr.org.br/Mary.htm
O Rev. Augustus Nicodemus Lopes é chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, em São Paulo.