Teologia Queremista

 

         Quando eu era menina, havia uma política chamada “Queremista”, aquela dos eleitores que desejavam a volta de Getúlio Vargas ao poder. Hoje em dia, temos não uma política, mas uma Teologia Queremista, desejando a volta das doutrinas e promessas do Velho Testamento.

         99 entre 100 igrejas evangélicas estão optando por esse tipo de Teologia Queremista, cada pastor ou crente dizendo o que deseja que Deus lhe dê, em troca, não de votos, mas da entrega de um falso evangelho pelos pastores e de dízimos e ofertas pelos membros dessas igrejas.

         Têm surgido movimentos que levam o crente a confiar em si mesmo, esperando que o Senhor o encha de prosperidade material e espiritual, em troca de pequenos sacrifícios, como por exemplo, reuniões em fins de semana, com alguns comportamentos esdrúxulos, e mais a entrega de dízimos e ofertas. Também os “propósitos” de Rick Warren estão na moda e  alguns pastores até andam proclamando que desejam uma igreja ecumênica, inclusivista e progressista, muitas vezes ignorando o significado dessas palavras. A simples fé na cruz de Cristo já não basta e todos precisam de muletas para caminhar na vida espiritual. Como escrevi a um membro do meu grupo, pastor que entra nesse esquema é um candidato à apostasia global, pois, desejando que sua igreja se torne ecumênica, ele está se aliando a Roma e beijando os pés do papa Ratzinger; inclusivista, ele está conduzindo sua igreja às idéias liberais e novaerenses;  progressista, ele se entrega às idéias de Rick Warren e  de outros líderes novidadeiros.

         O único propósito de um cristão deveria ser amar a Deus e ao próximo, (Gálatas 5:14), crendo na suficiência do sacrifício de Cristo na cruz e vivendo uma vida absolutamente honesta.

         Influenciados por líderes ocultista/maçônicos, como Norman Vincent Peale, Kenneth Hagin (ambos já falecidos), Benny Hinn, Peter Wagner, Kenneth Copeland, Robert Schüller e tantos outros, os “carentes” dessas igrejas estão consumindo uma falsa teologia, a qual poderá conduzi-los à perdição, pois estão desobedecendo aos mandamentos do Senhor Jesus Cristo e de Paulo apóstolo quanto à simplicidade do Evangelho.

         “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá” (João 11:25-26).

         Paulo advertiu os crentes do seu tempo, na 2 Coríntios 11:3: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo”.

         Pois o que mais se vê nas igrejas modernas é esse tipo de engodo satânico... os pastores torcendo as Escrituras em seu próprio benefício, com o objetivo de encher as mesmas de cristãos simplórios, que acreditam em tudo que eles ensinam. Para tanto eles usam quase exclusivamente o Velho Testamento, porque o Novo é claro demais para ser interpretado conforme os seus objetivos, enquanto o Velho dá margem a todo tipo de espiritualização. A verdade é que o crente quase nunca lê a Bíblia, com medo de ler e não entender os ensinos do Velho Testamento, os quais ele acredita que ainda estão em pleno vigor. Essa mentira tem sido entregue pelos pastores mercenários aos membros das igrejas “propositadas”, em  pacotes embrulhados em papel colorido, amarrados com o fio da emoção. Os pastores malaquianos nunca se atrevem a citar Lucas 16:16: “A lei e os profetas duraram até João”. Eles preferem ler Malaquias 3:6-10, é claro. Eles ainda têm mania de ameaçar os crentes com o “gafanhoto devorador” de Joel 1:4, o qual seria destinado aos judeus infiéis e nunca, jamais aos cristãos. Mas esse “gafanhoto de ouro” dá um lucro fabuloso!

         O método de confundir os fiéis, adotado pelos papas romanos, há dezesseis séculos, tem enchido os cofres do Vaticano! Até os anos 1960, eles proibiam os membros da ICR de ler a Bíblia, a fim de evitar que os católicos descobrissem as suas falcatruas e dogmas fraudulentos. Pois os novos líderes da Teologia Queremista têm copiado Roma em tudo que há de pior, cedendo aos encantos da sereia romana, para a perdição deles e de suas ovelhas. Estas são mal alimentadas com água poluída e ração de péssima qualidade, para depois serem tosquiadas sem piedade, pois ovelha fraca (na Palavra) é bem mais fácil de ser manipulada, sem dar um balido sequer.

         Tudo que nega a suficiência da cruz de Cristo é perigoso à alma do cristão. Infelizmente, porém, os pregadores da falsa Teologia Queremista se especializaram mais na Psicoterapia do que na Bíblia, achando ser necessário acrescentar teorias freudianas à Palavra de Deus, conforme o contexto religioso em que vivemos atualmente.

         Tenho encontrado dezenas de cristãos infelizes, saindo dessas igrejas com a alma dilacerada, tendo quase perdido a fé em Cristo, porque não conseguiram suportar o jugo que lhes era imposto pelos pastores  mercenários. Nessas igrejas “avivadas e propositadas”, os pregadores costumam usar os títulos de pastor,  bispo, profeta, apóstolo, etc., alguns até se auto-nomeando “profeta, segundo a Ordem de Melquisedeque”... Isto sem falar que muitos  dos que ficam milionários à custa do evangelho se consideram verdadeiros “Messias Reconstrucionistas”, de tanto que apelam às doutrinas do Velho  Testamento.

 

Mary Schultze, março 2006.