Vale a pena ser brasileiro?

 

     Essa é uma pergunta que tenho feito a mim mesma, ao longo dos anos, duvidando se realmente fiz bem em não querer adotar a nacionalidade alemã, logo pós o falecimento do meu marido, em 1982, quando a filha mais velha e os netos ganharam dupla nacionalidade e hoje vivem no país de Lutero.

     Quando eu tinha 17 anos e cursava o segundo grau, ganhava a mesada mais alta da turma, naquele tempo equivalente e 300 dólares. Vestia-me bem, comprava os livros que desejava ler e morava com uma família de classe média que me garantia conforto e boa alimentação. Era uma jovem bonita e privilegiada e, portanto, não me era difícil tirar nota 10 em quase todas as matérias, concluindo o curso com média geral 9,7. Meus pais tinham nove filhos, mas eu era a segunda da família e ainda pude cursar bons colégios.

     Depois de trabalhar durante 45 anos, pagando INSS e mil e um outros impostos, vejo-me reduzida a uma pensão que me faz refletir com gravidade se devo ou não comprar uma simples blusa de lã na feirinha de Terê, mesmo sob uma temperatura de 15 graus, como temos tido ultimamente. Ou se devo ligar a Internet mais de uma hora por dia, para fazer minhas pesquisas religiosas, pois a Telemar cobra muito caro... Será que vale a pena ser brasileiro?

     Na Alemanha, onde moram a filha mais velha e os netos adolescentes, o desconto médio no salário do trabalhador é 36% do bruto, mas aí já estão incluídos todos os impostos, inclusive o “kirchensteuer”, a taxa da Igreja.

Quando o trabalhador fica desempregado recebe uma média de 750 Euros, que dão para a alimentação, além de uma ajuda no aluguel, sem falar nos estudos gratuitos dos filhos. Assim há uma compensação do que o “Deutsch Löwe” come dos contribuintes. Quando adoece, o trabalhador vai para um “hotel 4 estrelas”, com tudo a que tem direito: médicos, enfermeiros e medicamentos. Nenhuma junta diretora precisa entrar em greve ou renunciar, a fim de conseguir melhoria nos hospitais, pois tudo funciona maravilhosamente bem. Ali as pessoas são tratadas como gente e não como animais, como acontece a quem não tem um dispendioso plano de saúde aqui no Brasil.

     Infelizmente, porém, a Alemanha está quase falida. Não por tratar dignamente os seus filhos, mas porque o Vaticano (dono da maior fatia das multinacionais) tem arrasado o país, nos últimos 10 anos, principalmente depois da recuperação da  parte oriental, que sempre foi menos rica, por ter uma alta porcentagem católica. E com o lançamento do Euro o povo começou a apertar o cinto e a beber tanto que agora se pode dizer que o povo alemão é quase todo alcoólatra, tendo trocado a Bíblia de Lutero, pela vodka russa e os programas da TV americana. Foi isso o que eu constatei em 2001, quando estive por algumas semanas no lado oriental e também aqui, nos muitos alemães que têm vindo ao Brasil, tentando conhecer a Cidade Maravilhosa, enquanto (segundo eles) ainda têm um emprego... O desemprego no país está rivalizando com o do Brasil. Algumas firmas já estão com atraso de três meses nos salários dos empregados e só estão pagando um mês porque se uma delas atrasar mais de três tem, obrigatoriamente, de requerer falência.

     Outro pais que está afundando paulatinamente é a Inglaterra, porque trocou a Bíblia King James pela Tradição católica, pelo Corão e pelo Baghavagita, sendo estes dois últimos os livros sagrados do Islamismo e do Hinduísmo, respectivamente. E como “um abismo chama outro abismo”, o povo inglês está mergulhando também nos horrores do Druísmo, o  culto pagão dos antigos bretões. Primeiro a Rainha e os seus governantes (principalmente o Tony Blair) começaram a namorar o Vaticano. A partir de então, o país foi caindo, caindo... e agora a Inglaterra é um país de várias fés, tendendo para um generalizado paganismo. Isso nos faz lembrar 2 Pedro 2:22, que diz: “... o cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama”.

     Aqui no Brasil pode até ser que o Lula e os seus assessores queiram de fato melhorar o sistema tributário em favor dos descamisados. Contudo, muitos dos parlamentares, que provêm das classes rica e média, não conhecem o aperto em que vivem os pobres do país (e também a classe média baixa). Eles ganham fábulas sem trabalhar! A maioria chega ao poder através de falcatruas e até mesmo do crime organizado, conforme se tem visto nas denúncias apresentadas na TV. Parece até que nove entre dez políticos brasileiros são criminosos!!!

     Vou dar o meu próprio exemplo de trabalhadora da classe média baixa. Trabalhei durante 45 anos (nove como secretária bilíngüe e 36 como micro-empresária) e sempre descontei para o INSS. Aposentei-me com dez salários (seis meus e 4 de pensão do marido) e vivia razoavelmente tranqüila, até que o governo passado me levou – em dois anos – mais de 1,5 salário, deixando-me com apenas 8,4 salários. Com uma mãe idosa (95 anos) carecendo de ajuda, tenho ficado cada vez mais apertada, a ponto de ter dado – na semana passada – um cheque pré-datado para a compra de 03 cartuchos de tinta para a impressora. Como posso continuar com as minhas pesquisas religiosas?

     Dois planos de saúde (caríssimos), condomínio, energia elétrica, telefone, etc., etc., me levam mais de 50% do orçamento e fico reduzida - no máximo – a 3 salários para vestir, comer, pagar medicamentos, manter o apartamento e pagar a UOL. Ach, Du, mein Gott!!!

     Se eu fosse megalomaníaca como o governo brasileiro, já estaria encrencada  no SPC, com um montão de cheques sem cobertura, com o cartão de crédito (que nem possuo) estourado e devendo a duas pessoas importantes: o Sr. Deus e o Sr. Mundo. É o que acontece  a 9 entre 10 conhecidos meus...

     Pois é. O governo vive nos espoliando porque tem mania de grandeza. Quem leu a Veja de 03/09/2003, pode constatar essa verdade.

     O governo tem queimado através do INPE, em apenas 3 anos, mais de 01 bilhão de dólares em três satélites que nunca decolaram... Em aviões de caça tipo AMX o governo gastou 2,5 bilhões de dólares, achando que iria vender umas 800 máquinas, mas conseguiu vender apenas 8, pois o Canadá deve ter vendido os demais 720 aviões para o mundo inteiro, com o aval da União Européia e dos USA, que só apadrinham os países ricos. Um submarino nuclear... para que, meu Deus? Pois o governo gastou 01 bilhão de dólares na construção de um desses artefatos de guerra, o qual, infelizmente, continua em miniatura, como tudo que o nosso governo tenta fazer, para imitar os países ricos. Nos anos 1980, a ENGESA investiu 100 milhões de dólares no tanque de guerra OSÒRIO, o qual continua no papel, como quase tudo que o governo sonha construir no país, tentando imitar, como macaco, os países ricos. E as nossas usinas atômicas para quem têm servido, se precisamos racionar a energia elétrica, quando não chove? Até a banana está em vias de extinção e, então, teremos de falar para os gringos: “Sorry,  we have no banana” ! Agora, imaginem todo esse pacote bilionário investido em educação e saúde, hem? Que país grandioso seria o nosso... talvez o mais importante do mundo... sem a mania de guerrear por aí, como os USA têm feito!

Já imaginaram a possibilidade de um caboclo analfabeto do interior do Piauí ir até Brasília para dar lições de Português ao Ministro Cristovam Buarque? Pois é assim que o Brasil tem se comportado em relação aos países do Primeiro Mundo.  Para mim o Brasil é o MELHOR PAÍS DO MUNDO, guardada a devida distância entre a megalomania dos seus governantes e a realidade brasileira.

     O povo brasileiro assiste impotente ao desmatamento da Amazônia e da Mata Atlântica. Também ao roubo dos metais e pedras preciosas que os barões da floresta permitem, em sua satânica fome de ouro. A SUDAM é um poço de corrupção, segundo depoimento de uma funcionária honesta, que teve medo de ser transferida para a Amazônia, temendo pela própria vida.

Ser empresário neste país é duro, mas ser micro-empresário é simplesmente doloroso. E este é o setor que mais emprega os brasileiros. Por isso deveria receber mais ajuda do governo e menos assalto em forma de tributos. Fui micro-empresária por 36 anos e sei o que é ficar sem um Real no final do mês, para repor o estoque desfalcado. Porque o governo leva todo o lucro em tributos. Para cada empregado contratado na base de um salário mínimo o governo leva outro tanto em impostos. Então o micro empresário fica sem capacidade de trabalhar e fazer crescer o número de vagas em suas pequenas empresas. Isso também acontece nas médias empresas...

     Se o governo do Brasil gastasse menos e trabalhasse mais em favor do micro-empresário não teríamos uma taxa de desemprego tão assustadora. O povo já está anêmico e sem esperança de ver o país entrar nos eixos...

Que a Alemanha fique num alto patamar de desemprego, pois é um país do tamanho de um dos menores estados do Brasil, não tem as riquezas naturais que temos e ainda pecou assustadoramente, desviando-se da Verdade libertadora do Evangelho de Cristo para a descrença generalizada que tem dominado aquele país. E os salários lá são 4 vezes mais altos que os nossos.

     O Brasil nasceu e permaneceu por 500 anos cativo do falso evangelho de Roma, porém agora tende a se conscientizar da Verdade que liberta da mentira religiosa... Portanto, será abençoado por causa dessa acertada escolha, mesmo que continue ainda por muito tempo a ser consumido por uma cambada de políticos ladrões, que infestam as duas casas do parlamento. Então, olhando o país sob essa perspectiva, acho que vale a pena ser brasileiro!

 

Mary Schultze, 17 de setembro 2003.

    

Informações colhidas na “Veja”, No. 1.818 e no

Site “www. ianpaisley.org”.