Vamos ler mais, em nome da liberdade cristã!

 

A maioria dos brasileiros se posta diante da TV, assistindo a jogos de futebol, desfiles de carnaval, novelas e programas ridículos, como o “BBB”, em vez de pegar um bom livro ou revista (por exemplo os que são editados pela Chamada da Meia Noite - www.chamada.com.br - cujo preço é excelente) para ler, aprender mais sobre o evangelho, as profecias e, sobretudo, melhorar o conhecimento da língua pátria, a qual 99 entre 100 brasileiros não sabem manejar corretamente.

Quando estou numa dessas igrejas “avivadas” e o pastor ordena a um dos membros que ore, fico logo na expectativa dos erros de gramática que o “orador” vai cometer, o que me tira a concentração sobre o que ele pretende falar com Deus, naquele momento. Vamos ler o trecho de uma reflexão do Pr. Timofei Diacov, que é perfeito na Bíblia e no vernáculo: “E Deus não ouve uma oração simples, com os erros gramaticais? Claro que sim! Mas, perguntamos nós: se existe a maneira correta, por que não aprendê-la? Afinal não estamos querendo aprender o correto? Ou preferimos viver ignorando as verdades? E se o assunto é "ensina-nos a orar", vamos aprender a orar da melhor maneira possível; porque o Evangelho, além de salvação, também é cultura, e cultura não faz mal a ninguém. O saber não ocupa lugar”.

         O povo alemão, considerado um dos mais cultos do mundo, fala a sua língua corretamente e por isso é taxado de “inteligente demais”. Pois eu garanto a vocês que o povo brasileiro é “muito mais inteligente” do que o alemão... O brasileiro tem um jeitinho todo especial de aprender as coisas, de encarar os acontecimentos, de rir na hora exata e de chorar nos momentos de tristeza. É o melhor povo do mundo... Mas também o mais ignorante em sua própria língua.

         Nas igrejas evangélicas a maioria dos pastores não sabe manejar corretamente a língua pátria... nem a Bíblia. Conheço poucos pastores que são muito bons em matéria de sermão, no que se refere à Palavra e ao vernáculo. Vou citar alguns nomes: Timofei Diacov, Wagner Araújo (SP), Paulo Pimentel, Renato Cordeiro, Renato Vargens, Jeremias do Couto, Guilhermino Cunha (RJ) e Airton Evangelista (Ceará).  Deve haver uma porção de outros craques na Palavra e na língua portuguesa, contudo, só me lembrei destes... Mas também conheço alguns leigos (inclusive irmãos que nem cursaram o segundo grau completo) que pregam bem. Quem lê sabe... Quem não lê, mesmo tendo dois graus universitários, continuará inculto no vernáculo. Tive uma professora de Português no seminário que, certo dia, quando um aluno escreveu a palavra “adevogado”, ela mandou que ele a corrigisse. Só que não soube explicar o motivo de não se colocar o “e” na palavra “advogado”. Pedi licença, explicando que “advogado” vem de dois termos latinos “ad = para” e “vacatus= chamado”... Que falta faz o Latim a essa turma de hoje! Todos valorizam os graus universitários, mas a maioria deixa esses cursos na maior pobreza cultural... Refiro-me aos que não gostam de ler, é claro!

         Quando entro numa dessas igrejas que pregam a “teologia da fé/prosperidade” (e outras baboseiras oriundas de Kenneth Hagin, Benny Hinn, Robert Schuller e outros ministros milionários americanos), já estou sabendo que vou escutar “abobrinhas” em matéria de vernáculo e de Bíblia. Por isso evito entrar nessas igrejas “americanalhadas”, para não pecar contra a caridade.

         Nesta cidade, existe uma igreja, antes considerada tradicional, que aderiu ao G-12 e a outras aberrações americanas e colombianas. Certo dia, quando entrei  ali para assistir a uma escola dominical, não me contive e acabei criando uma confusão tremenda, pois a professora estava dando a aula com uma apostila do Benny Hinn na mão e quando perguntei “por que uma igreja fundada por John Wesley (cujo Comentário Bíblico do Novo Testamento  eu traduzi em 1998,  e cuja teologia conheço muito bem) estava pregando a teologia do Kenneth Hagin e do Benny Hinn, a qual é totalmente contrária à teologia do seu fundador? A professora teve um chilique, disse que eu estava li somente para perturbar a classe e logo os alunos se voltaram contra mim... Tive de sair, bem depressa,  para não ser linchada.

Curioso é que isso mesmo aconteceu na escola dominical de uma Igreja Mórmon, quando tentei explicar o real significado de Marcos 16:16: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. O “Elder” mórmon logo avisou aos alunos que eu era “uma discípula do diabo, que ali viera apenas para criar confusão”. Como era americano, sugeri que ele me procurasse em casa (a uma quadra dali) para conversarmos em Inglês, mas até hoje (faz uns 20 anos) ele não apareceu.  Outra vez estava com o Pr. Paulo Pimentel numa escola dominical de outra igreja mórmon. Quando o Pr. Paulo tentou explicar que o batismo não é condição “sine-qua-non” de salvação, fomos considerados “personas non gratas” e tivemos de sair dali.

Isso mostra que uma igreja evangélica que segue as doutrinas espúrias da “teologia da fé/prosperidade” está mais para seita herética do que para igreja cristã, pois desobedece textualmente a passagem de Gálatas 5:1, que diz: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão”.  Seus pastores, além de semi-analfabetos na língua pátria, o são também na Bíblia, ensinando doutrinas espúrias e conduzindo muitas almas inocentes às trevas do paganismo e do catolicismo romano, delas exigindo obrigações desnecessárias para complementar a salvação e operar santificação, como dízimos, ofertas, objetos ungidos, jejuns, orações nos montes, gestos físicos para chamar a atenção divina, e outras coisas que eles importam das falsas religiões, desprezando a simplicidade do evangelho de Cristo, conforme nos admoestou Paulo, na 2 Coríntios 11:3: Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo”. Quantas almas o diabo tem conseguido arrebanhar, com a falsa teologia dessas igrejas...

 

Mary Schultze, janeiro 2005.

(Bíblia ACF)