A beleza ou os bens...

 

Nasci de parto normal, / coradinha e rechonchuda,

desejada por meus pais, / numa alegria total!

Minha a mãe se achou sortuda / e meu pai, feliz demais!

Cresci risonha e peralta, / com saúde e muito amor,

aconchego e diretriz, / família e religião,

com Jesus, o Salvador, / vivendo em meu coração!

O primeiro namorado / me tinha o maior respeito.

Era um moço recatado, / gostava de ler jornais,

sobretudo ?enternurado?, / me dava o maior cartaz!

Minha loucura e paixão / foi o professor de Inglês.

É pena que eu só o via, / cada semana, uma vez,

mas, mesmo assim, eu sentia / disparado o coração!

Com outra ele casou, / pois era comprometido,

fiquei muito desgostosa / com este amor tão sofrido!

Mas a paixão se apagou, / com o tempo decorrido!

Tive outros namorados, / porém sem grande paixão,

os sentimentos trancados / dentro do meu coração,

até que um dia encontrei / um belo e culto Alemão!

Ele me olhou e pediu, / sorrindo, no mesmo dia,

que eu me casasse com ele, / pois mui feliz me faria.

Em apenas quatro meses, / já estávamos casados,

tivemos alguns reveses, / porém, todos controlados.

Vivemos 26 anos, / felizes e apaixonados,

até que Deus o chamou / e duas filhas ficaram.

O trabalho me engolfou / e os anos se escoaram...

Envelheci, de repente,   / agora sozinha estou!

E já chegando aos oitenta, porém mentalmente sã,

eu me sinto friorenta / mas nunca fiquei doente!

Quisera poder voltar / ao tempo dos meus cinqüenta,

pois vejo que, nesse tempo, poderia ter casado,

visto como apareceram / dois homens interessados,

quem sabe, não na beleza, / porém nos bens declarados!

 

Mary Schultze, 25/05/2009.

(Trovas dedicadas a Mazé)